{"id":451,"date":"2009-10-29T07:39:56","date_gmt":"2009-10-29T10:39:56","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/10\/atomos_no_espaco\/"},"modified":"2009-10-29T07:39:56","modified_gmt":"2009-10-29T10:39:56","slug":"atomos_no_espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/10\/29\/atomos_no_espaco\/","title":{"rendered":"\u00c1tomos no espa\u00e7o!"},"content":{"rendered":"<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o Russa, Dmitry Medvedev, manifestou apoio aos planos da Roscosmos &#8211; a ag\u00eancia espacial do pa\u00eds &#8211; de projetar e construir uma <a href=\"http:\/\/ca.news.yahoo.com\/s\/capress\/091028\/science\/science_eu_russia_nuclear_spaceship_3\">nave espacial com propuls\u00e3o nuclear<\/a>. Isso fez arrepiarem-se os cabelos na nuca de muita gente, de ativistas contra armas at\u00f4micas a ambientalistas. Para complicar mais as coisas, nenhum detalhe da natureza exata da proposta foi divulgado, o que abre caminho para especula\u00e7\u00f5es de todo tipo.<br \/>\nEnergia nuclear, claro, <em>j\u00e1 \u00e9<\/em> usada no espa\u00e7o. Sondas da Nasa enviadas para al\u00e9m da \u00f3rbita de Marte dependem de RTGs (geradores t\u00e9rmicos de radiois\u00f3topo) para funcionar. Esses RTGs se valem o calor gerado pelo decaimento do plut\u00f4nio para produzir eletricidade. O Mars Science Laboratory, um rob\u00f4 teleguiado do tamanho de um jipe, que deve ser enviado a Marte na pr\u00f3xima d\u00e9cada, depender\u00e1 de RTG para funcionar, j\u00e1 que ser\u00e1 pesado demais para rodar exclusivamente com energia solar.<br \/>\nRTGs s\u00e3o ub\u00edquos, mas tamb\u00e9m pol\u00eamicos. Uma das primeiras grandes campanhas de mobiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica desencadeadas via internet, nos idos dos anos 90, foi exatamente a STOP CASSINI, onde um bando de nucle\u00f3fobos tentou impedir o lan\u00e7amento da sonda Cassini porque ela usava RTG.<br \/>\nRTGs, no entanto, s\u00e3o apenas uma pequena parte da hist\u00f3ria, e provavelmente n\u00e3o \u00e9 disso que os russos est\u00e3o falando &#8212; seria um anticl\u00edmax e tanto, dado o car\u00e1ter &#8220;arroz de festa&#8221; dessa tecnologia.<br \/>\nO mais prov\u00e1vel \u00e9 que  a Roscosmos esteja pensando num foguete t\u00e9rmico nuclear, que basicamente representa a consubstancia\u00e7\u00e3o da ideia de usar um reator nuclear para aquecer e acelerar o propelente do foguete.<br \/>\nFoguetes, claro, funcionam por conta da conserva\u00e7\u00e3o da quantidade de movimento, a equa\u00e7\u00e3ozinha mv=mv. Poupando os leitores de met\u00e1foras surradas como a do patinador que arremessa uma bola de basquete para a frente e \u00e9 jogado para tr\u00e1s pela rea\u00e7\u00e3o, ou coisas assim, o princ\u00edpio \u00e9 jogar uma massa relativamente moderada para fora a uma velocidade obscenamente alta e conseguir, com isso, que uma massa obscenamente alta se mova a uma velocidade relativamente moderada.<br \/>\nPara conseguir isso \u00e9 preciso, antes, acelerar a massa que ser\u00e1 jogada fora. A capacidade dos diversos combust\u00edveis de foguete de fazer isso \u00e9 medida por uma caracter\u00edstica chamada impulso espec\u00edfico (Isp) e que, por causa das unidades que entram em seu c\u00e1lculo, \u00e9 medido em segundos. Quanto mais segundos de Isp um modo de propuls\u00e3o tiver, mais eficiente ele \u00e9. O uso de reatores nucleares para aquecer hidrog\u00eanio tem um Isp que \u00e9 de pelo menos o dobro da op\u00e7\u00e3o mais usada hoje, que \u00e9 queimar o hidrog\u00eanio misturando-o a oxig\u00eanio.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"rd0410.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-content\/uploads\/sites\/203\/2011\/08\/rd04101.jpg\" width=\"207\" height=\"470\" class=\"mt-image-left\" style=\"float: left;margin: 0 20px 20px 0\" \/><\/span><br \/>\nEnt\u00e3o, por que esses motores n\u00e3o s\u00e3o usados? Bolas, porque s\u00e3o NUCLEARES. A Nasa  teve um programa, o Nerva, para desenvolver um motor nuclear que foi cancelado nos anos 70; os sovi\u00e9ticos tamb\u00e9m tiveram um, que durou at\u00e9 os anos 80.<br \/>\nDescontando a press\u00e3o negativa da opini\u00e3o p\u00fablica contra energia nuclear no ambiente da d\u00e9cada de 70, as dificuldades t\u00e9cnicas s\u00e3o eram poucas. Por exemplo, como voc\u00ea testa um motor assim? E se o teste falhar e a coisa explodir (\u00e9 para isso que se fazem testes, afinal: para encontrar falhas)?<br \/>\nSem falar que o g\u00e1s aquecido pelo reator e eliminado pelos jatos do foguete provavelmente seria radioativo. Por conta disso, a ideia era usar esse tipo de motor apenas no espa\u00e7o, fora da atmosfera terrestre. No entanto, havia o risco do lan\u00e7amento: para p\u00f4r o motor no espa\u00e7o, com seu material f\u00edssil e tudo, seria primeiro necess\u00e1rio prend\u00ea-lo no topo de uma bomba de hidrog\u00eanio-oxig\u00eanio de dezenas de metros de altura e&#8230;<br \/>\nEnfim. N\u00e3o pareceu uma boa ideia. Mas at\u00e9 a Nasa est\u00e1 reconsiderando: a pesquisa de motores nucleares foi reativada em 2003, sob o nome de Projeto Prometheus.<br \/>\nOutra alternativa \u00e9 a propuls\u00e3o el\u00e9trica nuclear, na qual reatores s\u00e3o usados para gerar a eletricidade que (a) ioniza \u00e1tomos de propelente e (b) repele os \u00edons produzidos para fora da nave, a velocidades alt\u00edssimas. Esse \u00e9 o tipo de propuls\u00e3o usado na nave Discovery, do filme <em>2001<\/em> (a nave, para quem se lembra, tem aquele pesco\u00e7o alongado para manter os astronautas a uma dist\u00e2ncia segura da radia\u00e7\u00e3o gerada no motor).<br \/>\nMas o mais legal, mesmo, seria se os russos estivessem pensando em desenvolver uma <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Project_Orion_(nuclear_propulsion)\">nave de pulso nuclear<\/a>. &#8220;Pulso&#8221;, no caso, porque a propuls\u00e3o seria gerada por <em>uma s\u00e9rie de explos\u00f5es at\u00f4micas do lado de fora do ve\u00edculo<\/em>. Assim: a nave ejeta uma bomba at\u00f4mica; a uma dist\u00e2ncia &#8220;x&#8221; do casco, a bomba explode; a onda de choque empurra a nave para a frente. Essa foi uma ideia muito levada a s\u00e9rio nos anos 50, e um prot\u00f3tipo, chamado Put-Put, chegou a ser testado (com bombas convencionais, n\u00e3o nucleares) atingindo uma altitude de 60 metros.<br \/>\nFrescuras, como o tratado internacional que pro\u00edbe detona\u00e7\u00f5es nucleares no espa\u00e7o, mataram a ideia &#8211; que poderia levar uma tripula\u00e7\u00e3o a Marte em menos de um ano! -, no entanto. Alguns conceitos avan\u00e7ados nasceram do princ\u00edpio do pulso nuclear, como o uso de pastilhas de hidrog\u00eanio concentrado, que seriam atingidas por lasers emitidos pela nave, entrando em fus\u00e3o nuclear.<br \/>\nMas gosto da ideia de uma nave russa de pulso nuclear \u00e0 moda antiga, explodindo bombas sovi\u00e9ticas pelo caminho. Melhor detonar aquele arsenal todo na rota de V\u00eanus do que deix\u00e1-lo cair nas m\u00e3os de terroristas, afinal&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o Russa, Dmitry Medvedev, manifestou apoio aos planos da Roscosmos &#8211; a ag\u00eancia espacial do pa\u00eds &#8211; de projetar e construir uma nave espacial com propuls\u00e3o nuclear. Isso fez arrepiarem-se os cabelos na nuca de muita gente, de ativistas contra armas at\u00f4micas a ambientalistas. 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