{"id":331,"date":"2021-02-15T11:57:00","date_gmt":"2021-02-15T14:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/?p=331"},"modified":"2021-02-15T11:58:31","modified_gmt":"2021-02-15T14:58:31","slug":"fenomeno-mondegreen-o-que-a-gente-entende-e-sempre-igual-ao-que-a-gente-escuta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/2021\/02\/15\/fenomeno-mondegreen-o-que-a-gente-entende-e-sempre-igual-ao-que-a-gente-escuta\/","title":{"rendered":"Mondegreen: o que a gente entende \u00e9 sempre igual ao que a gente escuta?"},"content":{"rendered":"\r\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"text-align: right\"><strong>Texto de:<\/strong><br \/>Caroline Barbosa Carmona,<br \/>Laura Spina Irano<br \/>Mariana Tech Ramos da Silva <br \/>3o ano de Fonoaudiologia da Unicamp<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>J\u00e1 parou para pensar como ocorre a nossa percep\u00e7\u00e3o auditiva?<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ouvir \u00e9 algo t\u00e3o rotineiro, que acabamos nem pensando em como isso ocorre. Uma m\u00fasica, uma conversa, um filme\u2026 simplesmente ouvimos. Mas o que acontece \u00e9 que quando escutamos algum est\u00edmulo, nosso c\u00e9rebro busca um significado para ele e ocorre uma organiza\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o baseada no contexto que estamos inseridos naquele momento. Falando assim, parece at\u00e9 simples n\u00e9?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de parecer simples, essa organiza\u00e7\u00e3o envolve diversas estruturas do nosso c\u00e9rebro que s\u00e3o especializadas na percep\u00e7\u00e3o auditiva e no reconhecimento, al\u00e9m de v\u00e1rias etapas at\u00e9 que de fato possamos entender o que ouvimos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"382\" class=\"wp-image-353\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52-1024x382.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52-1024x382.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52-300x112.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52-768x286.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52-1536x572.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/Screen-Shot-2021-02-01-at-14.18.52.png 1932w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\r\n<figcaption>Ao falar, ao mexer a boca l\u00edngua e as pregas vocais, causamos uma mudan\u00e7a no ar \u00e0 nossa volta que chega no ouvido da pessoa com quem estamos falando. Se essa pessoa souber a l\u00edngua que voc\u00ea est\u00e1 falando, ela vai entender esses sons e compreender o que eles querem dizer nessa l\u00edngua. S\u00f3 ent\u00e3o, conseguimos compreender o conte\u00fado da mensagem. Tudo acontece em mil\u00e9simos de segundo, mas uma pequena falha em qualquer parte desse processo pode causar ru\u00eddos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quando desenvolvemos a capacidade de compreender os sons da fala?<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fato muito importante e que pode parecer at\u00e9 curioso, \u00e9 que desenvolvemos essa capacidade de perceber sons antes mesmo de nascer.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/www.enciclopedia-crianca.com\/cerebro\/segundo-especialistas\/percepcao-auditiva-e-desenvolvimento-inicial-do-cerebro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um estudo realizado na Universidade de Helsinki na Finl\u00e2ndia<\/a> definiu que ao longo de todo nosso crescimento, o c\u00e9rebro vai se desenvolvendo e se especializando em fun\u00e7\u00f5es como a de percep\u00e7\u00e3o auditiva. Quando ainda somos bem pequenos, rec\u00e9m nascidos mesmo, somos capazes de reconhecer vozes familiares. Achou interessante? Ent\u00e3o, <a href=\"https:\/\/insights.ovid.com\/crossref?an=00001756-201708010-00004\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">outros estudos demonstram que ainda antes de nascer, n\u00f3s j\u00e1 conseguimos disferenciar entre l\u00ednguas diferentes e informa\u00e7\u00f5es pros\u00f3dicas<\/a>! Por isso, n\u00e3o duvidem quando uma gr\u00e1vida diz que est\u00e1 conversando com seu beb\u00ea, porque ele realmente escuta!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-image\">\r\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-351\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-31-at-01.22.26-1024x569.png\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"282\" \/>\r\n<figcaption>O beb\u00ea j\u00e1 consegue compreender pelo menos a pros\u00f3dia da sua l\u00edngua nativa, antes mesmo do seu nascimento.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde essa etapa inicial, n\u00f3s temos uma vontade inata de querer associar o que ouvimos ao que estamos vendo e isso vai de encontro a rela\u00e7\u00e3o do significado com o contexto em que estamos inseridos. Ou seja, assim que ouvimos, passamos por etapas de detec\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o e reconhecimento para, por fim, chegarmos a compreens\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ok, e agora que vimos um pouco de como isso acontece, a\u00ed vai uma pergunta um tanto instigante:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Provavelmente voc\u00ea j\u00e1 tentou arriscar a cantar o hino nacional, mesmo sem ter certeza absoluta sobre a letra, n\u00e9?<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas pessoas s\u00f3 mexem a boca fingindo cantar, enquanto outras arriscam a letra como a Marina Borges, de 5 anos, na mat\u00e9ria abaixo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"279\" class=\"wp-image-343\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-17.07.59-1024x279.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-17.07.59-1024x279.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-17.07.59-300x82.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-17.07.59-768x209.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-17.07.59.png 1152w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\r\n<figcaption><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/espirito-santo\/noticia\/2014\/06\/menina-de-5-anos-faz-sucesso-na-web-ao-cantar-hino-nacional-no-es.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/g1.globo.com\/espirito-santo\/noticia\/2014\/06\/menina-de-5-anos-faz-sucesso-na-web-ao-cantar-hino-nacional-no-es.html<\/a><\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\">\r\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZJNp0k5l06Y&amp;ab_channel=farioff<\/div>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas confus\u00f5es que fazemos na maioria das vezes com m\u00fasicas e poemas s\u00e3o oriundas de uma pequena falha nesse processo todo de compreens\u00e3o da fala. Mas caso tenha se identificado, n\u00e3o se preocupe! Esses pequenos desvios de compreens\u00e3o s\u00e3o normais e, normalmente, n\u00e3o v\u00e3o causar problemas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fato curioso: em 1954, a escritora americana Sylvia Wright comentou que, quando crian\u00e7a, sua m\u00e3e cantava para ela uma m\u00fasica tradicional escocesa chamada &#8220;<a href=\"http:\/\/youtube.com\/watch?v=WoFT3L4KdAM(abrir em uma nova aba)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Bonnie Earl O&#8217; Moray<\/a>&#8220;. Em uma das estrofes, a letra canta &#8220;<em>And laid him on the green<\/em>&#8221; (e o enterraram no verde) enquanto ela jura que sempre escuta \u201cAnd Lady Mondegreen\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de ent\u00e3o, essas trocas ficaram conhecidas pelo nome carinhoso <strong>Efeito Mondegreen<\/strong> (Mondegreen effect), mas seu nome cient\u00edfico \u00e9: desvio de ouvido (slips of the ear).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse fen\u00f4meno, portanto, consiste na interpreta\u00e7\u00e3o errada\/mal entendida de alguma palavra e na substitui\u00e7\u00e3o dela por outra com uma sonoridade semelhante.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"586\" class=\"wp-image-335\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.22-1024x586.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.22-1024x586.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.22-300x172.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.22-768x440.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.22.png 1188w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alguns poss\u00edveis motivos dos &#8220;mondegreens&#8221;<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das principais raz\u00f5es dos <em><strong>mondegreens<\/strong><\/em> \u00e9 o fato de criarmos uma expectativa sobre o que esperamos ouvir, fazendo com que, quando a palavra n\u00e3o \u00e9 a que queremos ouvir, n\u00e3o conseguimos troc\u00e1-la do que o c\u00e9rebro pensou antes. Isso acaba mudando a percep\u00e7\u00e3o sobre a m\u00fasica ou poema, e fica mais dif\u00edcil ainda reconhecer que voc\u00ea est\u00e1 cantando\/citando errado.\u00a0 Segundo Sylvia Wright, &#8220;<em>there are many mondegreens which give vivid new insights into tired old ideas<\/em>&#8220;, ou seja:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>&#8220;<em>Existem in\u00fameros mondegreens que d\u00e3o novas percep\u00e7\u00f5es \u00e0s antigas ideias<\/em>&#8220;.<\/p>\r\n<cite>Sylvia Wright<\/cite><\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que acontece \u00e9 que somos tendenciosos pelo nosso c\u00e9rebro a trocar a palavra que n\u00e3o entendemos por outra que seja semelhante sonoramente falando, mesmo que o sentido em si n\u00e3o seja parecido. Isso porque, segundo o liter\u00e1rio Steven Connor, ao fazer essa troca o c\u00e9rebro est\u00e1 tentando dar sentido ao mundo e faz suposi\u00e7\u00f5es para preencher as lacunas de quando n\u00e3o consegue determinar o que est\u00e1 ouvindo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fato curioso \u00e9 que, assim como Steven Pinker observou e podemos ter como experi\u00eancia, geralmente os mondegreens tendem a ser muito discrepantes e menos plaus\u00edveis do que a palavra original e, na maioria das vezes \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir escutar ou cantar a m\u00fasica com a palavra certa pois acabamos nos apegando a esse jeito de cantar\/falar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\">At\u00e9 as cantigas populares n\u00e3o fogem dessa\u2026 Algu\u00e9m cantava:<\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-pullquote\">\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201cSe essa rua, se essa rua fosse minha<br \/>Eu mandava, eu mandava<br \/><strong>Ela brilhar<\/strong>\u201d?<\/p>\r\n<p>Se voc\u00ea cantava assim, sinto te informar, mas o certo \u00e9 \u201ceu mandava ladrilhar\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra curiosidade \u00e9 que, no Brasil, esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como <strong>Virundum<\/strong> devido a um trocadilho em rela\u00e7\u00e3o ao hino nacional. No trecho em que se canta \u201cOuviram do Ipiranga\u201d v\u00e1rias pessoas cantam \u201cVirundum Ipiranga\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, aqui no Brasil o virundum seria um mondegreen com um tom mais humorado, pois serve, em muitos casos, como uma forma de brincadeira para m\u00fasicas que conhecemos e que tem uma interpreta\u00e7\u00e3o complicada.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"830\" height=\"860\" class=\"wp-image-336\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.42.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.42.png 830w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.42-290x300.png 290w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.42-768x796.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.28.42-24x24.png 24w\" sizes=\"(max-width: 830px) 100vw, 830px\" \/>\r\n<figcaption>Vocaloid BR<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>Esse aqui com certeza \u00e9 um dos mais chocantes. Pasmem, mas a maneira correta de cantar o cl\u00e1ssico do Rei Le\u00e3o \u00e9:<\/p>\r\n<p><strong><em>\u201cA whim away, a whim away\u201d<\/em><\/strong><\/p>\r\n<p>(Uma fantasia distante, uma fantasia distante)<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/veja-40-musicas-que-voce-provavelmente-canta-errado-e-nao-sabe\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"878\" height=\"648\" class=\"wp-image-337\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.29.57.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.29.57.png 878w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.29.57-300x221.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.29.57-768x567.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/01\/Screen-Shot-2021-01-24-at-01.29.57-80x60.png 80w\" sizes=\"(max-width: 878px) 100vw, 878px\" \/><\/a><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro exemplo do fen\u00f4meno Mondegreen que revela um <strong>grande enigma da m\u00fasica<\/strong>, \u00e9 a letra de \u201cRagatanga\u201d, do grupo Rouge. Essa m\u00fasica ficou muito conhecida por conter um refr\u00e3o indecifr\u00e1vel:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-pullquote\">\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201cAserehe ra de re<br \/>De hebe tu de hebere seibiunouba mahabi<br \/>An de bugui an de buididipi\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s alguns anos de sucesso dessa m\u00fasica, o grande segredo veio \u00e0 tona, e nada mais \u00e9 que a perfeita explica\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno Mondegreen. A m\u00fasica inicia-se assim:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>\u201cOlha l\u00e1 quem vem virando a esquina<br \/>Vem Diego com toda a alegria, festejando<br \/>Com a lua em seus olhos, roupa de \u00e1gua marinha<br \/>E seu jeito de malandro<br \/>E com magia e pura alma<br \/>Ele chega com a dan\u00e7a<br \/>Possu\u00eddo pelo ritmo ragatanga<br \/>E o DJ que j\u00e1 conhece<br \/>Toca o som da meia-noite<br \/>Pra Diego, a can\u00e7\u00e3o mais desejada<br \/>E ele dan\u00e7a, ele curte, ele canta\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E logo depois o refr\u00e3o. O que essa letra mostra, \u00e9 que Diego, muito alegre em uma festa, possu\u00eddo pelo ritmo \u201cragatanga\u201d, pede para o DJ tocar a m\u00fasica j\u00e1 conhecida, e quando Diego vai cantar qual a \u201ccan\u00e7\u00e3o mais desejada\u201d ele canta \u201cAserehe ra de re, de hebe tu de hebere seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui vemos um exemplo que Diego tenta cantar, do que ele entende, da can\u00e7\u00e3o mais desejada, que na verdade \u00e9 a m\u00fasica &#8220;Rapper&#8217;s Delight\u201d, do trio The Sugar Hill Gang, a qual a letra deu origem ao refr\u00e3o de \u201cRagatanga\u201d:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>\u201cI said-a hip, hop, the hippie, the hippie<br \/>To the hip hip hop-a you don&#8217;t stop the rock<br \/>It to the bang-bang boogie, say up jump the boogie<br \/>To the rhythm of the boogie, the beat\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa letra original em ingl\u00eas, cont\u00e9m o mesmo ritmo de Ragatanga, e esse exemplo, mostra exatamente como o sentido que Daniel d\u00e1 a letra que ele conhece, d\u00e1 espa\u00e7o para produ\u00e7\u00f5es inusitadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pra finalizar&#8230;<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desses exemplos, existem muitos outros que mostram como nosso c\u00e9rebro \u00e9 capaz de criar suposi\u00e7\u00f5es de palavras quando n\u00e3o entendemos e substitu\u00ed-las por outra parecida. Podemos observar que muitas vezes essas trocas e substitui\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas da mesma forma, ou de formas muito diferentes entre as pessoas, \u00e9 comum encontrarmos substitui\u00e7\u00f5es de um mesmo trecho, mas com diversos sentidos entre as pessoas. A ambiguidade encontrada nessas situa\u00e7\u00f5es e a maneira como reagimos a elas, nos mostram um pouco da modula\u00e7\u00e3o da nossa percep\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, e a insist\u00eancia em buscar um sentido a partir das interpreta\u00e7\u00f5es auditivas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>SAIBA MAIS:<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=olDsEnh_ZnM&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A verdadeira hist\u00f3ria da m\u00fasica Ragatanga &#8211; Asereje da Rouge. Produ\u00e7\u00e3o: Dragoso Vlogs.<\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONNOR, Steven. <a href=\"http:\/\/www.stevenconnor.com\/earslips\/earslips.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Earslips: Of Mishearings and Mondegreens<\/a>. Listening In, Feeding Back , Columbia University, 14 fev. 2009.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MINAI, Utako, et al. <a href=\"https:\/\/insights.ovid.com\/crossref?an=00001756-201708010-00004\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fetal rhythm-based language discrimination: a biomagnetometry study,<\/a> 2017<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HUOTILAINEN M, N\u00c4\u00c4T\u00c4NEN R. <a href=\"http:\/\/www.enciclopedia-crianca.com\/cerebro\/segundo-especialistas\/percepcao-auditiva-e-desenvolvimento-inicial-do-cerebro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Percep\u00e7\u00e3o auditiva e desenvolvimento inicial do c\u00e9rebro<\/a>. Em: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. <em>Enciclop\u00e9dia sobre o Desenvolvimento na Primeira Inf\u00e2ncia<\/em> [on-line].<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PINKER, Steven. The Language Instinct: How the Mind Creates Language. 1994.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Correio 24 Horas. <a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/veja-40-musicas-que-voce-provavelmente-canta-errado-e-nao-sabe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Veja 40 m\u00fasicas que voc\u00ea provavelmente canta errado e n\u00e3o sabe<\/a>.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de:Caroline Barbosa Carmona,Laura Spina IranoMariana Tech Ramos da Silva 3o ano de Fonoaudiologia da Unicamp J\u00e1 parou para pensar como ocorre a nossa percep\u00e7\u00e3o <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/2021\/02\/15\/fenomeno-mondegreen-o-que-a-gente-entende-e-sempre-igual-ao-que-a-gente-escuta\/\" title=\"Mondegreen: o que a gente entende \u00e9 sempre igual ao que a gente escuta?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":372,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[94,95,96,93,97,56],"class_list":["post-331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem","tag-deslizes-de-ouvido","tag-embormation","tag-letra-de-musica","tag-mondegreen","tag-processamento-fonologico","tag-slips-of-the-ear"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-content\/uploads\/sites\/200\/2021\/02\/audio-2941753_1920.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=331"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":377,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions\/377"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/372"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}