{"id":194,"date":"2009-05-11T21:48:17","date_gmt":"2009-05-12T00:48:17","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/dimensional\/2009\/05\/049\/"},"modified":"2009-05-11T21:48:17","modified_gmt":"2009-05-12T00:48:17","slug":"049","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/2009\/05\/11\/049\/","title":{"rendered":"Luz: Mais r\u00e1pida que a dor de barriga!"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.twanight.org\/newtwan\/photos.asp?ID=3001946&amp;Sort=Region\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-content\/uploads\/sites\/207\/2011\/08\/via_lactea_brasil1.jpg\" width=\"503\" height=\"253\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<p align=\"justify\">Observar o c\u00e9u noturno \u00e9 como viajar no tempo. \u00c9 observar o passado. Estrelas que estamos vendo neste instante talvez nem existam mais, simplesmente porque a Luz que emitem n\u00e3o chega instantaneamente at\u00e9 n\u00f3s. Sua velocidade \u00e9 absurdamente grande, \u00e9 verdade. T\u00e3o grande que, para todos os efeitos cotidianos, ela parece infinita. S\u00f3 que frente \u00e0 imensid\u00e3o do Cosmos at\u00e9 a Luz parece viajar lentamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nem por isso os <b>exatos<\/b> <b>299.792.458 m\/s<\/b> da Velocidade da Luz no V\u00e1cuo deixam de ser impressionantes. &#8220;Espera, espera, <b>exatos<\/b>? Como assim?&#8221; Calma, que chegaremos l\u00e1.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi apenas no S\u00e9culo 17 (n\u00fameros romanos <i>my ass<\/i>) que a finitude da velocidade da Luz come\u00e7ou a ser estabelecida experimentalmente por observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas. Antes disso, tentativas experimentais locais esbarravam na dificuldade t\u00e9cnica. Os experimentos idealizados por Galileu, por exemplo, foram inconclusivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1676, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ole_Christensen_R%C3%B8mer\" rel=\"noopener noreferrer\">Ole Christensen R\u00f8mer<\/a>, observando o movimento da lua Io de J\u00fapiter, estimou a raz\u00e3o entre a velocidade da luz e a velocidade de transla\u00e7\u00e3o da Terra como sendo de 9300. O valor aceito atualmente \u00e9 de cerca de 10100.<\/p>\n<p align=\"justify\">Christian Huygens e Isaac Newton tamb\u00e9m fizeram algumas estimativas, mas a medida antiga mais surpreendente foi a de James Bradley, em 1728, ao analisar o fen\u00f4meno, de sua pr\u00f3pria descoberta, da Aberra\u00e7\u00e3o da Luz.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Aberra\u00e7\u00e3o da Luz \u00e9 um fen\u00f4meno pelo qual a posi\u00e7\u00e3o das estrelas parece modificar-se devido ao movimento da Terra. Um tanto an\u00e1logo a quando as gotas de chuva parecem incindir obliquamente no parabrisas de um carro em movimento, mas perpendicularmente ao carro quando ele est\u00e1 parado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Bradley mediu esse desvio para a Luz e pode estimar sua velocidade em <b>298.000 km\/s<\/b>! &nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/p>\n<p align=\"justify\"> A primeira medi\u00e7\u00e3o &#8220;terrestre&#8221; foi de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hippolyte_Fizeau\" title=\"Hippolyte Fizeau\">Hippolyte Fizeau<\/a> em 1849. Num experimento semelhante ao idealizado por Galileo, Fizeau obteve 313.000 km\/s. O experimento foi mais tarde aprimorado por <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Leon_Foucault\" rel=\"noopener noreferrer\">Leon Foucault<\/a> (sim, sim, o mesmo do <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Foucault_pendulum\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00eandulo<\/a>) que em 1862 publicou sua estimativa de 298.000 km\/s.&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Desde ent\u00e3o, as medidas foram sendo mais e mais aprimoradas, como mostram os gr\u00e1ficos abaixo (tirados <a href=\"http:\/\/www.sigma-engineering.co.uk\/light\/lightindex.shtml#Ref1\">daqui<\/a>):<\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"medida_luz_1.gif\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-content\/uploads\/sites\/207\/2011\/08\/medida_luz_1.gif\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" width=\"449\" height=\"315\" \/><\/span><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"medida_luz_2.gif\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-content\/uploads\/sites\/207\/2011\/08\/medida_luz_2.gif\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" width=\"449\" height=\"319\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Uma coisa estranha aparece no gr\u00e1fico acima, n\u00e3o? As medidas param, por volta da primeira metade da d\u00e9cada de 1980. Ser\u00e1 que os F\u00edsicos desistiram de tentar medir de forma cada vez mais precisa a velocidade da Luz?<\/p>\n<p align=\"justify\">Acontece que <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/math.ucr.edu\/home\/baez\/physics\/Relativity\/SpeedOfLight\/measure_c.html\" rel=\"noopener noreferrer\">em 1973<\/a>, obteve-se uma medida para a velocidade da Luz no v\u00e1cuo com valor de 299.792,457 km\/s mais ou menos uma incerteza de 0,001 km\/s. Apenas um metro de incerteza! Isso, somado \u00e0 mudan\u00e7a constante na defini\u00e7\u00e3o do metro, fazia parecer uma boa id\u00e9ia redefinir o metro em fun\u00e7\u00e3o da Velocidade da Luz no v\u00e1cuo.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 1983, utilizava-se para a defini\u00e7\u00e3o do Metro e do Segundo determinadas medidas de propriedades at\u00f4micas, respectivamente, 1.650.763,73 comprimentos de onda da linha de<br \/>\nemiss\u00e3o vermelho-alaranjada do espectro do Cript\u00f4nio 86 e 9.192.631,770<br \/>\nper\u00edodos da radia\u00e7\u00e3o correspondente \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de dois estados<br \/>\nhiperfinos do n\u00edvel fundamental do \u00e1tomo de C\u00e9sio 133.&nbsp; <\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1983, um metro passou a ser <b>o espa\u00e7o percorrido pela Luz em 1\/299.792.458 de segundo<\/b>. Com o segundo definido por propriedade at\u00f4micas.<\/p>\n<p>E a Velocidade da Luz no v\u00e1cuo passou a ser ent\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, <b>exatos 299.792.458 m\/s.<\/b><\/p>\n<p><b>Impressionante, por defini\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>PS: A sugest\u00e3o de t\u00edtulo foi do <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/rnam\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Rafael<\/a>. Reclama\u00e7\u00f5es com ele. =P<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observar o c\u00e9u noturno \u00e9 como viajar no tempo. \u00c9 observar o passado. Estrelas que estamos vendo neste instante talvez nem existam mais, simplesmente porque a Luz que emitem n\u00e3o chega instantaneamente at\u00e9 n\u00f3s. Sua velocidade \u00e9 absurdamente grande, \u00e9 verdade. T\u00e3o grande que, para todos os efeitos cotidianos, ela parece infinita. 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