{"id":4960,"date":"2022-09-17T20:13:55","date_gmt":"2022-09-17T23:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/?p=4960"},"modified":"2022-09-17T20:13:55","modified_gmt":"2022-09-17T23:13:55","slug":"um-dinossauro-pescocudo-nanico-e-o-mais-novo-dinossauro-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2022\/09\/17\/um-dinossauro-pescocudo-nanico-e-o-mais-novo-dinossauro-brasileiro\/","title":{"rendered":"Um dinossauro pesco\u00e7udo nanico \u00e9 o mais novo dinossauro brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os maiores animais a caminharem em terra firme foram os <span style=\"color: #008000\">dinossauros saur\u00f3podes<\/span>, apelidados de <span style=\"color: #008000\">pesco\u00e7udos<\/span>. Algumas esp\u00e9cies de pesco\u00e7udos,\u00a0 como o <i>Argentinosaurus<\/i> ou o <i>Patagotitan<\/i>, encontrados na Argentina, podiam ultrapassar 30 metros de comprimento. Verdadeiros colossos capazes de fazer a terra tremer! Mas nem todos os saur\u00f3podes eram assim&#8230; Existiram centenas de esp\u00e9cies desses dinossauros em quase todos os continentes e, apesar da maioria ser conhecida pelo seu grande tamanho, algumas formas adotaram uma tend\u00eancia contr\u00e1ria. Existem alguns casos de pesco\u00e7udos an\u00f5es, formas com a altura de um cavalo ou de um camelo, como <em>Magyarosaurus<\/em> ou <em>Europasaurus<\/em>, encontrados em ambientes de ilhas antigas. Via de regra, essas formas an\u00e3s s\u00e3o encontradas em ambientes de ilhas, pois devido a restri\u00e7\u00e3o de \u00e1rea e recursos, a miniaturiza\u00e7\u00e3o do corpo pode ser uma vantagem. Por\u00e9m, para nossa surpresa, f\u00f3sseis de uma nova esp\u00e9cie de dinossauro pesco\u00e7udo an\u00e3o foram encontradas aqui no interior do Brasil, em um lugar que esteve bem longe do mar durante toda a Era dos Dinossauros. Essa esp\u00e9cie de dinossauro foi descoberta na cidade de Ibir\u00e1, no interior de S\u00e3o Paulo, e se tornou uma das menores esp\u00e9cies de dinossauros pesco\u00e7udos conhecidas do mundo!<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_4966\" aria-describedby=\"caption-attachment-4966\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4966 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-1024x724.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-1536x1086.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-500x353.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-800x566.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb-1280x905.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4966\" class=\"wp-caption-text\">Reconstitui\u00e7\u00e3o da nova esp\u00e9cie de dinossauro an\u00e3o de Ibir\u00e1. Arte por Matheus Gadelha.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por mais de 15 anos o <strong>Prof. Marcelo Fernandes (UFSCar)<\/strong> e seu grupo de pesquisa, eu inclusa, t\u00eam coletado f\u00f3sseis no Noroeste Paulista, em uma localidade onde s\u00e3o encontrados abundantes f\u00f3sseis de dinossauros. As rochas e f\u00f3sseis dessa localidade datam do Per\u00edodo Cret\u00e1ceo e t\u00eam aproximadamente 80 milh\u00f5es de anos. Dentre os f\u00f3sseis recuperados est\u00e3o restos de dinossauros carn\u00edvoros, crocodilos, tartarugas e v\u00e1rios outros animais da &#8220;Era dos Dinossauros&#8221;. Muitos restos de dinossauros herb\u00edvoros foram encontrados na localidade, mas at\u00e9 o momento nenhuma esp\u00e9cie de pesco\u00e7udo havia sido nomeada para a regi\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4963\" aria-describedby=\"caption-attachment-4963\" style=\"width: 216px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-4963\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-199x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-199x300.jpeg 199w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-680x1024.jpeg 680w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-768x1157.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-1020x1536.jpeg 1020w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-1360x2048.jpeg 1360w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-500x753.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-800x1205.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034-1280x1928.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/photo1663255034.jpeg 1700w\" sizes=\"(max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4963\" class=\"wp-caption-text\">Eu procurando por f\u00f3sseis no s\u00edtio onde foram encontrados f\u00f3sseis do pequeno pesco\u00e7udo em Ibir\u00e1, SP. Foto por Tito Aureliano.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fui eu quem trabalhou pela primeira vez, durante a minha gradua\u00e7\u00e3o, com os f\u00f3sseis do pequeno dinossauro pesco\u00e7udo de Ibir\u00e1. \u00c0quela \u00e9poca, o dinossauro n\u00e3o ganhou nome, mas foi reconhecido como diferente das outras esp\u00e9cies descritas para o Brasil at\u00e9 ent\u00e3o. Muito tempo se passou, mais f\u00f3sseis desse pequeno dinossauro foram encontrados e, finalmente, alguns anos atr\u00e1s, a miss\u00e3o de liderar a descri\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie desse misterioso dinossauro nanico foi dada ao paleont\u00f3logo <strong>Bruno Navarro<\/strong>, atualmente estudante de doutorado no Museu de Zoologia da USP, e especialista em dinossauros saur\u00f3podes. Bruno, Marcelo e eu contamos com a ajuda de uma excelente equipe de colaboradores nesse processo e, no \u00faltimo dia 15 de setembro, apresentamos formalmente essa nova esp\u00e9cie de dinossauro ao mundo cient\u00edfico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4961\" aria-describedby=\"caption-attachment-4961\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4961 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-1024x577.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-768x433.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-500x282.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-800x451.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o-1280x721.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/20507737_1414362705267078_7091238195023583538_o.jpg 1433w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4961\" class=\"wp-caption-text\">O colega Bruno Navarro em Ibir\u00e1, SP, procurando por f\u00f3sseis. Foto do arquivo pessoal de Bruno.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Comparando os f\u00f3sseis do pequeno dinossauro de Ibir\u00e1 com materiais de outros animais do mesmo grupo encontrados no Brasil e no mundo, foi poss\u00edvel concluir que ele pertencia \u00e0 fam\u00edlia dos saltassauros, um grupo de titanossauros que inclui algumas esp\u00e9cies de j\u00e1 de tamanho bastante reduzido. Al\u00e9m disso, o pequeno dinossauro de Ibir\u00e1 apresentava v\u00e1rias caracter\u00edsticas \u00fanicas, n\u00e3o compartilhadas com seus parentes mais pr\u00f3ximos, logo, uma nova esp\u00e9cie poderia ser batizada. O nome escolhido foi <strong><i>Ibirania parva<\/i>.<\/strong> <i>Ibirania <\/i>\u00e9 a jun\u00e7\u00e3o das palavras Ibir\u00e1 &#8211; cidade onde a esp\u00e9cie foi encontrada &#8211; e <i>ania<\/i> que em grego significa \u201ccaminhante, peregrino\u201d. J\u00e1 <i>parva <\/i>\u00e9 o latim para \u2018pequeno\u2019. Como a palavra Ibir\u00e1 vem do Tupi para \u201c\u00c1rvore\u201d &#8211; \u00e9 poss\u00edvel traduzir o nome desse dinossauro como <strong>\u201co pequeno peregrino das \u00e1rvores\u201d.<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_4965\" aria-describedby=\"caption-attachment-4965\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4965 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/unnamed.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/unnamed.jpg 512w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/unnamed-300x186.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/unnamed-500x311.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4965\" class=\"wp-caption-text\">Reconstitui\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Ibirania parva por Hugo Cafasso.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde o princ\u00edpio era poss\u00edvel notar que os f\u00f3sseis desse pesco\u00e7udo de Ibir\u00e1 eram muito pequenos quando comparado a outros titanossauros, mas ao estimar o tamanho aproximado de um dos esp\u00e9cimes analisados, nos surpreendemos. Ele teria entre 5 e 6 metros de comprimento e seria da altura de uma vaca, o que o colocaria entre as menores esp\u00e9cies de saur\u00f3podes j\u00e1 descritas do mundo! Para checar se o tamanho reduzido seria porque o\u00a0 esp\u00e9cime era apenas um jovem quando morreu, resolvemos analisar o tecido \u00f3sseo fossilizado do dinossauro ao microsc\u00f3pio. Essas amostras foram analisadas pelo paleont\u00f3logo Tito Aureliano, atualmente estudante de doutorado da Unicamp. A partir da an\u00e1lise do tecido \u00f3sseo foi poss\u00edvel concluir que <i>Ibirania <\/i>realmente era uma esp\u00e9cie de titanossauro an\u00e3o, j\u00e1 que os f\u00f3sseis pertenciam a um animal adulto no momento de sua morte, ou seja, ele n\u00e3o cresceria mais ao longo de sua vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4962\" aria-describedby=\"caption-attachment-4962\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4962 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-1024x308.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"143\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-1024x308.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-300x90.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-768x231.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-1536x461.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-2048x615.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-500x150.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-800x240.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-1280x384.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcsp9ivWIAI5_6Q-1920x577.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4962\" class=\"wp-caption-text\">Tamanho estimado de Ibirania parva comparado a um humano de 1,80m. Em destaque as partes descobertas do esqueleto.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_4969\" aria-describedby=\"caption-attachment-4969\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4969 size-large\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-1024x759.png\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-1024x759.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-300x222.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-768x569.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-500x371.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16-800x593.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Captura-de-Tela-2022-09-17-a\u0300s-20.07.16.png 1106w\" sizes=\"(max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4969\" class=\"wp-caption-text\">V\u00e9rtebra dorsal de Ibirania parva. Imagem de Navarro et al. (2022). Escala = 10cm.<\/figcaption><\/figure>\n<p>No interior de S\u00e3o Paulo, durante o final do Per\u00edodo Cret\u00e1ceo, h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos, caminharam muitos dinossauros pesco\u00e7udos de grande tamanho, e at\u00e9 gigantes, como o <i>Austroposeidon<\/i>. Mas havia algo de especial na regi\u00e3o de Ibir\u00e1, que favoreceu a exist\u00eancia de pesco\u00e7udos nanicos. Diferente de outros an\u00f5es que viviam em ilhas tropicais onde hoje \u00e9 a Europa, como <em>Magyarosaurus<\/em> ou <em>Europasaurus<\/em>, <i>Ibirania<\/i> vivia no interior do Brasil, em um ambiente semi-\u00e1rido com per\u00edodos chuvosos intercalados por secas intensas. Foi esse ambiente hostil, com recursos limitados periodicamente, que selecionou esses pequenos dinossaurinhos herb\u00edvoros, que ao inv\u00e9s de migrar, provavelmente permaneciam residentes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Ibirania<\/em> \u00e9 a primeira esp\u00e9cie comprovadamente an\u00e3 das Am\u00e9ricas e viveu em um contexto muito diferente dos outros dinossauros pesco\u00e7udos an\u00f5es j\u00e1 encontrados. Ela acrescenta novas informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos titanossauros e tamb\u00e9m sobre a ocorr\u00eancia de nanismo em dinossauros saur\u00f3podes. <i>Ibirania<\/i> recebeu o apelido carinhoso de \u201cBilbo\u201d, em refer\u00eancia ao hobbit de &#8220;O Senhor dos An\u00e9is&#8221;, por ser um nanico entre gigantes. Se voc\u00ea quiser saber todas as descobertas que este \u2018dinossauro-Hobbit\u2019 j\u00e1 forneceu, assista \u00e0 playlist: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_kH96sPGjfg&amp;list=PLHPifkNwYyYYNFP-wvUXNti7NGkfNQ8hz\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_kH96sPGjfg&amp;list=PLHPifkNwYyYYNFP-wvUXNti7NGkfNQ8hz<\/a>.<\/p>\n<p>O estudo foi publicado na revista Ameghiniana e pode ser acessado <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/362978138_A_new_nanoid_titanosaur_Dinosauria_Sauropoda_from_the_Upper_Cretaceous_of_Brazil\">AQUI<\/a>.<\/p>\n<p>Assista tamb\u00e9m ao v\u00eddeo de divulga\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<iframe src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/lk_TM7xn7Es\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>A. Navarro, B., M. Ghilardi, A. ., Aureliano, T., D\u00edez D\u00edaz, V., N. Bandeira, K. L., S. Cattaruzzi, A. G., V. Iori, F., M. Martine, A., B. Carvalho, A., Anelli, L. E., A. Fernandes, M., &amp; Zaher, H. (2022). A NEW NANOID TITANOSAUR (DINOSAURIA: SAUROPODA) FROM THE UPPER CRETACEOUS OF BRAZIL. <i>Ameghiniana<\/i>, <i>59<\/i>(5), 317-354. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5710\/AMGH.25.08.2022.3477\">https:\/\/doi.org\/10.5710\/AMGH.25.08.2022.3477<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os maiores animais a caminharem em terra firme foram os dinossauros saur\u00f3podes, apelidados de pesco\u00e7udos. Algumas esp\u00e9cies de pesco\u00e7udos,\u00a0 como o Argentinosaurus ou o Patagotitan, encontrados na Argentina, podiam ultrapassar 30 metros de comprimento. Verdadeiros colossos capazes de fazer a terra tremer! Mas nem todos os saur\u00f3podes eram assim&#8230; Existiram centenas de esp\u00e9cies desses dinossauros &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2022\/09\/17\/um-dinossauro-pescocudo-nanico-e-o-mais-novo-dinossauro-brasileiro\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Um dinossauro pesco\u00e7udo nanico \u00e9 o mais novo dinossauro brasileiro<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":489,"featured_media":4966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9,25,28,51,33,176,205,79,80,89],"tags":[223,147,224,148,127],"class_list":["post-4960","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bacia-bauru","category-cretaceo","category-dinossauros","category-mesozoico","category-evolucao","category-gondwana","category-paleontologia-brasileira","category-sauropoda","category-sauropodomorpha","category-vertebrados","tag-dinossauro","tag-dinossauros-brasileiros","tag-fosseis","tag-paleontologia","tag-sauropoda"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2022\/09\/Fcr4imgXwAA0Klb.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/users\/489"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4960"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4972,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4960\/revisions\/4972"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}