{"id":329,"date":"2009-04-28T09:38:46","date_gmt":"2009-04-28T12:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/04\/o_dilema_da_bomba-relogio\/"},"modified":"2009-04-28T09:38:46","modified_gmt":"2009-04-28T12:38:46","slug":"o_dilema_da_bomba-relogio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/04\/28\/o_dilema_da_bomba-relogio\/","title":{"rendered":"O dilema da bomba-rel\u00f3gio"},"content":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 um problema l\u00f3gico muito citado em defesa de pr\u00e1ticas e tortura: um terrorista sabe onde est\u00e1 uma bomba-rel\u00f3gio, que explodir\u00e1 dentro de 30 minutos, matando centenas de crian\u00e7as. Nessa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 l\u00edcito tortur\u00e1-lo?<br \/>\nTalvez a dramatiza\u00e7\u00e3o mais contundente desse dilema esteja no filme <em>Dirty Harry<\/em>, no qual o detetive Harry Callahan confronta um sequestrador que enterrou uma crian\u00e7a viva &#8212; a menina tem apenas mais 15 minutos de ar para respirar, e Harry precisa saber onde ela est\u00e1 <em>agora<\/em>.<br \/>\nO que esse tipo de considera\u00e7\u00e3o faz num blog de ci\u00eancia? \u00c9 que em lembro de ter lido, h\u00e1 alguns anos, um artigo que analisa a l\u00f3gica dessa situa\u00e7\u00e3o e desmonta o uso do dilema da bomba-rel\u00f3gio (ou do sequestrador) como uma &#8220;justificativa racional&#8221; para a aplica\u00e7\u00e3o da tortura. Estou citando de cabe\u00e7a, mas o artigo mostra que esses cen\u00e1rios t\u00eam algumas premissas ocultas, quais sejam:<br \/>\n1. <em>As autoridades pegaram a pessoa certa.<\/em> \u00c9 preciso saber, acima de qualquer d\u00favida, que o prisioneiro tem a informa\u00e7\u00e3o;<br \/>\n2. <em>O prisioneiro vai ceder<\/em>. Tem gente que que simplesmente \u00e9 capaz de resistir a tudo, ou quase tudo;<br \/>\n3. <em>O prisioneiro vai ceder a tempo<\/em>.N\u00e3o adianta nada o cara falar quando j\u00e1 for tarde demais;<br \/>\n4. <em>O prisioneiro vai dizer a verdade<\/em>. A pr\u00f3pria urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o impede que  a informa\u00e7\u00e3o seja checada antes de ser usada e, como a Inquisi\u00e7\u00e3o provou, pessoas sob tortura podem dizer qualquer coisa que o torturador queira ouvir;<br \/>\n5. <em>O torturador pode existir num v\u00e1cuo<\/em>. Isto \u00e9, \u00e9 poss\u00edvel que haja um profissional capaz de identificar as fraquezas do prisioneiro, saber exatamente quanta dor aplicar e e em que partes do corpo para levar aquele indiv\u00edduo espec\u00edfico a fornecer a informa\u00e7\u00e3o precisa em tempo h\u00e1bil &#8212; e que esse profissional n\u00e3o tenha sido treinado em uma institui\u00e7\u00e3o especializada em, ora, torturar. E que tenha aprendido tudo isso s\u00f3 em aulas te\u00f3ricas.<br \/>\nTodos esses pressupostos ocultos s\u00e3o muito fracos &#8212; o primeiro, o quarto e o quinto, principalmente, t\u00eam baix\u00edssima plausibilidade. O argumento da bomba-rel\u00f3gio tem grande potencial dram\u00e1tico e cria uma boa situa\u00e7\u00e3o para ser explorada por criadores de hist\u00f3rias de suspense, mas as chances de os cinco pressupostos ocorrerem simultaneamente no mundo real \u00e9 pequena demais para que ele possa ser realmente levado a s\u00e9rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 um problema l\u00f3gico muito citado em defesa de pr\u00e1ticas e tortura: um terrorista sabe onde est\u00e1 uma bomba-rel\u00f3gio, que explodir\u00e1 dentro de 30 minutos, matando centenas de crian\u00e7as. Nessa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 l\u00edcito tortur\u00e1-lo? 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