{"id":2739,"date":"2024-11-30T21:28:47","date_gmt":"2024-12-01T00:28:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/?p=2739"},"modified":"2025-07-29T16:01:22","modified_gmt":"2025-07-29T19:01:22","slug":"bioinsumos-na-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2024\/11\/30\/bioinsumos-na-agricultura\/","title":{"rendered":"O papel dos bioinsumos na agricultura moderna"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Dos prim\u00f3rdios do controle biol\u00f3gico \u00e0s inova\u00e7\u00f5es, como microbiomas sint\u00e9ticos, os bioinsumos est\u00e3o transformando a agricultura moderna. Atrav\u00e9s da uni\u00e3o da ci\u00eancia, MIP e tecnologias complementares, eles refor\u00e7am que no campo, o sucesso est\u00e1 no manejo inteligente e integrado.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os bioinsumos emergem como uma solu\u00e7\u00e3o essencial para a agricultura moderna, promovendo tanto a sustentabilidade quanto a efici\u00eancia produtiva. Inspirados pela diversidade biol\u00f3gica, desempenham um papel fundamental no manejo integrado de pragas, na melhoria da sa\u00fade do solo e na redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais. O Brasil, com sua reconhecida capacidade de pesquisa e um setor agr\u00edcola altamente competitivo, consolida-se como l\u00edder global no desenvolvimento de bioinsumos adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es tropicais, gra\u00e7as ao investimento crescente em inova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">O que s\u00e3o os bioinsumos?<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os <\/span><b>bioinsumos<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> s\u00e3o produtos de origem biol\u00f3gica desenvolvidos a partir de microrganismos, insetos, plantas ou subst\u00e2ncias naturais. Eles desempenham diversas fun\u00e7\u00f5es importantes no campo: promovem o crescimento das plantas, controlam pragas e doen\u00e7as, aumentam a fertilidade do solo e fortalecem a resist\u00eancia das culturas frente a condi\u00e7\u00f5es ambientais adversas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O termo &#8220;bioinsumos&#8221; foi criado como um conceito guarda-chuva para englobar tecnologias e estrat\u00e9gias j\u00e1 conhecidas, como<\/span><b> controle biol\u00f3gico, produtos biol\u00f3gicos, biofertilizantes, inoculantes, bioestimulantes e biodefensivos.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Essa abordagem facilita a cria\u00e7\u00e3o de um arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio que incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias, atrai investimentos e padroniza a qualidade dos produtos dispon\u00edveis no mercado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A defini\u00e7\u00e3o oficial de bioinsumos no Brasil foi consolidada com o <\/span><b>Decreto n\u00ba 10.375\/2020<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, que instituiu o <\/span><b>Programa Nacional de Bioinsumos<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Esse decreto descreve os bioinsumos como produtos, processos ou tecnologias de origem biol\u00f3gica (animal, vegetal ou microbiana) que promovem intera\u00e7\u00f5es positivas no desenvolvimento de plantas, microrganismos e sistemas produtivos.<\/span><\/p>\n<h3><b>Classifica\u00e7\u00e3o dos bioinsumos<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os bioinsumos podem ser classificados conforme suas fun\u00e7\u00f5es e composi\u00e7\u00f5es, incluindo:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Biodefensivos<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: controlam organismos nocivos por meio de microrganismos, subst\u00e2ncias naturais e inimigos naturais.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Biofertilizantes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: melhoram a qualidade do solo e das plantas, aumentando a produtividade.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Bioestimulantes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: estimulam o desenvolvimento vegetal e promovem o equil\u00edbrio hormonal das plantas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Inoculantes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: cont\u00eam microrganismos que favorecem o crescimento saud\u00e1vel das plantas.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES.png\" alt=\"Divis\u00e3o do mercado de bioinsumos\" width=\"1509\" height=\"729\" class=\"aligncenter wp-image-2756 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES.png 1509w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-300x145.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-1024x495.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-768x371.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-500x242.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-800x386.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/BIOFERTILIZANTES-1280x618.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1509px) 100vw, 1509px\" \/><\/p>\n<h3><b>A evolu\u00e7\u00e3o dos bioinsumos na agricultura: das pr\u00e1ticas antigas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o moderna<\/b><\/h3>\n<h4><b>Primeira fase: os prim\u00f3rdios do controle biol\u00f3gico<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O uso de bioinsumos remonta h\u00e1 mais de 3.000 anos, quando, na China, formigas foram empregadas para controlar pragas em planta\u00e7\u00f5es de laranja. No Brasil, registros iniciais datam da d\u00e9cada de 1920, com a introdu\u00e7\u00e3o de parasit\u00f3ides como <\/span><b><i>Encarsia berlesei<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><b><i>Aphelinus mali<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\"> para o controle de pragas espec\u00edficas na produ\u00e7\u00e3o de p\u00eassegos e ma\u00e7\u00e3s.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na d\u00e9cada de 1970, pesquisadores da <\/span><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/trigo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Embrapa Trigo<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> promoveram um marco ao utilizar agentes biol\u00f3gicos no controle de pulg\u00f5es em lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. Com o apoio da <\/span><b>FAO<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e da <\/span><b>Universidade da Calif\u00f3rnia<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, parasit\u00f3ides espec\u00edficos foram introduzidos em 1978, controlando a praga e reduzindo em mais de <\/span><b>90% o uso de inseticidas<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> na regi\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda, na d\u00e9cada de 70, iniciou-se a utiliza\u00e7\u00e3o da famosa vespinha da cana-de-a\u00e7\u00facar, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cotesia flavipes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. O prim\u00f3rdio dos trabalhos aconteceu no estado de S\u00e3o Paulo, com os estudos sobre manejo da broca-da-cana, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Diatraea saccharalis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, no PLANALSUCAR (Programa Nacional de Melhoramento de cana-de-a\u00e7\u00facar).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estes programas foram marcos doin\u00edcio da implementa\u00e7\u00e3o dos bioinsumos no Brasil.<\/span><\/p>\n<h4><b>Segunda fase: padroniza\u00e7\u00e3o e controle de qualidade<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos anos 1980, a agricultura brasileira enfrentou um desafio significativo com a <\/span><b>lagarta-da-soja (<\/b><b><i>Anticarsia gemmatalis<\/i><\/b><b>)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. A solu\u00e7\u00e3o foi o uso do <\/span><b><i>Baculovirus anticarsia<\/i><\/b><b> (AgNPV)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, um v\u00edrus entomopatog\u00eanico eficaz contra a praga. Inicialmente, o programa cobriu apenas <\/span><b>2 mil hectares<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, de forma artesanal, sem produtos comerciais ou controle de qualidade.<\/span><\/p>\n<p><b>O cen\u00e1rio mudou quando empresas privadas come\u00e7aram a produzir o AgNPV em formula\u00e7\u00f5es comerciais, como o p\u00f3 molh\u00e1vel \u00e0 base de caulim<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, trazendo maior garantia de efici\u00eancia. Esse avan\u00e7o resultou na amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea tratada, que chegou a <\/span><b>1,2 milh\u00e3o de hectares em 1998<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Termos como &#8220;bioinseticidas&#8221; e &#8220;produtos biol\u00f3gicos&#8221; tornaram-se mais conhecidos, marcando o in\u00edcio da populariza\u00e7\u00e3o dos bioinsumos entre os agricultores.<\/span><\/p>\n<h4><b>Terceira fase: consolida\u00e7\u00e3o e escalabilidade<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na d\u00e9cada de 2000, os bioinsumos passaram por uma transforma\u00e7\u00e3o significativa com <\/span><b>investimentos em pesquisa e desenvolvimento<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Empresas nacionais e internacionais aprimoraram as formula\u00e7\u00f5es, tornando os produtos mais concentrados e eficazes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um exemplo not\u00e1vel foi o avan\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o em larga escala de parasit\u00f3ides como <\/span><b><i>Trichogramma galloi<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\">, utilizado no controle de pragas como a <\/span><b>broca-da-cana<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. O desafio de atender \u00e0 enorme demanda da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar foi superado com a instala\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios modernos, permitindo uma verdadeira industrializa\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o desses insetos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre <\/span><b>2000 e 2010<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, os bioinsumos consolidaram sua presen\u00e7a na lavoura, com mais de <\/span><b>3 milh\u00f5es de hectares de cana-de-a\u00e7\u00facar<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> tratados com agentes biol\u00f3gicos, evidenciando a escalabilidade e o impacto positivo dessa tecnologia.<\/span><\/p>\n<h4><b>Quarta fase: bioinsumos de alta performance\u00a0<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir de 2010, os bioinsumos entraram em uma nova era marcada por avan\u00e7os significativos na pesquisa e no desenvolvimento de produtos de alta performance.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Investimento em melhoramento gen\u00e9tico de microrganismos por meio de tecnologias como a <\/span><b>fus\u00e3o de protoplastos<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e a <\/span><b>sele\u00e7\u00e3o de cepas adapt\u00e1veis<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> resultaram em microrganismos mais eficientes, como o <\/span><b><i>Trichoderma harzianum<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e o <\/span><b><i>Beauveria bassiana<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\">, capazes de atuar com maior efic\u00e1cia em diferentes condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No campo dos bioinseticidas, o<\/span> <b><i>Bacillus thuringiensis<\/i><\/b><b> (Bt)<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e o <\/span><b><i>Nucleopolyhedrovirus <\/i><\/b><b>(HearNPV)<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ganharam destaque durante o surto de <\/span><b><i>Helicoverpa armigera<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\"> (2012-2013), contribuindo at\u00e9 hoje com o manejo em\u00a0 diversas culturas, como\u00a0 soja, milho e algod\u00e3o. Estes agentes biol\u00f3gicos mostraram elevada efici\u00eancia no combate \u00e0s pragas, refor\u00e7ando a confian\u00e7a dos produtores nos bioinsumos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essta fase tamb\u00e9m trouxe novas estrat\u00e9gias de aplica\u00e7\u00e3o, unindo inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e sustentabilidade. Um exemplo foi o desenvolvimento do <\/span><b>Biodrop<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, um sistema de <\/span><b>c\u00e1psulas biodegrad\u00e1veis<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> para a libera\u00e7\u00e3o de parasit\u00f3ides, aplicado por drones em planta\u00e7\u00f5es, como na cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar. Essa solu\u00e7\u00e3o inovadora, que tive a oportunidade de desenvolver em 2017 pela Agribela, nasceu do desejo de unir precis\u00e3o e efici\u00eancia no uso de macrorganismos, permitindo maior alcance, redu\u00e7\u00e3o de custos operacionais e impacto positivo na sustentabilidade do campo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m houve evolu\u00e7\u00e3o\u00a0 em termos de <\/span><b>tecnifica\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Produtos com combina\u00e7\u00e3o de cepas e microrganismos, melhorias na formula\u00e7\u00e3o resultaram em produtos mais est\u00e1veis, com maior tempo de prateleira, qualidade superior e maior efici\u00eancia no controle de pragas e doen\u00e7as. Essas inova\u00e7\u00f5es possibilitaram o escalonamento do uso de bioinsumos em culturas de grande escala, consolidando sua posi\u00e7\u00e3o como ferramentas indispens\u00e1veis na agricultura moderna.<\/span><\/p>\n<h4><b>Quinta fase: produtos inteligentes e microbiomas sint\u00e9ticos<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente, o mercado de bioinsumos avan\u00e7a para uma nova fronteira de inova\u00e7\u00e3o, marcada pelo uso intensivo de biotecnologia e ferramentas anal\u00edticas avan\u00e7adas. Essa gera\u00e7\u00e3o se caracteriza pela aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias como <\/span><b>t<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2021\/01\/19\/transgenicos-e-hora-de-perder-o-medo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ransforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica<\/a><\/b><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><b>edi\u00e7\u00e3o g\u00eanica<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e t\u00e9cnicas \u201c\u00f4micas\u201d \u2014 como <\/span><b>metagen\u00f4mica<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><b>transcript\u00f4mica<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Essas abordagens permitem compreender, mapear e manipular microbiomas de maneira mais precisa, ampliando a efici\u00eancia e a aplica\u00e7\u00e3o dos bioinsumos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das inova\u00e7\u00f5es desta gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o conceito de <\/span><b>SynComs (Comunidades Microbianas Sint\u00e9ticas)<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Ao contr\u00e1rio das formula\u00e7\u00f5es tradicionais, que normalmente utilizam um \u00fanico microrganismo ou poucos ativos biol\u00f3gicos, os SynComs replicam a diversidade e funcionalidade de microbiomas naturais. Essas comunidades microbianas s\u00e3o criadas para oferecer maior resili\u00eancia \u00e0s plantas, com capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a varia\u00e7\u00f5es ambientais e combate a m\u00faltiplos pat\u00f3genos simultaneamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, a evolu\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de bioinsumos inclui novas estrat\u00e9gias para maximizar a intera\u00e7\u00e3o entre microrganismos e plantas. Produtos mais sofisticados n\u00e3o apenas promovem a sa\u00fade das culturas, mas tamb\u00e9m fortalecem a capacidade das plantas de responder a estresses abi\u00f3ticos, como seca e salinidade. Esses avan\u00e7os n\u00e3o s\u00f3 ampliam a efici\u00eancia dos bioinsumos, mas tamb\u00e9m posicionam o Brasil como um dos l\u00edderes na ado\u00e7\u00e3o dessas tecnologias inovadoras. A combina\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o promete transformar os sistemas produtivos, promovendo maior sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar global.<\/span><\/p>\n<h3><b>Integra\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: bioinsumos, MIP e a agricultura moderna<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A agricultura moderna \u00e9 uma soma de tecnologias e estrat\u00e9gias. Enquanto o desenvolvimento e a ado\u00e7\u00e3o de <\/span><b>bioinsumos<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> cresce, \u00e9 importante lembrar que toda tecnologia funciona melhor quando integrada a outras ferramentas, como defensivos qu\u00edmicos, fertilizantes, irriga\u00e7\u00e3o e monitoramento clim\u00e1tico, assim como o <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2024\/09\/25\/mip-manejo-integrado-de-pragas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Manejo Integrado de Pragas (MIP)<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> potencializa os resultados, garantindo efici\u00eancia e sustentabilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os bioinsumos, como <\/span><b>biodefensivos<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><b>inoculantes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, s\u00e3o aliados indispens\u00e1veis, mas n\u00e3o substituem o papel dos defensivos qu\u00edmicos no controle de todas as pragas e doen\u00e7as ou dos fertilizantes no fornecimento de nutrientes essenciais \u00e0s plantas. Da mesma forma, a irriga\u00e7\u00e3o e as novas tecnologias de sensoriamento remoto permitem um manejo h\u00eddrico mais preciso, favorecendo a sa\u00fade da lavoura e auxiliando na mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos clim\u00e1ticos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola exige uma vis\u00e3o abrangente e cuidadosa: \u00e9 o equil\u00edbrio entre todas essas tecnologias que garante resultados consistentes e a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Como costumo dizer: <\/span><b>\u201cN\u00e3o existe milagre, existe manejo.\u201d<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Por mais importantes que sejam os bioinsumos, eles n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o isolada, mas sim parte de um sistema integrado que promove o sucesso no campo.<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"font-weight: 400\">Sobre os autores:<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/gabrielavieirasilva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Dra. Gabriela Vieira<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">: Engenheira agr\u00f4noma, bi\u00f3loga, doutora em fitossanidade e \u00e9 especialista em Manejo Integrado de Pragas (MIP) e produtos biol\u00f3gicos. Trabalha como consultora, palestrante e treina profissionais do agro no Brasil todo.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/pjcamargos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">Dr. Paulo Camargo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 s\u00f3cio-diretor do Descascando a Ci\u00eancia. Bi\u00f3logo, mestre em microbiologia e doutor em biologia funcional e molecular.<\/span><\/p>\n<p><b>Principais refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fontes, E. M. G. e Valadares-Inglis, M. C. Controle biol\u00f3gico de pragas da agricultura. 1. ed. Bras\u00edlia: Embrapa, 2020.<\/span><\/p>\n<p><b>Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento. (2024). <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Bioinsumos. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/inovacao\/bioinsumos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/inovacao\/bioinsumos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso: 20\/20\/2024.<\/span><\/p>\n<p><b>PARRA, J. R. P.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Biological Control in Brazil. Scientia Agricola, 2014.<\/span><\/p>\n<p><b>Sarroco, S. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Biological Disease Control by Beneficial (Micro)Organisms: Selected Breakthroughs in the Past 50 Years. Phytopathology, 2023.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos prim\u00f3rdios do controle biol\u00f3gico \u00e0s inova\u00e7\u00f5es, como microbiomas sint\u00e9ticos, os bioinsumos est\u00e3o transformando a agricultura moderna. Atrav\u00e9s da uni\u00e3o da ci\u00eancia, MIP e tecnologias complementares, eles refor\u00e7am que no campo, o sucesso est\u00e1 no manejo inteligente e integrado.<\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":2740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[164,178],"tags":[193,101,155,206,205],"class_list":["post-2739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura","category-ambiental","tag-agricultura","tag-controle-biologico","tag-doencas","tag-mip","tag-pragas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2024\/11\/Imagem-destaque-blog-Descascando.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2739"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2758,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2739\/revisions\/2758"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}