{"id":282,"date":"2008-12-26T08:17:37","date_gmt":"2008-12-26T11:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2008\/12\/paradoxo-de-sexta-7\/"},"modified":"2008-12-26T08:17:37","modified_gmt":"2008-12-26T11:17:37","slug":"paradoxo-de-sexta-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2008\/12\/26\/paradoxo-de-sexta-7\/","title":{"rendered":"Paradoxo de sexta (7)"},"content":{"rendered":"<p>O da semana passada foi abatido assim que levantou a cabe\u00e7a: trata-se, de fato, de uma divis\u00e3o por zero. Existe toda uma cole\u00e7\u00e3o de &#8220;provas&#8221; matem\u00e1ticas absurdas que dependem de um pouco de prestidigita\u00e7\u00e3o para passar uma divis\u00e3o por zero por baixo do nariz das pessoas &#8212; a que apresentei nem foi a mais das mais sofisticadas (algumas, depois de introduzir a igualdade a = b, um pouco mais adiante inventam uma fra\u00e7\u00e3o com o denominador 2a<sup>2<\/sup>-2ab, bem melhor que o meu tosco a-b).<br \/>\nBom, como este \u00e9 o \u00faltimo paradoxo do ano, resolvi apresentar um cl\u00e1ssico da encruzilhada entre \u00e9tica e ambientalismo, o <em>Paradoxo das Gera\u00e7\u00f5es Futuras<\/em>. \u00c9 o seguinte:<br \/>\nImagine que surja um plano econ\u00f4mico para, digamos, liberar geral na explora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Corte-se madeira \u00e0 vontade, cavem-se minas de todo tipo, espalhe-se a soja, a cana, o gado. Imagine, ainda, que fique demonstrado que esse plano trar\u00e1 enormes benef\u00edcios econ\u00f4micos prara as pr\u00f3ximas 5 gera\u00e7\u00f5es de brasileiros: desfaveliza\u00e7\u00e3o das grandes cidades (com as pessoas correndo em busca de oportunidades no Norte), crescimento desenfreado do PIB, desemprego zero, fim da mis\u00e9ria e da pobreza. Mas a <em>sexta gera\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0enfrentar\u00e1 um colapso ecol\u00f3gico sem precedentes, que causar\u00e1 a morte &#8212; por fome, sede, doen\u00e7as &#8212; de 60 milh\u00f5es de pessoas.<br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 se as pessoas respons\u00e1veis pela ado\u00e7\u00e3o do plano t\u00eam algum tipo de responsabilidade moral para com as v\u00edtimas da sexta gera\u00e7\u00e3o (e, claro, das gera\u00e7\u00f5es seguintes, j\u00e1 que o pepino ser\u00e1 passado adiante). A resposta paradoxal \u00e9: n\u00e3o. Por qu\u00ea? Porque, sem a grande movimenta\u00e7\u00e3o social, a eleva\u00e7\u00e3o de renda e as migar\u00e7\u00f5es geradas pelo plano, <em>essas pessoas sequer teriam nascido. Seus pais, muito provavelmente, sequer teriam se encontrado.\u00a0<\/em>N\u00e3o importa se v\u00e3o morrer por causa do plano: elas devem <em>a vida<\/em> a ele, e portato n\u00e3o t\u00eam do que reclamar.<br \/>\nGeneralizando, a gera\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o tem nenhuma obriga\u00e7\u00e3o para com as gera\u00e7\u00f5es futuras, porque todos os indiv\u00edduos do futuro devem a exist\u00eancia ao que \u00e9 feito no presente &#8212; tanto aos erros quanto aos acertos.<br \/>\nCerto?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O da semana passada foi abatido assim que levantou a cabe\u00e7a: trata-se, de fato, de uma divis\u00e3o por zero. 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