{"id":217,"date":"2008-09-18T11:25:58","date_gmt":"2008-09-18T14:25:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/09\/monopolio-do-sofrimento\/"},"modified":"2008-09-18T11:25:58","modified_gmt":"2008-09-18T14:25:58","slug":"monopolio-do-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/09\/18\/monopolio-do-sofrimento\/","title":{"rendered":"Monop\u00f3lio do sofrimento"},"content":{"rendered":"<p>Ontem eu escrevi sobre a quebra do monop\u00f3lio do supernaturalismo quanto \u00e0s explica\u00e7\u00f5es para a vida e a origem da humanidade, e como as igrejas mais tradicionais est\u00e3o se acomodando a essa quebra, fazendo quest\u00e3o e bater no peito e dizer que n\u00e3o temem Darwin.<br \/>\nExiste um outro monop\u00f3lio, no entanto, do qual as religi\u00f5es organizadas relutam muito mais em abrir m\u00e3o &#8212; e creio que \u00e9 essa relut\u00e2ncia que est\u00e1 na raiz da tradicional oposi\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios avan\u00e7os da medicina e, atualmente, \u00e0s pesquisas com c\u00e9lulas-tronco e \u00e0 eutan\u00e1sia.<br \/>\nTrata-se do monop\u00f3lio do <em>al\u00edvio do sofrimento<\/em>.<br \/>\nDurante mil\u00eanios, a \u00fanica forma administr\u00e1vel de al\u00edvio para muitas das dores humanas era estritamente emocional: buscava-se explicar, glorificar, tirar for\u00e7a da dor. A dor era boa, a dor ajudava a formar o car\u00e1ter, a dor levava para o c\u00e9u. E por que n\u00e3o acreditar nisso tudo? A alternativa ao sofrimento edificante\u00a0era o sofrimento miser\u00e1vel.<br \/>\nSe a dor era inevit\u00e1vel, n\u00e3o fazia mal acreditar que, pelo menos, vinha por uma boa causa. E essa &#8220;boa causa&#8221; era, 99% das vezes, a expia\u00e7\u00e3o dos pecados. Voc\u00ea sofre porque merece, ent\u00e3o pague seu d\u00edzimo e pare de gemer, seu bund\u00e3o.<br \/>\nDesenvolvimentos dos \u00faltimos 150 anos, mais ou menos, criaram uma situa\u00e7\u00e3o nova: a dor pssou a ser evit\u00e1vel. Com isso, o &#8220;status&#8221; moral do sofrimento, e suas implica\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas, se desfazem.<br \/>\nSe prestarmos aten\u00e7\u00e3o nos principais argumentos religiosos contra &#8212; digamos &#8212; eutan\u00e1sia, interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de anenc\u00e9falos, e, at\u00e9 mesmo, o div\u00f3rcio, o resumo geral \u00e9: sofrer \u00e9 bom para voc\u00ea. Evitar o sofrimento \u00e9 errado.<br \/>\nNo fim, religi\u00e3o organizada tem facetas que s\u00e3o pouco mais que sadismo organizado. \u00c9 o velho argumento do pastor\u00a0Thomas Prince, que atribuiu a culpa <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2005\/11\/18\/opinion\/18liell.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pelo terremoto de 1755 em Boston<\/a> \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de p\u00e1ra-raios: se voc\u00ea acha que escapou do castigo de Deus, espere que coisa pior vem a\u00ed&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem eu escrevi sobre a quebra do monop\u00f3lio do supernaturalismo quanto \u00e0s explica\u00e7\u00f5es para a vida e a origem da humanidade, e como as igrejas mais tradicionais est\u00e3o se acomodando a essa quebra, fazendo quest\u00e3o e bater no peito e dizer que n\u00e3o temem Darwin. 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