{"id":251,"date":"2009-06-03T07:05:09","date_gmt":"2009-06-03T10:05:09","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/06\/danca_abelhas\/"},"modified":"2009-06-03T07:05:09","modified_gmt":"2009-06-03T10:05:09","slug":"danca_abelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2009\/06\/danca_abelhas\/","title":{"rendered":"A linguagem da dan\u00e7a em abelhas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div align=\"justify\">Muito se fala da linguagem humana como algo extraordin\u00e1rio e sem igual na natureza. Conseguimos passar informa\u00e7\u00f5es para outros seres humanos atrav\u00e9s de v\u00e1rias maneiras, como a escrita, fala, gestos, express\u00f5es. Fazemos at\u00e9 testes em outros primatas para ver como a nossa impressionante forma de passar informa\u00e7\u00e3o pode ter evolu\u00eddo ao longo do tempo. N\u00e3o s\u00f3 com primatas. Outros mam\u00edferos como os golfinhos e as baleias s\u00e3o considerados ex\u00edmios comunicadores. Mas ser\u00e1 que a passagem de informa\u00e7\u00e3o se desenvolveu apenas nos grandes mam\u00edferos? <\/p>\n<p>Quem realmente domina o mundo animal em quantidade de esp\u00e9cies s\u00e3o os insetos. Estimativas da riqueza de insetos em todo o mundo variam de 10 a 30 milh\u00f5es de esp\u00e9cies. Dentro de toda esta diversidade, a complexidade dos insetos sociais \u00e9 algo realmente intrigante. N\u00e3o s\u00f3 pela divis\u00e3o do trabalho, mas tamb\u00e9m pela forma como os organismos de comunicam. As abelhas (<i>Apis mellifera<\/i>) apresentam uma forma muito original e complexa de se comunicarem, que vai muito al\u00e9m do contato das antenas e a passagem de compostos qu\u00edmicos. <\/div>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"apis-mellifera-abelhas-close.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/apis-mellifera-abelhas-close.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"375\" width=\"500\" \/><\/span><\/p>\n<div align=\"center\"><i>Apis mellifera<\/i>. Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/cargasacchi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teone<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\">As abelhas se comunicam atrav\u00e9s de uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a. Imagine que uma abelha saiu para forragear (em busca de alimento) por perto de sua colm\u00e9ia e acha uma flor com bastante n\u00e9ctar. Esta flor n\u00e3o est\u00e1 localizada exatamente em frente da sua colm\u00e9ia e muito menos em uma linha reta. Como ela passar\u00e1 esta informa\u00e7\u00e3o preciosa para as outras abelhas forrageadoras? Uma boa ideia seria levar todas as outras abelhas na dire\u00e7\u00e3o da flor (o que deve ter acontecido muito h\u00e1 alguns milhares de anos atr\u00e1s), mas isso aumentaria o custo energ\u00e9tico para completar a tarefa. Uma solu\u00e7\u00e3o evolutiva foi mostrar para as outras abelhas, atrav\u00e9s da chamada &#8220;linguagem da dan\u00e7a&#8221;, onde a flor estaria. Mas ser\u00e1 que a complexidade da informa\u00e7\u00e3o como a localiza\u00e7\u00e3o de uma flor dentro de uma floresta, cheia de obst\u00e1culos, poderia ser passada atrav\u00e9s de uma dan\u00e7a?<\/div>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"danca-abelhas-comunicacao.png\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/danca-abelhas-comunicacao.png\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"392\" width=\"392\" \/><\/span><\/p>\n<div align=\"center\">Aprenda o passo-a-passo da dan\u00e7a das abelhas. Fonte: Gr\u00fcnter &amp; Farina, 2009<\/div>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<div align=\"justify\">H\u00e1 60 anos atr\u00e1s, Karl Von Frisch realizou v\u00e1rios experimentos com abelhas e fontes artificiais de comida e descobriu que elas podem comunicar a localiza\u00e7\u00e3o de fontes de comina distantes atrav\u00e9s de comportamento estereotipado. Como outras esp\u00e9cies de insetos, as abelhas utilizam principalmente o sol para se localizar e este \u00e9 o ponto de partida para a passagem da localiza\u00e7\u00e3o da nova descoberta nesta comunidade. Dependendo do eixo da dan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao favo da colm\u00e9ia, a abelha forrageadora indica a posi\u00e7\u00e3o da fonte de alumento em rela\u00e7\u00e3o ao sol. Quando o curso da dan\u00e7a aponta para cima do favo, significa que a flor encontrada est\u00e1 na mesma dire\u00e7\u00e3o do sol e quando o curso aponta para baixo, significa que a flor se localiza na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do sol. Al\u00e9m deste c\u00f3digo bin\u00e1rio, as dire\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias tamb\u00e9m s\u00e3o compreendidas, como 50 graus \u00e0 esquerda ou \u00e0 direta. Mas \u00e9 claro que um fator importante para a localiza\u00e7\u00e3o da nova descoberta \u00e9 a dist\u00e2ncia. Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 passada principalmente pela taxa de balan\u00e7o e pela emiss\u00e3o de ru\u00eddo. Quanto mais perto est\u00e1 a comida, mais r\u00e1pida \u00e9 a dan\u00e7a. Acha este comportamento complexo demais para acreditar? Ent\u00e3o acredite, pois as abelhas do hemisf\u00e9rio sul tem exatamente o mesma maneira de passar informa\u00e7\u00e3o. Mas ao contr\u00e1rio, exatamente como o esperado devido a posi\u00e7\u00e3o relativa do sol neste hemisf\u00e9rio.<\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/abelhas-colmeia.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"139\" width=\"500\" \/><\/span><\/p>\n<div align=\"center\">&#8220;Galera, uma dan\u00e7a de cada vez sen\u00e3o ningu\u00e9m se entende!&#8221;. Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/wildphotons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">wildphotons<\/a><\/div>\n<p>A dan\u00e7a das abelhas como forma de transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 realmente interessante, mas estudos recentes e alguns experimentos feitos na \u00e9poca da descoberta da dan\u00e7a indicam que a import\u00e2ncia deste comportamento para o sucesso de forrageamento total das abelhas pode ter sido superestimada. Sabemos que a informa\u00e7\u00e3o passada pela dan\u00e7a pode ser perfeitamente entendida por outras abelhas, mas muitas vezes as abelhas que assistem a esta performance acabam ignorando a informa\u00e7\u00e3o passada. Parece que a efici\u00eancia das abelhas dan\u00e7arinas pode ser bem baixa em alguns casos. <\/p>\n<p>Trabalhos experimentais e te\u00f3ricos mostram que as abelhas precisam de apenas 5 ou 6 sequ\u00eancias de dan\u00e7a para entender a informa\u00e7\u00e3o passada, mostrando que a linguagem \u00e9 bem compreendida pelas companheiras. Mas nem sempre. Um estudo experimental mostrou que de um total de 8722 sequ\u00eancias de dan\u00e7as feitas por uma abelha forrageadora, apenas 153 abelhas foram recrutadas. Desta forma, as abelhas podem estar compreendendo mal a dan\u00e7a ou a dan\u00e7a pode estar sendo mal feita. Outros fatores como odor e a pr\u00f3pria mem\u00f3ria das abelhas constru\u00eddas em forrageamentos passados podem superar a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o pela dan\u00e7a. Problemas metodol\u00f3gicos aparte, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente passada atrav\u00e9s da dan\u00e7a pelas abelhas forrageadoras, sendo compreendida pelas outras abelhas. Claro que devido a complexidade desta intera\u00e7\u00e3o, a real import\u00e2ncia para o sucesso de forrageamento da colm\u00e9ia como um todo e a efici\u00eancia de passagem desta informa\u00e7\u00e3o foram e ainda devem ser muito estudadas. <\/p>\n<div>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Trends+in+Ecology+%26+Evolution&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2Fj.tree.2008.12.007&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+honeybee+waggle+dance%3A+can+we+follow+the+steps%3F&amp;rft.issn=01695347&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=24&amp;rft.issue=5&amp;rft.spage=242&amp;rft.epage=247&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0169534709000779&amp;rft.au=Gr%C3%BCter%2C+C.&amp;rft.au=Farina%2C+W.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology\">Gr\u00fcter, C., &amp; Farina, W. (2009). The honeybee waggle dance: can we follow the steps? <span style=\"font-style: italic\">Trends in Ecology &amp; Evolution, 24<\/span> (5), 242-247 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.tree.2008.12.007\">10.1016\/j.tree.2008.12.007<\/a><\/span><br \/>Richard Dawkins (1996). O Rio que sa\u00eda do \u00c9den. Uma vis\u00e3o darwiniada da vida. Editora Rocco. Rio de Janeiro.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se fala da linguagem humana como algo extraordin\u00e1rio e sem igual na natureza. Conseguimos passar informa\u00e7\u00f5es para outros seres humanos atrav\u00e9s de v\u00e1rias maneiras, como a escrita, fala, gestos, express\u00f5es. Fazemos at\u00e9 testes em outros primatas para ver como a nossa impressionante forma de passar informa\u00e7\u00e3o pode ter evolu\u00eddo ao longo do tempo. N\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":483,"featured_media":252,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[27,51,78,79,81],"tags":[],"class_list":["post-251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comportamento","category-insetos","category-posts-inspirados","category-publicacao","category-richard-dawkins"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/rb2_large_gray7.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/483"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}