{"id":325,"date":"2009-04-23T08:43:52","date_gmt":"2009-04-23T11:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/04\/e_por_que_voce_diz_isso\/"},"modified":"2009-04-23T08:43:52","modified_gmt":"2009-04-23T11:43:52","slug":"e_por_que_voce_diz_isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/04\/23\/e_por_que_voce_diz_isso\/","title":{"rendered":"E por que voc\u00ea diz isso?"},"content":{"rendered":"<p>Um jeito muito eficiente de desviar a aten\u00e7\u00e3o num debate \u00e9 questionar os motivos do interlocutor. Em vez de atacar o argumento do advers\u00e1rio, ataca-se a raz\u00e3o que levou o advers\u00e1rio a lan\u00e7ar m\u00e3o do argumento.<br \/>\n\u00c9 uma esp\u00e9cie de culpa por associa\u00e7\u00e3o: se o argumento A, B ou C parece p\u00f4r azeitona na empada de algum grupo dado como &#8220;desprez\u00edvel&#8221; &#8212; sejam os nazistas, os comunistas ou o ex\u00e9rcito da salva\u00e7\u00e3o &#8212; ent\u00e3o ele est\u00e1 desacreditado <em>in limine<\/em>.<br \/>\nA t\u00e1tica tem a vantagem de nos poupar do trabalho de avaliar os m\u00e9ritos do argumento em si.<br \/>\nEssa &#8220;fal\u00e1cia do motivo desprez\u00edvel&#8221; (ela deve ter um nome oficial em latim, mas n\u00e3o vai dar tempo de pesquisar agora) \u00e9 especialmente perigosa quando usada como insinua\u00e7\u00e3o: &#8220;Mas n\u00f3s sabemos a que interesses as palavras do Professor Pardal servem&#8221;, diz um dos contendores, dando  entender que s\u00f3 um imbecil cong\u00eanito n\u00e3o seria capaz de ver atrav\u00e9s do v\u00e9u de dissimula\u00e7\u00e3o de Pardal. N\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil a plateia cair nessa.<br \/>\nO uso do &#8220;motivo desprez\u00edvel&#8221; para p\u00f4r o di\u00e1logo em curto-circuito \u00e9 parte do arsenal de professores, pol\u00edticos, sindicalistas, c\u00f4njuges, jornalistas&#8230; enfim, de todos aqueles que, num dado momento, sentem-se mais interessados em melar a conversa (ou &#8220;ganhar&#8221; o debate) do que em chegar \u00e0 verdade.<br \/>\nEvitar essa fal\u00e1cia \u00e9 um exerc\u00edcio de humildade, j\u00e1 que requer que reconhe\u00e7amos que at\u00e9 mesmo motivos torpes (ou motivos que <em>nos parecem<\/em> torpes) podem dar margem a argumentos v\u00e1lidos &#8212; ou que um argumento v\u00e1lido pode, <em>prima facie<\/em>, ser sacado em defesa de um motivo torpe. Nessas horas, por maior que seja  a tenta\u00e7\u00e3o de mudar de assunto, o melhor \u00e9 esmiu\u00e7ar a quest\u00e3o.<br \/>\nAfinal, melhor que o conselho de Jesus de Nazar\u00e9, que nos diz que pelo fruto conheceremos a \u00e1rvore, \u00e9 o de Br\u00e1s Cubas, que nos lembra de que do esterco tamb\u00e9m brotam flores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um jeito muito eficiente de desviar a aten\u00e7\u00e3o num debate \u00e9 questionar os motivos do interlocutor. Em vez de atacar o argumento do advers\u00e1rio, ataca-se a raz\u00e3o que levou o advers\u00e1rio a lan\u00e7ar m\u00e3o do argumento. \u00c9 uma esp\u00e9cie de culpa por associa\u00e7\u00e3o: se o argumento A, B ou C parece p\u00f4r azeitona na empada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}