{"id":396,"date":"2009-07-28T08:41:40","date_gmt":"2009-07-28T11:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/07\/para_formigas_o_irrelevante_e\/"},"modified":"2009-07-28T08:41:40","modified_gmt":"2009-07-28T11:41:40","slug":"para_formigas_o_irrelevante_e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/07\/28\/para_formigas_o_irrelevante_e\/","title":{"rendered":"Para formigas, o irrelevante \u00e9 irrelevante"},"content":{"rendered":"<p>Um dos crit\u00e9rios normalmente usados em Teoria da Decis\u00e3o para definir se uma escolha \u00e9 racional ou n\u00e3o \u00e9 a independ\u00eancia de op\u00e7\u00f5es irrelevantes. Digamos que voc\u00ea, sendo um homem e heterossexual (leitores de outra conforma\u00e7\u00e3o cromoss\u00f4mica e\/ou inclina\u00e7\u00e3o afetiva, por favor, usem a imagina\u00e7\u00e3o) tenha uma marcada queda por loiras magras. Eis que, numa balada, surgem duas garotas que parecem interessadas em sua pessoa &#8212; uma loira gorda e uma morena magra.<br \/>\nPode ser  um dilema, mas qualquer que seja a sua solu\u00e7\u00e3o pra ele (Incluindo a de passar a noite sozinho), o fato de haver uma terceira menina dispon\u00edvel, uma ruiva rechonchuda, n\u00e3o deveria afetar a decis\u00e3o que voc\u00ea vai tomar. Certo? Afinal, voc\u00ea n\u00e3o se sente atra\u00eddo por ruivas e prefere n\u00e3o ficar com gordas, logo essa terceira mo\u00e7a, por mais inteligente e charmosa que seja \u00e9, para o seu gosto pessoal, irrelevante.<br \/>\nCuriosamente, no entanto, a mente humana n\u00e3o funciona desse jeito: a presen\u00e7a de uma alternativa irrelevante tem, frequentemente, o poder de alterar a forma como as pessoas escolhem entre as alternativas reais. Isso acontece muito em elei\u00e7\u00f5es: mesmo que a disputa pra valer seja entre Serra e Dilma, o fato de haver um terceiro candidato sem chances, e de esse candidato ser o Maluf ou o Gabeira, pode fazer pender a balan\u00e7a para um lado ou para o outro.<br \/>\nNesse aspecto, o homem n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 um animal muito racional (conte-me algo novo, dir\u00e1 voc\u00ea). Mas as formigas, <em>s\u00e3o<\/em>. A constata\u00e7\u00e3o est\u00e1 no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em>Proceedings of the Royal Society B<\/em>. Diante da oferta de dois locais razo\u00e1veis pra instalar um formigueiro, os insetos optavam por um um outro, indiferentemente. O aparecimento de um terceiro local, claramente ruim, n\u00e3o afetou essa distribui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFalando ao noticioso online <a href=\"http:\/\/sciencenow.sciencemag.org\/cgi\/content\/full\/2009\/722\/1?rss=1\">Science Now<\/a>, da revsita <em>Science<\/em>, um dos autores do trabalho, Stephen Pratt, especula que as formigas se comportam dessa forma porque a col\u00f4nia, como um todo n\u00e3o conhece todas as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis: a massa dos insetos simplesmente acompanha a opini\u00e3o das formigas batedoras, que sempre rejeitam a oferta de ninho ruim e aceitam indiferentemente a primeira oferta razo\u00e1vel que aparece.<br \/>\nO que sugere que, ao menos em quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha, ignor\u00e2ncia \u00e0s vezes \u00e9 poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos crit\u00e9rios normalmente usados em Teoria da Decis\u00e3o para definir se uma escolha \u00e9 racional ou n\u00e3o \u00e9 a independ\u00eancia de op\u00e7\u00f5es irrelevantes. 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