{"id":365,"date":"2010-02-24T11:02:14","date_gmt":"2010-02-24T14:02:14","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/02\/nomes_cientificos_pode_dar_em\/"},"modified":"2010-02-24T11:02:14","modified_gmt":"2010-02-24T14:02:14","slug":"nomes_cientificos_pode_dar_em","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/02\/nomes_cientificos_pode_dar_em\/","title":{"rendered":"A Ci\u00eancia \u00e9 assassina da poesia?"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\">\n<div align=\"left\">No livro Desvendando o Arco-\u00cdris, Richard Dawkins escreve, dentre outras coisas, o quanto a ci\u00eancia pode ser po\u00e9tica. Isso se deve ao fato que alguns poetas n\u00e3o enxergarem beleza na ci\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, a ci\u00eancia desvendava segredos que pairavam dentro das mentes dos poetas, sendo fontes de inspira\u00e7\u00f5es para seus textos. <\/div>\n<div align=\"right\">\n<div align=\"left\">O t\u00edtulo vem da\u00ed, a ci\u00eancia foi capaz de revelar o singular e m\u00edstico arco-\u00edris. O pote de ouro n\u00e3o se encontrava mais distante e inalcan\u00e7\u00e1vel, mas agora \u00e9 s\u00f3 luz sendo decomposta quando passando por got\u00edculas de \u00e1gua presentes na atmosfera com alta umidade.<\/p>\n<div align=\"center\"><i>Para a maioria dos homens; um prazer ignorante \u00e9 melhor do que<br \/>um bem informado; \u00e9 melhor conceber o c\u00e9u como um domo azul<br \/>do que como uma cavidade escura, e a nuvem como um trono dou-<br \/>rado do que como uma n\u00e9voa de granizo. Eu questiono se algu\u00e9m <br \/>que conhece \u00f3ptica, por mais religioso que seja, pode sentir com <br \/>igual intensidade o prazer ou a rever\u00eancia que um campon\u00eas ile-<br \/>trado sente diante de um arco-\u00edris.<\/i><\/p>\n<div align=\"right\">Ruskin (<i>Modern Painters III, 1856<\/i>) &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<div align=\"center\"><i>O conhecimento matou o Sol, transformando-o numa bola de g\u00e1s<br \/><\/i><\/div>\n<div align=\"center\">\n<div align=\"center\"><i>com manchas [&#8230;]. O mundo da raz\u00e3o e da ci\u00eancia [&#8230;], esse \u00e9 o<br \/>mundo seco e est\u00e9ril que a mente abstratan habita.<\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"right\">D. H. Lawrence (<i>Unrhyming Poems, 1928<\/i>)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<div align=\"center\"><\/p>\n<div align=\"left\">Isto acontece devido a capacidade de desacelera\u00e7\u00e3o que a \u00e1gua exerce sobre a luz, como quando esta passa por qualquer meio transparente. Cada comprimento de onda da luz vis\u00edvel sofrer\u00e1 um desacelera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, sendo assim, a luz branca \u00e9 decomposta em todos os comprimentos de onda que a comp\u00f5e, gerando as cores do arco-\u00edris.<\/p>\n<p>Ouvindo a r\u00e1dio Band News, no quadro do ator Juca de Oliveira, escuto ele recitar este poema:<\/p>\n<div align=\"center\"><i>Budismo Moderno<\/i><\/p>\n<p><i>Tome, Dr., esta tesoura, e &#8230; corte<\/i><br \/><i><br \/>\nMinha singular\u00edssima pessoa.<\/i><br \/><i><br \/>\nQue importa a mim que a bicharia roa<\/i><br \/><i><br \/>\nTodo meu cora\u00e7\u00e3o, depois da morte?!<\/i><br \/><i><br \/>\nAh! Um urubu pousou na minha sorte!<\/i><br \/><i><br \/>\nTamb\u00e9m, das diatom\u00e1ceas da lagoa<\/i><br \/><i><br \/>\nA cript\u00f3gama c\u00e1psula se esbroa<\/i><br \/><i><br \/>\nAo contato de bronca destra forte!<\/i><br \/><i><br \/>\nDissolva-se, portanto, minha vida<\/i><br \/><i><br \/>\nIgualmente a uma c\u00e9lula ca\u00edda<\/i><br \/><i><br \/>\nNa aberra\u00e7\u00e3o de um \u00f3vulo infecundo;<\/i><br \/><i><br \/>\nMas o agregado abstrato das saudades<\/i><br \/><i><br \/>\nFique batendo nas perp\u00e9tua grades<\/i><br \/><i><br \/>\nDo \u00faltimo verso que eu fizer no mundo!<\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"right\">Augusto dos Anjos&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/div>\n<p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"left\">Por\u00e9m quando vou procurar mais informa\u00e7\u00f5es sobre Augusto do Anjos me deparo com este trecho na <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Augusto_dos_Anjos\">wikipedia<\/a>:<\/p>\n<p>&#8220;<i>Mas a Ci\u00eancia, que marca fortemente sua poesia, seja como valorizada ou<br \/>\natrav\u00e9s de termos e conceitos cient\u00edficos, tamb\u00e9m lhe traz sofrimento,<br \/>\ncomo nota Kopke. \u00c9 marcante tamb\u00e9m a repeti\u00e7\u00e3o de temas nessa poesia, e<br \/>\num sentimento de solidariedade universal, ligado \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o da<br \/>\nnatureza e at\u00e9 do pr\u00f3prio humano, o que reduziria todos os seres a uma<br \/>\ns\u00f3 condi\u00e7\u00e3o.<\/i>&#8220;<\/p>\n<p>Da\u00ed meu estranhamento, ser\u00e1 que Jonh Lenon tinha raz\u00e3o: <\/p>\n<div align=\"center\"><i>&#8220;A ignor\u00e2ncia \u00e9 uma esp\u00e9cie de ben\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea n\u00e3o sabe, n\u00e3o existe dor&#8221; <\/i><\/p>\n<div align=\"left\">N\u00e3o, n\u00e3o para isso! Nessa hora me lembro da alegoria da caverna de Plat\u00e3o. Estamos acostumados com as sombras, elas fazem muito sentido. Mas por tr\u00e1s delas existe beleza e luz. Eu, como pesquisador que fui (mas querendo voltar a ser um dia), acredito que a ci\u00eancia pode tirar as pessoas desse vale das sombras da ignr\u00e2ncia. Como n\u00e3o achar belo a base bioqu\u00edmica do funcionamento de uma <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/ATP_sintase\">ATP sintase<\/a>. Observem esse v\u00eddeo (\u00e9 em Ingl\u00eas, mas d\u00e1 para entender), s\u00f3 de observar a anima\u00e7\u00e3o fico de boca aberta. Isso acontece dentro de todas as c\u00e9lulas do seu corpo, o dia inteiro e por todo a sua vida (quando p\u00e1ra voc\u00ea morre!rs). <\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"center\">\n<div align=\"left\">N\u00e3o existe beleza nisso? Claro que existe, mas como qualquer coisa, precisamos entender para admirar. O estranho n\u00e3o \u00e9 belo, \u00e9 apenas curioso. Quanto mais pudermos nos familiarizar com o que a ci\u00eancia revela, e pudermos entender onde isso atua e como afeta nossas vidas, a beleza surgir\u00e1. \u00c9 um dever pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m dever de quem produz o conhecimento mostrar isso para a sociedade que financia estas pesquisas. N\u00f3s blogueiros somos um facilitador desse processo, uma ponte sobre o fosso entre o castelo da academia e a popula\u00e7\u00e3o. Uma sociedade mais esclarecida entende melhor seus direitos e, assim, pode protestar por eles.&nbsp; <\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro Desvendando o Arco-\u00cdris, Richard Dawkins escreve, dentre outras coisas, o quanto a ci\u00eancia pode ser po\u00e9tica. Isso se deve ao fato que alguns poetas n\u00e3o enxergarem beleza na ci\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, a ci\u00eancia desvendava segredos que pairavam dentro das mentes dos poetas, sendo fontes de inspira\u00e7\u00f5es para seus textos. 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