{"id":140,"date":"2009-03-10T17:58:00","date_gmt":"2009-03-10T20:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/03\/porque-darwin-nao-descobriu-as-leis-de-mendel\/"},"modified":"2009-03-10T17:58:00","modified_gmt":"2009-03-10T20:58:00","slug":"porque-darwin-nao-descobriu-as-leis-de-mendel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2009\/03\/porque-darwin-nao-descobriu-as-leis-de-mendel\/","title":{"rendered":"Porque Darwin n\u00e3o descobriu as leis de Mendel?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SbaSdHiqy-I\/AAAAAAAABmg\/enK2oMXXC-I\/s1600-h\/mendel-livro.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor: pointer;width: 200px;height: 289px\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SbaSdHiqy-I\/AAAAAAAABmg\/enK2oMXXC-I\/s400\/mendel-livro.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/><span class=\"xd\" style=\"font-size: 100%\"><span style=\"font-size: 85%\">Robin Marantz Henig<\/span><\/span><span style=\"font-size: 85%\"> (2001). O monge no jardim. Editora Rocco.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span>Definitivamente a hereditariedade \u00e9 um conceito que Darwin nunca entendeu corretamente.  E n\u00e3o podemos dizer que as tentativas foram poucas. Dois volumes inteiros publicados em 1868 foram dedicados a isso, sob o nome de &#8220;A <em>varia\u00e7\u00e3o<\/em> dos <em>animais e plantas<\/em> sob <em>domestica\u00e7\u00e3o&#8221;,<\/em> al\u00e9m de v\u00e1rios experimentos feitos na sua casa em Down (sua \u00faltima resid\u00eancia) sobre este mesmo tema.<em><\/em><\/p>\n<p>Praticamente ao mesmo tempo, Gregor Mendel, um monge da Mor\u00e1via (regi\u00e3o central da Rep\u00fablica Tcheca),  desenvolveu um trabalho com ervilhas no jardim de seu mosteiro. Seu trabalho foi lido para a Sociedade de Hist\u00f3ria Natural de Brunn em 1865, mas n\u00e3o teve o que podemos chamar de &#8220;sucesso&#8221;. Em 1884, o considerado atualmente como pai da gen\u00e9tica, morreu sozinho e desiludido. Apenas 16 anos depois de sua morte e 35 anos depois da publica\u00e7\u00e3o de seu trabalho, o legado de Mendel foi finalmente redescoberto, de forma independente por v\u00e1rios cientistas. Hoje devido a velocidade de publica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos via internet, a ideia de que um trabalho cient\u00edfico de tamanha import\u00e2ncia como o de Mendel para a teoria da evolu\u00e7\u00e3o passou despercebido por Darwin \u00e9 realmente inconceb\u00edvel. Mas pensando em uma \u00e9poca onde a forma mais comum de dissemina\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos era a leitura dos mesmos em reuni\u00f5es de sociedades cient\u00edficas, podemos compreender melhor este <span style=\"font-style: italic\">lag<\/span>. Mas ser\u00e1 que Darwin poderia ter descoberto as leis Mendel sobre hereditariedade de forma independente? Em um artigo publicado no peri\u00f3dico <span style=\"font-style: italic\">Journal of Biology<\/span>, Jonathan C. Howard discute esta quest\u00e3o. O artigo \u00e9 aberto, sendo apenas necess\u00e1rio o cadastro no s\u00edtio do peri\u00f3dico para baixar o pdf.<\/p>\n<p>Darwin poderia ter sido um mendeliano, mas temos que reconhecer que o monge tinha uma certa vantagem nas ci\u00eancias exatas. Mendel tinha conhecimentos profundos de matem\u00e1tica, estat\u00edstica e probabilidade, algo que Darwin n\u00e3o dominava, fato revelado por ele mesmo em sua autobiografia. Mas esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediu que Darwin tivesse uma grande import\u00e2ncia no <a href=\"http:\/\/www.sciencenews.org\/view\/generic\/id\/40740\/title\/Darwin_The_reluctant_mathematician_\">avan\u00e7o da estat\u00edstica<\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Nos tr\u00eas anos que passei em Cambridge, meu tempo foi t\u00e3o completamente desperdi\u00e7ado, no que diz respeito aos estudos acad\u00eamicos, quanto em Edimburgo e na escola. Experimentei a matem\u00e1tica (&#8230;) mas meus progressos foram lentos. O trabalho me repugnava, principalmente por eu n\u00e3o conseguir perceber nenhum sentido nos primeiros passos de \u00e1lgebra. Essa impaci\u00eancia foi uma grande tolice. Em anos posteriores, lamentei n\u00e3o ter seguido adiante, pelo menos o suficiente para compreender um pouco os princ\u00edpios centrais da matem\u00e1tica, pois os homens assim dotados parecem ter um sentido a mais. Entretanto, n\u00e3o creio que conseguisse ultrapassar um grau muito baixo.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 85%\">Charles Darwin. Autobiografia. P\u00e1gina 50.<\/span><\/div>\n<p>Mesmo assim, o jardim de Down era muito utilizado para experimentos de todo o tipo, com caracter\u00edsticas bem semelhantes do jardim utilizado por Mendel. Desta forma, outro fatores pesaram mais para que Darwin n\u00e3o tivesse fechado de forma mais coerente os aspectos relacionados a heran\u00e7a. A certeza de que a teoria da pang\u00eanese estava correta era uma delas. Darwin era um f\u00e3 incondicional da &#8220;Hip\u00f3tese provis\u00f3ria da pang\u00eanese&#8221;, teoria de aspectos lamarckistas onde todas as caracter\u00edsticas de um organismos estariam representadas em &#8220;g\u00eamulas&#8221;. Estas seriam modificadas ao longo da vida e posteriormente misturadas durante a reprodu\u00e7\u00e3o sexuada. A pang\u00eanese era bem aceita na \u00e9poca e n\u00e3o foi questionada pelos evolucionistas at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo realizando v\u00e1rios experimentos onde conclus\u00f5es poderiam ser obtidas em dire\u00e7\u00e3o as leis mendelianas, Darwin nunca chegou perto de questionar a hip\u00f3tese da pang\u00eanese. Como Jonathan Howard descreveu no seu artigo &#8220;<span style=\"font-style: italic\">(&#8230;) se Darwin falhou em descobrir as leis de Mendel, n\u00e3o foi porque ele carecia de genialidade ou talentos matem\u00e1ticos ou mentalidade experimental, mas particularmente por causa da forte tend\u00eancia do que ele j\u00e1 possu\u00eda<\/span>&#8220;. Charles Darwin n\u00e3o chegou a uma conclus\u00e3o correta sobre o mecanismo chave da teoria da evolu\u00e7\u00e3o por estar plenamente convencido de que a pang\u00eanese era a hip\u00f3tese mais correta.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Tanto como \u00e9 me dado julgar, n\u00e3o tenho a tend\u00eancia de seguir cegamente a opini\u00e3o de outros homens. Tenho feito um esfor\u00e7o sistem\u00e1tico de manter minha mente livre, de modo a abandonar qualquer hip\u00f3tese , por mais amada que seja (&#8230;), t\u00e3o logo os fatos revelem opor-se a elas. (&#8230;) n\u00e3o sou muito c\u00e9tico, mentalidade que creio ser prejudicial ao progresso da ci\u00eancia; para evitar perda de tempo, um cientista deve ter boa dose de ceticismo. Por\u00e9m, conheci muitos homens que foram impedidos pelo ceticismo de fazerem experimentos ou observa\u00e7\u00f5es que poderiam ter-se revelado \u00fateis, direta ou indiretamente.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 85%\">Charles Darwin. Autobiografia. P\u00e1ginas 123-124.<\/span><\/div>\n<p>Talvez se Darwin estivesse aberto a outros aspectos e fosse menos dogm\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o a pang\u00eanese, ele pudesse ter descoberto as leis de mendel. Ser\u00e1 que faltou um pouco mais de ceticismo a Darwin?<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<br \/><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+Biology&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1186%2Fjbiol123&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Why+didn%27t+Darwin+discover+Mendel%27s+laws%3F&amp;rft.issn=1475-4924&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=8&amp;rft.issue=2&amp;rft.spage=15&amp;rft.epage=0&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fjbiol.com%2Fcontent%2F8%2F2%2F15&amp;rft.au=Howard%2C+J.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Evolutionary+Biology\">Howard, J. (2009). Why didn&#8217;t Darwin discover Mendel&#8217;s laws? <span style=\"font-style: italic\">Journal of Biology, 8<\/span> (2) DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1186\/jbiol123\">10.1186\/jbiol123<\/a><\/span><\/p>\n<p>Leia os posts de outros blogs que comentaram o artigo:<br \/><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com\/gregladen\/2009\/02\/why_didnt_darwin_discover_mend.php\">Greg Laden\u00b4s Blog<\/a><br \/><a href=\"http:\/\/blogs.sciencemag.org\/origins\/2009\/02\/why-didnt-darwin-discover-mend.html\">Origins<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Robin Marantz Henig (2001). O monge no jardim. Editora Rocco. Definitivamente a hereditariedade \u00e9 um conceito que Darwin nunca entendeu corretamente. E n\u00e3o podemos dizer que as tentativas foram poucas. 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