{"id":146,"date":"2020-02-17T08:29:55","date_gmt":"2020-02-17T11:29:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/?p=146"},"modified":"2020-05-09T01:16:18","modified_gmt":"2020-05-09T04:16:18","slug":"sobre-o-jogo-94-associacao-entre-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/2020\/02\/17\/sobre-o-jogo-94-associacao-entre-palavras\/","title":{"rendered":"Sobre o jogo 94%: associa\u00e7\u00e3o entre palavras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Texto de Sibele Huang<\/strong><br \/>\n<strong>Aluna do curso de Fonoaudiologia da Unicamp<\/strong><\/p>\n<p>Como a associa\u00e7\u00e3o de perguntas e palavras \u00e9 realizada no jogo 94%?<\/p>\n<p>O jogo 94% &#8211; Quiz, Trivia &amp; Logic bombou e ficou famoso por muito tempo, por desafiar os jogadores a pensarem e associarem as imagens e os conte\u00fados com palavras. Atualmente, s\u00e3o mais de 300 fases dispon\u00edveis, e cada uma cont\u00e9m tr\u00eas enigmas para os usu\u00e1rios raciocinarem, obterem as estrelinhas e passarem de fase.<\/p>\n<p>\u201cAnimais que nascem de um ovo?\u201d,<br \/>\n\u201cFrutas com sementes ou caro\u00e7o?\u201d,<br \/>\n\u201cIsso faz bem quando estamos doentes&#8230;\u201d,<br \/>\n\u201cCoisas relacionadas ao Egito&#8230;\u201d,<br \/>\nentre outras perguntas.<\/p>\n<p>A tarefa do jogador consiste em pensar em palavras que tenham rela\u00e7\u00e3o com os elementos indicados pelo jogo e escrev\u00ea-las. As respostas correspondem a uma porcentagem que equivale a uma m\u00e9dia das prefer\u00eancias das respostas dos usu\u00e1rios, ou seja, quanto mais as pessoas respondem uma palavra, maior a porcentagem dela.<\/p>\n<p>Feita a apresenta\u00e7\u00e3o do jogo, por que estamos falando sobre isso num blog de Fonoaudiologia?<\/p>\n<h3>Como as palavras se organizam na nossa \u2018mente\u2019?<\/h3>\n<p>Uma das \u00e1reas da Fonoaudiologia \u00e9 a Linguagem, que compartilha muitos estudos com algumas \u00e1reas da Lingu\u00edstica. Uma dessas \u00e1reas \u00e9 a psicolingu\u00edstica que tem como um de seus temas de estudo o que chamamos de <strong>Processamento de Palavras<\/strong>.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de processamento de palavras se refere ao estudo dos processos cognitivos (mentais\/cerebrais) que auxiliam ou atrapalham a compreens\u00e3o de uma palavra, seja escrita ou falada, o que pode envolver caracter\u00edsticas como contexto, familiaridade sem\u00e2ntica ou <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/07\/14\/letras-de-musica-mal-compreendidas-por-que-fazemos-embromation\/\">fonol\u00f3gica<\/a>, diferen\u00e7a entre <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/01\/05\/o-ingles-de-joel-santana-muito-mais-que-um-sotaque\/\">sotaques<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2018\/07\/17\/por-que-nos-incomodamos-com-filmes-mal-dublados\/\">l\u00ednguas<\/a>, frequ\u00eancia de uso e outros fatores.<\/p>\n<p>Por exemplo, uma palavra mais frequente \u00e9 lembrada mais f\u00e1cil e rapidamente do que palavras menos frequentes, o que n\u00e3o chega a ser surpreendente. E com isso podemos pensar em como nos lembramos de palavras com pe\u00e7as morfol\u00f3gicas, por exemplo global (globo &gt; glob[al] &gt; glob[ al [izar]] &gt; glob[al [iza [\u00e7\u00e3o]]] etc). Essas palavras s\u00e3o lembradas inteiras ou lembramos do sentido e, depois, de suas partes?<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_208\" aria-describedby=\"caption-attachment-208\" style=\"width: 811px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-208\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM.png\" alt=\"\" width=\"811\" height=\"617\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM.png 1404w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM-300x228.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM-1024x779.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM-768x584.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-4.39.41-PM-80x60.png 80w\" sizes=\"(max-width: 811px) 100vw, 811px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-208\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de pesquisas de rastreamento ocular de <a href=\"http:\/\/cienciaparaeducacao.org\/blog\/2017\/03\/13\/conecta-eye-tracker-um-microscopio-para-ajudar-a-ler-e-escrever\/\">Marcus Maia<\/a>, da UFRJ. Os c\u00edrculos verdes mostram os locais e o tempo de fixa\u00e7\u00e3o do olhar nas palavras. Repare que a palavra madura [inteira] \u00e9 lida inteira e feiura [feio &gt; fei-ura], \u00e9 lida de maneira composicional, juntando a raiz com o sufixo <em>-ura<\/em>.<\/figcaption><\/figure>Alguns pesquisadores como Steven Pinker mostram que podemos usar os dois sistemas. Quando uma palavra \u00e9 regular, podemos facilmente recuper\u00e1-la pensando na soma de suas partes. Por\u00e9m, quando a palavra \u00e9 irregular e altera sua raiz ao se juntar com alguma pe\u00e7a morfol\u00f3gica (como nossos verbos irregulares por &gt; p\u00fanhamos; ir &gt; foram), normalmente lembramos das palavras inteiras. Quando as palavras s\u00e3o muito frequentes e as usamos quase todos os dias, tamb\u00e9m \u00e9 comum que essas palavras sejam recuperadas inteiras da mem\u00f3ria, pelo menos em pesquisas com rastreamento ocular da leitura.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 bem esse o tema desse post certo? Ent\u00e3o, vamos voltar ao assunto:<\/p>\n<h3>Fatores que facilitam a recupera\u00e7\u00e3o das palavras?<\/h3>\n<p>Quando falamos em facilita\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o de uma palavra em pesquisas cient\u00edficas, geralmente estamos falando ou do Efeito de Cloze, ou do Efeito de Priming.<\/p>\n<p><strong>O efeito de Cloze<\/strong> acontece quando temos lacunas no texto e devemos preencher com a primeira coisa que nos v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a. Assim, todo o contexto age para que pessoas muito diferentes tenham basicamente as mesmas respostas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o <strong>efeito de Priming<\/strong> acontece quando mostramos uma palavra (chamada de prime) para uma pessoa e, em seguida, apresentamos uma segunda palavra (chamada de alvo) com a qual essa pessoa vai realizar alguma tarefa, como julgar sua frequ\u00eancia ou se ela \u00e9 uma palavra da sua l\u00edngua ou n\u00e3o. Nesse caso, o efeito de contexto \u00e9 diminu\u00eddo deixando a tarefa para a nossa mente e para a nossa mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>No caso do Priming, podemos recuperar as palavras de acordo com<\/p>\n<p><strong>a. sua forma<br \/>\n<\/strong>ex. banco (de sentar) x banco (institui\u00e7\u00e3o financeira); manga (fruta) x manga (camisa)<\/p>\n<p><strong>b. sua sem\u00e2ntica \/ contexto<\/strong><br \/>\nex. panela x cozinha; escola x professor (quase como o efeito de Cloze)<\/p>\n<p><strong>c. sua morfologia<\/strong><br \/>\nex. papel x papelaria; feio x feiura<\/p>\n<p><strong>d. sua fonologia<\/strong><br \/>\nex1. <span style=\"text-decoration: underline\"><strong>ovo<\/strong><\/span> x Kos<span style=\"text-decoration: underline\"><strong>ovo<\/strong><\/span> (pa\u00eds) &#8211; semelhan\u00e7a pelo final <strong>facilita<\/strong> a recupera\u00e7\u00e3o da palavra;<br \/>\nex2. <strong><span style=\"text-decoration: underline\">car<\/span><\/strong>o x <span style=\"text-decoration: underline\"><strong>car<\/strong><\/span>o\u00e7o &#8211; semelhan\u00e7a pelo in\u00edcio <strong>dificulta<\/strong> a recupera\u00e7\u00e3o da palavra;<\/p>\n<h3>Mas e o jogo?<\/h3>\n<p>No caso do jogo 94%, a associa\u00e7\u00e3o das palavras est\u00e1 mais atrelada ao priming sem\u00e2ntico, que acontece quando uma palavra ou um conte\u00fado vai desencadear no processamento do seguinte, uma vez que o contexto das palavras est\u00e3o relacionadas como m\u00e9dico e hospital.<\/p>\n<p>Segue algumas imagens para mostrar alguns enigmas apresentados nas fases do jogo:<\/p>\n<h3>Imagem 1. Perguntas do n\u00edvel 1.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele1.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-163\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele1.png\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele1.png 339w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele1-171x300.png 171w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Imagens 2 e 3. Pergunta e as respostas de uma das fases do n\u00edvel 1.<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele2.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-164 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele2.png\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele2.png 395w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele2-160x300.png 160w\" sizes=\"(max-width: 288px) 100vw, 288px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele3.png\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-165 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele3.png\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele3.png 395w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele3-160x300.png 160w\" sizes=\"(max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Imagens 4 e 5. Imagem e respostas de uma fase do n\u00edvel 1.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele4.png\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-166 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele4.png\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"547\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele4.png 387w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele4-163x300.png 163w\" sizes=\"(max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele5.png\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-167 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Sibele5.png\" alt=\"\" width=\"315\" height=\"540\" \/><\/a><\/p>\n<h3>Mas como sabemos que h\u00e1 facilita\u00e7\u00e3o na ativa\u00e7\u00e3o dessas palavras?<\/h3>\n<p>No processo de reconhecimento visual de palavras, um contexto sem\u00e2ntico \u00e9 provido com a apresenta\u00e7\u00e3o de uma palavra isolada (chamada <em>prime<\/em>), que \u00e9 seguida pela apresenta\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de letras (chamada alvo), na qual precisamos dar uma resposta como, por exemplo, se \u00e9 uma palavra da sua l\u00edngua ou n\u00e3o. Nesse momento, o tempo de resposta \u00e9 cronometrado e conseguimos comparar quais tipos de respostas s\u00e3o mais r\u00e1pidas ou mais lentas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_213\" aria-describedby=\"caption-attachment-213\" style=\"width: 529px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM.png\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-213\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM.png\" alt=\"\" width=\"529\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM.png 1044w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM-300x171.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM-1024x583.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/02\/Screen-Shot-2020-02-16-at-5.14.49-PM-768x437.png 768w\" sizes=\"(max-width: 529px) 100vw, 529px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Quadro explicativo do funcionamento de um experimento de priming<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>Dessa maneira, podemos entender que, quando um conte\u00fado \u00e9 apresentado, nossa mente consegue fazer esses caminhos e atalhos para acessar outras palavras que t\u00eam alguma rela\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica com o que exibido, afinal, provavelmente elas ser\u00e3o necess\u00e1rias em algum momento.<\/p>\n<p>Na pesquisa realizada pelas pesquisadoras Salles e Jou da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e Stein da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, \u00e9 realizada uma avalia\u00e7\u00e3o do efeito de associa\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica de palavras com crian\u00e7as que est\u00e3o na terceira s\u00e9rie, na qual os pesquisadores solicitaram \u00e0 crian\u00e7a dizer qual a primeira palavra que vem na cabe\u00e7a ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o da palavra-alvo. Ap\u00f3s a coleta, verificou-se a porcentagem de ocorr\u00eancia para cada palavra-alvo, analisando o associado sem\u00e2ntico mais frequente (for\u00e7a de associa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>E \u00e9 exatamente isso que acontece no 94%, os jogadores precisam digitar as palavras que surgem na mente que s\u00e3o associadas \u00e0s perguntas e contextos para conseguir passar de fase. Quanto \u00e0 porcentagem, o valor depender\u00e1 da for\u00e7a de associa\u00e7\u00e3o de cada palavra, ou seja, quanto mais pessoas cit\u00e1-la, maior a porcentagem dela, e quando a palavra apresenta uma associa\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica fraca, a porcentagem dela ser\u00e1 menor.<\/p>\n<p>Foi apresentado at\u00e9 o momento uma breve explica\u00e7\u00e3o de como conseguimos acessar e associar um conceito com o outro, exemplificando em um jogo. E agora \u00e9 aquele momento que pensamos: \u201cNossa, um simples jogo tem toda uma base te\u00f3rica para o seu funcionamento e grande sucesso. Que legal!\u201d<\/p>\n<p>E voc\u00ea, consegue lembrar de outros jogos que podem ser explicados atrav\u00e9s de conceitos estudados pela Fonoaudiologia?<\/p>\n<h3><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h3>\n<p>Salles, J. F.; Jou, G. I.; Stein, L. M.. O paradigma de priming sem\u00e2ntico na investiga\u00e7\u00e3o do processamento de leitura de palavras. <strong>Intera\u00e7\u00e3o em Psicologia<\/strong>, 2007, 11(1), p.71-80.<\/p>\n<p>Salles, J. F.; Machado, L. L.; Janczura, G. A.. Efeitos de priming sem\u00e2ntico em tarefa de decis\u00e3o lexical em crian\u00e7as de 3\u00aa s\u00e9rie.<strong> Psicol. Reflex. Crit.<\/strong>,\u00a0 Porto Alegre ,\u00a0 v. 24, n. 3, p. 597-608, 2011 .<\/p>\n<p>Pinker, S. <strong>Words and Rules<\/strong>. New York, NY: Harper Perennial, 1999\/2011.<\/p>\n<p>Jogue o 94% no <a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=com.scimob.ninetyfour.percent&amp;hl=pt_BR\">Google Play<\/a> ou na <a href=\"https:\/\/apps.apple.com\/br\/app\/94\/id862303071\">AppStore<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de Sibele Huang Aluna do curso de Fonoaudiologia da Unicamp Como a associa\u00e7\u00e3o de perguntas e palavras \u00e9 realizada no jogo 94%? O jogo <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/2020\/02\/17\/sobre-o-jogo-94-associacao-entre-palavras\/\" title=\"Sobre o jogo 94%: associa\u00e7\u00e3o entre palavras\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":161,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[47,51,48,52,46,44,45,53,10,50,71,49,70,54,55],"class_list":["post-146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem","tag-47","tag-associacao","tag-celular","tag-cloze","tag-entretenimento","tag-game","tag-jogo","tag-leitura","tag-linguagem","tag-linguistica","tag-palavras","tag-priming","tag-psicolinguistica","tag-psicologia-cognitiva","tag-semantica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2020\/01\/Screen-Shot-2020-01-01-at-22.43.26.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":236,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions\/236"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}