{"id":394,"date":"2010-05-06T13:19:59","date_gmt":"2010-05-06T16:19:59","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/05\/sobre_belo_monte_e_hidreletric\/"},"modified":"2010-05-06T13:19:59","modified_gmt":"2010-05-06T16:19:59","slug":"sobre_belo_monte_e_hidreletric","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/05\/sobre_belo_monte_e_hidreletric\/","title":{"rendered":"Sobre Belo Monte e hidreletricidade"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/assets_c\/2010\/05\/areas-influencia-belo-monte-hidreletrica-48459.php\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/areas-influencia-belo-monte-hidreletrica-thumb-350x408-484591.jpg\" alt=\"areas-influencia-belo-monte-hidreletrica.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" height=\"408\" width=\"350\" \/><\/a><font>Para visualizar o problema: \u00c1reas de influ\u00eancia do projeto de Belo Monte. Clique para ampliar. Fonte: <a href=\"http:\/\/www.eletrobras.gov.br\/ELB\/main.asp?View=%7B46763BB8-3B05-432F-A206-C8F93CC3BA90%7D\">Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental de Belo Monte<\/a> (Maio\/2009).<\/font><\/div>\n<p>Gostaria de compartilhar uma entrevista interessante feita pelo jornal <a href=\"http:\/\/www.olharvirtual.ufrj.br\/\">Olhar Virtual<\/a> com o professor Em\u00edlio La Rovere do Programa de Planejamento Energ\u00e9tico da COPPE-UFRJ. A reportagem que relatou a entrevista foi intitulada <a href=\"http:\/\/www.olharvirtual.ufrj.br\/2010\/index.php?id_edicao=293&amp;codigo=3\">&#8220;O futuro da usina Belo Monte&#8221;<\/a> e assinada por Thor Weglinski. Abaixo alguns trechos selecionados desta entrevista.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;<b>Olhar Virtual: Quais os pr\u00f3s e contras na constru\u00e7\u00e3o da usina Belo Monte?<\/b><\/p>\n<p><b>Emilio La Rovere:<\/b>&nbsp; Como todo o projeto energ\u00e9tico de grande porte, existem impactos positivos e negativos. Os positivos s\u00e3o a contribui\u00e7\u00e3o para o suprimento de energia renov\u00e1vel, <i>isenta*<\/i> de emiss\u00f5es poluentes e gasosas. Com isso, o Brasil d\u00e1 um passo importante para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e atendimento de uma demanda crescente de energia el\u00e9trica. Al\u00e9m disso, a usina permite uma produ\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel a baixo custo, menor do que outras alternativas. Os principais aspectos negativos s\u00e3o os impactos ecol\u00f3gicos e sociol\u00f3gicos sobre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e ribeirinhas pr\u00f3ximas ao local.<\/p>\n<p><b>Olhar Virtual: H\u00e1 alternativas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da represa? Energia nuclear, termel\u00e9trica ou outra?<\/b><\/p>\n<p><b>Emilio La Rovere:<\/b> Tecnicamente sim, como centrais nucleares, termel\u00e9tricas, a carv\u00e3o, a \u00f3leo, fontes e\u00f3licas ou a baga\u00e7o de cana. Naturalmente h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o das alternativas, pois n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil gerar a quantidade de energia de Belo Monte, com mais de 11.000MW. \u00c9 uma quantidade de energia muito grande que outras teriam muita dificuldade para gerir. As alternativas renov\u00e1veis, como solar ou e\u00f3lica, s\u00e3o indicadas para atender pequenas demandas espalhadas pelo territ\u00f3rio, mas n\u00e3o para grandes blocos de energia como as das metr\u00f3poles. A nuclear pode ser usada em maior escala como tamb\u00e9m a termoel\u00e9trica a carv\u00e3o ou a g\u00e1s. O problema \u00e9 que todas as alternativas tamb\u00e9m trazem impactos negativos: as nucleares t\u00eam custo alto, as termoel\u00e9tricas s\u00e3o inconvenientes do ponto de vista ambiental, pois emitem gases de efeito estufa. O uso de hidroeletricidade ainda tem vantagens importantes em rela\u00e7\u00e3o a outras fontes, observando p\u00f3s e contras.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><b>Olhar Virtual: A tecnologia brasileira adotada em constru\u00e7\u00e3o evoluiu?<\/b><\/p>\n<p><b>Emilio La Rovere:<\/b> A tecnologia em constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas evoluiu. J\u00e1 h\u00e1 sinais disso nas duas usinas no Rio Madeira,&nbsp; Girau e Santo Ant\u00f4nio, que continuam gerando impactos ambientais, mas que s\u00e3o muito menores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas. As novas usinas foram constru\u00eddas com turbinas que aproveitam mais a corrente da \u00e1gua e a velocidade do fluxo do rio. As primeiras tinham lagos muito extensos, causadores de grandes impactos ambientais, atingindo comunidades, fauna e flora com alagamentos. Girau e Santo Ant\u00f4nio t\u00eam uma nova tecnologia que permitiu amenizar os impactos, j\u00e1 que seus lagos t\u00eam uma \u00e1rea bem menor.&nbsp; N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o temos agress\u00f5es ao ambiente, mas, comparativamente, as usinas atuais s\u00e3o mais ben\u00e9ficas do ponto de vista ambiental.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><b>Olhar Virtual:&nbsp; A usina \u00e9 vital para o desenvolvimento do pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p><b>Emilio La Rovere:<\/b>&nbsp; Belo Monte tem uma import\u00e2ncia para o suprimento de energia el\u00e9trica no Brasil, e, por isso, a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 vital. A usina ir\u00e1 aproveitar o potencial remanescente hidrel\u00e9trico no pa\u00eds. Houve um per\u00edodo de escassez de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade no pa\u00eds, entre 2000 e 2001, resultante da insufici\u00eancia de investimentos. O que aconteceu foi uma falta de planejamento para constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas pela expans\u00e3o da demanda. Hoje, o mercado de energia el\u00e9trica cresce e, por isso, Belo Monte e outras usinas s\u00e3o vitais para o desenvolvimento.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Claro que os impactos ambientais e sociais gerados pela implementa\u00e7\u00e3o do projeto de Belo Monte ser\u00e3o significativos. Existiu sim uma press\u00e3o muito forte do governo fazendo com que o projeto fosse aprovado de forma &#8220;r\u00e1pida&#8221; (demorou 20 anos para sair do papel, mas a maior press\u00e3o foi feita pelo governo atual). Acho o cerne da quest\u00e3o deve ser cobrar do governo que os impactos sejam os menores poss\u00edveis e que a contra partida ambiental pela constru\u00e7\u00e3o da usina (que pode chegar a <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/mat\/2010\/05\/04\/a-polemica-belo-monte-916494699.asp\">2,29 bilh\u00f5es de reais<\/a>) seja realmente bem investida.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 atualmente tecnologia para substituir a quantidade de energia a ser gerada por usinas hidrel\u00e9tricas no Brasil. Chegamos em um ponto cr\u00edtico onde o maior potencial hidrel\u00e9trico restante est\u00e1 na Amaz\u00f4nia. N\u00e3o acho que devemos utilizar todo o potencial hidrel\u00e9trico desta regi\u00e3o mas n\u00e3o podemos fechar os olhos a esta quest\u00e3o. Devemos sim investir em fontes alternativas de energia (e\u00f3lica, solar, biomassa, etc), mas achar que hoje elas podem tomar lugar de fontes como a hidrel\u00e9trica no Brasil \u00e9 no m\u00ednimo ut\u00f3pico.<\/p>\n<p>* O trecho onde o professor fala <i>&#8220;energia renov\u00e1vel, isenta de emiss\u00f5es poluentes e gasosas&#8221; <\/i>\u00e9 bem question\u00e1vel. A gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica n\u00e3o \u00e9 isenta de emiss\u00f5es de gases estufa. Ainda mais em usinas mais antigas, onde problemas como grande \u00e1rea alagada, vertedouro mal localizado, inunda\u00e7\u00e3o da mata original e consequente decomposi\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bica da mat\u00e9ria org\u00e2nica, etc aumentam de forma marcante a emiss\u00e3o de CO<font>2<\/font> e metano, os dois principais gases estufa. Claro que essa emiss\u00e3o vai variar ao longo do tempo de implementa\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio, mas ela n\u00e3o deixa de ser consider\u00e1vel. Como ressaltado ao longo da entrevista a tecnologia atual de implementa\u00e7\u00e3o da hidreletricidade consegue diminuir significativamente a emiss\u00e3o de gases da \u00e1rea alagada por trabalhar a fio d\u00b4\u00e1gua (menor \u00e1rea alagada). Mas nunca ser\u00e1 &#8220;isenta&#8221; de emiss\u00f5es. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade apenas para para usinas hidrel\u00e9tricas, mas para qualquer tipo de energia considerada &#8220;limpa&#8221; como biocombust\u00edveis, e\u00f3lica, solar. Por isso que devemos pensar sempre no custo-benef\u00edcio de qualquer tipo de fonte de energia.&nbsp; <\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para visualizar o problema: \u00c1reas de influ\u00eancia do projeto de Belo Monte. Clique para ampliar. Fonte: Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental de Belo Monte (Maio\/2009). 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