{"id":205,"date":"2008-09-05T10:48:03","date_gmt":"2008-09-05T13:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/09\/complexidade\/"},"modified":"2008-09-05T10:48:03","modified_gmt":"2008-09-05T13:48:03","slug":"complexidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/09\/05\/complexidade\/","title":{"rendered":"Complexidade"},"content":{"rendered":"<p>Minha postagem de ontem terminou com uma afirma\u00e7\u00e3o sobre o fato de haver programas de computador de diferentes graus de complexidade &#8212; isso era uma isca para algu\u00e9m me perguntar como se mede complexidade. Mas j\u00e1 que ningu\u00e9m mordeu o anzol, mordo-o eu mesmo! \ud83d\ude42<br \/>\nEm seu livro sobre computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica (assunto j\u00e1 muito bem tratado no <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/universofisico\/2008\/08\/30\/duas-vias-para-o-computador-quantico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Universo F\u00edsico<\/a>), <em>Programming the Universe<\/em>, Seth Lloyd pondera que medidas de complexidade geralmente tentam capturar o ponto de equil\u00edbrio entre duas caracter\u00edsticas de um sistema: o quanto \u00e9 dif\u00edcil descrev\u00ea-lo ou o quanto \u00e9 dif\u00edcil constru\u00ed-lo.\u00a0<br \/>\nEle passa pelos conceitos de <em>complexidade termodin\u00e2mica<\/em> (quantos bits s\u00e3o necess\u00e1rios para descrever precisamente um sistema) e <em>complexidade algor\u00edtmica<\/em> (qual o comprimento do menor programa de computador capaz de gerar uma descri\u00e7\u00e3o do sistema), mas nota que essas formula\u00e7\u00f5es medem informa\u00e7\u00e3o bruta, n\u00e3o esfor\u00e7o ou estrutura.<br \/>\nLLoyd considera mais \u00fatil o conceito de <em>complexidade computacional<\/em>\u00a0&#8212; o n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas (AND, NOT, OR, COPY) envolvidas na gera\u00e7\u00e3o de um resultado &#8212; e, mais \u00fatil ainda, o de <em>profundidade l\u00f3gica<\/em>, ou o n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas do menor programa capaz de gerar esse mesmo resultado.<br \/>\nMas o conceito favorito \u00e9 o que ele chama de <em><span style=\"text-decoration: line-through\">complexidade<\/span><\/em><em>\u00a0profundidade termodin\u00e2mica<\/em>, ou <em>negentropia<\/em>\u00a0: o n\u00famero de bits <em>relevantes<\/em> para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema. &#8220;Relevantes&#8221;, no caso, s\u00e3o os bits que, se alterados, fariam do sistema uma outra coisa. Por exemplo, a posi\u00e7\u00e3o exata de cada \u00e1tomo de carbono em meu corpo n\u00e3o \u00e9 relevante pra eu ser o que (e quem) sou, mas o padr\u00e3o geral em que eles est\u00e3o organizados e a posi\u00e7\u00e3o das bases do DNA no n\u00facleo de minhas c\u00e9lulas s\u00e3o, claro, fundamentais.<br \/>\nOu: a posi\u00e7\u00e3o exata de cada mol\u00e9cula de oxig\u00eanio nesta sala n\u00e3o \u00e9 importante, mas a press\u00e3o, a composi\u00e7\u00e3o e a temperatura do ar, s\u00e3o.\u00a0<br \/>\nAssim: um sistema que requer muita informa\u00e7\u00e3o para ser reconhecido como aquilo que \u00e9 (um ser humano, um elefante, um nave espacial) tem alta profundidade\u00a0termodin\u00e2mica; j\u00e1 um sistema que, embora tenha muita informa\u00e7\u00e3o (as mol\u00e9culas de ar nesta sala, cada uma com sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, posi\u00e7\u00e3o e velocidade), poderia continuar sendo exatamente o que \u00e9 (uma massa de ar preenchendo a sala), mesmo se boa parte dessa informa\u00e7\u00e3o mudasse, \u00e9 termodinamicamente &#8220;raso&#8221;.<br \/>\nIsso gera algumas quest\u00f5es interessantes sobre o grau de subjetividade &#8211;e de recursividade: em que n\u00edvel o sistema est\u00e1 sendo analisado &#8212; que fica impl\u00edcito no conceito de complexidade, mas essa \u00e9 uma discuss\u00e3o ara outra hora&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha postagem de ontem terminou com uma afirma\u00e7\u00e3o sobre o fato de haver programas de computador de diferentes graus de complexidade &#8212; isso era uma isca para algu\u00e9m me perguntar como se mede complexidade. 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