{"id":232,"date":"2008-10-08T13:17:55","date_gmt":"2008-10-08T16:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/10\/e-possivel-concluir-qualquer-coisa-2\/"},"modified":"2008-10-08T13:17:55","modified_gmt":"2008-10-08T16:17:55","slug":"e-possivel-concluir-qualquer-coisa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/10\/08\/e-possivel-concluir-qualquer-coisa-2\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel concluir qualquer coisa&#8230; (2)"},"content":{"rendered":"<p>Continuando a postagem de anteontem, vamos ver porque os l\u00f3gicos consideram que uma contradi\u00e7\u00e3o &#8220;explode&#8221; o discurso &#8212; e o termo t\u00e9cnico \u00e9 esse mesmo, &#8220;explos\u00e3o&#8221; &#8212; permitindo que sejam admitidas como verdadeiras quaisquer senten\u00e7as, por mais absurdas que sejam.<br \/>\nA primeira raz\u00e3o, intuitiva, \u00e9 a de que a contradi\u00e7\u00e3o acaba com a possibilidade de uma argumenta\u00e7\u00e3o honesta: n\u00e3o \u00e9 correto defender e atacar um mesmo ponto de vista, ainda que essa seja uma manobra confort\u00e1vel, j\u00e1 que, n\u00e3o importa o resultado, voc\u00ea ter\u00e1 vencido a discuss\u00e3o.\u00a0\u00a0Tamb\u00e9m n\u00e3o vale aquele papo de &#8220;concordo com voc\u00ea, mas n\u00e3o exatamente&#8230;&#8221;. Se esse \u00e9 o caso, ent\u00e3o diga primeiro COM O QU\u00ca exatamente voc\u00ea concorda, ora bolas, e depois conversamos.<br \/>\nA segunda raz\u00e3o, t\u00e9cnica, tem a ver com a manobra l\u00f3gica da disjun\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 representada pela conjun\u00e7\u00e3o &#8220;ou&#8221;, e d\u00e1 forma a senten\u00e7as do tipo: &#8220;O PT ou o PSDB governar\u00e1 o Brasil a partir de 2010&#8221;. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma disjun\u00e7\u00e3o, e \u00e9 verdadeira se o PT, o PSDB ou ambos formarem o pr\u00f3ximo governo brasileiro (existe outro uso do &#8220;ou&#8221;, o &#8220;ou excludente&#8221;, que forma senten\u00e7as como &#8220;Marcelo ou Cl\u00e1udio casar\u00e1 com Vilma&#8221;, onde para um dos lados do &#8220;ou&#8221; ser verdadeiro o outro tem de ser falso, mas n\u00e3o \u00e9 disso que estamos tratando no momento).<br \/>\nEnt\u00e3o: para uma disjun\u00e7\u00e3o ser verdadeira, basta que um dos lados seja verdadeiro. O outro pode ser uma abobrinha qualquer. O Brasil fica no hemisf\u00e9rio sul ou Santos Dumont era marciano \u00e9 verdade porque a parte sobre o Brasil \u00e9.\u00a0<br \/>\nAgora, vamos admitir uma contradi\u00e7\u00e3o. Digamos: Elvis est\u00e1 vivo e Elvis est\u00e1 morto. Onde isso nos leva?<br \/>\n(1) Elvis est\u00e1 vivo e Elvis est\u00e1 morto (premissa dada como verdadeira)<br \/>\n(2) Elvis est\u00e1 morto (verdade)<br \/>\n(3) Elvis est\u00e1 morto ou a Terra \u00e9 plana (verdade, por disjun\u00e7\u00e3o)<br \/>\n<em>At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. Mas agora a contradi\u00e7\u00e3o volta para nos assombrar&#8230;<\/em><br \/>\nElvis est\u00e1 vivo (verdade, porque admitimos a senten\u00e7a (1))<br \/>\n<em>S\u00f3 que tamb\u00e9m sabemos que&#8230;<\/em><br \/>\nElvis est\u00e1 morto ou a Terra \u00e9 plana (admitido como verdade na senten\u00e7a 3)<br \/>\nLogo,\u00a0<br \/>\nA Terra \u00e9 plana.<br \/>\nAs chamadas l\u00f3gicas paraconsistentes tentam domar esse problema, criando pequenos dom\u00ednios onde contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o levam necessariamente a uma explos\u00e3o de conclus\u00f5es absurdas. Uma possibilidade \u00e9 admitir que, em vez de verdadeiro e falso (simbolizados por 1 ou 0) os valores das senten\u00e7as possam ser tamb\u00e9m fra\u00e7\u00f5es &#8212; nesse caso, o valor final da conclus\u00e3o de uma seq\u00fc\u00eancia de argumentos seria, por exemplo, igual ao valor do argumento mais fraco da s\u00e9rie, num tipo de refer\u00eancia semelhante (mas n\u00e3o necessariamente id\u00eantico) ao que se usa para quantificar probabilidades.\u00a0<br \/>\nMas na minha opini\u00e3o, pelo menos, toda afirma\u00e7\u00e3o, desde que propriamente formulada, \u00e9 ou verdadeira ou falsa. Uma id\u00e9ia que parece estar entre zero e um \u00e9 apenas uma id\u00e9ia que n\u00e3o foi expressada com clareza suficiente. Logo, o princ\u00edpio da explos\u00e3o, embora possa ser temporariamente afastado, na verdade nunca \u00a0desaparece de vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuando a postagem de anteontem, vamos ver porque os l\u00f3gicos consideram que uma contradi\u00e7\u00e3o &#8220;explode&#8221; o discurso &#8212; e o termo t\u00e9cnico \u00e9 esse mesmo, &#8220;explos\u00e3o&#8221; &#8212; permitindo que sejam admitidas como verdadeiras quaisquer senten\u00e7as, por mais absurdas que sejam. 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