{"id":336,"date":"2009-05-08T08:46:16","date_gmt":"2009-05-08T11:46:16","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/05\/paradoxo_de_sexta_26\/"},"modified":"2009-05-08T08:46:16","modified_gmt":"2009-05-08T11:46:16","slug":"paradoxo_de_sexta_26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/05\/08\/paradoxo_de_sexta_26\/","title":{"rendered":"Paradoxo de sexta (26)"},"content":{"rendered":"<p>O argumento ontol\u00f3gico, que fez o papel de paradoxo da semana passada, \u00e9 atac\u00e1vel sob v\u00e1rias frentes. Uma delas, mencionada nos coment\u00e1rios, \u00e9 a de que a mesma estrutura usada na &#8220;prova&#8221; de deus pode ser usada para &#8220;provar&#8221; qualquer coisa (&#8220;X&#8221; \u00e9 perfeito por defini\u00e7\u00e3o, as coisas s\u00f3 s\u00e3o perfeitas se realmente existirem, logo &#8220;x&#8221; existe por defini\u00e7\u00e3o). Essa, diga-se de passagem, foi a primeira obje\u00e7\u00e3o levantada contra o argumento, quando Santo Anselmo o prop\u00f4s s\u00e9culos atr\u00e1s.<br \/>\nA p\u00e1 de cal sobre o argumento ontol\u00f3gico, segundo a maioria dos fil\u00f3sofos, foi dada por Kant, que notou que &#8220;exist\u00eancia&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma propriedade que pode ser dada por defini\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO argumento tem uma variante mais espertinha, que se se vale da estrutura l\u00f3gica da linguagem, e que sustenta que &#8220;deus n\u00e3o existe&#8221; \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o em termos. Por qu\u00ea? Porque deus \u00e9 definido como o ser cuja exist\u00eancia \u00e9 inevit\u00e1vel, e dizer que &#8220;o ser cuja exist\u00eancia \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o existe&#8221; \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o em termos. Logo, \u00e9 imposs\u00edvel articular a ideia da inexist\u00eancia de deus de forma coerente, e portanto os ateus est\u00e3o falando uma abobrinha do tipo &#8220;tri\u00e2ngulos t\u00eam quatro lados&#8221;.<br \/>\nBertrand Russell p\u00f4s uma p\u00e1 de cal sobre <em>essa<\/em> vers\u00e3o, ao notar que a express\u00e3o &#8220;ser cuja exist\u00eancia \u00e9 inevit\u00e1vel&#8221; pode ser tratada como a defini\u00e7\u00e3o de um conjunto &#8212; como &#8220;o conjunto de redatores de blogs chamados Ideias Cretinas&#8221;, por exemplo &#8212; e a frase pode ser reescrita assim: &#8220;o conjunto dos seres cuja exist\u00eancia \u00e9 inevit\u00e1vel \u00e9 vazio&#8221;. <em>Presto<\/em>, nenhuma contradi\u00e7\u00e3o!<br \/>\nAgora, em homenagem \u00e0 recente onda de autodesmoraliza\u00e7\u00e3o promovida pelas duas casas do Congresso Nacional, vou apresentar um dos tr\u00eas (at\u00e9 a \u00faltima vez que contei, eram tr\u00eas) <em>Paradoxos da Democracia<\/em>:<br \/>\n<em>Como um democrata, algu\u00e9m que acredita no dever de acatar as decis\u00f5es da maioria, deve agir quando a maioria toma uma decis\u00e3o que ele sabe que \u00e9 errada?<\/em> (veja bem, n\u00e3o \u00e9 apenas uma decis\u00e3o da qual ele discorda por uma quest\u00e3o de gosto ou de opini\u00e3o: \u00e9 uma decis\u00e3o que ele, objetivamente, sabe que n\u00e3o presta).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O argumento ontol\u00f3gico, que fez o papel de paradoxo da semana passada, \u00e9 atac\u00e1vel sob v\u00e1rias frentes. 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