{"id":473,"date":"2019-01-05T09:12:12","date_gmt":"2019-01-05T12:12:12","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/curupira\/?p=473"},"modified":"2019-01-05T09:12:12","modified_gmt":"2019-01-05T12:12:12","slug":"isso-nao-se-faz-ernesto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/2019\/01\/05\/isso-nao-se-faz-ernesto\/","title":{"rendered":"Isso n\u00e3o se faz, Arnesto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-476\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto-620x414.jpg\" alt=\"Foto: Itamaraty\" width=\"620\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto-620x414.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>CENTO E VINTE E DOIS ANOS depois dos estudos de Arrhenius, 80 anos depois de Guy Callendar expor sua tese sobre CO<sub>2<\/sub> e aquecimento da Terra \u00e0 Royal Society e trinta anos depois da cria\u00e7\u00e3o do IPCC, ver o chanceler da Rep\u00fablica Federativa do Brasil chamando o aquecimento global de conspira\u00e7\u00e3o marxista desperta em mim aquela sensa\u00e7\u00e3o \u201cvolte dez casas\u201d ap\u00f3s um lance infeliz de dados num jogo de tabuleiro. Como cantou Adoniran em seu Samba do Arnesto, fiquei &#8220;com uma baita de uma r\u00e9iva&#8221;. Meu primeiro impulso foi tuitar para ele mandando um \u201cputa maluco do caralho\u201d. Mas a\u00ed o Pablo Ortellado ia ficar bravo e<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/pablo-ortellado\/2018\/11\/a-armadilha-do-anti-intelectualismo.shtml\"> dizer que a culpa pelo Ernesto Ara\u00fajo \u00e9 de progressistas<\/a> como eu, que n\u00e3o soubemos \u201cengajar\u201d o homem comum, mesmerizados que est\u00e1vamos pelas nossas cervejas artesanais nos fins de semana depois das visitas \u00e0 Livraria Cultura (duplo fracasso, j\u00e1 que n\u00e3o evitamos nem Bolsonaro, nem a fal\u00eancia da Cultura). Ent\u00e3o, caro Arnesto, n\u00e3o o chamarei de \u201cputa maluco do caralho\u201d \u2013 embora desconfie, pela maneira como voc\u00ea usa a adversativa sempre que se toca no assunto, de que algu\u00e9m pr\u00f3ximo a voc\u00ea j\u00e1 tenha arriscado esse diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Direi, em vez disso, que a sua nega\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 o oposto do fervor nacionalista que voc\u00ea prega. Na real, \u00e9 uma modinha importada do restolho do pensamento iliberal,\u00a0que nem aqueles avi\u00f5es obsoletos que a turma mandava antigamente para os pa\u00edses da \u00c1frica. Como tal, \u00e9 profundamente antipatri\u00f3tica. <em>Bear with me<\/em>.<\/p>\n<p>O negacionismo do clima nunca floresceu de maneira org\u00e2nica no Brasil. Isso \u00e9 coisa de gringo, sempre foi. Naomi Oreskes e Eric Conway, em seu imperd\u00edvel <em>Merchants of doubt,<\/em> historiografam a origem do fen\u00f4meno. Come\u00e7ou com f\u00edsicos pagos pela ind\u00fastria do petr\u00f3leo e do carv\u00e3o para espalhar d\u00favida no p\u00fablico a respeito das evid\u00eancias cada vez mais s\u00f3lidas sobre impactos ambientais da a\u00e7\u00e3o industrial, como chuva \u00e1cida, a camada de oz\u00f4nio e a mudan\u00e7a do clima, usando um manual de rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas bolado pelo lobby do tabaco nos anos 1950. A imprensa americana, na sua obsess\u00e3o por equil\u00edbrio, passou duas d\u00e9cadas citando esses ide\u00f3logos da ind\u00fastria como \u201coutro lado\u201d em suas mat\u00e9rias sobre a quest\u00e3o clim\u00e1tica. Os negacionistas originais \u2013 Fred Seitz e Fred Singer \u2013 triunfaram em sua estrat\u00e9gia de abrir um \u201cdebate\u201d e criar a impress\u00e3o de que havia s\u00e9rias divis\u00f5es a respeito das causas e dos impactos do aquecimento global na academia. N\u00e3o h\u00e1: apenas 3% dos estudos sobre mudan\u00e7a do clima questionam as evid\u00eancias. Mesmo assim, eles atrasaram por 20 anos o combate internacional \u00e0 mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos EUA, o negacionismo s\u00f3 \u00e9 uma quest\u00e3o s\u00e9ria em dois outros pa\u00edses: a Austr\u00e1lia, maior exportador de carv\u00e3o mineral do planeta, e o Reino Unido, quintal cultural da Am\u00e9rica e sede de big oils como a BP e a Shell. No resto do mundo trata-se essencialmente de um n\u00e3o-assunto na opini\u00e3o p\u00fablica, segundo o <a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/our-research\/poles-apart\">estudo <em>Poles apart<\/em><\/a>, da Funda\u00e7\u00e3o Reuters, liderado pelo jornalista brit\u00e2nico James Painter.<\/p>\n<p>No Brasil, os combust\u00edveis f\u00f3sseis at\u00e9 muito recentemente tinham peso muito pequeno na economia. Al\u00e9m disso, sempre foram uma atividade estatal, da\u00ed a baixa influ\u00eancia do lobby das empresas privadas no discurso p\u00fablico sobre clima. Por muito tempo, jornalistas brasileiros puderam escrever sobre ci\u00eancia do clima livremente, sem precisar publicar o \u201coutro lado\u201d de um cientista \u201cc\u00e9tico\u201d \u2013 at\u00e9 porque h\u00e1 poucos por aqui, e menos ainda que publicam sobre temas climatol\u00f3gicos. O negacionismo \u00e0 brasileira vem de outro campo. Literalmente, do campo: da nega\u00e7\u00e3o do setor rural em associar desmatamento a emiss\u00f5es de carbono e da baixa compreens\u00e3o do p\u00fablico sobre a liga\u00e7\u00e3o entre consumo de carne bovina e polui\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, como mostrou <a href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/made\/article\/view\/49258\">extenso trabalho<\/a> da antrop\u00f3loga dinamarquesa-americana-paulista Myanna Lahsen.<\/p>\n<p>Mesmo no mundo anglo-sax\u00e3o os negadores da mudan\u00e7a do clima comeram um dobrado no governo Obama, quando a Exxon Mobil parou de financiar organiza\u00e7\u00f5es como o Heartland Institute, nos EUA, e quando tr\u00eas comit\u00eas independentes inocentaram os cientistas do clima do Reino Unido acusados de m\u00e1 conduta acad\u00eamica no chamado \u201cclimagate\u201d. Os autointitulados \u201cc\u00e9ticos\u201d amargaram uma derrota que muitos (este ex-criba inclusive) supuseram final em 12 de dezembro de 2015, quando 195 pa\u00edses adotaram o Acordo de Paris. Mas \u00e9 claro que os rumores sobre a morte desse povo foram exagerados, por conta de um deslocamento no eixo do discurso que come\u00e7ara anos antes, com o movimento Tea Party, e terminaria com o \u201cprofessor\u201d Olavo de Carvalho, que certamente n\u00e3o est\u00e1 na bibliografia do exame do Rio Branco (mas n\u00e3o quero ficar dando ideia pro chanceler).<\/p>\n<p>O que aconteceu foi que a mudan\u00e7a do clima passou a integrar fortemente a cesta das guerras culturais norte-americanas, juntamente com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Tea Party, chocadeira da <em>alt-right<\/em>, em 2009, negar\u00a0o aquecimento global e as provid\u00eancias contra ele tornou-se uma esp\u00e9cie de teste de\u00a0fidelidade da direita: o cabra n\u00e3o entrava no clubinho dos conservadores raiz se n\u00e3o tivesse Jesus no cora\u00e7\u00e3o, um discurso forte contra imigrantes, contra a sa\u00fade universal, contra a ONU e o \u201cglobalismo\u201d (opa!) e se n\u00e3o negasse a mudan\u00e7a do clima por tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>Como resultado, iniciativas de controle de emiss\u00f5es do Partido Republicano (pouca gente lembra, mas a primeira proposta de lei de clima nos EUA foi bipartid\u00e1ria, elaborada pelo senador republicano John McCain e pelo democrata Joe Lieberman no ano 2000) foram escanteadas. Republicanos moderados, como pr\u00f3prio McCain e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, passaram a dosar o discurso pr\u00f3-clima ou a abjur\u00e1-lo <em>tout court<\/em> temendo perda de apoio.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto, de guerra cultural, que entra o negacionismo do \u201cprofessor\u201d Olavo, autoexilado nos EUA e incensado pelo nosso chanceler como o segundo \u201cgrande respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o que o Brasil est\u00e1 vivendo\u201d. Dificilmente o Fara\u00f3 de Pinheiros teve algum contato com a literatura cient\u00edfica na \u00e1rea de clima; limitou-se a papagaiar o pacote ideol\u00f3gico da direita, que inclui o ceticismo clim\u00e1tico, a restaura\u00e7\u00e3o teocr\u00e1tica, o \u201cantiglobalismo\u201d e outras jenialidades \u2013 enfiando uma meia-d\u00fazia de cus e pirocas no meio para levar os mirins do MBL ao del\u00edrio. Seus escritos aparentemente tiveram forte influ\u00eancia sobre os \u201cgarotos\u201d de Bolsonaro, Carlos e Eduardo (aquele do cabo e do soldado), que em diversas ocasi\u00f5es exibiram o identificador tribal do negacionismo e fazem a cabe\u00e7a do pai sobre esse assunto.<\/p>\n<p>Arnesto Ara\u00fajo bebe da mesma fonte. Numa apresenta\u00e7\u00e3o feita no Instituto Rio Branco em maio de 2015, ele qualificou a mudan\u00e7a clim\u00e1tica como \u201cpol\u00eamica\u201d cient\u00edfica (ao lado de \u201cdarwinismo x design inteligente\u201d e de \u201cPlut\u00e3o \u00e9 planeta?\u201d). Usou como apoio uma s\u00e9rie de gr\u00e1ficos que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de bingo do negacionismo: o da suposta discrep\u00e2ncia entre bal\u00f5es e sat\u00e9lites e modelos de clima (que n\u00e3o existe; todas as bases de dados convergem, como pode ser visto <a href=\"https:\/\/www.skepticalscience.com\/surface-temperature-measurements-intermediate.htmhttps:\/\/www.skepticalscience.com\/surface-temperature-measurements-intermediate.htm\">aqui<\/a>); o do infame \u201chiato\u201d no aquecimento global desde 1988, que tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.skepticalscience.com\/global-warming-stopped-in-1998.htm\">nunca existiu<\/a>; o gr\u00e1fico de sempre mostrando o efeito das ilhas de calor urbanas (que obviamente explica boa parte do calor em Paris e S\u00e3o Paulo, mas n\u00e3o nos cafund\u00f3s da Amaz\u00f4nia ou no polo Norte); e a sugest\u00e3o de que a culpa \u00e9 dos ciclos orbitais (que causaram glacia\u00e7\u00f5es e deglacia\u00e7\u00f5es, mas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o aquecimento atual da Terra, como mostra, entre outros, <a href=\"http:\/\/epic.awi.de\/10635\/1\/EPI2004a.pdf\">este estudo europeu<\/a>).<\/p>\n<p>Com a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, a portinhola do curral dos infernos se abriu e o que era <em>fringe science<\/em> virou <em>mainstream politics<\/em>. O negacionismo que operava nas sombras e era descartado por liberais como maluquice ultrapassada (nesse ponto concordo com Pablo Ortellado sobre a soberba das classes esclarecidas) de repente se provou com for\u00e7a suficiente para tirar os EUA do Acordo de Paris quando n\u00e3o havia nenhuma raz\u00e3o econ\u00f4mica para isso. O ato de Trump foi um statement ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Ao eleger o clima para receber puni\u00e7\u00e3o exemplar em sua cruzada religiosa-antiglobalista-olaviana, o chanceler da Rep\u00fablica, de m\u00e3os dadas com os rapazes Bolsonaros, arma o cen\u00e1rio para uma sa\u00edda do Brasil do Acordo de Paris, de direito ou de fato, e tamb\u00e9m por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas \u2013 o que \u00e9 ir\u00f4nico vindo do sujeito que prometeu tirar a ideologia da nossa pol\u00edtica externa, mas s\u00f3 aparentemente. \u00c9 dif\u00edcil imaginar em qual Universo paralelo o abandono dessa agenda poderia ser de interesse da P\u00e1tria Amada.<\/p>\n<p>Para ficar s\u00f3 na parte dos preju\u00edzos: entre 2002 e 2012, extremos clim\u00e1ticos custaram ao Brasil, em m\u00e9dia, R$ 270 bilh\u00f5es. Nossa agricultura irrigada e nossas hidrel\u00e9tricas dependem de um clima est\u00e1vel, e a s\u00e9rie de estudos <em>Brasil 2040<\/em>, da extinta Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia, mostrou que teremos tudo menos isso antes do meio deste s\u00e9culo: alguns reservat\u00f3rios podem ter quedas de vaz\u00e3o maiores que 50%, toda a regi\u00e3o Sul se tornar\u00e1 invi\u00e1vel para a soja e o milho safrinha sumir\u00e1 do mapa. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a ministra da Agricultura criou um setor na sua pasta para estudar a adapta\u00e7\u00e3o do agro brasileiro ao aquecimento da Terra.<\/p>\n<p>Mas tem tamb\u00e9m o tal do soft power.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo ensinar o padre nosso ao vig\u00e1rio, ainda mais um t\u00e3o firme em sua f\u00e9 quanto Arnesto Ara\u00fajo. Mas o Brasil, nos \u00faltimos 47 anos, tem derivado reconhecimento internacional \u2013 e dinheiro \u2013 da agenda ambiental internacional. Foi o embaixador Miguel Ozorio de Almeida quem cunhou o conceito de \u201cpolui\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d em 1972, que at\u00e9 hoje pauta o G77 na ONU. O Brasil, no governo de Fernando Collor (\u00fanico ex-presidente que compareceu \u00e0 posse de Arnesto no dia 2), tornou-se ber\u00e7o das conven\u00e7\u00f5es de desenvolvimento sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Desde ent\u00e3o j\u00e1 recebeu bilh\u00f5es de d\u00f3lares em coopera\u00e7\u00e3o internacional e em investimentos em economia limpa. Criou sistemas de monitoramento de desmatamento e observa\u00e7\u00e3o da Terra que hoje s\u00e3o utilizados em v\u00e1rios pa\u00edses com florestas tropicais (coopera\u00e7\u00e3o sul-sul, mas pode chamar de &#8220;influ\u00eancia&#8221;). Tornou-se um ator fundamental em qualquer f\u00f3rum internacional que discuta clima e biodiversidade. Abriu mercados \u00e0s nossas commodities agr\u00edcolas e ao nosso biocombust\u00edvel. Agora mesmo, como <a href=\"https:\/\/sustentabilidade.estadao.com.br\/blogs\/ambiente-se\/mudanca-do-clima-e-combate-ao-desmatamento-somem-no-meio-ambiente-de-bolsonaro\/\">mostrou o jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em><\/a>, h\u00e1 R$ 2,5 bilh\u00f5es em doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos internacionais\u00a0no limbo porque ningu\u00e9m sabe quem s\u00e3o os interlocutores do novo governo na \u00e1rea de clima.<\/p>\n<p>Dizer que tudo isso \u00e9 agenda de ONG, como sugeriu Arnesto em seu discurso de posse, revela uma ignor\u00e2ncia sobre a Casa dos Arcos que s\u00f3 pode ser deliberada. Nosso chanceler poderia, por exemplo, tomar um caf\u00e9 com o embaixador Everton Vargas, que negociou pelo Brasil todos os grandes acordos ambientais de 1972 a 2007 \u2013 e que vive \u00e0s turras com as ONGs. Mas n\u00e3o vai, j\u00e1 que ele desconvidou Vargas a assumir a subsecretaria que cuida de meio ambiente no Itamaraty.<\/p>\n<p>Transformar o Brasil numa rep\u00fablica negacionista do clima, como parece desejar Ernesto Ara\u00fajo, em nome de uma s\u00e9rie de mentiras e teorias conspirat\u00f3rias importadas da <em>alt-right<\/em> americana, parece pavimentar a estrada para o inferno. N\u00e3o apenas o b\u00edblico, mas tamb\u00e9m o clim\u00e1tico: afinal, o Brasil \u00e9 o s\u00e9timo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, e o descontrole sobre nossas emiss\u00f5es arruinaria qualquer chance da humanidade de atingir a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento da Terra abaixo de 2<sup>o<\/sup>C.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o se faz, Arnesto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CENTO E VINTE E DOIS ANOS depois dos estudos de Arrhenius, 80 anos depois de Guy Callendar expor sua tese sobre CO2 e aquecimento da Terra \u00e0 Royal Society e trinta anos depois da cria\u00e7\u00e3o do IPCC, ver o chanceler da Rep\u00fablica Federativa do Brasil chamando o aquecimento global de conspira\u00e7\u00e3o marxista desperta em mim [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":495,"featured_media":476,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-content\/uploads\/sites\/244\/2019\/01\/arnesto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/495"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/473\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/curupira\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}