{"id":9,"date":"2008-11-18T08:33:06","date_gmt":"2008-11-18T11:33:06","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/dimensional\/2008\/11\/003\/"},"modified":"2008-11-18T08:33:06","modified_gmt":"2008-11-18T11:33:06","slug":"003","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dimensional\/2008\/11\/18\/003\/","title":{"rendered":"Acidente em Experimento Mental deixa mortos e feridos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Certa vez, uma amiga andava pelos corredores da universidade quando furtou o seguinte fragmento de conversa entre dois outros alunos de engenharia que andavam mais a frente:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;(&#8230;) \u00c9 s\u00e9rio, cara. Eles pegam um gato, p\u00f5em numa caixa, p\u00f5em o veneno dentro e fecham. (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez nosso engenheiro ficasse bastante decepcionado em saber que, para al\u00edvio dos felinos,\u00a0 toda essa hist\u00f3ria de gatos, caixas e venenos, chamada de <strong>Gato de Schr\u00f6dinger<\/strong>, n\u00e3o \u00e9 nada mais que um experimento mental (<em>Thougth Experiment<\/em> ou <em>Gedankenexperiment<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O experimento \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Imagine que dentro de uma caixa s\u00e3o colocados um Gato e um compartimento de veneno. O compartimento \u00e9 equipado com um sistema de acionamento a partir da detec\u00e7\u00e3o do decaimento de uma pequena amostra de \u00e1tomos radioativos. A cada meia-vida de um \u00e1tomo radioativo, ele tem 50% de chance de decair, emitindo alguma part\u00edcula que acionar\u00e1 um dispositivo que quebra o compartimento de veneno, matando o gato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fechemos a caixa. Ap\u00f3s uma meia-vida, o gato estar\u00e1 vivo ou morto? Vivo <strong>E<\/strong> Morto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Troquemos o gato por um Volt\u00edmetro ligado a algum amplificador de sinal. Quando o n\u00facleo decai e uma part\u00edcula atinge o detector, o Volt\u00edmetro ligado ao circuito marca 2 Volts. Quanto o volt\u00edmetro marcar\u00e1 ap\u00f3s uma meia vida? Zero Volts ou 2 Volts? Zero Volts <strong>E<\/strong> 2 Volts?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o faz sentido dizer que o gato est\u00e1 vivo <strong>E <\/strong>morto, assim como n\u00e3o faz sentido dizer que um volt\u00edmetro marca zero Volts <strong>E<\/strong> 2 Volts. Um gato, ou um volt\u00edmetro, \u00e9 um objeto macrosc\u00f3pico e n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0s bizarrices qu\u00e2nticas como a superposi\u00e7\u00e3o de estados, certo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse \u00e9 justamente o problema. O &#8220;estado&#8221; do Gato est\u00e1 intimamente ligado ao estado do \u00e1tomo que decair\u00e1 ou n\u00e3o. Isso faz o Gato ter tamb\u00e9m comportamento qu\u00e2ntico? Onde se d\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o em um sistema qu\u00e2ntico e outro cl\u00e1ssico? Essas s\u00e3o quest\u00f5es que ocupam os F\u00edsicos desde a cria\u00e7\u00e3o da Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica e est\u00e3o longe de serem resolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que n\u00e3o impede que muitos apressadinhos MUCHOLOKOS queiram concluir que \u00e9 o observador consciente e de prefer\u00eancia humano que cria a realidade ao abrir a caixa de acordo com sua vontade. <em>Malditos p\u00f3s-modernistas franceses.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos outros experimentos mentais acabam passando por reais com o descuido dos textos de livros did\u00e1ticos e de divulga\u00e7\u00e3o, e a F\u00edsica acaba ainda mais mistificada. Nosso engenheiro foi apenas mais uma prov\u00e1vel v\u00edtima. Assim como muitos livros <strong>ainda<\/strong> hoje dizem como Galileu lan\u00e7ou de cima da Torre de Pisa objetos para refutar a gravidade aristot\u00e9lica, fico imaginando daqui alguns anos os livros trazendo informa\u00e7\u00f5es de como os F\u00edsicos do s\u00e9culo XX maltratavam os pobres gatinhos para construir o motor de improbabilidade infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, uma amiga andava pelos corredores da universidade quando furtou o seguinte fragmento de conversa entre dois outros alunos de engenharia que andavam mais a frente: &#8220;(&#8230;) \u00c9 s\u00e9rio, cara. 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