{"id":2849,"date":"2025-04-17T11:53:58","date_gmt":"2025-04-17T14:53:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/?p=2849"},"modified":"2025-07-29T15:46:41","modified_gmt":"2025-07-29T18:46:41","slug":"cebola-e-alho-temperando-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2025\/04\/17\/cebola-e-alho-temperando-o-brasil\/","title":{"rendered":"Cebola e alho temperando o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea gosta de usar cebola e alho nas suas receitas?<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Imagine o som da frigideira chiando, o perfume que sobe quando os primeiros peda\u00e7os de cebola tocam o azeite quente, seguido pelo aroma inconfund\u00edvel do alho dourando logo em seguida. Essa cena \u00e9 comum em praticamente todas as cozinhas brasileiras. Mas voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar por que essa dupla \u00e9 t\u00e3o querida \u2014 e o que a ci\u00eancia tem a dizer sobre ela?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alho (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Allium sativum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> L.) e cebola (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Allium cepa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> L.) s\u00e3o muito mais do que temperos. S\u00e3o plantas da mesma fam\u00edlia bot\u00e2nica \u2014 a Ali\u00e1cea \u2014 e compartilham uma origem asi\u00e1tica milenar. Desde que chegaram ao Brasil, tornaram-se protagonistas na nossa culin\u00e1ria e parte da hist\u00f3ria agr\u00edcola do pa\u00eds. A rela\u00e7\u00e3o com os brasileiros \u00e9 t\u00e3o intensa que hoje as duas hortali\u00e7as t\u00eam peso socioecon\u00f4mico, sendo cultivadas em pequenas propriedades e tamb\u00e9m em grandes \u00e1reas produtivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas o que s\u00e3o, afinal, o alho e a cebola? Curiosamente, ambos s\u00e3o classificados como bulbos, ou seja, folhas modificadas que funcionam como estruturas de reserva e reprodu\u00e7\u00e3o. Diferem-se das ra\u00edzes e dos tub\u00e9rculos por sua anatomia, mas todos acabam ocupando lugar de destaque na mesa \u2014 e na ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<h2><b>\u00a0A hist\u00f3ria do alho e da cebola no Brasil: um tempero que veio de longe<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim como tantas outras plantas aliment\u00edcias, o alho e a cebola n\u00e3o s\u00e3o nativos do Brasil. Ambos t\u00eam origens no Velho Mundo: o alho, provavelmente da \u00c1sia Central, e a cebola do Oriente M\u00e9dio ou da \u00c1sia Ocidental. Eles chegaram ao territ\u00f3rio brasileiro com os colonizadores europeus, especialmente os portugueses, no s\u00e9culo XVI.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante as grandes navega\u00e7\u00f5es, os europeus n\u00e3o apenas buscavam especiarias como canela, pimenta-do-reino e noz-moscada, mas tamb\u00e9m traziam consigo os ingredientes essenciais para sua culin\u00e1ria, entre eles, o alho e a cebola. Esses temperos eram fundamentais para conservar e dar sabor aos alimentos em longas viagens mar\u00edtimas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com o tempo, o sabor e o aroma do refogado de alho e cebola se tornaram parte da identidade da culin\u00e1ria brasileira. Misturados a ingredientes ind\u00edgenas e africanos, ajudaram a formar a base do que hoje conhecemos como &#8220;gosto de comida caseira&#8221;. Em praticamente todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, o \u201ccheiro de comida no fogo\u201d come\u00e7a com a sinfonia do alho e da cebola dourando na panela.<\/span><\/p>\n<h2><b>Uma pitada de nutri\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de usados em pequenas quantidades, alho e cebola oferecem uma s\u00e9rie de benef\u00edcios nutricionais. Dez gramas de alho cru somam cerca de 12 calorias, e a mesma quantidade de cebola tem apenas 4 calorias. Ou seja, agregam sabor com baix\u00edssimo impacto cal\u00f3rico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas \u00e9 nos compostos bioativos que essas hortali\u00e7as brilham. A cebola \u00e9 rica em quercetina (um flavonol) e antocianinas (flavonoides), especialmente nas variedades roxas. Esses compostos t\u00eam efeito antioxidante, anti-inflamat\u00f3rio e antimicrobiano, e o consumo regular est\u00e1 associado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis. J\u00e1 o alho concentra compostos organossulfurados, como a famosa alicina, que tamb\u00e9m exibe propriedades antimicrobianas e antioxidantes \u2014 al\u00e9m de ser respons\u00e1vel pelo seu cheiro t\u00e3o caracter\u00edstico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, alho e cebola podem ser aliados na luta contra o excesso de sal. Por imprimirem sabor marcante \u00e0s prepara\u00e7\u00f5es, ajudam a reduzir a quantidade de sal necess\u00e1ria em diversas receitas, promovendo uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel sem abrir m\u00e3o do sabor.<\/span><\/p>\n<h2><b>Produ\u00e7\u00e3o que cresce, mas ainda n\u00e3o basta<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com todo esse protagonismo, o Brasil ainda n\u00e3o \u00e9 autossuficiente na produ\u00e7\u00e3o de alho e cebola. Em 2019, por exemplo, foram produzidas 131 mil toneladas de alho em pouco mais de 11 mil hectares plantados. J\u00e1 a cebola ocupou quase 49 mil hectares e gerou impressionantes 1,5 milh\u00e3o de toneladas. Isso representa um crescimento expressivo: em 1999, eram 69 mil toneladas de alho e 988 mil toneladas de cebola. Ou seja, aumentos de 48% e 34%, respectivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar disso, ainda precisamos importar toneladas desses alimentos anualmente, vindos de pa\u00edses como Argentina, China e Espanha. Para virar esse jogo, o pa\u00eds investe em t\u00e9cnicas como a vernaliza\u00e7\u00e3o \u2014 um m\u00e9todo de armazenamento dos bulbos de alho em c\u00e2maras frias que antecipa o desenvolvimento da planta e reduz o per\u00edodo de entressafra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"color: #008000\"><strong>Saiba mais<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2023\/05\/08\/alimentos-organicos-e-nao-organicos\/\">Nem org\u00e2nico, nem convencional. O diferencial est\u00e1 em quem produz.<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A cebola tamb\u00e9m passou por uma revolu\u00e7\u00e3o. Durante muito tempo, era colhida manualmente porque a maioria das variedades plantadas aqui tinha casca muito fina, o que dificultava a colheita por m\u00e1quinas \u2014 elas danificavam os bulbos. Com o melhoramento gen\u00e9tico, pesquisadores brasileiros desenvolveram cultivares com maior resist\u00eancia mec\u00e2nica, facilitando a colheita e reduzindo o custo da produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, o melhoramento gen\u00e9tico tamb\u00e9m ajudou a desenvolver cebolas mais adaptadas ao clima brasileiro, especialmente nas regi\u00f5es do Nordeste, onde o calor e a baixa umidade exigem plantas mais resistentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na d\u00e9cada de 2000, foram lan\u00e7adas cultivares resistentes a doen\u00e7as t\u00edpicas de per\u00edodos quentes e \u00famidos. Isso possibilitou o plantio nos meses de novembro e dezembro, antes invi\u00e1vel, e aumentou a oferta em meses de maior demanda.<\/span><\/p>\n<h2><b>Do campo ao prato<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A produ\u00e7\u00e3o de cebola e alho prefere o clima mais ameno, por isso se concentra nas regi\u00f5es Sul e Sudeste. Mas com o melhoramento gen\u00e9tico, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel cultivar essas hortali\u00e7as tamb\u00e9m em regi\u00f5es mais quentes. Goi\u00e1s e Minas Gerais, por exemplo, se destacam na produ\u00e7\u00e3o de alho, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul continuam dominando a produ\u00e7\u00e3o de cebola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2019, algumas cidades lideraram a produ\u00e7\u00e3o: Cristalina (GO) se destacou tanto no alho quanto na cebola; Rio Parana\u00edba, Campos Altos e S\u00e3o Gotardo (todas em MG) foram refer\u00eancia no cultivo do alho; j\u00e1 Ituporanga (SC), S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte (RS) e Alfredo Wagner (SC) s\u00e3o nomes fortes quando o assunto \u00e9 cebola.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Internas-graficos-resultados.jpg\" alt=\"Planta de alho com parte a\u00e9rea e ra\u00edz - Decascando a Ci\u00eancia\" width=\"800\" height=\"570\" class=\"aligncenter wp-image-2851 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Internas-graficos-resultados.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Internas-graficos-resultados-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Internas-graficos-resultados-768x547.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Internas-graficos-resultados-500x356.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em entrevista com o engenheiro agr\u00f4nomo Leandro Rodrigues, descobrimos que cultivar alho e cebola n\u00e3o \u00e9 tarefa simples \u2014 e muito menos barata. O custo por hectare pode chegar a R$140 mil para o alho e R$75 mil para a cebola, devido ao trabalho intenso com sementes, c\u00e2maras frias, plantio manual e cuidados espec\u00edficos no campo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ciclo do plantio at\u00e9 a colheita leva em m\u00e9dia 110 dias, e os produtores ainda enfrentam amea\u00e7as como a podrid\u00e3o branca, uma doen\u00e7a causada por fungo de solo que apodrece os bulbos e pode comprometer toda a lavoura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar dos desafios, o avan\u00e7o da tecnologia e o manejo adequado t\u00eam permitido que esses ingredientes sigam sendo protagonistas na cozinha brasileira.<\/span><\/p>\n<h2><b>Como escolher e conservar?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao comprar, prefira alhos firmes e com casca que se solte facilmente. No caso da cebola, d\u00ea prefer\u00eancia \u00e0s que forem pesadas, com casca seca e apar\u00eancia firme. E aten\u00e7\u00e3o: nada de guardar na geladeira! Basta um local seco e arejado para garantir a durabilidade desses ingredientes que, por natureza, j\u00e1 s\u00e3o resistentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Curiosamente, o melhor momento para comprar \u00e9 no segundo semestre do ano, quando a oferta de produtos nacionais \u00e9 maior e os pre\u00e7os, mais baixos.<\/span><\/p>\n<h2><b>Um sabor que vai al\u00e9m<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de temperar a vida, cebola e alho tamb\u00e9m movimentam a economia, envolvem pesquisas cient\u00edficas e conectam o campo \u00e0 mesa com muita hist\u00f3ria e curiosidade. Com cada fatia dourada, cada aroma que sobe no ar, carregamos um pouco do saber da agricultura, da nutri\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia que, muitas vezes, passa despercebido no prato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, da pr\u00f3xima vez que fizer aquele refogado, lembre-se: <strong>n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sabor. \u00c9 hist\u00f3ria. \u00c9 ci\u00eancia.<\/strong><\/span><\/p>\n<h4><b>Principais refer\u00eancias:<\/b><\/h4>\n<p>EMBRAPA. Alho e cebola. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/hortalicas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.embrapa.br\/hortalicas<\/a>.<\/p>\n<p>ANACE BRASIL, Youtube. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@ANACEBRASIL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/@ANACEBRASIL<\/a><\/p>\n<p>UFMG. Ci\u00eancia para todos. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/ciencianoar\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CPT-ET02_57-ascebolasnosfazemchorar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ufmg.br\/ciencianoar\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CPT-ET02_57-ascebolasnosfazemchorar.pdf<\/a><\/p>\n<p>SUPER. Por que o inox tira cheiro de alho das m\u00e3os? Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/coluna\/oraculo\/por-que-o-inox-tira-cheiro-de-alho-das-maos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/super.abril.com.br\/coluna\/oraculo\/por-que-o-inox-tira-cheiro-de-alho-das-maos<\/a> . Acesso em: 4 abr. 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ja parou para pensar porque a cebola e alho s\u00e3o t\u00e3o queridos no Brasil? De onde vem essa paix\u00e3o do brasileiro por esses temperos? <\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":2855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[162,164],"tags":[215,213,214],"class_list":["post-2849","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-plantas","category-agricultura","tag-comidas","tag-hortifruti","tag-temperos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2025\/04\/Capa-blog-Descascando.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2849"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2908,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849\/revisions\/2908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}