{"id":274,"date":"2008-12-11T08:51:16","date_gmt":"2008-12-11T11:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/12\/de-quem-e-a-vida-afinal\/"},"modified":"2008-12-11T08:51:16","modified_gmt":"2008-12-11T11:51:16","slug":"de-quem-e-a-vida-afinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/12\/11\/de-quem-e-a-vida-afinal\/","title":{"rendered":"De quem \u00e9 a vida, afinal?"},"content":{"rendered":"<p>O filme de 1981, com Richard Dreyfuss, no qual um escultor tetrapl\u00e9gico luta para conseguir o direito ao suic\u00eddio assistido continua atual, como atestam os casos de <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/vidae\/not_vid291732,0.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Craig Ewert<\/a>, um dos chamados &#8220;suicide tourists&#8221; que procuram cl\u00ednicas su\u00ed\u00e7as para p\u00f4r fim \u00e0 vida, e da italiana\u00a0<a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/vidae\/not_vid291864,0.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eluana<\/a>, cuja fam\u00edlia, mesmo de posse de uma senten\u00e7a judicial autorizando o coete da alimenta\u00e7\u00e3o\/hidrata\u00e7\u00e3o da paciente, n\u00e3o encontraum hospital disposto a executar o procedimento (<em>inclua aqui seu &#8220;rant&#8221; favorito contra obscurantismo cat\u00f3lico e seus efeitos delet\u00e9rios na cultura italiana<\/em>).<br \/>\nO t\u00edtulo do filme de Dreyfuss (na verdade, do diretor John Badham) vai direto ao cerne da quest\u00e3o: de quem \u00e9 a vida? A posi\u00e7\u00e3o liberal cl\u00e1ssica \u00e9 a de que o ser humano \u00e9, antes de tudo, propriet\u00e1rio de si mesmo &#8212; todos os outros direitos emanam desse fato.<br \/>\nNesse caso, a rejei\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio assistido \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria base do conceito de direito humano, uma porta perigosamente aberta ao totalitarismo. Se a coletividade pode privar uma pessoa da escolha de como morrer, o que a impede de priv\u00e1-la de decidir como viver, em que religi\u00e3o acreditar, quais livros ler&#8230;?<br \/>\nMas \u00e9 \u00f3bvio que a perspectiva liberal n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Existe a id\u00e9iade qu a vida n\u00e3o \u00e9 <em>propriedade<\/em> da pessoa, mas algo que ela tem <em>em sua cust\u00f3dia<\/em>. A identidade do verdadeiro dono da vida varia dependendo da concep\u00e7\u00e3o que se adota &#8212; deus, o Estado, a fam\u00edlia, a humanidade como um todo &#8212; mas o princ\u00edpio geral \u00e9 de que cada indiv\u00edduo tem <em>o dever de usar a vida para o engrandecimento do verdadeiro dono<\/em>.<br \/>\nPessoalmente eu prefiro a vis\u00e3o liberal, mas isso n\u00e3o me impede de reconhecer que a perspectiva da vida como &#8220;d\u00e1vida&#8221; ou &#8220;empr\u00e9stimo&#8221; possa ser mais eficiente no longo prazo, darwinianamente falando.<br \/>\nAbaixo, trecho de um document\u00e1rio sobre a morte de Ewert:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme de 1981, com Richard Dreyfuss, no qual um escultor tetrapl\u00e9gico luta para conseguir o direito ao suic\u00eddio assistido continua atual, como atestam os casos de Craig Ewert, um dos chamados &#8220;suicide tourists&#8221; que procuram cl\u00ednicas su\u00ed\u00e7as para p\u00f4r fim \u00e0 vida, e da italiana\u00a0Eluana, cuja fam\u00edlia, mesmo de posse de uma senten\u00e7a judicial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":275,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-content\/uploads\/sites\/203\/2011\/08\/04.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}