{"id":416,"date":"2009-08-25T09:17:22","date_gmt":"2009-08-25T12:17:22","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/08\/metodo_infalivel_para_nunca_pe\/"},"modified":"2009-08-25T09:17:22","modified_gmt":"2009-08-25T12:17:22","slug":"metodo_infalivel_para_nunca_pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/08\/25\/metodo_infalivel_para_nunca_pe\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo infal\u00edvel para nunca perder na Mega-Sena"},"content":{"rendered":"<p>Folheando outro dia uma dessas revistas femininas de R$ 1,99, encontrei um cat\u00e1logo de livros de venda pelo correio que, em meio a ofertas vibrantes e de alto valor sociol\u00f3gico-cultural, como <em>Fa\u00e7a a Sua Macumbinha<\/em>, <em>Amarre o Amor com os Orix\u00e1s<\/em> e <em>O Grande Livro Negro Capa de A\u00e7o de S\u00e3o Cipriano<\/em> (ali\u00e1s, aqui cabe um <em>mea culpa<\/em>: vivo tirando sarro de pregadores evang\u00e9licos, dizendo que Senhor Jesus cura c\u00e2ncer e d\u00e1 casa pr\u00f3pria, mas n\u00e3o ensina portugu\u00eas; pois \u00e9, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Cordeiro que se det\u00e9m na barreira da gram\u00e1tica; o Orix\u00e1 tamb\u00e9m), havia o <em>Manual da Mega Sena<\/em> e as <em>Apostilas da Lotomania<\/em>.<br \/>\nPelo que deu pra entender da descri\u00e7\u00e3o dos livros que aparece no cat\u00e1logo (n\u00e3o, n\u00e3o comprei nenhum: isso, s\u00f3 com verba da Fapesp), eles trazem an\u00e1lises e tabelas de frequ\u00eancia de n\u00fameros sorteados, e tiram algumas conclus\u00f5es esot\u00e9ricas do fato. Mas, quais conclus\u00f5es poderiam ser essas?<br \/>\nBom, digamos que determinadas dezenas apare\u00e7am com mais frequ\u00eancia do que outras na s\u00e9rie hist\u00f3rica de Mega-Sena (que acumula mais de 1.000 sorteios j\u00e1 realizados). E da\u00ed?<br \/>\nIsso pode dar margem a duas interpreta\u00e7\u00f5es: (a) os n\u00fameros &#8220;repetidos demais&#8221; s\u00e3o uma aberra\u00e7\u00e3o probabil\u00edstica, e portanto em breve devem parar de ser sorteados (para manter a m\u00e9dia), logo n\u00e3o se deve jogar neles; ou (b) as bolinhas usadas no sorteio n\u00e3o s\u00e3o todas <em>exatamente<\/em> iguais &#8212; algumas talvez sejam uns poucos miligramas mais pesadas que as outras  &#8212; e esse efeito aparece na repeti\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, logo <em>deve-se<\/em> jogar neles.<br \/>\n<em>(Adendo: como o Jo\u00e3o Carlos notou nos coment\u00e1rios, as bolas realmente usadas na Mega-Sena s\u00e3o trocadas a cada cinco concursos, o que, em tese, evitaria qualquer esp\u00e9cie de favorecimento consistente a uma dezena espec\u00edfica ao longo de uma s\u00e9rie comprida de sorteios. Mas a troca n\u00e3o garante, apenas torna improv\u00e1vel um vi\u00e9s nos resultados finais de longo prazo. E at\u00e9 a\u00ed, a Mega-Sena em si j\u00e1 \u00e9 um neg\u00f3cio improv\u00e1vel pra burro, mesmo&#8230;)<br \/>\n<\/em><br \/>\nAgora, quando o mesmo dado &#8212; uma flutua\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia esperada das dezenas &#8212; sugere dois cursos de a\u00e7\u00e3o mutuamente excludentes, \u00e9 \u00f3bvio que alguma coisa est\u00e1 errada. O melhor a fazer \u00e9 observar um n\u00famero suficientemente grande de sorteios e ver qual o fen\u00f4meno que se confirma &#8212; digamos, sequ\u00eancias de sorteios onde determinadas dezenas aparecem muito, seguidas por sequ\u00eancias onde n\u00e3o aparecem, o que sugeriria flutua\u00e7\u00e3o estat\u00edstica com regress\u00e3o para a m\u00e9dia; ou o surgimento, consistente, de dezenas que aparecem <em>quase<\/em> sempre.<br \/>\n(Apostar contando com a regress\u00e3o para a m\u00e9dia \u00e9 um m\u00e9todo conhecido como Martingale, e tem a contraindica\u00e7\u00e3o de que, geralmente, o apostador vai \u00e0 bancarrota antes que a regress\u00e3o ocorra)<br \/>\nAfinal, qual a probabilidade de uma dezena qualquer, das 60 presentes no cart\u00e3o, estar entre as seis sorteadas?<br \/>\nCuriosamente, ela \u00e9 at\u00e9 alta: 30%. Isso quer dizer que, a cada tr\u00eas ou quatro apostas que voc\u00ea fizer, na m\u00e9dia em pelo menos uma delas voc\u00ea deve acertar pelo menos uma dezena. \u00c9 por isso que o governo n\u00e3o paga nada para quem acerta um n\u00famero s\u00f3. \u00c9 f\u00e1cil demais.<br \/>\nSabendo que a Mega-Sena j\u00e1 realizou mais de mil sorteios, qual a chance de um n\u00famero j\u00e1 ter sido sorteado? Isso \u00e9 1 menos  chance de ele nunca ter sido sorteado, que \u00e9 0,7 elevado \u00e0 mil\u00e9sima pot\u00eancia. Minha calculadora simplesmente se recusa a fazer a conta: pra ela, a subtra\u00e7\u00e3o d\u00e1 exatamete 1, ou 100%.<br \/>\nOu seja, se houver alguma dezena que ainda n\u00e3o saiu, a bolinha dela provavelmente est\u00e1 cheia de h\u00e9lio e fica flutuando em dire\u00e7\u00e3o ao alto da gaiola. Evite jogar nesse n\u00famero.<br \/>\nE quanto a repeti\u00e7\u00f5es? Um conceito muito usado por cientistas \u00e9 o da signific\u00e2ncia estat\u00edstica: basicamente, quando os resultados de um experimento t\u00eam uma probabilidade menor de 5% de terem acontecido por acaso, aceita-se que, em princ\u00edpio, pode haver um efeito real ali. Muita gente defende que essa marca da signific\u00e2ncia baixe para 1%, mas ficando nos 5%: quantas vezes uma dezena teria de ter sa\u00eddo, ao longo de mil concursos, para podermos concluir que ela realmente \u00e9 favorecida?<br \/>\nBom, cada dezena tem uma chance de cerca de 50% de ter aparecido mais que 300 vezes, mas apenas 5% (4,5%, na verdade) de ter aparecido 325 vezes ou mais. Ent\u00e3o, a\u00ed est\u00e1: se voc\u00ea achar um n\u00famero da Mega-Sena que saiu mais de 325 vezes em mil concursos, isso \u00e9 cientificamente significativo: h\u00e1 uma chance de que ele seja favorecido por alguma peculiaridade f\u00edsica da bolinha onde est\u00e1 estampado.<br \/>\n(Para confirmar isso \u00e9 preciso reproduzir o experimento, o que envolveria esperar mais mil concursos e ver se a tend\u00eancia se mant\u00e9m. Para quem n\u00e3o est\u00e1 com pressa&#8230;)<br \/>\nClaro, isso ajuda a escolher <em>uma<\/em> dezena; ficam faltando cinco. Al\u00e9m do qu\u00ea, continua em aberto a quest\u00e3o de quando o n\u00famero favorecido vai mesmo sair: se a chance dele aparecer for de, digamos, 32%, sobre os 30% dos demais, pode ser necess\u00e1ria uma longa sequ\u00eancia de apostas para que se possa tirar proveito do fato.<br \/>\nEnt\u00e3o, qual o m\u00e9todo infal\u00edvel para nunca perder na Mega-Sena? N\u00e3o jogar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folheando outro dia uma dessas revistas femininas de R$ 1,99, encontrei um cat\u00e1logo de livros de venda pelo correio que, em meio a ofertas vibrantes e de alto valor sociol\u00f3gico-cultural, como Fa\u00e7a a Sua Macumbinha, Amarre o Amor com os Orix\u00e1s e O Grande Livro Negro Capa de A\u00e7o de S\u00e3o Cipriano (ali\u00e1s, aqui cabe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-416","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}