{"id":223,"date":"2008-09-24T11:53:26","date_gmt":"2008-09-24T14:53:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/09\/o-paradoxo-do-eleitor\/"},"modified":"2008-09-24T11:53:26","modified_gmt":"2008-09-24T14:53:26","slug":"o-paradoxo-do-eleitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/09\/24\/o-paradoxo-do-eleitor\/","title":{"rendered":"O paradoxo do eleitor"},"content":{"rendered":"<p>Com as elei\u00e7\u00f5es municipais se aproximando, resolvi fazer uma s\u00e9rie de postagens sobre os v\u00e1rios &#8220;paradoxos de vota\u00e7\u00e3o&#8221;, ou os diversos problemas l\u00f3gicos que emergem quando se adota um sistema eleitoral do tipo &#8220;um homem, um voto&#8221; (Ou, pra ser mais preciso, um homem, uma mulher, um adolescente, um voto).\u00a0<br \/>\nCome\u00e7o pelo que talvez seja o mais pol\u00eamico de todos, porque entra em choque com toda a propaganda bem-intencionada de \u00a0que o &#8220;voto \u00e9 a arma do cidad\u00e3o&#8221;. Trata-se do Paradoxo do Eleitor, que afirma, pura e simplesmente, que numa sociedade racional o \u00edndice de absten\u00e7\u00e3o deveria ser de 100%.<br \/>\nPor qu\u00ea? Ora bolas, porque o voto indivudual \u00e9 irrelevante. Se o seu candidato predileto est\u00e1 na frente da disputa, ele vai ganhar <em>mesmo se voc\u00ea ficar em casa<\/em>. Se ele est\u00e1 atr\u00e1s, vai perder, <em>n\u00e3o importa o que voc\u00ea fa\u00e7a<\/em>. Logo, sair para votar \u00e9 perda de tempo.\u00a0<br \/>\nPara ilustrar com n\u00fameros: imagine uma cidade de 100 mil eleitores, com apens dois candidatos fortes, onde um tem 45,9% das inten\u00e7\u00f5es de voto e o outro, 45,8%, os cerca de 10% restantes estando com candidatos menos expressivos. Parece uma corrida apertada, mas que diferen\u00e7a um voto individual faz? 1\/100.000 = 0,001%. Seu voto n\u00e3o chega sequer a registrar como algarismo significativonas pesquisas. Ent\u00e3o, pa qu\u00ea perder tempo?<br \/>\nMas se todas as pessoas raciocinarem desta forma, ent\u00e3o ningu\u00e9m aparecer\u00e1 para votar.\u00a0<br \/>\nComo muitos paradoxos envolvendo previs\u00e3o de comportamento humano, este aqui se complica por conta da recursividade: se s\u00f3 uma pessoa aparecer para votar, esse voto \u00fanico ser\u00e1 decisivo. Logo, \u00e9 racional ir votar se voc\u00ea acredita que ningu\u00e9m mais ir\u00e1. S\u00f3 que, se todo mundo raciocinar dessa forma, todos ir\u00e3o votar, e o voto individual voltar\u00e1 a serr irrelevante, ent\u00e3o \u00e9 melhor n\u00e3o ir votar. E assim por diante, ciclicamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com as elei\u00e7\u00f5es municipais se aproximando, resolvi fazer uma s\u00e9rie de postagens sobre os v\u00e1rios &#8220;paradoxos de vota\u00e7\u00e3o&#8221;, ou os diversos problemas l\u00f3gicos que emergem quando se adota um sistema eleitoral do tipo &#8220;um homem, um voto&#8221; (Ou, pra ser mais preciso, um homem, uma mulher, um adolescente, um voto).\u00a0 Come\u00e7o pelo que talvez seja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}