{"id":243,"date":"2009-05-12T20:19:42","date_gmt":"2009-05-12T23:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/05\/macrofitas_aquaticas_nao_causa\/"},"modified":"2009-05-12T20:19:42","modified_gmt":"2009-05-12T23:19:42","slug":"macrofitas_aquaticas_nao_causa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2009\/05\/macrofitas_aquaticas_nao_causa\/","title":{"rendered":"Macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas N\u00c3O causam diarr\u00e9ia, hepatite e doen\u00e7as de pele"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Parece mentira, mas n\u00e3o \u00e9. A segunda edi\u00e7\u00e3o do jornal local do Rio de Janeiro de hoje (12\/05), transmitido pela Rede Globo, passou para o p\u00fablico, com todas as letras, que as pessoas em contato com as gigogas correm o risco de ter diarreia, hepatite e doen\u00e7as de pele. Isso mesmo. As plantas aqu\u00e1ticas, e n\u00e3o o esgoto <i>in natura<\/i> jogado diariamente nesta lagoa, causam doen\u00e7as. Solu\u00e7\u00e3o? Retirar toneladas de gigogas das lagoas todos os dias. Desta forma, seguindo o mesmo racioc\u00ednio, posso pegar minha sunga e ir tomar um banho na lagoa ap\u00f3s a retirada das macr\u00f3fitas, sem me preocupar com as doen\u00e7as. N\u00e3o seria mais f\u00e1cil parar de jogar esgoto na lagoa?<\/p>\n<p><\/p>\n<p align=\"justify\">Para o melhor entendimento da fun\u00e7\u00e3o das macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas neste ambiente hipereutrofizado, gostaria de acrescentar a este post parte de um cap\u00edtulo relacionado as lagoas da cidade do Rio de Janeiro que escrevi no livro &#8220;Rio pr\u00f3ximos 100 anos: O Aquecimento Global e a cidade&#8221;, publicado em 2008.<\/p>\n<p align=\"justify\"><\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;A gigoga \u00e9 uma esp\u00e9cie de macr\u00f3fita aqu\u00e1tica das mais abundantes nas lagoas [da cidade do Rio de Janeiro]. Nos \u00faltimos anos foram registrados v\u00e1rios eventos de super popula\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie intimamente ligada a alta concentra\u00e7\u00e3o dos nutrientes nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, presentes em alta concentra\u00e7\u00e3o nestes ecossistemas devido ao lan\u00e7amento de esgoto <i>in natura<\/i>. Macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas tropicais apresentam uma alta capacidade de absor\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo da \u00e1gua (Brahma D et al. , 1991), sendo as macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas flutuantes, como a gigoga, as que apresentam as maiores taxas de absor\u00e7\u00e3o, devido ao fato de absorverem estes nutrientes diretamente da coluna d&#8217;\u00e1gua atrav\u00e9s de suas ra\u00edzes. Um hectare de gigogas pode absorver o equivalente a m\u00e9dia di\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o de esgoto de 800 pessoas (Rogers e Davis, 1972). <\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, as gigogas atuam como um &#8220;filtro natural&#8221; de esgoto em ecossistemas aqu\u00e1ticos, sendo at\u00e9 recomendadas para o controle do processo de eutrofiza\u00e7\u00e3o em uma lagoa no norte do Estado do Rio de Janeiro devido a sua alta capacidade de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes (Petrucio e Esteves, 2000). As gigogas apresentam uma toler\u00e2ncia de apenas 2,5 \u2030 a concentra\u00e7\u00e3o de sal na \u00e1gua (Haller et al., 1974) enquanto a salinidade da \u00e1gua do mar \u00e9 cerca de 35 \u2030. Ou seja,&nbsp; um pequeno aumento na salinidade pode resultar em uma grande diminui\u00e7\u00e3o da biomassa deste vegetal. A aus\u00eancia deste &#8220;filtro natural&#8221; de esgoto associada grande aporte extra de nutrientes causado pela morte das gigogas poder\u00e1 causar um aumento repentino na concentra\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, o que pode ter um resultado dr\u00e1stico para estes ecossistemas. Eventos de afloramentos de algas t\u00f3xicas podem se tornar ainda mais freq\u00fcentes nos pr\u00f3ximos anos, devido a este grande aporte de nutrientes.&#8221;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><\/p>\n<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/hsivonen\/206376693\/\" title=\"Eichhornia crassipes por hsivonen, no Flickr\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm1.static.flickr.com\/80\/206376693_ae3b246576.jpg\" alt=\"Eichhornia crassipes\" height=\"375\" width=\"500\" \/><\/a><\/div>\n<p align=\"center\">Gigoga, jacinto aqu\u00e1tico ou aguap\u00e9 (<i>Eichhornia crassipes)<\/i>. Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/hsivonen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hsivonen<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><\/p>\n<p align=\"justify\">Existem trabalhos s\u00e9rios de manejo de macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas. Elas podem retirar ativamente nutrientes do ambiente aqu\u00e1tico e serem removidas antes de morrerem. A biomassa rica em nutrientes pode ser utilizada como adubo em \u00e1reas de entorno possivelmente desmatadas. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios projetos de ETE verdes (esta\u00e7\u00f5es de tratamento verde) utilizam as macr\u00f3fitas para depura\u00e7\u00e3o de \u00e1guas polu\u00eddas, servindo perfeitamente para menores demandas. Este j\u00e1 \u00e9 o terceiro v\u00eddeo que eu comento no blog sobre furadas de jornalistas. Tenho a impress\u00e3o de que poderia fazer isso o dia inteiro e n\u00e3o faltaria pauta para novos posts.<\/p>\n<p align=\"justify\"> Aprenda com os jornalistas <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/01\/como-nao-ensinar-selecao-natural-para-seus-alunos.php\">como N\u00c3O ensinar Sele\u00e7\u00e3o natural para os seus alunos<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/02\/como-nao-fazer-divulgacao-cientifica-em-rede-nacional.php\">como N\u00c3O fazer divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em rede nacional<\/a>. <\/p>\n<p align=\"justify\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece mentira, mas n\u00e3o \u00e9. A segunda edi\u00e7\u00e3o do jornal local do Rio de Janeiro de hoje (12\/05), transmitido pela Rede Globo, passou para o p\u00fablico, com todas as letras, que as pessoas em contato com as gigogas correm o risco de ter diarreia, hepatite e doen\u00e7as de pele. Isso mesmo. 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