{"id":455,"date":"2009-11-04T06:58:07","date_gmt":"2009-11-04T09:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/11\/cientificismo_e_poetismo\/"},"modified":"2009-11-04T06:58:07","modified_gmt":"2009-11-04T09:58:07","slug":"cientificismo_e_poetismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2009\/11\/04\/cientificismo_e_poetismo\/","title":{"rendered":"Cientificismo e poetismo"},"content":{"rendered":"<p>A morte de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Claude_L%C3%A9vi-Strauss\">Claude L\u00e9vi-Strauss<\/a> me fez lembrar a cr\u00edtica que o trabalho do atrop\u00f3logo franc\u00eas recebeu do bi\u00f3logo e nobelista brit\u00e2nico (nascido no Brasil!) <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Peter_Medawar\">Peter Medawar<\/a>, que o cita num ensaio cl\u00e1ssico onde define o &#8220;poetismo&#8221;, que seria o v\u00edcio de racioc\u00ednio diametralmente oposto ao cientificismo.<br \/>\nAcusa\u00e7\u00f5es de cientificismo encontram-se por a\u00ed a dez centavo a d\u00fazia, mas chamar um oponente de poetista meio que caiu em desuso. No entanto, trata-se de uma categoria que vale a pena ser resgatada.<br \/>\nDefinindo os termos: <strong>cientificismo<\/strong> \u00e9 um r\u00f3tulo que se aplica, a meu ver, a dois v\u00edcios de racioc\u00ednio: o primeiro, que poder\u00edamos chamar de &#8220;fal\u00e1cia cientificista&#8221;, \u00e9 a ideia de que a descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-quantitativa de um fen\u00f4meno esgota todos os aspectos do fen\u00f4meno; como se descrever o amor como o efeito da testosterona e da oxitocina no sistema nervoso central reduzisse bilh\u00f5es de p\u00e1ginas de teatro, prosa e poesia, especula\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica e ang\u00fastia adolescente \u00e0 mais completa irrelev\u00e2ncia.<br \/>\nO segundo v\u00edcio, intimamente ligado ao primeiro, \u00e9 o que trata o estado atual do conhecimento cient\u00edfico como a \u00faltima palavra poss\u00edvel sobre determinado assunto. Isso gera um tipo de arrog\u00e2ncia que nega a maior virtude da ci\u00eancia, seu car\u00e1ter de permanente incompletude.<br \/>\nPoetismo, na defini\u00e7\u00e3o de Medawar \u00e9 &#8220;a cren\u00e7a de que o insight imaginativo e uma sensibilidade misteriosamente privilegiada podem nos dar todas as respostas que realmente merecem ser perseguidas e conhecidas, e seus praticantes re\u00fanem-se sob o  grito de guerra vazio de que a beleza \u00e9 equivalente \u00e0 verdade&#8221;.<br \/>\nDa mesma forma que o cientificismo aparece com muita facilidades nas ci\u00eancias exatas, o poetismo \u00e9 um espectro que assombra principalmente as humanidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de Claude L\u00e9vi-Strauss me fez lembrar a cr\u00edtica que o trabalho do atrop\u00f3logo franc\u00eas recebeu do bi\u00f3logo e nobelista brit\u00e2nico (nascido no Brasil!) Peter Medawar, que o cita num ensaio cl\u00e1ssico onde define o &#8220;poetismo&#8221;, que seria o v\u00edcio de racioc\u00ednio diametralmente oposto ao cientificismo. Acusa\u00e7\u00f5es de cientificismo encontram-se por a\u00ed a dez [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}