{"id":384,"date":"2010-04-13T11:00:00","date_gmt":"2010-04-13T14:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/04\/em_que_momento_matamos_os_pequ\/"},"modified":"2010-04-13T11:00:00","modified_gmt":"2010-04-13T14:00:00","slug":"em_que_momento_matamos_os_pequ","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/04\/em_que_momento_matamos_os_pequ\/","title":{"rendered":"Em que momento matamos os pequenos cientistas?"},"content":{"rendered":"<p>Trabalho em uma empresa que produz material did\u00e1tico de ci\u00eancias para alunos do ensino fundamental. Esse material consiste de livros para cada s\u00e9rie e um conjunto de componentes que ser\u00e3o utilizados na parte pr\u00e1tica. Mas o importante \u00e9 que este projeto est\u00e1 sendo implementado em escolas municipais e, com isso, tenho acompanhado algumas unidades escolares para ajudar nesse processo.<\/p>\n<p>Em algumas visitas, observamos aulas ministradas pelos professores. Assim, podemos dar um retorno sobre poss\u00edveis interven\u00e7\u00f5es que ajudam no andamento do conte\u00fado a ser dado. E foi em uma destas visitas que tive uma linda surpresa. A aula era dada para o 3\u00b0 ano (antiga 2\u00b0 s\u00e9rie do prim\u00e1rio) e tinha como tema tipos de solo. Na abertura da aula, os alunos fazem uma lista do que eles acreditam que podem encontrar quando analisarem uma amostra de solo e, em seguida, eles analisam (com o aux\u00edlio de uma lupa) uma amostra de terra de jardim. Eles viajam no que podem (ou desejam: escorpi\u00e3o, cobras&#8230;) encontrar no solo e, depois, s\u00e3o confrontados com o que realmente encontram.<\/p>\n<p>No decorrer do pr\u00e1tica, a professora perguntou: o que um cientista faz? Isto porque ela queria ver se os alunos conseguiriam refletir sobre as atividades que eles pr\u00f3prios realizaram. Eles pensaram sobre um assunto, fizeram hip\u00f3teses do que e do por qu\u00ea poderiam encontrar no solo, analisam uma amostra e, finalizando, confrontavam com o que eles encontraram. Neste momento, uma aluna, no alto dos seus 10 anos de idade, responde a professora: <\/p>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><i> &#8220;<\/i><i>Poxa professora, o cientista observa uma coisa, pensa sobre ela, depois<br \/>ele faz uma experi\u00eancia. A\u00ed ele confirma ou n\u00e3o o que tinha imaginado!&#8221;<\/i><\/p>\n<div align=\"left\">Isso mesmo! 10 ANOS DE IDADE! De uma escola MUNICIPAL do Rio de Janeiro. Ela consegue descrever, simplificadamente, as etapas do pensamento cient\u00edfico. Coisa que alguns estudantes universit\u00e1rios, mestrando, doutorandos e professores universit\u00e1rios j\u00e1 esqueceram ou n\u00e3o s\u00e3o capazes de refletir sobre isso. Mas em que momento isso se perde? Qual caminho, entre essa garotinha de 10 anos e um pesquisador, \u00e9 trilhado para que se perca essa reflex\u00e3o?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que \u00e9 um ensino fundamental que mata a criatividade de qualquer crian\u00e7a, tentando encaix\u00e1-las em moldes do que o mundo &#8220;corporativo&#8221; precisa? Ou ser\u00e1 que um ensino m\u00e9dio adestrador para o vestibular (f\u00f3rmulas, musiquinhas para decorar conte\u00fados simulados e outros dispositivos empobrecedores de g\u00eanios)? Ou ser\u00e1 uma universidade distante do que a sociedade necessita da carreira (por exemplo, uma Biologia voltada para pesquisa acad\u00eamica, enquanto os bi\u00f3logos perdem espa\u00e7o para engenheiros ambientais nas ind\u00fastrias)? Ou uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o preocupada somente em publicar artigos em revistas internacionais, renegando problemas nacionais para se encaixarem no assunto da &#8220;MODA&#8221; e conseguir mais um trofeuzinho no Lattes?<\/p>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"bifurcacao.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/bifurcacao1.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" height=\"228\" width=\"400\" \/><b><font>De onde sa\u00edmos? Para onde vamos?<\/font><\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<div align=\"left\"><font face=\"-editor-proxy\">Isso me preocupa. Matamos milhares de mentes criativas todos os dias. Nosso sistema de ensino baseado em um professor palestrante cuspindo giz nos seus alunos \u00e9 cruel. Nosso sistema de avalia\u00e7\u00e3o de pesquisadores \u00e9 injusto. Sim, mais e a\u00ed? O que podemos fazer? Seremos marginais do <i>status quo<\/i>? <\/font>Acredito que n\u00e3o, mas temos o dever de mostrar o outro lado. Estudar \u00e9 interessante, alunos n\u00e3o s\u00e3o ignorantes (eles tem muito a dizer, mesmo os menores), passar no vestibular \u00e9 importante, mas n\u00e3o viremos rob\u00f4s e pesquisar \u00e9 uma arte, mas querer ver cifr\u00f5es como fim dos projetos \u00e9 maluquice. Que discutamos, que reflitamos e que sejamos encorajados a isso por nossos professores e orientadores. <\/p>\n<div align=\"left\">Mas a\u00ed que \u00e9 o problema, pois se os que nos educam forem tamb\u00e9m educados dessa forma? \u00c9 necess\u00e1rio a quebra de um paradigma educacional centen\u00e1rio e isso requer revolucion\u00e1rios de natureza dentro do sistema. Precisamos formar esses revolucion\u00e1rios, professores formando alunos cr\u00edticos, orientadores formando pesquisadores cr\u00edticos, em suma, cidad\u00e3os cr\u00edticos formando cidad\u00e3os cr\u00edticos. Procure pessoas assim, formem seu coletivo, se ajudem e fujam dos retr\u00f3grados, conformistas e pessimista. Pois como j\u00e1 dizia o poeta: Isso tem que come\u00e7ar em algum lugar, isso tem que come\u00e7ar em algum momento, que melhor lugar que aqui, que melhor momento que agora! (quero ver quem descobre o autor desse pensamento!) Pois sen\u00e3o, n\u00e3o tem como fugir:<\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><i>Minha dor \u00e9 perceber<br \/>\nQue apesar de termos<br \/>\nFeito tudo, tudo,<br \/>\nTudo o que fizemos<br \/>\nN\u00f3s ainda somos<br \/>\nOs mesmos e vivemos<br \/>\nAinda somos<br \/>\nOs mesmos e vivemos<br \/>\nAinda somos<br \/>\nOs mesmos e vivemos<br \/>\nComo os nossos pais&#8230;<br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <b>Belchior<\/b><\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"center\"><b><\/b><\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho em uma empresa que produz material did\u00e1tico de ci\u00eancias para alunos do ensino fundamental. Esse material consiste de livros para cada s\u00e9rie e um conjunto de componentes que ser\u00e3o utilizados na parte pr\u00e1tica. Mas o importante \u00e9 que este projeto est\u00e1 sendo implementado em escolas municipais e, com isso, tenho acompanhado algumas unidades escolares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":484,"featured_media":385,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[25,30,33,78],"tags":[225,240,241,315,391],"class_list":["post-384","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-critica","category-educacao","category-posts-inspirados","tag-educacao-2","tag-ensino-fundamental","tag-ensino-universitario","tag-lattes","tag-pos-graduacao"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/bifurcacao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/484"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}