{"id":270,"date":"2008-12-03T14:10:36","date_gmt":"2008-12-03T17:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/12\/as-leis-da-robotica\/"},"modified":"2008-12-03T14:10:36","modified_gmt":"2008-12-03T17:10:36","slug":"as-leis-da-robotica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/12\/03\/as-leis-da-robotica\/","title":{"rendered":"As Leis da Rob\u00f3tica"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que surge uma discuss\u00e3o sobre \u00e9tica (como a suscitada pela minha postagem anterior) eu me lembro das Tr\u00eas Leis da rob\u00f3tica de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Isaac_Asimov\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Isaac Asimov<\/a>. Quase todo mundo j\u00e1 ouviu falar nelas, provavelmente:<br \/>\n1. Um rob\u00f4 n\u00e3o pode ferir um ser humano ou permitir, por omiss\u00e3o, que um ser humano seja ferido.<br \/>\n2. Um rob\u00f4 deve obedecer a todas as ordens que receber de um ser humano, exceto no caso de a obedi\u00eancia acarretar numa viola\u00e7\u00e3o da primeira lei.<br \/>\n3. Um rob\u00f4 deve preservar a pr\u00f3pria exist\u00eancia, exceto no caso de essa preserva\u00e7\u00e3o acarretar uma viola\u00e7\u00e3o da primeira ou da segunda leis.<br \/>\nBoa parte da s\u00e9rie de hist\u00f3rias de rob\u00f4s desenvolvida por Asimov dos anos 30 aos 80 gira em torno de desafios, viola\u00e7\u00f5es ou inconsist\u00eancias dessas leis; nesse aspecto, o filme <em>Eu, Rob\u00f4<\/em> \u00e9 bastante fiel ao esp\u00edrito da obra asimoviana.<br \/>\nEm termos humanos, as leis da rob\u00f3tica representam um paralelo interessante com nossos ideais \u00e9ticos. Mas o mais interessante, ao menos para mim, \u00e9 a forma como as leis s\u00e3o implementadas nas hist\u00f3rias asimovianas. Elas n\u00e3o s\u00e3o parte de um programa instalado nos rob\u00f4s, como o Windows do meu computador, que poderia muito bem ser um MAC OS ou um Linux; elas s\u00e3o <em>estruturais<\/em>. \u00a0Um rob\u00f4 asimoviano \u00e9 t\u00e3o incapaz de contemplar viol\u00e1-las quanto um ser humano \u00e9 incapaz de visualizar\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Necker_cube\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">as duas interpreta\u00e7\u00f5es de um cubo de Necker<\/a> simultaneamente.<br \/>\nO que me faz imaginar: haver\u00e1 algum tipo de \u00e9tica estrutural, constru\u00edda no c\u00e9rebro humano, como as leis da rob\u00f3tica s\u00e3o constru\u00eddas no c\u00e9rebro dos rob\u00f4s ficcionais?<br \/>\nCertamente essas regras, se regras houver, est\u00e3o impressas com menos for\u00e7a do que as leis rob\u00f3ticas &#8212; provavelmente n\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o de dec\u00eancia que n\u00e3o tenha sido violada por algu\u00e9m em algum momento da hist\u00f3ria, e aqui eu uso &#8220;dec\u00eancia&#8221; num sentido bem mais amplo que o de moral sexual ou boas maneiras &#8212; mas sempre que me surge a id\u00e9ia de que a \u00e9tica \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o puramente cultural eu me lembro do paradoxo de Plat\u00e3o: <em>os deuses amam as boas a\u00e7\u00f5es porque s\u00e3o boas ou as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o boas porque os deuses as amam?\u00a0<\/em><br \/>\nNo primeiro caso, existe algum tipo de intui\u00e7\u00e3o universal sobre o que \u00e9 uma &#8220;boa a\u00e7\u00e3o&#8221;, partilhada por homens e deuses; no segundo, fazer o bem \u00e9 apenas uma forma arbitr\u00e1ria de puxassaquismo m\u00edstico.<br \/>\n\u00a0Felizmente, a evid\u00eancia cient\u00edfica parece apontar para o primeiro caso: por exemplo, no curioso experimento que revelou um <a href=\"http:\/\/www.primates.com\/monkeys\/fairness.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">senso de justi\u00e7a entre macacos<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que surge uma discuss\u00e3o sobre \u00e9tica (como a suscitada pela minha postagem anterior) eu me lembro das Tr\u00eas Leis da rob\u00f3tica de Isaac Asimov. 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