{"id":738,"date":"2017-09-11T15:41:18","date_gmt":"2017-09-11T18:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/?p=738"},"modified":"2020-02-15T15:55:25","modified_gmt":"2020-02-15T18:55:25","slug":"sistema-imune-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2017\/09\/11\/sistema-imune-plantas\/","title":{"rendered":"As Plantas N\u00e3o Est\u00e3o Indefesas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Voc\u00ea sabia que <strong>as plantas possuem um sistema imune <\/strong>assim como os animais? E, para entender o sistema imune delas, primeiro vamos aprender como acontece no nosso organismo.<\/p>\n<h2>Sistema Imune<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando alguma doen\u00e7a causada por v\u00edrus, bact\u00e9rias ou fungos ataca nosso corpo, precisamos tomar rem\u00e9dios e algo muito interessante acontece em nosso organismo.<\/p>\n<p>Temos um sistema imune que trabalha como um &#8220;conjunto de soldados&#8221;, formado por prote\u00ednas, c\u00e9lulas, tecidos e \u00f3rg\u00e3os que se encarregam de monitorar e proteger nosso organismo do ataque de qualquer mol\u00e9cula ou agente estranho.<\/p>\n<p>E quando nosso organismo \u00e9 atacado por algum inimigo, esses soldados trabalham como loucos!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-739 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.blogs.ea2.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/picture11-300x138.png\" alt=\"Soldados do sistema imune, as plantas\" width=\"320\" height=\"147\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/picture11-300x138.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/picture11.png 637w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/h4>\n<h3 style=\"text-align: left\">Nosso sistema imune<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso sistema imune \u00e9 dividido em duas formas de a\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>imunidade inata<\/strong>: J\u00e1 nascemos com ela, e \u00e9 nossa primeira resposta de defesa. Por\u00e9m, quando esse primeiro sistema n\u00e3o \u00e9 suficiente para a defesa completa do organismo, entra em a\u00e7\u00e3o a segunda forma de resposta imunol\u00f3gica;<\/li>\n<li><strong>imunidade adquirida<\/strong>: \u00e9 um sistema capaz de reconhecer os invasores, por meio de uma \u201cmem\u00f3ria\u201d adquirida de cada ant\u00edgeno que nosso corpo j\u00e1 entrou em contato. E, quando um ant\u00edgeno ataca um organismo por uma segunda vez, o sistema imune adquirido consegue responder mais r\u00e1pido e efetivamente.<\/li>\n<\/ol>\n<h4>Anticorpos<\/h4>\n<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 ouviu falar de anticorpos. Eles s\u00e3o prote\u00ednas produzidas pelo nosso corpo e, quando atacados por um corpo estranho (ant\u00edgeno), agem aderindo \u00e0 superf\u00edcie do corpo estranho, e impedem a multiplica\u00e7\u00e3o do agente, inibindo a a\u00e7\u00e3o de toxinas produzidas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-743 aligncenter\" style=\"text-align: justify\" src=\"http:\/\/www.blogs.ea2.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/antigeno-anticorpo-300x153.png\" alt=\"Rea\u00e7\u00e3o ant\u00edgeno-anticorpo\" width=\"196\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/antigeno-anticorpo-300x153.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/antigeno-anticorpo.png 600w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/p>\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o do anticorpo contra o corpo estranho chama-se rea\u00e7\u00e3o ant\u00edgeno-anticorpo<\/strong>. Ela atrai v\u00e1rios tipos diferentes de c\u00e9lulas que fagocitam (ingerem) as part\u00edculas dos agentes invasores, mantando-os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9, ou n\u00e3o \u00e9, legal o que ocorre dentro do nosso corpo quando ficamos doentes?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">E o sistema imune das plantas?<\/h3>\n<p>Agora vamos falar sobre como elas combatem pat\u00f3genos (inimigos) que as atacam constantemente.<\/p>\n<p>Sabemos que elas s\u00e3o permanentemente expostas a diversas classes de micro-organismos patog\u00eanicos. Mas, apesar disso, as plantas s\u00e3o potencialmente saud\u00e1veis, pois evolu\u00edram sistemas eficientes de vigil\u00e2ncia e defesa para afastar invasores.<\/p>\n<p>Os agentes patog\u00eanicos, por sua vez, desenvolveram estrat\u00e9gias de virul\u00eancia para driblar o reconhecimento ou suprimir as respostas de defesa. Sendo assim, existe uma corrida evolutiva entre agentes patog\u00eanicos e suas plantas hospedeiras potenciais.<\/p>\n<h3>A defesa das plantas<\/h3>\n<p>Quando um pat\u00f3geno ataca, uma s\u00e9rie de mecanismos de defesa s\u00e3o ativados dentro da planta hospedeira. O sistema imune das plantas foi conceituado usando um modelo de zig-zag com tr\u00eas fases:<\/p>\n<div id=\"attachment_745\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-745\" class=\"wp-image-745 size-medium\" src=\"http:\/\/www.blogs.ea2.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/zig-zag-1-300x188.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/zig-zag-1-300x188.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/zig-zag-1-768x480.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/zig-zag-1-1024x640.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/zig-zag-1.png 1038w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-745\" class=\"wp-caption-text\"><sub>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Jones e Dangl, Nature, 2006<\/sub><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. Primeira fase<\/strong>: Depois que a planta entra em contato com algum pat\u00f3geno (causador de doen\u00e7a), mol\u00e9culas desse pat\u00f3geno, <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2017\/03\/05\/e-o-bloco-das-doencas-em-citros\/\">chamadas de PAMPs,<\/a> indicam a presen\u00e7a do pat\u00f3geno para o hospedeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses PAMPs s\u00e3o detectados por receptores espec\u00edficos, que s\u00e3o parte integrante do sistema imunol\u00f3gico das plantas (mol\u00e9culas das plantas), chamados de PRRs. As PRRs reconhecem as mol\u00e9culas do pat\u00f3geno (PAMPs) e esse reconhecimento induz uma produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sinais, que v\u00e3o levar a uma primeira resposta de defesa, conhecida como imunidade desencadeada pelo pat\u00f3geno, que em ingl\u00eas tem a sigla <strong>PTI<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_742\" style=\"width: 452px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-742\" class=\"wp-image-742\" src=\"http:\/\/www.blogs.ea2.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/genes-PAMP-PRR-300x175.png\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/genes-PAMP-PRR-300x175.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/genes-PAMP-PRR-768x449.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/genes-PAMP-PRR-1024x598.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/80\/2017\/09\/genes-PAMP-PRR.png 1772w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><p id=\"caption-attachment-742\" class=\"wp-caption-text\"><a href=\"http:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2017\/03\/05\/e-o-bloco-das-doencas-em-citros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><sub>http:\/\/www.blogs.unicamp.br\/descascandoaciencia\/2017\/03\/05\/e-o-bloco-das-doencas-em-citros\/<\/sub><\/a><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. Segunda Fase<\/strong>: os pat\u00f3genos de sucesso produzem efetores que deixam os pat\u00f3genos mais fortes e podem interferir com a primeira resposta PTI. Isso resulta em uma susceptibilidade da planta desencadeada pelo efetor (<strong>ETS<\/strong>). E, a planta se defende do ataque do pat\u00f3geno, mas o pat\u00f3geno aumenta o armamento e atira ainda mais forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. Terceira Fase:<\/strong> Esses efetores s\u00e3o tamb\u00e9m reconhecidos por prote\u00ednas PRR, desencadeando uma segunda resposta de defesa da planta, chamada de imunidade desencadeada pelo efetor ou <strong>ETI<\/strong>.\u00a0A resposta ETI \u00e9 uma resposta PTI acelerada e ampliada, resultando na resist\u00eancia \u00e0 doen\u00e7a e, geralmente, em uma resposta de morte celular no local da infec\u00e7\u00e3o, chamada de <strong>HR<\/strong> (rea\u00e7\u00e3o de hipersensibilidade).<\/p>\n<p>Durante as respostas PTI \u00a0e ETI (primeira e segunda respostas de defesa), v\u00e1rios genes s\u00e3o ativados para aumentar a produ\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas importantes para a defesa.<\/p>\n<p><strong>Dica de leitura<\/strong><\/p>\n<ol style=\"list-style-type: upper-roman\">\n<li><a href=\"https:\/\/search.proquest.com\/openview\/e6c5497f1924e5094626cc4f890742bc\/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=40569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Plant Immune System<\/a><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que as plantas possuem um sistema imune assim como os animais? 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