{"id":4998,"date":"2023-03-20T15:12:27","date_gmt":"2023-03-20T18:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/?p=4998"},"modified":"2023-03-20T15:12:29","modified_gmt":"2023-03-20T18:12:29","slug":"o-que-os-olhos-nas-asas-de-um-inseto-fossil-podem-nos-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2023\/03\/20\/o-que-os-olhos-nas-asas-de-um-inseto-fossil-podem-nos-dizer\/","title":{"rendered":"O que os olhos nas asas de um inseto f\u00f3ssil podem nos dizer?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Por Matheus P. dos Santos da Rocha &amp; Cledston Matheus A. Mac\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando falamos em Paleontologia, muitos a resumem como uma ci\u00eancia meramente de descri\u00e7\u00e3o de aspectos morfol\u00f3gicos, como o simples trabalho de encontrar um osso, descreve-lo e, por sorte, dar nome a uma nova esp\u00e9cie. Por\u00e9m, a Paleontologia vai muito al\u00e9m disso. Por meio dela, podemos especular sobre diversos aspectos da vida no passado. At\u00e9 mesmo alguns cujas evid\u00eancias, muitas vezes, s\u00e3o escassas no registro fossil\u00edfero. Um exemplo disso, seria encontrar uma resposta para a pergunta: <strong>como eram os olhos dos dinossauros n\u00e3o-avianos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como toda ci\u00eancia, a paleontologia trabalha, inicialmente, com hip\u00f3teses, e essas, podem nos levar para linhas de racioc\u00ednio beeeem inusitadas, uma hora podemos estar debatendo sobre buracos negros e a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros e isso, mais \u00e0 frente, pode terminar numa deliciosa (ou n\u00e3o) receita de macarr\u00e3o com biscoito. A hist\u00f3ria de hoje come\u00e7a com uma linhas de racioc\u00ednio inusitadas: ela parte de um grupo de insetos f\u00f3sseis, os Kalligrammatidae\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>O que s\u00e3o os Kalligrammatidae?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"686\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-2-1024x686.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5002\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-2-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-2-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-2-768x515.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Chrysoperla carnea<\/em> &#8211; Foto de Julia Stoess<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 viu em algum jardim por a\u00ed pequenas bolinhas sustentadas por um fio bem fino, presas nas folhas das plantas? Se sim, com quase toda certeza voc\u00ea viu ovos de <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Chrysopidae\" target=\"_blank\">bicho-lixeiro<\/a><\/strong>. Pertencentes a uma ordem de insetos chamada <strong>Neuroptera<\/strong>, esses inofensivos (para os humanos) insetos s\u00e3o predadores vorazes de ovos de aranhas e outros invertebrados. Essa ordem inclui desde a <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Formiga-le%C3%A3o\" target=\"_blank\">formiga-le\u00e3o<\/a><\/strong>, at\u00e9 coisas estranhas como os <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mantispidae\" target=\"_blank\">mantisp\u00eddeos<\/a><\/strong> (que parecem uma mistura bizarra entre um marimbondo e um louva-a-deus).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o serem um grupo muito comum nos dias de hoje, a representa\u00e7\u00e3o f\u00f3ssil deles \u00e9 <strong><em>abundante<\/em><\/strong>. No Brasil, dados de um trabalho de revis\u00e3o de 2018, d\u00e3o conta que das 379 esp\u00e9cies de insetos descritos para a Forma\u00e7\u00e3o Crato, da Bacia do Araripe, 76 s\u00e3o neur\u00f3pteros, ou seja, 20% da diversidade de insetos da forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma \u00fanica ordem, que atualmente representa 0,6% das esp\u00e9cies de insetos viventes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">No meio de toda essa diversidade, os f\u00f3sseis mais enigm\u00e1ticos de Neuroptera s\u00e3o os da fam\u00edlia <strong>Kalligrammatidae<\/strong>. O primeiro de Kalligrammatidae foi descrito por Johannes Walther, em 1904, com base num material quase completo, encontrado no calc\u00e1rio jur\u00e1ssico de Solnhofen (Alemanha) &#8211; aquele mesmo do <em>Archaeopteryx<\/em>. Desde ent\u00e3o, diversas esp\u00e9cies de Kalligrammatidae foram encontradas em v\u00e1rias localidades, com destaque para os achados na <strong>China <\/strong>e nos <strong>\u00e2mbares birmaneses, ao norte de Mianmar.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"535\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-1024x535.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5003\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-1024x535.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-300x157.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-768x401.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-1536x802.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Captura-de-Tela-2023-03-20-a\u0300s-14.50.30-2048x1070.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Diversidade dos kalligrammatidae. a. &amp; b. da Forma\u00e7\u00e3o Crato (Brasil); c., d., e., f., g., h. &amp; p. das Forma\u00e7\u00f5es Jiulongshan ou Haifanggou (China); i., j., k., l., m. &amp; n. da Forma\u00e7\u00e3o Yixian (China); o. da Forma\u00e7\u00e3o Karabastau (Cazaquist\u00e3o).&#8221; &#8211; Imagem original por <strong>Julian Kiely<\/strong> (Editado).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Em 1997, o lend\u00e1rio paleont\u00f3logo <strong>Rafael G. Martins-Neto<\/strong>, descreveu, pela primeira vez, um Kalligrammatidae na Forma\u00e7\u00e3o Crato, batizado de <em>Makarkinia adamsi<\/em>. De l\u00e1 pra c\u00e1, outros trabalhos confirmaram a presen\u00e7a dessa fam\u00edlia no Nordeste Brasileiro e, inclusive, descreveram novas esp\u00e9cies, sendo este, at\u00e9 hoje, o \u00fanico lugar fora da Europa e \u00c1sia a ter esses registros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">\u00c9 uma sorte que esses animais ocorram em v\u00e1rios afloramentos do tipo <strong>lagerst\u00e4tten<\/strong> (s\u00edtios com preserva\u00e7\u00e3o excepcional) pelo mundo afora. A boa preserva\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis permitiu notar rapidamente a <strong>semelhan\u00e7a dos kalligrammat\u00eddeos f\u00f3sseis com as atuais borboletas e mariposas. <\/strong>Essa compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica s\u00f3 por conta do formato, padr\u00f5es de colora\u00e7\u00e3o e desenhos das asas, mas alguns esp\u00e9cimes bem preservados, principalmente em \u00e2mbar, mostram tamb\u00e9m a presen\u00e7a de uma \u201cboca\u201d modificada em um fino e comprido tubo chamado de <strong>prob\u00f3scide,<\/strong> caracter\u00edstica marcante das mariposas e borboletas (ambas pertencentes \u00e0 ordem Lepidoptera). Mas isso aconteceu nos <strong>kalligrammat\u00eddeos<\/strong> num momento do tempo geol\u00f3gico em que <strong>as borboletas n\u00e3o existiam e as mariposas n\u00e3o eram t\u00e3o abundantes e diversificadas como s\u00e3o hoje.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Fora do Brasil, alguns Kalligrammatidae chegam a ser apelidados de \u201c<em>giant lacewings<\/em>\u201d (crisop\u00eddeos gigantes) e isso chegou ao extremo em algumas esp\u00e9cies f\u00f3sseis. Comparativamente, algumas esp\u00e9cies f\u00f3sseis s\u00e3o enormes em rela\u00e7\u00e3o aos seus irm\u00e3os ainda viventes. Estima-se que as esp\u00e9cies encontradas no Araripe, por exemplo, alcan\u00e7avam entre 24 a 32 cent\u00edmetros de envergadura!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>A hist\u00f3ria dos \u201colhos\u201d nas asas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Insetos grandes e chamativos podem virar comida facilmente, por isso, <strong>precisam ter alguma forma de se proteger da preda\u00e7\u00e3o<\/strong>. Os kalligrammat\u00eddeos que viveram entre o Eojur\u00e1ssico ao Neocret\u00e1ceo estavam dividindo espa\u00e7o com lagartos, dinossauros avianos e n\u00e3o-avianos, pterossauros, entre outros predadores . Logo, teria que haver alguma forma deles n\u00e3o sucumbirem a seus colegas de habitat! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">As mariposas e borboletas de hoje em dia t\u00eam algumas estrat\u00e9gias para evitar a preda\u00e7\u00e3o.  Desde proje\u00e7\u00f5es nas asas para desviar a aten\u00e7\u00e3o do predador, como as mariposas do g\u00eanero <em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Actias\" target=\"_blank\">Actias<\/a>,<\/em> at\u00e9 mimetizar (imitar) folhas secas, tal qual <em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zaretis_itys\" target=\"_blank\">Zaretis itys<\/a><\/em> faz. Outra forma \u00e9 ter <strong>\u201colhos\u201d<\/strong>, ou melhor, <strong>ocelos <\/strong>em suas asas. Os ocelos s\u00e3o desenhos circulares que aparecem em diversos animais, especialmente nos lepid\u00f3pteros. Esses c\u00edrculos podem aparecer com 2 estrat\u00e9gias diferentes de uso:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5004\" width=\"152\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-4.jpg 469w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-4-300x265.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 152px) 100vw, 152px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mycalesis patnia &#8211; Foto por L. Shyamal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">A primeira \u00e9 ter eles pr\u00f3ximos \u00e0s margens da asa, fazendo com que a aten\u00e7\u00e3o de um prov\u00e1vel predador seja focada na ponta da asa e n\u00e3o no centro do corpo do organismo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">A outra \u00e9 simplesmente aterrorizar! As mariposas da fam\u00edlia Saturniidae e as borboletas-olho-de-coruja do g\u00eanero <em>Caligo<\/em>, por exemplo, fazem isso muito bem. Elas t\u00eam ocelos enormes no centro das asas, que imitam &#8211; algumas vezes de forma assustadora &#8211; os olhos de uma coruja, afastando assim qualquer predador que ouse atac\u00e1-las. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5007\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-5-1-2048x1360.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Caligo beltrao<\/em> &#8211; Foto por Quartl<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">E \u00e9 nesse ponto que quer\u00edamos chegar. Justamente essa segunda estrat\u00e9gia \u00e9 atribu\u00edda a <strong>v\u00e1rias esp\u00e9cies f\u00f3sseis de kalligramat\u00eddeos. <\/strong>Desde o primeiro esp\u00e9cime descrito, os ocelos gigantes est\u00e3o presentes nas asas, e h\u00e1 trabalhos que descrevem e comparam os diversos formatos encontrados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"799\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-1024x799.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5008\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-1024x799.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-300x234.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-768x599.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-1536x1198.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-6-2048x1597.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Makarkinia irmae<\/em>  &#8211; Imagem de Machado <em>et al<\/em>. (2021).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>O que isso tem a ver com dinossauros?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Agora, chegou a hora que, ou voc\u00eas sair\u00e3o desse blog nos chamando de loucos, ou ter\u00e3o o famoso \u201c<em>Mind Blow<\/em>\u201d. Vamos ao ponto principal: voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar sobre o formato dos olhos dos dinossauros n\u00e3o-avianos? Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o complicada, pois o n\u00famero de olhos de dinossauro preservados no registro fossil\u00edfero \u00e9: <strong>zero! <\/strong>Mas \u00e9 uma curiosidade leg\u00edtima querer saber essa informa\u00e7\u00e3o, tanto que pode ser encontrado por a\u00ed, em f\u00f3runs pela internet, pessoas debatendo sobre essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como esse tipo de material f\u00f3ssil para dinossauros \u00e9 inexistente, parte-se para a compara\u00e7\u00e3o com animais recentes, tanto seus parentes mais pr\u00f3ximos ainda vivos, quanto poss\u00edveis an\u00e1logos ecol\u00f3gicos. Mas existe ainda outra linha de racioc\u00ednio para se debater: n\u00e3o olhar para os dinossauros em si, mas para seus colegas de habitat e, no nosso caso especifico, os kalligramat\u00eddeos da Forma\u00e7\u00e3o Crato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/blow-mind-mind-blown.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5009\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A rea\u00e7\u00e3o dos leitores daqui a alguns instantes, pelo menos, na expectativa dos autores\u2026<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 foi mencionado anteriormente, os \u201c<em>Giant Lacewings<\/em>\u201d poderiam ter se utilizado da segunda estrat\u00e9gia de uso dos ocelos: para assustar prov\u00e1veis predadores, imitando os olhos de animais com os quais conviveram. A\u00ed est\u00e1 o \u201cpulo do gato\u201d. Para um predador se assustar com os olhos desenhados nas asas das borboletas-olho-de-coruja \u00e9 preciso que tenha um animal no mesmo habitat, que v\u00e1 servir de gatilho (o &#8220;modelo&#8221; dos ocelos de <em>Caligo<\/em>, uma coruja, por exemplo: um predador assustador, que assuste o predador da <em>Caligo<\/em>). Mas h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos n\u00e3o existiam corujas no Cear\u00e1, ent\u00e3o\u2026quem eram os modelos dos Kalligrammatidae do Crato?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"805\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5010\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-8.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-8-300x236.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-8-768x604.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pantano do Crato &#8211; Arte de Olmagon.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Existem dois principais suspeitos: <strong>pterossauros e dinossauros<\/strong>, mas vamos por partes. Pterossauros na Bacia do Araripe, segundo Mendes <em>et al. <\/em>(2020), eram <strong>majoritariamente pisc\u00edvoros<\/strong> (comedores de peixes), com algumas exce\u00e7\u00f5es como <em>Lacusovagus magnificens<\/em>, que provavelmente vagava pelos p\u00e2ntanos da regi\u00e3o para ca\u00e7ar anf\u00edbios e outras pequenas presas. O trabalho de Mendes, inclusive, coloca os pterossauros como animais no topo da teia tr\u00f3fica da regi\u00e3o na \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5011\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-300x225.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-768x576.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-1536x1152.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-9-2048x1536.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cTeia tr\u00f3fica da fauna Cret\u00e1cea do Araripe\u201d &#8211; Mendel <em>et al.<\/em> (2020)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Mas se os pterossauros cearenses comiam peixes, majoritariamente, os poss\u00edveis predadores dos kalligramat\u00eddeos (outros insetos, anf\u00edbios, p\u00e1ssaros, pequenos dinossauros, etc.) n\u00e3o estavam no card\u00e1pio deles, <em>a priori<\/em>. Por esse fator, seria compreens\u00edvel a exclus\u00e3o desses animais como poss\u00edveis modelos para os ocelos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5012\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/Fig.-10-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escultura do <em>Santanaraptor placidus<\/em> do Museu Pl\u00e1cido Cidade Nuvens, de Santana do Cariri, CE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">J\u00e1 os dinossauros, por outro lado, s\u00e3o os candidatos perfeitos para esse quebra-cabe\u00e7as ecol\u00f3gico. Animais como <em>Aratasaurus museunacionali<\/em>, <em>Mirischia asymetrica<\/em> (que, assim como &#8220;<em>Ubirajara<\/em>&#8220;, foi traficado para Alemanha #MirischiaBelongtoBR) e<em> Santanaraptor placidus<\/em>, ocupavam o nicho de predadores de m\u00e9dio a pequeno porte da regi\u00e3o do Cariri.&nbsp;Como apontado por <a href=\"https:\/\/palaeoflora.blogspot.com\/2022\/11\/restoring-kalligrammatids-not.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Julian Kiely, em seu artigo para o blog \u201c<em>Paleoflora<\/em>\u201d<\/a>,&nbsp; a <strong>forma da asa dianteira na maioria das esp\u00e9cies de kalligramat\u00eddeos, e o grande tamanho dessas asas,&nbsp; correspondiam, aproximadamente, ao tamanho e a forma das cabe\u00e7as de muitos pequenos dinossauros predadores<\/strong> <strong>que conviviam com esses insetos <\/strong>(como as esp\u00e9cies mencionadas acima). Desta forma, poder\u00edamos inferir que as pupilas dos dinossauros de m\u00e9dio a pequeno porte do Jur\u00e1ssico Superior e do Cret\u00e1ceo Inferior, como os maniraptores (pelo menos), deveriam ser arredondadas, j\u00e1 que os ocelos de todos os kalligramat\u00eddeos conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o, possuem esse mesmo formato. O que se soma \u00e0 evid\u00eancia indireta parelela, que considera como base comparativa o formato da pupila dos dinossauros viventes, que s\u00e3o as aves.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1024x394.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5013\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1024x394.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-300x115.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-768x295.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1536x590.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image.png 1634w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mimetismo de Kalligrammatidae a um Maniraptora&nbsp; &#8211; Imagem de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/palaeoflora.blogspot.com\/2022\/11\/restoring-kalligrammatids-not.html\" target=\"_blank\">Julian <\/a><a href=\"https:\/\/palaeoflora.blogspot.com\/2022\/11\/restoring-kalligrammatids-not.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/palaeoflora.blogspot.com\/2022\/11\/restoring-kalligrammatids-not.html\" target=\"_blank\">iely, 2022.<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>O poder da especula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Alguns podem estar se perguntando: qual a import\u00e2ncia de <strong>especular <\/strong>aspectos biol\u00f3gicos e evolutivos t\u00e3o dif\u00edceis de se comprovar por meio do registro fossil\u00edfero? Muito da ci\u00eancia come\u00e7a com&nbsp;especula\u00e7\u00e3o. As descobertas cient\u00edficas, em geral, nascem de hip\u00f3tese de algu\u00e9m. Um exemplo cl\u00e1ssico foi a detec\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais em 2015, que haviam sido previstas por Albert Einstein em 1916.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Focando na \u00e1rea da Paleontologia, um exemplo muito interessante, e, \u00e0 \u00e9poca, considerado extremamente especulativo, foi o da exist\u00eancia de um <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Radiodonta\" target=\"_blank\">radiodonte (grupo que inclui o <em>Anomalocaris<\/em>)<\/a> filtrador, batizado de \u201c<em>Ceticaris<\/em>\u201d. Nada mais que uma especula\u00e7\u00e3o concebida pelo artista John Meszaros, publicada no livro <em>All Your Yesterdays<\/em>, de 2013. Por\u00e9m, para surpresa de muitos, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/dro.dur.ac.uk\/21270\/1\/21270.pdf\" target=\"_blank\">em 2014 foi realmente descrito um radiodonte cambriano com h\u00e1bito filtrador<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/dro.dur.ac.uk\/21270\/1\/21270.pdf\" target=\"_blank\"><em>Tamisiocaris borealis<\/em><\/a>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"863\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1-1024x863.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5014\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1-1024x863.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1-300x253.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1-768x648.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-1.png 1212w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201c<em>Ceticaris<\/em>\u201d &#8211; Arte de John Meszaros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Em homenagem \u00e0 previs\u00e3o de Meszaros, <em>Tamisiocaris<\/em> foi inclu\u00eddo em um novo clado denominado <strong>Cetiocaridae<\/strong>. Infelizmente, o nome deste clado n\u00e3o \u00e9 mais considerado v\u00e1lido, de acordo com o C\u00f3digo Internacional de Nomenclatura Zool\u00f3gica, por n\u00e3o existir nenhum g\u00eanero real chamado &#8220;<em>Cetiocaris<\/em>&#8220;, ent\u00e3o foi formalmente substitu\u00eddo pelo nome Tamisiocarididae.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"726\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-2-1024x726.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5015\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-2-1024x726.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-2-300x213.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-2-768x545.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2023\/03\/image-2.png 1380w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reconstru\u00e7\u00e3o de <em>Tamisiocaris<\/em> &#8211; Arte de Rob Nicholls<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>Finalmentes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com base em todos os argumentos supracitados (Al\u00f4, professores de reda\u00e7\u00e3o!), podemos inferir que a hip\u00f3tese levantada pode levar a especula\u00e7\u00f5es e trabalhos futuros que respondam \u00e0s nossas d\u00favidas (isso claro, se esse post, neste humilde blog, chegar nas pessoas certas, e para isso seu compartilhamento \u00e9 fundamental). Gostar\u00edamos de agradecer a Julian Kiely do excelente blog \u201c<em>Paleoflora<\/em>\u201d pelo artigo que inspirou este, e que isso inspire a todos os nossos leitores a imaginar e especular dentro da ci\u00eancia, lan\u00e7ar ideias, compartilh\u00e1-las, pois s\u00f3 assim a ci\u00eancia cresce e prospera, com uni\u00e3o e partilha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Martins-Neto, R. G. 1997. Neur\u00f3pteros (Insecta, Planipennia) da Forma\u00e7\u00e3o Santana (Cret\u00e1ceo IInferior) Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil. X &#8211; descri\u00e7\u00e3o de novos taxa (Chrysopidae, Babinskaiidae, Myrmeleontidae, Ascalaphidae e Psychopsidae). Revista Universidade Guarulhos , S\u00e3o Paulo, v. 2, n.4,. p. 68-83.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/blogs.scientificamerican.com\/artful-amoeba\/butterflies-in-the-time-of-dinosaurs-with-nary-a-flower-in-sight\/\">Frazer, J. 2016. Butterflies in the Time of Dinosaurs, with Nary a Flower in Sight. Scientific American.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/292953113_The_evolutionary_convergence_of_mid-Mesozoic_lacewings_and_Cenozoic_butterflies\">Labandeira, C.<em> et al<\/em>. 2016. The evolutionary convergence of mid-Mesozoic lacewings and Cenozoic butterflies. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences. 283.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature13010#citeas\">Vinther, J., Stein, M., Longrich, N. <em>et al.<\/em> 2014. A suspension-feeding anomalocarid from the Early Cambrian. <em>Nature<\/em> 507, 496\u2013499.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/42737821\/Mourajr_etal_2018_entomofauna_brasileira\">Moura-J\u00fanior, D.A. <em>et al<\/em>. 2018. The Brazilian Fossil Insects: current scenario. Anu\u00e1rio do Instituto de Geoci\u00eancia &#8211; Ufrj, v. 41, n. 1, p. 142-166. Instituto de Geoci\u00eancias &#8211; UFRJ.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/referenceworkentry\/10.1007\/978-3-319-90913-4_33-1#citeas\">Mendes, M. <em>et al<\/em>. 2020. Ecosystem Structure and Trophic Network in the Late Early Cretaceous Crato Biome. Brazilian Paleofloras. Springer, Cham.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0195667120304110?casa_token=Hpd3N9k5tEUAAAAA:OQRXxLGgkny-bNLC6dGsQUMcdS8wbTfqsfqv3S9qoaIgVY56zBsR7s8g_LDRcLvi3VPP-enX1kPg\">Machado, R.J.P. <em>et al<\/em>.2021. A new giant species of the remarkable extinct family Kalligrammatidae (Insecta: Neuroptera) from the Lower Cretaceous Crato Formation of Brazil. Cretaceous Research. Volume 120.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/palaeoflora.blogspot.com\/2022\/11\/restoring-kalligrammatids-not.html\">Kiely, J. 2022. Restoring the Kalligrammatids: The not-butterflies of the mesozoic. Paleoflora.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Matheus P. dos Santos da Rocha &amp; Cledston Matheus A. Mac\u00e1rio Quando falamos em Paleontologia, muitos a resumem como uma ci\u00eancia meramente de descri\u00e7\u00e3o de aspectos morfol\u00f3gicos, como o simples trabalho de encontrar um osso, descreve-lo e, por sorte, dar nome a uma nova esp\u00e9cie. Por\u00e9m, a Paleontologia vai muito al\u00e9m disso. 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