{"id":472,"date":"2010-01-27T07:01:57","date_gmt":"2010-01-27T10:01:57","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2010\/01\/como_o_congresso_e_parecido_co\/"},"modified":"2010-01-27T07:01:57","modified_gmt":"2010-01-27T10:01:57","slug":"como_o_congresso_e_parecido_co","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cretinas\/2010\/01\/27\/como_o_congresso_e_parecido_co\/","title":{"rendered":"Como o Congresso \u00e9 parecido com uma pilha de areia"},"content":{"rendered":"<p>O que decis\u00f5es tomadas por parlamentares numa casa legislativa t\u00eam em comum com avalanches numa pilha de areia? Ambas seguem o mesmo tipo de gr\u00e1fico, chamado &#8220;Escadaria do Diabo&#8221;, no qual longos patamares de ina\u00e7\u00e3o de repente d\u00e3o lugar a grandes saltos (de areia caindo, ou de deputados aderindo em massa a uma nova ideia).<br \/>\nA modelagem foi feita por <a href=\"http:\/\/arxiv.org\/ftp\/arxiv\/papers\/1001\/1001.3732.pdf\">dois caras da UCLA<\/a>.<br \/>\nO problema das pilhas de areia \u00e9 um velho conhecido de quem se interessa por quest\u00f5es como criticalidade, propriedades emergentes, caos e coisas assim: conforme se derrama mais areia sobre o topo da pilha, ela em princ\u00edpio cresce, ate que se chega a um ponto cr\u00edtico, no qual ocorre uma avalanche, o que reequilibra as for\u00e7as e permite que a pilha volte a crescer&#8230; mas a partir de um patamar inferior.<br \/>\nNo caso de uma casa legislativa (o modelo usado pelo povo da UCLA foi, obviamente, o Congresso americano), os gr\u00e3os de areia, bem como as for\u00e7as que atuam sobre os eles (atrito, gravidade) foram substitu\u00eddos por unidades de press\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>\nUma &#8220;avalanche&#8221; seria a decis\u00e3o de um grupo de deputados de passar a apoiar uma determinada pe\u00e7a legislativa, o que levaria a uma redu\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea dessa press\u00e3o.<br \/>\nNo modelo, os &#8220;gr\u00e3os&#8221; de press\u00e3o t\u00eam duas fontes: os colegas congressistas e os eleitores. Uma diferen\u00e7a b\u00e1sica entre a pilha de press\u00e3o pol\u00edtica e  a pilha de areia \u00e9 que um deputado n\u00e3o pode &#8220;entrar na avalanche&#8221; (isto \u00e9, passar a apoiar a proposta) mais de uma vez, enquanto que um mesmo gr\u00e3o de areia podem se envolver em in\u00fameras avalanches.<br \/>\nO modelo gerou um gr\u00e1fico de apoio ao longo do tempo muito parecido com o que descreve o n\u00famero de assinaturas dadas a uma proposta real (HR 1207, pedindo uma auditoria no Banco Central americano, o Fed). E produziu duas peculiaridades em que as pessoas deveriam pensar, principalmente neste ano eleitoral:<br \/>\n<strong>Todos os deputados s\u00e3o iguais:<\/strong> O modelo funciona sem que seja preciso dar pesos diferentes a cada deputado &#8212; na hora da avalanche, tanto faz se o cara \u00e9 l\u00edder de bancada ou baixo clero.<br \/>\n<em>Algu\u00e9m poderia imaginar<\/em>, diz o paper, <em>que os degraus mais altos na escadaria s\u00e3o causados pela ades\u00e3o de um congressista muito influente, que traz consigo muitos novos apoiadores, que ele influenciou. Em nosso modelo, os degraus altos s\u00e3o resultado da evolu\u00e7\u00e3o do Congresso para uma esp\u00e9cie de estado cr\u00edtico, onde qualquer congressista pode desencadear uma avalanche de apoios.<\/em><br \/>\n<strong>A press\u00e3o popular \u00e9 um fator decisivo<\/strong>: Diz o texto: <em>Nem todas as resolu\u00e7\u00f5es apresentadas ao Congresso obt\u00eam o mesmo n\u00edvel de apoio. A diferen\u00e7a entre resolu\u00e7\u00f5es entra em nosso modelo por meio do par\u00e2metro de press\u00e3o p\u00fablica, lambda. Se for pr\u00f3ximo de zero, a resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o obter\u00e1 apoio consider\u00e1vel num tempo razo\u00e1vel.<\/em><br \/>\nOs autores reconhecem que ainda falta modelar outro tipo de for\u00e7a &#8212; por exemplo, a <em>desaprova\u00e7\u00e3o<\/em> popular da medida.<br \/>\nAinda assim, s\u00e3o resultados curiosos e que tiram um pouco do g\u00e1s dos velhos mitos dos caciques pol\u00edticos que resolvem tudo na base do conchavo e do descolamento entre parlamento e popula\u00e7\u00e3o (que talvez s\u00f3 exista quando o eleitorado se omite).<br \/>\nComo os estudos estat\u00edsticos que provaram que n\u00e3o existe &#8220;m\u00e3o quente&#8221; no basquete, e que foram duramente contestados por t\u00e9cnicos, f\u00e3s e jogadores, o resultado da UCLA poder\u00e1 chocar muitos especialistas em pol\u00edtica &#8212; de pol\u00edticos profissionais a analistas e jornalistas. E, claro, n\u00e3o h\u00e1 garantias de que um modelo que funcionou bem em um \u00fanico caso possa ser generalizado.<br \/>\nMas uma vis\u00e3o da pol\u00edtica que d\u00e1 menos \u00eanfase (e poder) aos caciques e p\u00f5e mais peso (e responsabilidade) nos ombros do eleitor  merece ser explorada. Ainda que, talvez, s\u00f3 como teoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que decis\u00f5es tomadas por parlamentares numa casa legislativa t\u00eam em comum com avalanches numa pilha de areia? Ambas seguem o mesmo tipo de gr\u00e1fico, chamado &#8220;Escadaria do Diabo&#8221;, no qual longos patamares de ina\u00e7\u00e3o de repente d\u00e3o lugar a grandes saltos (de areia caindo, ou de deputados aderindo em massa a uma nova ideia). 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