{"id":326,"date":"2009-04-24T09:00:45","date_gmt":"2009-04-24T12:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/04\/paradoxo_de_sexta_24\/"},"modified":"2009-04-24T09:00:45","modified_gmt":"2009-04-24T12:00:45","slug":"paradoxo_de_sexta_24","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/04\/24\/paradoxo_de_sexta_24\/","title":{"rendered":"Paradoxo de sexta (24)"},"content":{"rendered":"<p>O paradoxo da semana passada, o <em>do pensamento positivo<\/em> ou <em>da ora\u00e7\u00e3o<\/em>, se resolve em dois n\u00edveis.<br \/>\nNo primeiro, como exposto por <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Robert_M._Price\">Robert M. Price<\/a> em sua an\u00e1lise da literatura de pensamento positivo, <em>The Secret&#8217;s Secret<\/em> (livro provavelmente condenado a permanecer in\u00e9dito em portugu\u00eas para todo o sempre), coisas como uma atitude positiva e prepara\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica s\u00f3 t\u00eam chance de serem realmente decisivas quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 algo ligado diretamente ao <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Maslow's_hierarchy_of_needs\">topo da pir\u00e2mide das necessidade humanas<\/a>.<br \/>\nNo segundo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio destacar que esse tipo de prepara\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser decisivo quando o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 um recurso <em>muito raro<\/em> ou <em>\u00fanico<\/em>. Digo, estar mentalmente bem disposto pode ajudar voc\u00ea a conseguir <em>um<\/em> emprego, mas provavelmente n\u00e3o basta para que voc\u00ea consiga <em>aquele<\/em> emprego.<br \/>\nOu, na frase atribu\u00edda (e confesso que posso estar citando uma lenda urbana) a <a href=\"http:\/\/shinyashiki.uol.com.br\/\">Roberto Shinyashiki<\/a> ap\u00f3s o fragoroso fracasso da sele\u00e7\u00e3o brasileira masculina de futebol nas Olimp\u00edadas de 2000, &#8220;<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/041000\/vejaessa.html\">o problema \u00e9 que nesses esportes voc\u00ea tem um advers\u00e1rio<\/a>&#8220;.<br \/>\nBom, chega de auto-ajuda: vamos ao paradoxo desta semana, que \u00e9 o <em>Paradoxo do Corvo Negro<\/em>. \u00c9 assim: uma vez apresentada a hip\u00f3tese de que todos os corvos s\u00e3o negros, o princ\u00edpio da indu\u00e7\u00e3o sugere que, a cada corvo negro observado, nossa confian\u00e7a na verdade da hip\u00f3tese se fortale\u00e7a.<br \/>\nA ci\u00eancia funciona, em grande parte, nessa linha: uma vez levantada a hip\u00f3tese de que a gravidade  desvia a trajet\u00f3ria de raios de luz, toda vez que um astr\u00f4nomo observa um raio de luz desviado ao passar perto de um corpo de grande massa, a confian\u00e7a na veracidade da hip\u00f3tese cresce. \u00c9 claro que nenhum n\u00famero de inst\u00e2ncias positivas pode provar algo com o mesmo grau de certeza que uma demonstra\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, mas um n\u00famero suficientemente grande de confirma\u00e7\u00f5es pode permitir que as pessoas relaxem um pouco e passem a basear toda a infra-estrutura tecnol\u00f3gica da civiliza\u00e7\u00e3o em uma meia-d\u00fazia dessas &#8220;verdade indutivas&#8221;.<br \/>\nPois bem.<br \/>\nLogicamente, a fase &#8220;todos os corvos s\u00e3o negros&#8221; \u00e9 equivalente a &#8220;todos os n\u00e3o-negros s\u00e3o n\u00e3o-corvos&#8221;. E n\u00e3o se trata de uma mera convers\u00e3o formal: afinal, se voc\u00ea excluir todas as coisas pretas, negras ou escuras  do Universo e, no que restar, n\u00e3o tiver ficado nenhum corvo, a afirma\u00e7\u00e3o de que todos os corvos s\u00e3o negros estar\u00e1 provada &#8212; ainda que de um modo extremamente trabalhoso.<br \/>\nDessa maneira, o poder confirmat\u00f3rio da observa\u00e7\u00e3o de um corvo negro deve ser equivalente ao da observa\u00e7\u00e3o de uma coisa que n\u00e3o \u00e9 negra e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 corvo&#8230; Digamos, de um cisne branco ou de um Corolla prata.<br \/>\nMas tem mais: um mesmo objeto (o Corolla prata) pode ser, ao mesmo tempo, um &#8220;n\u00e3o-corvo n\u00e3o-negro&#8221; <em>e<\/em> um &#8220;n\u00e3o-corvo n\u00e3o-verde&#8221;. Logo, ele torna mais prov\u00e1veis <em>tanto<\/em> a hip\u00f3tese de que todos os corvos s\u00e3o negros <em>quanto<\/em> a de que todos os corvos s\u00e3o verdes!<br \/>\nComo uma mesma pe\u00e7a de evid\u00eancia pode apoiar, ao mesmo tempo, duas conclus\u00f5es mutuamente excludentes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O paradoxo da semana passada, o do pensamento positivo ou da ora\u00e7\u00e3o, se resolve em dois n\u00edveis. No primeiro, como exposto por Robert M. 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