{"id":271,"date":"2009-06-18T23:56:09","date_gmt":"2009-06-19T02:56:09","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/06\/desmatamento_nao_leva_ao_desen\/"},"modified":"2009-06-18T23:56:09","modified_gmt":"2009-06-19T02:56:09","slug":"desmatamento_nao_leva_ao_desen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2009\/06\/desmatamento_nao_leva_ao_desen\/","title":{"rendered":"Desmatamento n\u00e3o leva ao desenvolvimento!"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"padding: 5px;float: left\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border-width: 0px\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Science, foi publicado um artigo de extrema import\u00e2ncia para a Amaz\u00f4nia brasileira. Pesquisadores brasileiro (IMAZON) em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores estrangeiros avaliaram o impacto da avan\u00e7o do desmatamento no desenvolvimento econ\u00f4mico e social nos munic\u00edpios amaz\u00f4nicos afetados. Mas antes de tudo, o artigo mostra dados impressionantes. Nosso pa\u00eds abriga 40% da do que sobrou de floresta tropical no mundo, por\u00e9m do ano de1998 a 2008, n\u00f3s desmatamos a uma taxa de 1,8 milh\u00f5es de hectares por ano (quase que um ter\u00e7o de todo o desmatamento global de florestas tropicais), liberando por volta de 250 milh\u00f5es de toneladas de carbono. Nosso pa\u00eds desmata seguindo basicamente duas receitas: ou retiramos as madeiras nobres, depois queimamos e, em seguida, fazemos pasto, ou retiramos as madeiras nobres e desenvolvemos planta\u00e7\u00f5es. No nosso caso em particular, estamos fazendo essas convers\u00f5es de habitat em quest\u00e3o de d\u00e9cadas, sendo que em outros pa\u00edses, esse mesmo ciclo durou s\u00e9culos ou mesmo mil\u00eanios. <\/p>\n<p align=\"left\">Todo esse avan\u00e7o no desmatamento tem como bandeira principal o melhoramento do n\u00edvel de vida dos habitantes dessas grande floresta. Isto \u00e9, degrada\u00e7\u00e3o ambiental em nome da melhoria na qualidade de vida. Nesse contexto, os pesquisadores dividiram 286 munic\u00edpios amaz\u00f4nicos em 7 classes relativas ao tempo do avan\u00e7o da fronteira de desmatamento (levando em considera\u00e7\u00e3o a extens\u00e3o e atividade do desmatamento) indo da classifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9-fronteira (floresta intacta e sem sinal de desmatamento se aproximando), elevando gradualmente a taxa de de desmatamento, at\u00e9 \u00e1reas de p\u00f3s-fronteiras (onde o desmatamento severo j\u00e1 ocorreu a algum tempo e outras atividades s\u00e3o os carros chefes). Junto a isso, foi medido o \u00edndice de desenvolvimento humano (IDH) de cada munic\u00edpio, indicando o grau de desenvolvimento do munic\u00edpio. O IDH \u00e9 o valor m\u00e9dio de outros tr\u00eas sub\u00edndices: expectativa de vida, alfabetiza\u00e7\u00e3o e padr\u00e3o de vida (baseado na renda per capita).<\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp; <\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Grafico.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/Grafico.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"348\" width=\"540\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><font size=\"2\">Observem o IDH e a taxas das par\u00e2metros levados em considera\u00e7\u00e3o na medida do IDH. Da classe A (mais preservada) G (devastada a tempos)<\/font><\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p>Como voc\u00eas podem observar, existe um padr\u00e3o no valor do IDH e de seus componentes. Logo, ap\u00f3s os est\u00e1gios iniciais de desmatamento observa-se um r\u00e1pido aumento no grau de desenvolvimento, isto \u00e9, em um primeiro momento ocorre realmente uma melhoria nos \u00edndices dos munic\u00edpios. Por\u00e9m, ap\u00f3s algum tempo de desmatamento e superexplora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, ocorre a queda nesse \u00edndice, n\u00e3o havendo diferen\u00e7a estat\u00edstica deles entre a classe A e G (como se fosse um antes e depois da explora\u00e7\u00e3o). O que isso nos diz? Que em um curto espa\u00e7o de tempo pode haver desenvolvimento, mas ap\u00f3s algum tempo e esgotamento dos recursos naturais (virou pasto ou planta\u00e7\u00f5es). Os autores observam que houve um aumento do IDH do Brasil como um todo nesse per\u00edodo, por\u00e9m os resultados apontam \u00e9 que houve um aumento mais r\u00e1pido da expectativa de vida, alfabetiza\u00e7\u00e3o e padr\u00e3o de vida nos est\u00e1gios iniciais de avan\u00e7o da fronteira de desmatamento. J\u00e1 nos munic\u00edpios localizados antes e depois da fronteira houve diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a que se deve isso? Especulou-se que esse aumento na taxa de desenvolvimento era devido a imigra\u00e7\u00e3o de pessoas para mun\u00edcipios nas classes intermedi\u00e1rias de desmatamento. Pessoas com melhor educa\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es financeiras chegariam a tal localidades. Por\u00e9m, essa fato n\u00e3o explica o r\u00e1pido crescimento nos est\u00e1gios iniciais, visto que nessa fase, o maior montante de imigrantes s\u00e3o de pessoas pobres em busca de uma vida mais digna. A explica\u00e7\u00e3o mais condizente consiste no desenvolvimento do munic\u00edpio mesmo: constru\u00e7\u00e3o de estradas, lucro com \u00f4 com\u00e9rcio de bens naturais em abund\u00e2ncia, acesso melhor a aparto m\u00e9dicos, e outros. Mas esse desenvolvimento \u00e9 transit\u00f3rio, esse decl\u00ednio reflete a exaust\u00e3o dos recursos naturais que deram suporte ao boom inicial. A explora\u00e7\u00e3o da madeira n\u00e3o \u00e9 mais rent\u00e1vel e ocorre a degrada\u00e7\u00e3o do solo por causa das grandes \u00e1reas de pasto.<\/p>\n<p>Isso nos mostra o qu\u00e3o errada \u00e9 a mentalidade atual da explora\u00e7\u00e3o desordenada. Al\u00e9m disso, o discurso &#8220;Estamos levando desenvolvimento para a Amaz\u00f4nia&#8221; \u00e9 mentira. Como em tudo no Brasil, os mais ricos s\u00e3o os que se beneficiam do r\u00e1pido desenvolvimento e acumulam essa riqueza. Ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o, sobram os restos para os mais pobres. Desmatar n\u00e3o levou a um aumento na qualidade de vida dos habitantes da floresta. Com isso, em um primeiro momento devemos parar com esse modelo, traduzindo, para o desmatamento e a expans\u00e3o agropecu\u00e1ria. Depois, reflorestamento de \u00e1reas degradas e, em seguida, est\u00edmulo a explora\u00e7\u00e3o &#8220;sustent\u00e1vel&#8221; (se \u00e9 que isso existe!). Os autores prop\u00f5em tamb\u00e9m o incentivo a explora\u00e7\u00e3o do mercado de sequestro de carbono, visto que possu\u00edmos imensos estoques de carbono e capacidade comprovada de monitoramento de mudan\u00e7as na floresta. Quando o governo brasileiro entender que a floresta vale muito mais em p\u00e9 do que tombada, a\u00ed sim, veremos o que \u00e9 desenvolvimento.&nbsp; <\/p>\n<p align=\"left\">Dica do Carlos Hotta do <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/brontossauros\">Brontossauros<\/a><\/p>\n<p align=\"left\"><\/p>\n<p align=\"left\">Refer\u00eancia:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Science&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1126%2Fscience.1174002&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Boom-and-Bust+Development+Patterns+Across+the+Amazon+Deforestation+Frontier&amp;rft.issn=0036-8075&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=324&amp;rft.issue=5933&amp;rft.spage=1435&amp;rft.epage=1437&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.sciencemag.org%2Fcgi%2Fdoi%2F10.1126%2Fscience.1174002&amp;rft.au=Rodrigues%2C+A.&amp;rft.au=Ewers%2C+R.&amp;rft.au=Parry%2C+L.&amp;rft.au=Souza%2C+C.&amp;rft.au=Verissimo%2C+A.&amp;rft.au=Balmford%2C+A.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CGeosciences%2CEcology%2C+Planetary+Science%2C+Sustainability\">Rodrigues, A., Ewers, R., Parry, L., Souza, C., Verissimo, A., &amp; Balmford, A. (2009). Boom-and-Bust Development Patterns Across the Amazon Deforestation Frontier <span style=\"font-style: italic\">Science, 324<\/span> (5933), 1435-1437 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1126\/science.1174002\" rev=\"review\">10.1126\/science.1174002<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Science, foi publicado um artigo de extrema import\u00e2ncia para a Amaz\u00f4nia brasileira. Pesquisadores brasileiro (IMAZON) em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores estrangeiros avaliaram o impacto da avan\u00e7o do desmatamento no desenvolvimento econ\u00f4mico e social nos munic\u00edpios amaz\u00f4nicos afetados. Mas antes de tudo, o artigo mostra dados impressionantes. 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