{"id":1758,"date":"2019-08-28T11:30:58","date_gmt":"2019-08-28T14:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/?p=1758"},"modified":"2020-07-13T18:18:24","modified_gmt":"2020-07-13T21:18:24","slug":"a-fruta-cambuci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2019\/08\/28\/a-fruta-cambuci\/","title":{"rendered":"Cambuci: uma superfruta que parece, mas n\u00e3o veio do espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Hoje vamos apresentar um membro de uma das muitas fam\u00edlias tradicionais brasileiras, e n\u00e3o&nbsp; \u00e9 nenhum dos primos Oliveiras, dos Silva, dos Magalh\u00e3es, mas sim das <a href=\"http:\/\/poderdasfrutas.com\/frutas-familia-das-mirtaceas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mirt\u00e1ceas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabe a goiaba, pitanga, jambo e jabuticaba? S\u00e3o todas Mirt\u00e1ceas, e voc\u00ea j\u00e1 deve ter comido muitos integrantes dessa fam\u00edlia, n\u00e3o negue! <strong>E h<\/strong><b>oje vamos apresentar o Cambuci.<\/b><\/p>\n<h2>O que \u00e9 o Cambuci?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa fruta \u00e9 cientificamente conhecida como <em>Campomanesia phaea. <\/em>Ela tem um formato bem peculiar: \u00e9 muito parecida com o que imaginamos ser um \u201cdisco voador\u201d (e o pessoal que <a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/hora-7\/fotos\/disco-voador-e-flagrado-durante-transmissao-ao-vivo-da-nasa-01072019#!\/foto\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">afirma j\u00e1 ter visto um deles<\/a> pode comprovar!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar de sua forma inusitada, que talvez tenha inspirado alguns uf\u00f3logos, a fruta n\u00e3o veio do espa\u00e7o. Ela vem do cambucizeiro, uma \u00e1rvore nativa da <a href=\"https:\/\/www.mma.gov.br\/biomas\/mata-atl%C3%A2ntica_emdesenvolvimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a> na vertente da Serra do Mar Paulista.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2120 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Cambuci-por-Roberto-de-Morais-1-300x200.jpg\" alt=\"Fruta Cambuci\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Cambuci-por-Roberto-de-Morais-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Cambuci-por-Roberto-de-Morais-1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Acredita-se que a origem do nome Cambuci, seja derivada de K\u00e3mu-si<\/strong>. \u00c9 um termo tupi-guarani que se refere a um tipo de pote de argila feito para armazenar \u00e1gua, cujo formato \u00e9 semelhante ao fruto do Cambuci e, consequentemente, aos discos voadores admirados pelos amantes do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No passado, a fruta era consumida principalmente por ind\u00edgenas, caipiras (como n\u00f3s de Piracicaba) e tropeiros. Por\u00e9m, com o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica, essa fruta chegou muito perto da extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar de pouco conhecida, a fruta, heran\u00e7a da Mata Atl\u00e2ntica, cede seu nome a um dos bairros mais antigos da grande S\u00e3o Paulo, o bairro Cambuci. Tal fato justifica-se pela exist\u00eancia de uma grande quantidade de cambucizeiros encontrados na regi\u00e3o muitos anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente, o <a href=\"https:\/\/canalrural.uol.com.br\/noticias\/agricultura\/cambuci-fruta-sensacao-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cambuci volta ao foco gra\u00e7as ao seu potencial comercial<\/a>, e ao seu sabor e aroma, que s\u00e3o de outro planeta!<\/p>\n<div id=\"attachment_2122\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2122\" class=\"size-medium wp-image-2122\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-300x300.jpg\" alt=\"\u00c1rvore de Cambuci\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci-96x96.jpg 96w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/Arvore-de-Cambuci.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-2122\" class=\"wp-caption-text\">Cambuci &#8211; Campomanesia phaea | Fonte: Wikipedia<\/p><\/div>\n<h2>Benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/menudodia.blogosfera.uol.com.br\/2018\/12\/06\/cambuci-e-fonte-de-antioxidantes-e-vitamina-c-conheca-e-veja-como-consumir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O cambuci \u00e9 rico em vitamina C e fonte de antioxidantes<\/a>, subst\u00e2ncias importantes para o combate ao estresse, preven\u00e7\u00e3o do envelhecimento e de doen\u00e7as degenerativas. E n\u00e3o para por a\u00ed, estudos recentes afirmam seu potencial inibidor de enzimas relacionadas com a incid\u00eancia de <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0963996914008205\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diabetes tipo 2<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como se n\u00e3o bastasse todas essas super propriedades nutricionais e ben\u00e9ficas \u00e0 sa\u00fade, o <a href=\"https:\/\/www2.santoandre.sp.gov.br\/index.php\/o-cambuci\/producao-e-plantio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cambuci<\/a> \u00e9 muito saboroso!<\/strong><\/p>\n<h3>Receitas com Cambuci<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 quem goste de frutas \u00e1cidas e as consuma de forma pura e sem fazer careta. No entanto, h\u00e1 v\u00e1rias outras op\u00e7\u00f5es de receitas com a fruta: sucos, <a href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/alimentos\/article\/view\/28590\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gel\u00e9ias<\/a>, mousses, bolos e at\u00e9 receitas gourmets, que incorporam a fruta em molhos e pratos refinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, o Cambuci tem muita pectina em sua polpa, prote\u00ednas de alto poder de gelifica\u00e7\u00e3o, o que eleva ainda mais o potencial de utiliza\u00e7\u00e3o da fruta na ind\u00fastria aliment\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E mais, para os maiores de 18 anos, ainda \u00e9 poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o de licores e cacha\u00e7as de Cambuci. <strong>E&nbsp;aten\u00e7\u00e3o: beba sempre com modera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dirija para n\u00e3o bater a nave!<\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left\">Incentivo cultural<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\">Pra quem ficou com \u00e1gua na boca, \u00e9 poss\u00edvel participar da <a href=\"http:\/\/www.institutoaua.org.br\/rotadocambuci\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rota Gastron\u00f4mica do Cambuci<\/a>, criada em 2009, no munic\u00edpio de Santo Andr\u00e9, com apoio de munic\u00edpios vizinhos. A iniciativa busca promover para locais e turistas o aumento da visibilidade da fruta e de seus produtos derivados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais incentivam o plantio e a comercializa\u00e7\u00e3o do Cambuci, contribuindo com o desenvolvimento sustent\u00e1vel, promovendo a conserva\u00e7\u00e3o ambiental e fortalecendo ainda mais a renda de agricultores familiares.<\/p>\n<div id=\"attachment_2121\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2121\" class=\"wp-image-2121 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/cambuci-02-300x196.jpg\" alt=\"Flor de Cambuci\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/cambuci-02-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2019\/08\/cambuci-02.jpg 547w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-2121\" class=\"wp-caption-text\">Flor de Cambuci<\/p><\/div>\n<h2>Estudos sobre o Cambuci<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/%0D\/rbf\/v27n2\/a14v27n2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pesquisas sobre a cultura do cambucizeiro<\/a> mostram a riqueza de seus nutrientes e suas poss\u00edveis propriedades farmacol\u00f3gicas, e estudos assim precisam ser ampliados, facilitando a produ\u00e7\u00e3o em escala comercial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d, com o objetivo de sanar essa necessidade, vem desenvolvendo pesquisas que visam contribuir para a viabiliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o comercial do Cambuci e de outras frutas nativas da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os estudos abordam diversas caracter\u00edsticas que v\u00e3o desde aroma \u00e0 gen\u00e9tica, incluindo multiplica\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de mudas. Esses esfor\u00e7os podem contribuir para que, em futuro pr\u00f3ximo, todos n\u00f3s possamos desfrutar dessas brasilidades pouco reconhecidas e exploradas, diversificando ainda mais nosso mercado frut\u00edcola!<\/p>\n<p>Quer saber mais? <a href=\"https:\/\/tvuol.uol.com.br\/video\/cambuci-rn-1101-04024D99376CE4A96326\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assista este v\u00eddeo sobre o Cambuci<\/a>.<\/p>\n<p><strong>ESCRITO POR:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">Marcelo Almeida de Oliveira Junior; Matheus Lu\u00eds Docema; Marcela Sant&#8217;Anna; Laecio Sampaio; Gyovana Ridolfi; Mateus Ramos;&nbsp;Eveline Tavano;&nbsp;Liliane Stipp.<\/span><\/p>\n<p><strong>REFEF\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\"><strong>Flora do Brasil 2020 em constru\u00e7\u00e3o.<\/strong>&nbsp;Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/floradobrasil.jbrj.gov.br\/&nbsp;&gt;. Acesso em: 21 maio. 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">TOKAIRIN, T. O.; NETO, H. B.; JACOMINO, A. P. <strong>Cambuci \u2013 Campomanesia phaea (O. Berg.) Landrum<\/strong>. In: RODRIGUES, S.; SILVA, E. O.; BRITO, E. S. (Ed.). Exotic Fruits Reference Guide<em>. <\/em>Academic Press. p. 91-95, 2018. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-803138-4.00013-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-803138-4.00013-7<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">BIANCHINI, F. G.; BALBI, R. V.; PIO, R.; SILVA, D. F.; PASQUAL, M.; VILAS BOAS, E. V. B. Caracteriza\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica e qu\u00edmica de frutos de cambucizeiro. <strong>Bragantia<\/strong>, Campinas, v. 75, n. 1, p. 10-18, 2016. DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1678-4499.096\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1678-4499.096<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">GON\u00c7ALVES, A. E. S. S.; LAJOLO, F. M.; GENOVESE, M. I. Chemical composition and antioxidant\/antidiabetic potential of Brazilian native fruits and commercial frozen pulps. <strong>J. Agric. Food Chem<\/strong>, v. 58, n. 8, p. 4666-4674, 2010. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1021\/jf903875u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1021\/jf903875u<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">TOKAIRIN, T. O.; NETO, H. B.; JACOMINO, A. P. <strong>Cambuci \u2013 Campomanesia phaea (O. Berg.) Landrum<\/strong>. In: RODRIGUES, S.; SILVA, E. O.; BRITO, E. S. (Ed.). Exotic Fruits Reference Guide<em>. <\/em>Academic Press. p. 91-95, 2018. DOI: <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-803138-4.00013-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 10pt\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-803138-4.<\/span>00013-7<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje vamos apresentar um membro de uma das muitas fam\u00edlias tradicionais brasileiras, e n\u00e3o&nbsp; \u00e9 nenhum dos primos Oliveiras, dos Silva, dos Magalh\u00e3es, mas sim das Mirt\u00e1ceas. Sabe a goiaba, pitanga, jambo e jabuticaba? S\u00e3o todas Mirt\u00e1ceas, e voc\u00ea j\u00e1 deve ter comido muitos integrantes dessa fam\u00edlia, n\u00e3o negue! 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