{"id":65,"date":"2007-09-26T19:09:33","date_gmt":"2007-09-26T22:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/dimensional\/2007\/09\/ic008\/"},"modified":"2007-09-26T19:09:33","modified_gmt":"2007-09-26T22:09:33","slug":"ic008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/2007\/09\/26\/ic008\/","title":{"rendered":"Guia da Pr\u00e1tica Impostora, Li\u00e7\u00e3o 314: Valida\u00e7\u00e3o Seletiva"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color:#000000\">Caro Leitor, <\/span><\/p>\n<div class=\"entrytext\">\n<div class=\"snap_preview\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Benvindos a mais uma li\u00e7\u00e3o do <strong>Guia da Pr\u00e1tica Impostora<\/strong>. Na li\u00e7\u00e3o de hoje veremos mais um dos m\u00e9todos ao qual voc\u00ea, pequeno impostor, deve estar antento ao desenvolver e popularizar sua impostura.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>\u00c9 evidente que sua Impostura n\u00e3o funciona de verdade<\/strong>, afinal n\u00e3o a chamar\u00edamos de Impostura se ela funcionasse. Contudo, mais importante que ela funcionar, devemos tomar medidas para que nossos clientes tenham certeza que ela funcionou com eles. <strong>Assim, nossa impostura pode ser espalhada no &#8220;boca-a-boca&#8221; a despeito do que os c\u00e9ticos chatos possam falar<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">\u00c9 sabido que n\u00f3s, humanos, tendemos a favorecer, em nossa mem\u00f3ria, acontecimentos que validam nossa vis\u00e3o de mundo e que tendemos a favorecer as observa\u00e7\u00f5es sobre um fen\u00f4meno que se adequam ao que esper\u00e1vamos. Em outras palavras: n\u00f3s contamos os acertos e esquecemos os erros.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Qualquer impostura que dependa da confirma\u00e7\u00e3o do p\u00fablico-alvo deve valer-se desse fato. Nossa estrat\u00e9gia \u00e9 fazer com que o p\u00fablico se lembre de quando a impostura funcionou e se esque\u00e7a de quando ela falhou. Chamaremos isso de <strong>Valida\u00e7\u00e3o Seletiva<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Ali\u00e1s, \u00e9 bem poss\u00edvel que voc\u00ea mesmo, pequeno impostor, tenha sido v\u00edtima de um efeito semelhante enquanto desenvolvia sua impostura.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Chamemos ent\u00e3o de <strong>Observa\u00e7\u00e3o Seletiva<\/strong> quando o impostor escolhe os &#8220;dados bons&#8221; de uma experi\u00eancia de acordo com o que se esperava dele. \u00c9 uma t\u00e1tica interessante porque no fim o impostor s\u00f3 mostrar\u00e1 os &#8220;dados bons&#8221; ao p\u00fablico, que n\u00e3o ter\u00e1 motivos para desconfiar. Bom, exceto por aquele punhado de c\u00e9ticos chatos espalhados por ai. A Observa\u00e7\u00e3o Seletiva nem sempre \u00e9 consciente, por isso que em muitos testes de medicamentos, por exemplo, usam-se grupos de controle e testes duplo-cegos para evitar esse tipo de efeito. Mas n\u00e3o se preocupe, querido impostor, n\u00f3s n\u00e3o precisamos desse tipo de precau\u00e7\u00e3o em nossa imposturas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Tome o seguinte exemplo:<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Desde o lan\u00e7amento do document\u00e1rio &#8220;<strong>Quem Somos N\u00f3s?<\/strong>&#8221; (talvez mesmo antes) um certo cientista foi al\u00e7ado \u00e0 notoriedade. <strong>Masaru Emoto<\/strong> teria descoberto que a forma de cristais de \u00e1gua era afetada por palavras escritas em pap\u00e9is que eram colados nos frascos onde estavam.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Ent\u00e3o, os cristais no frasco escrito &#8220;<strong>Voc\u00ea me deixa doente, eu vou te matar<\/strong>&#8221; se formariam bastante deformados (abaixo, \u00e0 esquerda), enquanto os do frasco em que estava escrito &#8220;<strong>Obrigado<\/strong>&#8221; se formariam perfeitamente (abaixo, \u00e0 direita).<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color:#000000\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imposturascientificas.files.wordpress.com\/2007\/09\/thank_you.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><a title=\"\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-content\/uploads\/sites\/207\/2011\/08\/make_me_sick.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ndimensional.files.wordpress.com\/2008\/03\/make_me_sick.thumbnail.jpg\" alt=\"make_me_sick.jpg\" \/><\/a><a title=\"\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-content\/uploads\/sites\/207\/2011\/08\/thank_you1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ndimensional.files.wordpress.com\/2008\/03\/thank_you.thumbnail.jpg\" alt=\"thank_you.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Aprenda com o senhor Emoto, pequeno impostor. <strong>Ele, muito provavelmente, j\u00e1 tinha em sua mente o que queria achar. <\/strong>Emoto acreditava que a consci\u00eancia, as inten\u00e7\u00f5es e os sentimentos seriam capazes de interferir com o mundo externo. Ent\u00e3o ele estava, mesmo que inconscientemente, propenso a favorecer oberva\u00e7\u00f5es que confirmavam aquilo que esperava.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Numa \u00fanica gota de \u00e1gua congelada, se formam uma quantidade enorme de cristais. Ao olharmos atrav\u00e9s de um microsc\u00f3pio ver\u00edamos uma <strong>infinidade<\/strong> de cristais diferentes e de forma alguma seria dif\u00edcil encontrar entre eles <strong>um<\/strong> que se adequasse \u00e0 hip\u00f3tese inicial. E tendo em vista que valorizamos aquelas observa\u00e7\u00f5es que concordam conosco e ignoramos as que nos contradizem, a hip\u00f3tese de Emoto est\u00e1 confirmada. Por ele mesmo \u00e9 claro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>E se n\u00e3o era ele quem manipulava os microsc\u00f3pios?<\/strong> Pode-se perguntar. Ora, considerem que eram assistentes que observavam os cristais pelo microsc\u00f3pio e os fotografavam, se eles sabiam a conclus\u00e3o a que o senhor Emoto queria chegar, eles, mesmo inconscientemente, favoreceriam aqueles cristais que confirmassem suas espectativas. Ou voc\u00ea afirmaria t\u00e3o facilmente que seu empregador estaria errado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Pois bem, com todos esses <strong>defeitos metodol\u00f3gicos<\/strong> (incluindo ainda a falta de um <strong>grupo de controle<\/strong>) a impostura de <strong>Masaru Emoto<\/strong> prosperou. O p\u00fablico-alvo n\u00e3o se importa com esse pequenos detalhes, ent\u00e3o a Observa\u00e7\u00e3o Seletiva de Emoto acabou se mostrando uma vantagem no concorrido mundo das imposturas (rendendo in\u00fameros livros, por exemplo).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Mas a <strong>Observa\u00e7\u00e3o Seletiva<\/strong> n\u00e3o esgota o assunto desta li\u00e7\u00e3o. Veremos agora alguns casos em que \u00e9 a <strong>Valida\u00e7\u00e3o Seletiva<\/strong> do p\u00fablico-alvo que entra em a\u00e7\u00e3o. Dois exemplos s\u00e3o o bastante para ilustrar o quanto o c\u00e9rebro humano \u00e9 capaz de ajudar-lhe, caro impostor, na propaga\u00e7\u00e3o de imposturas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Tomemos como primeiro exemplo as descri\u00e7\u00f5es de personalidades que podemos encontrar em livros de <strong>astrologia<\/strong>. Imaginemos que uma pessoa cujo signo astrol\u00f3gico seja G\u00eameos. Ela abre o livro no cap\u00edtulo dedicado a tal signo. <strong>Lendo o texto, \u00e9 certo que ela se identificar\u00e1 com a maioria das caracter\u00edsticas ali presentes (incluindo os defeitos).<\/strong> Enquanto se ela ler o cap\u00edtulo de outro signo, digamos Escorpi\u00e3o, <strong>n\u00e3o estar\u00e1 t\u00e3o disposta a aceitar como verdadeiras para si as caracter\u00edsticas daquele signo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Ora, ser\u00e1 ent\u00e3o que as descri\u00e7\u00f5es feitas pelo livro s\u00e3o t\u00e3o precisas assim? \u00c9 um fato, que pode ser averiguado por qualquer um, que esse tipo de livro \u00e9 escrito da forma mais <strong>gen\u00e9rica poss\u00edvel<\/strong> (quanto menos incisiva for uma afirma\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil dela ser considerada falsa) e as caracter\u00edsticas (qualidades e defeitos) se distribuem e se repetem mais ou menos uniformemente. H\u00e1 igual probabilidade de uma pessoa se identificar ou n\u00e3o com qualquer um dos signos ao l\u00ea-lo sem saber de qual deles se trata.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>Praticamente a partir do nascimento, \u00e9 martelado na cabe\u00e7a de cada um de n\u00f3s o signo a que &#8220;pertencemos&#8221; e dessa forma somos inconsientemente levados a favorecer e considerar v\u00e1lidos aqueles textos que falam explicitamente de nosso signo<\/strong>. E mais uma impostura prospera. J\u00e1 viu a quantidade de livros que existem sobre astrologia? (Ali\u00e1s, livros e imposturas possuem uma liga\u00e7\u00e3o bastante estreita, mas isso fica para outra li\u00e7\u00e3o). <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Outro exemplo pode ser encontrado nas chamadas &#8220;<strong>Medicinas Alternativas<\/strong>&#8220;. Todos j\u00e1 ouviram falar de dezenas de receitas &#8220;caseiras&#8221; para curar resfriados e gripes. Ora, \u00e9 tamb\u00e9m sabido que resfriados e gripes comuns costumam ser curados naturalmente pelo corpo dentro de uma semana. Algumas &#8220;medicinas alternativas&#8221; se valem desse fato para sua prolifera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>O c\u00e9rebro humano \u00e9 \u00f3timo para associar rela\u00e7\u00e3o de causa entre dois eventos quaisquer que se sucedam no tempo, ou seja, se um evento B aconteceu logo depois de um evento A, \u00e9 comum que nosso c\u00e9rebro considere que A causou B.<\/strong> Ent\u00e3o, se fizermos uso de alguma &#8220;medicina alternativa&#8221; l\u00e1 pelo <strong>sexto dia<\/strong> do resfriado, no s\u00e9timo ou oitavo dia, quando o resfriado ceder, estaremos condicionados a aceitar que aquela medida que tomamos foi o que curou o resfriado. Mas se fizermos uso da mesma &#8220;medicina alternativa&#8221; no <strong>primeiro ou segundo dia<\/strong> do resfriado e ela n\u00e3o fizer efeito (ignorando o Efeito Placebo) n\u00e3o consideraremos aquilo como uma falha. Como ela j\u00e1 &#8220;funcionou&#8221; antes com tanta gente, n\u00f3s simplesmente<strong> ignoraremos a falha<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Ent\u00e3o, nobre aspirante a impostor, se quiser que sua impostura seja um sucesso, fique atento para que ela explore a <strong>Valida\u00e7\u00e3o Seletiva<\/strong> do p\u00fablico-alvo, como os exemplos acima o fazem. Assim, n\u00e3o importa o que aqueles c\u00e9ticos chatos falem, se o p\u00fabico achar que &#8220;<strong>se comigo funcionou \u00e9 verdade<\/strong>&#8221; sua impostura possui grandes chances de figurar entre as mais bem sucedidas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Agora m\u00e3os \u00e0 massa. Fa\u00e7am os seguintes exerc\u00edcios para praticarmos os conceitos dessa li\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>Exerc\u00edcio 1:<\/strong> Pense em quantas vezes algo que voc\u00ea sonhou alguma noite se realizou no dia seguinte ou num dia pr\u00f3ximo. O que voc\u00ea pode concluir disso? <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>Exerc\u00edcio 2: <\/strong>Agora pense em quantos sonhos voc\u00ea teve que N\u00c3O se realizaram no dia seguinte ou num dia pr\u00f3ximo. O que voc\u00ea pode concluir disso?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>Exerc\u00edcio 3:<\/strong> Pense em quantas de suas &#8220;preces&#8221; foram atendidas. O que voc\u00ea pode concluir disso?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\"><strong>Exerc\u00edcio 4:<\/strong> Pense em quantas de suas &#8220;preces&#8221; N\u00c3O foram atendidas. O que voc\u00ea pode concluir disso?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color:#000000\">Coloquem suas respostas para os exerc\u00edcios nos coment\u00e1rios abaixo.<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><strong><span style=\"color:#000000\">At\u00e9 a pr\u00f3xima li\u00e7\u00e3o<\/span>.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caro Leitor, Benvindos a mais uma li\u00e7\u00e3o do Guia da Pr\u00e1tica Impostora. Na li\u00e7\u00e3o de hoje veremos mais um dos m\u00e9todos ao qual voc\u00ea, pequeno impostor, deve estar antento ao desenvolver e popularizar sua impostura. \u00c9 evidente que sua Impostura n\u00e3o funciona de verdade, afinal n\u00e3o a chamar\u00edamos de Impostura se ela funcionasse. Contudo, mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":518,"featured_media":66,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-65","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imposturas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/users\/518"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}