{"id":2505,"date":"2021-08-10T12:01:45","date_gmt":"2021-08-10T15:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/?p=2505"},"modified":"2024-01-24T16:26:48","modified_gmt":"2024-01-24T19:26:48","slug":"agrotoxico-e-veneno-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2021\/08\/10\/agrotoxico-e-veneno-ou-nao\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xico: \u00e9 veneno ou n\u00e3o \u00e9?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando esse assunto entra numa roda de conversas a discuss\u00e3o costuma durar pouco, isso por <strong>duas raz\u00f5es:<\/strong> a <strong>primeira<\/strong> \u00e9 que muito se ouve sobre agrot\u00f3xico, mas pouco se entende sobre o seu funcionamento, e a <strong>segunda<\/strong> \u00e9 que com muita velocidade o assunto vira uma briga de torcida entre os &#8220;a favor&#8221; e os &#8220;contra&#8221; os agrot\u00f3xicos. Nessa briga todos saem perdendo porque os argumentos de ambos os lados s\u00e3o com frequ\u00eancia bastante fracos&#8230; quando n\u00e3o errados!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o eu vim aqui, humildemente, tentar dar uma forcinha pra voc\u00ea que quer entender mais sobre o assunto e ter mais argumentos pra uma discuss\u00e3o de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando o assunto \u00e9 veneno n\u00f3s precisamos recorrer a uma \u00e1rea de estudo bastante espec\u00edfica: a <strong>TOXICOLOGIA<\/strong>. \u00c9 ela quem estuda a toxicidade das subst\u00e2ncias e diz pra gente se essas s\u00e3o ou n\u00e3o seguras para uso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Isso vale para o estudo de subst\u00e2ncias presentes na composi\u00e7\u00e3o de tintas de paredes, passando pelo protetor solar que voc\u00ea passa no rosto e indo at\u00e9 o br\u00f3colis que voc\u00ea coloca no prato do seu baixinho e implora para que ele o coma. Ent\u00e3o ningu\u00e9m melhor que a toxicologia para nos dizer se o agrot\u00f3xico \u00e9 veneno ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">A toxicologia \u00e9 um conceito popular!<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">  N\u00e3o se fala em toxicologia sem se falar em um camarada, que viveu l\u00e1 por 1.500 depois de Cristo, chamado Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim&#8230; para os \u00edntimos,<strong> Paracelso<\/strong>! \u00c9 dele a c\u00e9lebre frase &#8220;Alle Dinge sind Gift, und nichts ist ohne Gift; allein die Dosis machts, da\u00df ein Ding kein Gift sei.&#8221;. N\u00e3o? Vamos tentar no portugu\u00eas: &#8220;Tudo \u00e9 veneno e nada \u00e9 sem veneno; apenas a dose faz que uma coisa n\u00e3o seja um veneno.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Bem, j\u00e1 melhorou bastante, mas ainda parece ser uma frase dita por um daqueles seus amigos que estava bebendo com voc\u00ea no bar. Vamos ajudar o Celsinho na tradu\u00e7\u00e3o para os dias atuais: <strong>&#8220;Tudo \u00e9 veneno e nada \u00e9 veneno, depende da dose.&#8221;<\/strong>. Apesar de o conceito j\u00e1 ter aparecido na hist\u00f3ria bem antes de Paracelso, finalmente ele ficou conhecido como o pai da toxicologia e trouxe a no\u00e7\u00e3o de <strong>DOSE &#8211; EFEITO<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Calma, n\u00e3o tem nada de complicado nisso, voc\u00ea certamente j\u00e1 teve contato com essa ideia antes quando ouviu a seguinte frase: <strong>&#8220;Tudo que \u00e9 demais, faz mal&#8221;.<\/strong> Esse \u00e9 o primeiro conceito importante que a gente tem que ter enraizado quando o assunto \u00e9 toxicologia! Ele \u00e9 fundamental porque nos ensina que <strong>um veneno pode n\u00e3o nos fazer mal se consumido em pequena quantidade<\/strong>&#8230; mas o inverso tamb\u00e9m \u00e9 valido, at\u00e9 <strong>as subst\u00e2ncia mais inofensivas podem ser mortais se consumidas em excesso<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Um pequeno exemplo para fecharmos este t\u00f3pico: a bact\u00e9ria <em>Clostridium botulinum<\/em> produz uma neurotoxina que \u00e9 uma das mais letais que existe no mundo: o nome dela \u00e9 <strong>toxina botul\u00ednica<\/strong>. Uma quantidade min\u00fascula dessa toxina te mata em quest\u00e3o de horas, MAS, se a gente aplicar realmente muito pouco dessa toxina em algu\u00e9m a gente cria o procedimento est\u00e9tico mais usado mundialmente, o <strong>Botox<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">N\u00e3o \u00e9 porque a subst\u00e2ncia \u00e9 perigosa que ela me oferece risco!<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;Agora que voc\u00eas j\u00e1 conhecem o conceito DOSE-EFEITO, vamos para o nosso segundo conceito fundamental: o <strong>RISCO<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Vamos de exemplo que \u00e9 sempre mais f\u00e1cil: Imaginem que voc\u00eas est\u00e3o passeando num zool\u00f3gico e se deparam com uma jaula onde tem um le\u00e3o. Voc\u00ea tem a plena consci\u00eancia (ou deveria ter) que se esse bicho fugir, ele automaticamente vira um <strong>PERIGO<\/strong> para voc\u00ea. Mas enquanto ele est\u00e1 na jaula est\u00e1 tudo bem, porque voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 <strong>EXPOSTO<\/strong> a ele. Agora, se algu\u00e9m vai l\u00e1 e libera o Mufaza (refer\u00eancia s\u00f3 para os que j\u00e1 sofrem com dores nas costas) existe um <strong>RISCO<\/strong> que ele fa\u00e7a de voc\u00ea o seu almo\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Com isso a gente chega a seguinte f\u00f3rmula: <strong>RISCO = PERIGO x EXPOSI\u00c7\u00c3O. <\/strong>Basicamente isso significa que uma subst\u00e2ncia s\u00f3 oferece um risco para mim se eu estou exposto a ela! Um veneno num frasco n\u00e3o me oferece risco algum, a n\u00e3o ser que eu abra o frasco e passe ele no corpo ou o beba. A\u00ed a gente poderia mergulhar fundo num outro assunto que s\u00e3o as vias de exposi\u00e7\u00e3o (oral, cut\u00e2nea &#8211; pele, respirat\u00f3ria&#8230;) mas a\u00ed esse conte\u00fado ficaria maior do que eu planejei, vamos deixar isso para outra hora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Vamos juntar nosso primeiro conceito com o segundo? Se eu sei que \u00e9 a <strong>dose<\/strong> que faz o veneno e que o risco de eu me &#8220;intoxicar&#8221; vem da <strong>exposi\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e0s subst\u00e2ncias, <strong>SE EU ME EXPUSER A UMA QUANTIDADE CONTROLADA DE UMA SUBST\u00c2NCIA<\/strong> (uma quantidade que n\u00e3o seja suficiente pra me causar efeitos negativos), <strong>ESSA EXPOSI\u00c7\u00c3O SER\u00c1, A PRINC\u00cdPIO, SEGURA<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">\u201cLuiz, como assim? \u201d O nosso corpo tem mecanismos de defesa que conseguem lidar com com muitas subst\u00e2ncias estranhas ao nosso corpo, chamadas por n\u00f3s, toxic\u00f3logos\/toxicologistas, de <strong>xenobi\u00f3ticos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Exemplo? Sabe aquela cerveja que voc\u00ea toma no final de semana? Dentro dela existe uma subst\u00e2ncia bastante t\u00f3xica chamada de \u00c1LCOOL! Mas t\u00e1 tudo bem, o nosso corpo lida muito bem com o \u00e1lcool! Isso gra\u00e7as a algumas enzimas. Ou seja, se eu me expuser a uma quantidade pequena da subst\u00e2ncia t\u00f3xica &#8220;\u00e1lcool&#8221;, eu n\u00e3o vou morrer, meu corpo consegue lidar com isso. Mas, se eu decidir afogar minhas m\u00e1goas na cacha\u00e7a eu vou ultrapassar a capacidade do meu corpo de metabolizar (destruir) esse \u00e1lcool e a\u00ed provavelmente eu vou ter uma intoxica\u00e7\u00e3o por \u00e1lcool (e pelo seu principal metab\u00f3lito (subproduto da metaboliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool) o acetalde\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">At\u00e9 aqui pode, daqui pra frente n\u00e3o pode<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Luiz, ent\u00e3o quer dizer que existe uma quantidade limite que eu posso ingerir de cada subst\u00e2ncia sem que ela me fa\u00e7a mal!? Sim, meu jovem padawan apaixonado, e essa dose tem at\u00e9 um nome, ela se chama <strong>NOAEL<\/strong> (do ingl\u00eas <strong><em>N<\/em><\/strong><em>o <strong>O<\/strong>bserved <strong>A<\/strong>dverse <strong>E<\/strong>ffect <strong>L<\/strong>evel<\/em>). Grosso modo ela significa &#8220;<strong>at\u00e9 aqui pode, daqui pra frente \u00e9 por sua conta e risco<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A<strong> NOAEL<\/strong> \u00e9 a dose de subst\u00e2ncia na qual nenhum efeito adverso foi observado nos experimentos de laborat\u00f3rio. Ela tem uma prima que se chama <strong>LOAEL<\/strong> (do ingl\u00eas <strong><em>L<\/em><\/strong><em>owest <strong>O<\/strong>bserved <strong>A<\/strong>dverse<\/em> <strong><em>E<\/em><\/strong><em>ffect <strong>L<\/strong>evel<\/em>), que basicamente significa <strong>&#8220;a partir daqui voc\u00ea vai come\u00e7ar a ter efeitos&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"580\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-e1628606524183-1024x580.jpg\" alt=\"Agrot\u00f3xico \u00e9 veneno ou nao?\" class=\"wp-image-2508\" style=\"width:481px;height:272px\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-e1628606524183-1024x580.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-e1628606524183-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-e1628606524183-768x435.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-e1628606524183.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico de <strong>NOAEL (<\/strong>&#8220;<strong>at\u00e9 aqui pode, daqui pra frente \u00e9 por sua conta e risco<\/strong>&#8220;) e <strong>LOAEL<\/strong> (<strong>&#8220;a partir daqui voc\u00ea vai come\u00e7ar a ter efeitos&#8221;<\/strong>)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;Essa hist\u00f3ria de dose segura \u00e9 v\u00e1lida para todas as subst\u00e2ncias? <strong>N\u00c3O!<\/strong> Existem diversos qu\u00edmicos que o nosso corpo n\u00e3o tolera, n\u00e3o importa a quantidade. Um exemplo s\u00e3o as subst\u00e2ncias carcinog\u00eanicas, para elas n\u00e3o existe dose de exposi\u00e7\u00e3o segura!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">T\u00e1, mas e o agrot\u00f3xico?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&#8220;Escreveu, escreveu, escreveu e n\u00e3o disse nada sobre os agrot\u00f3xicos!&#8221;. Desculpa pela longa introdu\u00e7\u00e3o meu amigo leitor, eu precisei trazer esses pontos primeiro para poder falar sobre o nosso assunto principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Refa\u00e7o ent\u00e3o a primeira pergunta desse longo texto: agrot\u00f3xico \u00e9 veneno ou n\u00e3o \u00e9? SIM, agrot\u00f3xico \u00e9 veneno e sobre isso n\u00e3o existe discuss\u00e3o! Os agrot\u00f3xicos, tamb\u00e9m chamados de defens\u00edvos agr\u00edcolas, s\u00e3o subst\u00e2ncias que tem (na imensa maioria das vezes) objetivo de matar alguma praga que seja prejudicial \u00e0 lavoura, seja ela um fungo (<strong>fungicidas<\/strong>), outras plantas (<strong>herbicidas<\/strong>), insetos (<strong>inseticidas<\/strong>), roedores (<strong>rodenticidas<\/strong>) e a\u00ed por diante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><kbd>Nesse momento, uma pessoa que n\u00e3o leu toda a introdu\u00e7\u00e3o vai pensar \"viu, eu sabia que era veneno!\", vai fechar essa p\u00e1gina e continuar falando besteira nas mesas de bar. Mas voc\u00ea, que leu tudinho, entendeu que n\u00e3o \u00e9 porque uma subst\u00e2ncia \u00e9 um veneno que ela necessariamente faz mal para n\u00f3s.<\/kbd><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Vamos fazer um c\u00e1lculo bastante hipot\u00e9tico aqui comigo. Imaginem que um fazendeiro aplicou 1 litro de veneno em cima da sua planta\u00e7\u00e3o de couve. O que acontece com esse um litro aplicado? Bem, uma parte dele cai na terra e pode ser (ou n\u00e3o) absorvido pelas ra\u00edzes das plantas; outra parte cai em cima da &#8220;praga alvo&#8221; (do inseto, por exemplo), fazendo o seu efeito; e a outra parte vai cair em cima das folhas de couve. Muito bem, isso significa que do 1 litro aplicado, nem todo esse litro est\u00e1 nas folhas de couve, certo? Certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O tempo vai passando e essas folhas come\u00e7am a absorver uma parte desse veneno, vamos colocar um valor aleat\u00f3rio de 50%? Ent\u00e3o digamos que daquele 1 litro aplicado, 800 mL foram para as folhas, os outros 200 mL foram parar na terra ou nos seus alvos. Dos 800 mL que foram parar nas folhas, 400 mL foram absorvidos pelas folhas e entraram nas plantas. Os outros 400mL que ficaram fora da planta ou v\u00e3o &#8220;secar&#8221; e ficar por la ou v\u00e3o acabar sendo degradados pela luz do sol por exemplo ou ainda serem parcialmente lavados pela chuva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">T\u00e1, e os 400 mL que entraram nas plantas? <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2017\/09\/11\/sistema-imune-plantas\/\">Muitas plantas tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de metabolizar os agrot\u00f3xicos<\/a>, ou seja, elas conseguem destruir aquela subst\u00e2ncia qu\u00edmica, transformando-as em outra coisa! Quanto mais o tempo passa, mais a quantidade de agrot\u00f3xico nas minhas couves diminui, seja devido a metaboliza\u00e7\u00e3o feita pela a minha planta, seja pela chuva, seja por outros motivos. E aqui a gente chega a um conceito fundamental quando o assunto \u00e9 agrot\u00f3xico que \u00e9 o <strong>PER\u00cdODO DE CAR\u00caNCIA<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Per\u00edodo de car\u00eancia do agrot\u00f3xico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O per\u00edodo de car\u00eancia \u00e9 o n\u00famero m\u00ednimo de dias que eu tenho que esperar entre a \u00faltima aplica\u00e7\u00e3o do meu defensivo e a data da colheita&#8230; \u00e9 um intervalo de seguran\u00e7a que garante que a quantidade do meu agrot\u00f3xico na minha planta vai ser drasticamente reduzido! Esse per\u00edodo varia de cultura para cultura tendo em vista que algumas plantas absorvem o veneno, outras n\u00e3o, algumas o metabolizam mais r\u00e1pido, outras mais lentamente, e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando as boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas s\u00e3o respeitadas, o que compreende o per\u00edodo de car\u00eancia, a quantidade de agrot\u00f3xico que a gente pode encontrar nos produtos colhidos n\u00e3o pode passar de um determinado valor que a gente chama de <strong>LMR<\/strong> (<strong><em>L<\/em><\/strong><em>imite <strong>M<\/strong>\u00e1ximo de <strong>R<\/strong>es\u00edduos<\/em>). Esse valor nada mais \u00e9 que a quantidade de &#8220;veneno&#8221; que a gente pode ingerir e n\u00e3o vai nos causar nem um efeito adverso. Ou seja, \u00e9 a quantidade que ainda \u00e9 considerada como segura a ser ingerida!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><span class=\"highlight\"> Ent\u00e3o sim, os agrot\u00f3xicos s\u00e3o venenos e como tal merecem toda a aten\u00e7\u00e3o nos quesitos toxicidade e exposi\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa que a gente n\u00e3o possa consumi-los de forma segura, assim como as bebidas alco\u00f3licas ou a toxina botul\u00ednica citada acima.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Antes de concluir esse texto eu quero deixar bem claro que os valores usados como exemplo s\u00e3o aleat\u00f3rios e foram escolhidos para simplificar a compreens\u00e3o dos mecanismos de degrada\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos. Isso varia enormemente entre o tipo de defensivo agr\u00edcola em quest\u00e3o e o tipo de cultivo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Sobre o autor:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Luiz Ribeiro<\/strong> \u00e9 formado em biotecnologia, com p\u00f3s em ci\u00eancia forenses, mestre em toxicologia pela Universidade de Paris e atualmente doutorando em biologia celular e molecular na mesma universidade. Trabalha estudando o impacto de nanopart\u00edculas em doen\u00e7as neurodegenerativas, principalmente Alzheimer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Siga o Luiz nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Twitter:<\/strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/lfw_ribeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Ribeiro (@lfw_ribeiro)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Instagram:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ribeiro_lf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Ribeiro (@ribeiro_lf) <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>Canal no youtube: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCExZrIeyic2vbbRDPKW-37A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Santa paCi\u00eancia<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Refer\u00eancias:<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6226566\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The dose response principle from philosophy to modern toxicology: The impact of ancient philosophy and medicine in modern toxicology science (nih.gov)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC2856357\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BOTULINUM TOXIN (nih.gov)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/complements.lavoisier.net\/9782743023881_risques-chimiques-lies-aux-aliments-collection-staa_Sommaire.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11081_.indb (lavoisier.net)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 se perguntou se deve se preocupar com agrot\u00f3xico? Leia nosso artigo e entenda de uma vez se agrot\u00f3xico \u00e9 veneno ou n\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":2510,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[164,162],"tags":[105,187,186],"class_list":["post-2505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura","category-plantas","tag-agrotoxicos","tag-toxicologia","tag-veneno"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2021\/08\/DOSE-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2505"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2691,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505\/revisions\/2691"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}