{"id":374,"date":"2009-06-26T09:11:18","date_gmt":"2009-06-26T12:11:18","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/06\/paradoxo_de_sext_32\/"},"modified":"2009-06-26T09:11:18","modified_gmt":"2009-06-26T12:11:18","slug":"paradoxo_de_sext_32","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/06\/26\/paradoxo_de_sext_32\/","title":{"rendered":"Paradoxo de sext (32)"},"content":{"rendered":"<p>O da semana passada se resolve, creio, simplesmente notando que muitas categorias \u00fateis  para uso no dia a dia (como presente, passado e futuro) s\u00e3o exatamente isso, \u00fateis para uso no dia a dia, mas n\u00e3o se prestam a an\u00e1lises l\u00f3gicas detalhadas. S\u00e3o como os &#8220;conceitos primitivos&#8221; da geometria (ponto, reta, plano): acess\u00edveis \u00e0 intui\u00e7\u00e3o, bons tijolos, mas que (como tijolos) viram p\u00f3 quando tentamos ver o que h\u00e1 dentro deles.<br \/>\nAcho que s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es assim que levaram Wittgenstein a concluir que n\u00e3o existem problemas filos\u00f3ficos, o que h\u00e1 s\u00e3o imperfei\u00e7\u00f5es e maus usos da linguagem.<br \/>\nO paradoxo desta semana foi proposto por Richard Dawkins.<br \/>\nImagine que todas as suas ancestrais do sexo feminino, sua m\u00e3e, av\u00f3 e at\u00e9 a \u00faltima ancestral comum com os chimpanz\u00e9s &#8212; at\u00e9 a proto-macaca que teve duas filhas, irm\u00e3s, uma das quais entrou na linhagem da sua fam\u00edlia e a outra cujos descendentes nunca sa\u00edram da selva (ou se sa\u00edram, foram para o zoo) &#8212;  est\u00e3o enfileiradas, numa sequ\u00eancia de quil\u00f4metros. Imagine que, numa fila paralela a essa, estejam todas as descendentes do sexo feminino da irm\u00e3 de sua ancestral comum.<br \/>\nAgora, percorra a fila que leva at\u00e9 voc\u00ea. Veja como cada gera\u00e7\u00e3o se liga perfeitamente, sem descontinuidade alguma, \u00e0 anterior. Do humano ao proto-humano e ao proto-macaco, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma quebra. Em nenhum momento voc\u00ea v\u00ea uma m\u00e3e macaca peluda e feia de m\u00e3os dadas com uma filha humana e linda. Nem mesmo entre av\u00f3 e neta h\u00e1 diferen\u00e7a percept\u00edvel, nem entre bisav\u00f3 e bisneta.<br \/>\nAgora, tendo chegado \u00e0 ancestral comum, avance no tempo pela fileira dos proto-chimpanz\u00e9 que at\u00e9 a chimpanz\u00e9 que est\u00e1 na fila paralela, olhando para a sua m\u00e3e nos olhos. Elas s\u00e3o primas. De novo, nenhuma descontinuidade.<br \/>\nO &#8220;U&#8221; evolucion\u00e1rio que  liga o ramo humano de sua fam\u00edlia ao ramo dos macacos \u00e9 cont\u00ednuo e suave, t\u00e3o s\u00f3lido quanto o que o liga, digamos, aos primos que n\u00e3o emigraram com sua av\u00f3, bisav\u00f3 ou tatarav\u00f3 ou quem quer que seja que tenha vindo da It\u00e1lia, do Jap\u00e3o, de Portugal, Alemanha, pelo estreito de Bering, etc.<br \/>\nEnt\u00e3o: se n\u00e3o h\u00e1 descontinuidade, se o parentesco que nos liga aos macacos \u00e9 t\u00e3o firme quanto o que nos liga \u00e0 humanidade em geral, como \u00e9 poss\u00edvel que sejamos esp\u00e9cies essencialmente diferentes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O da semana passada se resolve, creio, simplesmente notando que muitas categorias \u00fateis para uso no dia a dia (como presente, passado e futuro) s\u00e3o exatamente isso, \u00fateis para uso no dia a dia, mas n\u00e3o se prestam a an\u00e1lises l\u00f3gicas detalhadas. 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