{"id":1936,"date":"2008-10-28T22:32:00","date_gmt":"2008-10-29T01:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2008\/10\/a-intrigante-e-controversa-historia-do-oxigenio-atmosferico\/"},"modified":"2008-10-28T22:32:00","modified_gmt":"2008-10-29T01:32:00","slug":"a-intrigante-e-controversa-historia-do-oxigenio-atmosferico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2008\/10\/a-intrigante-e-controversa-historia-do-oxigenio-atmosferico\/","title":{"rendered":"A intrigante e controversa hist\u00f3ria do oxig\u00eanio atmosf\u00e9rico"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Uma das mais intrigantes discuss\u00f5es cient\u00edficas dos \u00faltimos anos esteve focada em quando e como ocorreu a altera\u00e7\u00e3o de uma atmosfera praticamente an\u00f3xica para uma formada por 21% de oxig\u00eanio. Pensar em um tempo geol\u00f3gico em que este g\u00e1s praticamente n\u00e3o estava presente \u00e9  um exerc\u00edcio fascinante. Uma fra\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel da vida (excluindo parte das bact\u00e9rias, que podem tirar energia de praticamente tudo) precisa oxidar a mat\u00e9ria org\u00e2nica com o oxig\u00eanio para obter energia. Sendo assim, sem a presen\u00e7a de oxig\u00eanio na atmosfera, boa parte da vida pluricelular como conhecemos hoje seria invi\u00e1vel.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Bilh\u00f5es de anos depois desta fase an\u00f3xica do nosso planeta, o oxig\u00eanio se tornou o segundo g\u00e1s mais abundante da Terra, perdendo apenas para o nitrog\u00eanio. A hip\u00f3tese mais aceita para este fato hoje em dia \u00e9 que h\u00e1 mais de 2 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, apenas um grupo de bact\u00e9rias realizava o processo de oxida\u00e7\u00e3o fotobiol\u00f3gica da \u00e1gua (o mecanismo e a evolu\u00e7\u00e3o deste processos ainda s\u00e3o desconhecidos). Esta bact\u00e9ria teria sido incorporada por outra c\u00e9lula formando o organismo progenitor de todos os eucariotos fotossintetizantes atuais (desde algas at\u00e9 \u00e1rvores), segundo a <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teoria_da_Endossimbiose\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">teoria endossimbi\u00f3tica<\/a>. Estes organismos passaram a fixar carbono e liberar oxig\u00eanio em uma atmosfera bem diferente da atual, alterando de forma marcante a composi\u00e7\u00e3o desta camada. Um \u00f3timo <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/summary\/308\/5729\/1730\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo<\/a> da <span style=\"font-style: italic\">Science<\/span> que saiu na semana passada descreve isso com detalhes. Mas quando isto aconteceu? Foi de forma gradual? Se o &#8220;gatilho&#8221; da altera\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o de gases da atmosfera \u00e9 controverso, em que momento isto ocorreu tamb\u00e9m n\u00e3o fica atr\u00e1s.<\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SQey7bp_3pI\/AAAAAAAABKA\/5xuTHny4I6Y\/s1600-h\/historia-oxigenio.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor: pointer;width: 203px;height: 400px\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SQey7bp_3pI\/AAAAAAAABKA\/5xuTHny4I6Y\/s400\/historia-oxigenio.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center\"><span style=\"font-size: 78%\">Linha do tempo de eventos ligados a hist\u00f3ria do oxig\u00eanio na Terra. Fonte: <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/2008\/081022\/full\/news.2008.1184.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nature<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Cianobact\u00e9rias s\u00e3o os mais antigos organismos fotossintetizantes do nosso planeta, e ainda persistem at\u00e9 hoje. Como podemos ver na figura acima, existem duas evid\u00eancias conflitantes sobre em que ponto a fotoss\u00edntese (e as cianobact\u00e9rias) teriam evolu\u00eddo. An\u00e1lises de biomarcadores mostram evid\u00eancias de cianobact\u00e9rias e eucariotos (&#8220;f\u00f3sseis moleculares&#8221; na figura) datados de aproximadamente 2,7 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Um dado bem confi\u00e1vel mostra que houve um aumento significativo na concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio na atmosfera terrestre h\u00e1 2,4 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s. O que teria acontecido para haver este atraso de quase 300 milh\u00f5es de anos desde o aparecimento dos organismos fotossintetizantes at\u00e9 o chamado &#8220;grande evento oxidativo&#8221;? V\u00e1rias hip\u00f3teses foram formuladas na tentativa de explicar este &#8220;lag&#8221;, mas uma realmente mais simples estava por vir.<\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SQep5ANL7VI\/AAAAAAAABJc\/mAHmljcetms\/s1600-h\/oxigenio-nature.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor: pointer;width: 400px;height: 143px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_bbdlOygs1WQ\/SQep5ANL7VI\/AAAAAAAABJc\/mAHmljcetms\/s400\/oxigenio-nature.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/><span style=\"font-size: 78%\">&#8220;Reavaliando a primeira apari\u00e7\u00e3o de eucariotos e cianobact\u00e9rias&#8221;. Fonte: <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v455\/n7216\/abs\/nature07381.html\">nature<\/a><\/span><\/div>\n<p>Rasmussen e colaboradores <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v455\/n7216\/abs\/nature07381.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">relatam<\/a> no peri\u00f3dico <span style=\"font-style: italic\">Nature <\/span>da \u00faltima semana que n\u00e3o h\u00e1 nenhum enigma a ser descoberto. Eles defendem que, devido a um erro de coleta de dados, a an\u00e1lise realizada a quase 10 anos atr\u00e1s que datava em 2,7 milh\u00f5es de anos o aparecimento das cianobact\u00e9rias teve um erro &#8220;pequeno&#8221;, de quase 600 milh\u00f5es de anos. O mais interessante deste caso \u00e9 que Jochen Brocks, primeiro autor do trabalho refutado, \u00e9 um dos autores deste novo artigo. Ele afirma que sempre foi c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise original, criticando sua metodologia. O artigo mais recente utiliza um aprimoramento do m\u00e9todo usado por Brocks, sendo muito mais preciso.<\/p>\n<p>Para completar a discuss\u00e3o, os co-autores do artigo <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/abstract\/285\/5430\/1033\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original<\/a> de Brocks de 1999 criticaram o mais novo artigo da <span style=\"font-style: italic\">Nature<\/span>, dizendo que eles n\u00e3o levaram em considera\u00e7\u00e3o trabalhos mais recentes que refinaram os dados retirados do mesmo local de coleta. Outros cientistas ainda ressaltaram que alguns estudos com estromat\u00f3litos (estruturas formadas em corpos aqu\u00e1ticos rasos por bact\u00e9rias fotossintetizantes) de 2,7 bilh\u00f5es de anos de idade podem colocar ainda mais lenha na fogueira. Estes comprovariam que organismos fotossintetizantes poderiam ter aparecido milh\u00f5es de anos antes do grande evento oxidativo, levando toda a discuss\u00e3o novamente para o grande &#8220;lag&#8221;.<\/p>\n<p>Sendo assim, a verdadeira hist\u00f3ria do principal aceptor de el\u00e9trons do nosso planeta est\u00e1 longe de ser contada. Aguarde o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Science&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1126%2Fscience.285.5430.1033&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Archean+Molecular+Fossils+and+the+Early+Rise+of+Eukaryotes&amp;rft.issn=00368075&amp;rft.date=1999&amp;rft.volume=285&amp;rft.issue=5430&amp;rft.spage=1033&amp;rft.epage=1036&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.sciencemag.org%2Fcgi%2Fdoi%2F10.1126%2Fscience.285.5430.1033&amp;rft.au=Brocks%2C+J.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Microbiology+%2C+Biochemistry\">Brocks, J. (1999). Archean Molecular Fossils and the Early Rise of Eukaryotes <span style=\"font-style: italic\">Science, 285<\/span> (5430), 1033-1036 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1126\/science.285.5430.1033\">10.1126\/science.285.5430.1033<\/a><\/span><br \/><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2F4551051a&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Biogeochemistry%3A+Life+before+the+rise+of+oxygen&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2008&amp;rft.volume=455&amp;rft.issue=7216&amp;rft.spage=1051&amp;rft.epage=1052&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2F4551051a&amp;rft.au=Fischer%2C+W.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Microbiology+%2C+Biochemistry\">Fischer, W. (2008). Biogeochemistry: Life before the rise of oxygen <span style=\"font-style: italic\">Nature, 455<\/span> (7216), 1051-1052 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/4551051a\">10.1038\/4551051a<\/a><\/span><br \/><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnature07381&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Reassessing+the+first+appearance+of+eukaryotes+and+cyanobacteria&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft\n.date=2008&amp;rft.volume=455&amp;rft.issue=7216&amp;rft.spage=1101&amp;rft.epage=1104&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnature07381&amp;rft.au=Rasmussen%2C+B.&amp;rft.au=Fletcher%2C+I.&amp;rft.au=Brocks%2C+J.&amp;rft.au=Kilburn%2C+M.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Microbiology+%2C+Biochemistry\">Rasmussen, B., Fletcher, I., Brocks, J., &amp; Kilburn, M. (2008). Reassessing the first appearance of eukaryotes and cyanobacteria <span style=\"font-style: italic\">Nature, 455<\/span> (7216), 1101-1104 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature07381\">10.1038\/nature07381<\/a><br \/><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Science&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1126%2Fscience.1162641&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=GEOLOGY%3A+The+Story+of+O2&amp;rft.issn=0036-8075&amp;rft.date=2008&amp;rft.volume=322&amp;rft.issue=5901&amp;rft.spage=540&amp;rft.epage=542&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.sciencemag.org%2Fcgi%2Fdoi%2F10.1126%2Fscience.1162641&amp;rft.au=Falkowski%2C+P.&amp;rft.au=Isozaki%2C+Y.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Biochemistry%2C+Microbiology\">Falkowski, P., &amp; Isozaki, Y. (2008). GEOLOGY: The Story of O2 <span style=\"font-style: italic\">Science, 322<\/span> (5901), 540-542 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1126\/science.1162641\">10.1126\/science.1162641<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnature06587&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+rise+of+atmospheric+oxygen&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2008&amp;rft.volume=451&amp;rft.issue=7176&amp;rft.spage=277&amp;rft.epage=278&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnature06587&amp;rft.au=Kump%2C+L.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Microbiology+%2C+Biochemistry\">Kump, L. (2008). The rise of atmospheric oxygen <span style=\"font-style: italic\">Nature, 451<\/span> (7176), 277-278 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature06587\">10.1038\/nature06587<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das mais intrigantes discuss\u00f5es cient\u00edficas dos \u00faltimos anos esteve focada em quando e como ocorreu a altera\u00e7\u00e3o de uma atmosfera praticamente an\u00f3xica para uma formada por 21% de oxig\u00eanio. Pensar em um tempo geol\u00f3gico em que este g\u00e1s praticamente n\u00e3o estava presente \u00e9 um exerc\u00edcio fascinante. 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