{"id":343,"date":"2009-05-19T08:27:52","date_gmt":"2009-05-19T11:27:52","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/05\/jornada_nas_estrelas\/"},"modified":"2009-05-19T08:27:52","modified_gmt":"2009-05-19T11:27:52","slug":"jornada_nas_estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/05\/19\/jornada_nas_estrelas\/","title":{"rendered":"Jornada nas Estrelas"},"content":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m comentou o filme aqui, ainda? L\u00e1 vou eu, ent\u00e3o. Tentando manter a taxa de spoilers baixa, direi apenas que os roteiristas acharam um modo bem criativo de zerar o seriado original de TV sem desrespeit\u00e1-lo (muito pelo contr\u00e1rio) e que o ator que faz o Dr. McCoy realmente rouba o show: s\u00f3 esse cara j\u00e1 me d\u00e1 vontade de comprar o DVD.<br \/>\nCientificamente falando, a trama depende de algo que \u00e9 chamado de &#8220;red matter&#8221;, e que   parece ser uma esp\u00e9cie de &#8220;combo&#8221; ficcional de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\">mat\u00e9ria escura<\/a> com <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Exotic_matter\">mat\u00e9ria ex\u00f3tica<\/a>.<br \/>\nAlgo parecido j\u00e1 havia sido usado por Greg Bear em sua s\u00e9rie de livros iniciada por <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eon_(novel)\">Eon<\/a>, nos long\u00ednquos anos 80,  o que mant\u00e9m o velho ditado de que os conceitos que aparecem na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica liter\u00e1ria s\u00f3 chegam \u00e0 cinematogr\u00e1fica de 20 a 30 anos mais tarde.<br \/>\nO mais interessante, filosoficamente falando, no entanto, (aten\u00e7\u00e3o! isto pode ser um spoiler!) \u00e9 a presen\u00e7a do Spock &#8220;velho&#8221; (Leonard Nimoy) no presente do Spock &#8220;jovem&#8221; (Zachary Quinto). Sempre que vejo uma hist\u00f3ria de viagem no tempo onde uma pessoa volta ao  passado, eu me pergunto: da onde v\u00eam os \u00e1tomos desse cara?<br \/>\nDigo, n\u00e3o podem ser os mesmos \u00e1tomos que comp\u00f5em seu ego passado, certo? Eles j\u00e1 est\u00e3o em uso, e al\u00e9m disso o corpo humano (e possivelmente o corpo vulcano, tamb\u00e9m) troca todas as part\u00edculas que o comp\u00f5em a cada, o qu\u00ea, sete anos?<br \/>\nA resposta  \u00f3bvia e que os \u00e1tomos vieram do futuro, mas se esse \u00e9 o caso, ent\u00e3o agora no passado eles tamb\u00e9m est\u00e3o em uso, s\u00f3 que em outros lugares &#8212; paredes, plantas, naves espaciais, outras pessoas. Para evitar uma viola\u00e7\u00e3o da lei da conserva\u00e7\u00e3o da energia, seria preciso que esses \u00e1tomos fossem arrancados de seus locais atuais para compor o corpo do viajante do tempo.<br \/>\nIsso parece f\u00e1cil &#8212; afinal, uma planta, uma \u00e1rvore ou uma pessoa n\u00e3o v\u00e3o sentir falta de um \u00e1tomo de carbono aqui, um de hidrog\u00eanio ali. Mas, e se um \u00e1tomo de nitrog\u00eanio acabar arrancado do DNA de algu\u00e9m? A materializa\u00e7\u00e3o do homem no passado pode produzir um ou mais casos de c\u00e2ncer ou de defeitos cong\u00eanitos!<br \/>\nOutro problema: quanto maior a &#8220;dist\u00e2ncia&#8221; viajada em dire\u00e7\u00e3o ao passado, maior a probabilidade de os \u00e1tomos estarem muito afastados: neste fim de semana bebi um vinho argentino, o que significa que, hoje, alguns \u00e1tomos do meu corpo s\u00e3o origin\u00e1rios de parreiras de Mendoza; e nem me pergunte a origem do bife do almo\u00e7o de ontem.<br \/>\nNum universo como o de Jonada nas Estrelas,  onde viagens a dobra espacial s\u00e3o corriqueiras, \u00e9 prov\u00e1vel que os \u00e1tomos que, no futuro, ir\u00e3o se reunir para dar forma ao corpo de Spock estejam, no passado, dispersos por todos os cantos da gal\u00e1xia. Para dar corpo ao viajante do tempo em sua chegada ao passado, eles ter\u00e3o de percorrer v\u00e1rios anos-luz em poucos instantes!<br \/>\nO escritor Philip Jos\u00e9 Farmer lidou com essa dificuldade em seu romance <em>Time&#8217;s Last Gift<\/em>, uma das hist\u00f3rias de viagem no tempo mais bem resolvidas que conhe\u00e7o.<br \/>\nPor fim: n\u00e3o me entenda mal. N\u00e3o estou escrevendo isto para fazer pouco caso do filme, nem com esp\u00edrito <em>nitpicker<\/em>. \u00c9 s\u00f3 que a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0s vezes tamb\u00e9m \u00e9 chamada de fic\u00e7\u00e3o <em>especulativa<\/em>, e para mim uma das maiores divers\u00f5es oferecidas pelo g\u00eanero \u00e9 exatamente essa: a oportunidade de especular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m comentou o filme aqui, ainda? L\u00e1 vou eu, ent\u00e3o. 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