{"id":240,"date":"2017-04-30T17:56:09","date_gmt":"2017-04-30T20:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/?p=240"},"modified":"2017-05-01T15:46:31","modified_gmt":"2017-05-01T18:46:31","slug":"mas-isso-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/2017\/04\/30\/mas-isso-e-arte\/","title":{"rendered":"Mas isso \u00e9 arte? (V. 3, N. 5, 2017)"},"content":{"rendered":"<p>Imagine o seguinte: voc\u00ea vai a uma exposi\u00e7\u00e3o e se depara com centenas de bancos de madeira espalhados pelo espa\u00e7o expositivo. O que voc\u00ea acharia disso? Legal? Ou muito, muito estranho?<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Algumas pessoas consideram trabalhos como esses n\u00e3o s\u00f3 estranhos, mas incompreens\u00edveis. E, por isso, n\u00e3o t\u00eam vontade de visitar museus ou galerias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Mas&#8230; Vamos tentar entender por que a arte de hoje \u00e9 assim?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;font-size: 14pt\"><strong>Primeiro de tudo&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Saiba que esse estranhamento \u00e9 comum at\u00e9 mesmo entre pessoas acostumadas com a arte que se faz atualmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Isso ocorre porque, muitas vezes, esse \u00e9 justamente o sentimento que o artista quer despertar em n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Al\u00e9m disso, chegamos \u00e0s exposi\u00e7\u00f5es esperando ver aquilo que julgamos ser arte: pinturas, como as de Leonardo da Vinci, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Esse \u00e9 o tipo de obra que queremos ver, porque aprendemos que arte \u00e9 isso. Est\u00e1 nos livros, e todos n\u00f3s sabemos que a boa arte, a arte de verdade, \u00e9 assim.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_255\" aria-describedby=\"caption-attachment-255\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-255\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Foto-Livioandronico2013.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Foto-Livioandronico2013.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Foto-Livioandronico2013-300x145.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Foto-Livioandronico2013-768x372.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Foto-Livioandronico2013-1024x496.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-255\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo da Vinci, Anuncia\u00e7\u00e3o, \u00f3leo sobre madeira, 1472.<br \/>A pintura dos grandes mestres: a arte que queremos ver?<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Claro que Leonardo da Vinci \u00e9 um grande artista. E suas pinturas, simplesmente fant\u00e1sticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Mas n\u00e3o podemos esperar que os artistas de hoje pintem como ele, ou fa\u00e7am o que ele fez, simplesmente porque eles n\u00e3o vivem na mesma \u00e9poca, nem na mesma sociedade de Da Vinci.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A arte do presente n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 do passado. Como toda atividade humana, ela muda com o tempo, adquire significados novos e at\u00e9 mesmo inesperados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Por motivos que discutiremos em outras postagens, a arte contempor\u00e2nea \u00e9 assim: muitas vezes dif\u00edcil de entender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">E \u00e9 a\u00ed que chegamos a outro ponto importante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;font-size: 14pt\"><strong>N\u00e3o entendi nada!&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Acontece que arte n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para entender. \u00c9 tamb\u00e9m para sentir, para perceber. \u00c9 sentindo, percebendo (e tamb\u00e9m compreendendo) que passamos a olhar para as obras de outra maneira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Vamos dar um exemplo. Para <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/galeria-de-artistas\">Ai Weiwei<\/a>, artista chin\u00eas que fez o trabalho <em>Bang<\/em> (imagem destacada), bancos n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 bancos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Na China, havia a tradi\u00e7\u00e3o de pais deixarem para seus filhos um banco de madeira, que ficava numa mesma fam\u00edlia por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Com a industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, essa tradi\u00e7\u00e3o praticamente acabou. Bancos passaram a ser objetos descart\u00e1veis, feitos de pl\u00e1stico e metal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Com seu trabalho, o artista nos convida a perceber \u2013 e sentir! \u2013 aqueles bancos de outra maneira: n\u00e3o mais como objetos do cotidiano, mas como testemunhas\u00a0de uma cultura em transforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Em outras palavras, esses bancos s\u00e3o os restos\u00a0de uma tradi\u00e7\u00e3o em desaparecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">E porque o artista quis chamar nossa aten\u00e7\u00e3o \u2013 e nossos sentidos \u2013 para isso, transformou-os em material art\u00edstico, espalhando-os pelo espa\u00e7o e simulando uma explos\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;font-size: 14pt\"><strong>Ent\u00e3o, como lidar melhor com a arte?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Uma boa dica para perder o medo de ir a exposi\u00e7\u00f5es \u00e9 encarar a arte como di\u00e1logo e os locais de exposi\u00e7\u00e3o como espa\u00e7os em\u00a0que esse di\u00e1logo pode acontecer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ir a uma exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 se dispor a uma conversa \u2013 com o artista, e tamb\u00e9m com sua cultura. E v<\/span><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">er um trabalho art\u00edstico \u00e9 permitir-se ser tocado por ele. E querer, depois disso, ver outros e outros mais. E falar deles com seus amigos, com sua fam\u00edlia, com seus professores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">E ampliar ainda mais os muitos significados que uma obra de arte pode assumir.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><em>Refer\u00eancias para a escrita deste texto:<\/em><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">ARCHER, Michael. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/livros\"><em>Arte contempor\u00e2nea: uma hist\u00f3ria concisa<\/em><\/a>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Osorio, Camilo. \u201cArte n\u00e3o \u00e9 informa\u00e7\u00e3o\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.premiopipa.com\/2017\/04\/arte-nao-e-informacao-leia-o-texto-inedito-de-luiz-camillo-osorio\">http:\/\/www.premiopipa.com\/2017\/04\/arte-nao-e-informacao-leia-o-texto-inedito-de-luiz-camilo-osorio<\/a>&gt;. Acesso em: 21-04-2017.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/atividade-1-v-3-n-5-2017\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-243\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/wp-content\/uploads\/sites\/139\/2017\/04\/Para-o-professor2.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine o seguinte: voc\u00ea vai a uma exposi\u00e7\u00e3o e se depara com centenas de bancos de madeira espalhados pelo espa\u00e7o expositivo. O que voc\u00ea acharia disso? Legal? Ou muito, muito estranho? Algumas pessoas consideram trabalhos como esses n\u00e3o s\u00f3 estranhos, mas incompreens\u00edveis. E, por isso, n\u00e3o t\u00eam vontade de visitar museus ou galerias. Mas&#8230; Vamos &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/contemporanea\/2017\/04\/30\/mas-isso-e-arte\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Mas isso \u00e9 arte? 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