{"id":450,"date":"2009-10-28T07:43:06","date_gmt":"2009-10-28T10:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/10\/down_aborto_e_os_dilemas_da_li\/"},"modified":"2009-10-28T07:43:06","modified_gmt":"2009-10-28T10:43:06","slug":"down_aborto_e_os_dilemas_da_li","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/10\/28\/down_aborto_e_os_dilemas_da_li\/","title":{"rendered":"Down, aborto e os dilemas da liberdade de escolha"},"content":{"rendered":"<p>Estudo publicado no <em>British Medical Journal<\/em> mostra que houve um grande aumento no n\u00famero de diagn\u00f3sticos de S\u00edndrome de Down na Inglaterra e Pa\u00eds de Gales &#8211; provavelmente causado pelo aumento na idade m\u00e9dia das gestantes &#8211; mas uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de nascimentos de crian\u00e7as portadoras da s\u00edndrome.<br \/>\nA implica\u00e7\u00e3o \u00e9 que, uma vez feito o diagn\u00f3stico pr\u00e9-natal, o feto portador de Down \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.bmj.com\/cgi\/content\/full\/339\/oct26_3\/b3794\">abortado na maioria (mas n\u00e3o na totalidade) dos casos<\/a>.<br \/>\nO texto no <em>BMJ<\/em> \u00e9 essencialmente descritivo &#8211; apresenta os n\u00fameros e tira algumas conclus\u00f5es pr\u00e1ticas deles &#8211; mas a quest\u00e3o que fica no ar \u00e9 a psicol\u00f3gica e bio\u00e9tica: voc\u00ea \u00e9 mulher. Quer um filho. Espera at\u00e9 os 38, 39 anos para conceb\u00ea-lo, seja porque precisa cuidar da carreira, porque quer curtir a vida, porque n\u00e3o tinha encontrado o pai certo&#8230; Enfim.<br \/>\nChega o exame de ultrassom, a crian\u00e7a \u00e9 Down. Voc\u00ea decide interromper a gravidez? \u00c9 <em>certo<\/em> decidir interromper a gravidez? (n\u00e3o estou questionando a <em>legalidade<\/em> da coisa: na Inglaterra pode, no Brasil, n\u00e3o).<br \/>\nEsta \u00e9 uma daquelas circunst\u00e2ncias onde uma nova possibilidade tecnol\u00f3gica cria uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9tica at\u00e9 ent\u00e3o inimagin\u00e1vel. E at\u00e9, aparentemente, mais complexa que a quest\u00e3o do aborto em si.<br \/>\nMesmo imaginando que a mulher tenha o direito moral (ainda que, no Brasil, geralmente n\u00e3o o legal) de decidir se quer ou n\u00e3o levar uma gesta\u00e7\u00e3o a cabo, esse peda\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o extra &#8211; <em>que a gravidez era desejada e seria levada a cabo, se o feto n\u00e3o previsse uma crian\u00e7a excepcional<\/em> &#8211; parece criar um complicador.<br \/>\nUm analista poderia dizer que a mulher que age assim est\u00e1 tratando a crian\u00e7a como se ela pr\u00f3pria, a mulher, n\u00e3o passasse de uma crian\u00e7a ego\u00edsta e birrenta, que decide que n\u00e3o quer brincar mais depois de se comprometer com o jogo.<br \/>\nOutro analista poderia dizer que n\u00e3o existe crian\u00e7a nenhuma nessa hist\u00f3ria: o que h\u00e1 \u00e9 um feto que, caso se desenvolva por completo, dar\u00e1 origem a uma crian\u00e7a com limita\u00e7\u00f5es importantes. Uma vez prevista a situa\u00e7\u00e3o, o mais s\u00e1bio evit\u00e1-la.<br \/>\nPessoalmente, imagino que uma decis\u00e3o do tipo \u00e9 pessoal demais para permitir algum tipo de regra geral e que o m\u00e9todo brit\u00e2nico, de deixar a possibilidade em aberto pra que a mulher fa\u00e7a uma op\u00e7\u00e3o de acordo com suas pr\u00f3prias luzes, \u00e9 o mais acertado.<br \/>\nAfinal, da mesma maneira que o governo poderia <em>proibir<\/em> o aborto, ele tamb\u00e9m poderia <em>exigi-lo<\/em> &#8211; para cortar gastos em educa\u00e7\u00e3o especial, por exemplo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo publicado no British Medical Journal mostra que houve um grande aumento no n\u00famero de diagn\u00f3sticos de S\u00edndrome de Down na Inglaterra e Pa\u00eds de Gales &#8211; provavelmente causado pelo aumento na idade m\u00e9dia das gestantes &#8211; mas uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de nascimentos de crian\u00e7as portadoras da s\u00edndrome. 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