{"id":420,"date":"2010-06-17T20:41:50","date_gmt":"2010-06-17T23:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/06\/por_uma_pesquisa_mais_justa\/"},"modified":"2010-06-17T20:41:50","modified_gmt":"2010-06-17T23:41:50","slug":"por_uma_pesquisa_mais_justa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/06\/por_uma_pesquisa_mais_justa\/","title":{"rendered":"Por uma pesquisa mais justa!"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\"><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span>Em alguns posts aqui deste blog, argumentei sobre o distanciamento entre a universidade a sociedade civil. Os pesquisadores ficam (na sua maioria) dentro de seus laborat\u00f3rios fazendo pesquisa, gerando resultados e usando verba p\u00fablica, acreditando que est\u00e3o fazendo algo quase que religioso e que devem ser super valorizados. <\/div>\n<p>Entretanto, pouco de que produzem \u00e9 apresentado a sociedade que os financia. Artigos cient\u00edficos publicados em revistas internacionais s\u00e3o t\u00e3o indecifr\u00e1veis para o p\u00fablico geral, como s\u00e3o hieroglifos. Congressos s\u00e3o reuni\u00f5es para p\u00fablicos espec\u00edficos. Entrevistas s\u00e3o raras. Artigos de divulga\u00e7\u00e3o em revistas ou jornais mais populares e algo inimagin\u00e1vel. Produzir conhecimento somente pelo prazer da pesquisa e do maior intelecto \u00e9 algo muito bonito e apaixonante. Por\u00e9m, fico um pouco fora de contexto em um mundo com tanta pobreza e desigualdade. O tempo da Academia de Plat\u00e3o j\u00e1 passou, n\u00e3o adianta acharmos que cientistas s\u00e3o deuses pagos para produzirem conhecimento para seus pares.<\/p>\n<p>Nesse contexto, vejo um editorial na Nature sobre a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancias (FNC) dos EUA. Para um projeto ser financiado pela FNC ele precisa conter uma parte que funciona como um &#8220;retorno direto para sociedade&#8221;. Fora o conte\u00fado gerado pela pesquisa, o projeto pode gerar ciclos de palestras em Museus (aberto ao grande p\u00fablico), desenvolvimento de novos curr\u00edculos e materiais did\u00e1ticos (para os n\u00edveis fundamental e m\u00e9dio), produzir programas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para alunos n\u00e3o-graduados, ou mesmo dar o in\u00edcio a uma empresa especializada. N\u00e3o existe projeto financiado somente pelo prazer de se produzir conhecimento. Se \u00e9 para produzir, que seja DIVULGADO e APLICADO na sociedade em que o financiou.<\/p>\n<div align=\"center\"><i>&#8220;<\/i>The criterion was established to get scientists <br \/>out of their ivory towers and connect them to <br \/>society<i>&#8221; <\/i><br \/><font><b>Palavras do &#8220;somente&#8221; diretor do FNC Arden Bement<\/b><\/font><i><br \/><\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"left\">E \u00e9 ai que est\u00e1 o desespero dos cientistas. Por exemplo, um dos projetos teve como contrapartida a visitas semanais de tr\u00eas alunas de gradua\u00e7\u00e3o, da professora coordenadora do projeto, a classes de aulas de escolas pr\u00f3ximas a universidade para ensinarem sobre circuitos e eletricidade para crian\u00e7as de 9 a 10 anos. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de ministrarem palestras sobre o projeto e a rotina dentro do laborat\u00f3rio. No final, os alunos n\u00e3o reconheciam essas estudantes como pesquisadoras, pois, para as crian\u00e7as, pesquisadores s\u00e3o pessoas de cabelo branco, rabugentas e vestidas de jaleco branco.<\/p>\n<p>Outro exemplo, o projeto <i>Molecularium<\/i> financiado pelo Centro de Estudos de Nanoestruturas do FNC. Este projeto produz material did\u00e1tico sobre o mundo das nanoestrutras, al\u00e9m de ter produzido um filme de divulga\u00e7\u00e3o sobre o assunto. Al\u00e9m do <i>Molecularium<\/i>, engenheiros da universidade de Stanford trabalham com alunos de gradua\u00e7\u00e3o e de ensino m\u00e9dio, ministrando workshops dentro de hospitais para levar aulas de ci\u00eancia para pacientes que n\u00e3o podem ir a escola, al\u00e9m de ensinarem sobre a rotina dos instrumentos usados no hospital. <\/p>\n<div align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"jogos nano.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/jogos20nano.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" width=\"505\" height=\"242\" \/><font><b>Jogo sobre o mundo nano<br \/><\/b><\/font><\/div>\n<p>Esse assunto \u00e9 bastante pol\u00eamico, por\u00e9m de grande relev\u00e2ncia para o desenvolvimento de nossa sociedade. O despertar de interesse em qualquer tipo de atividade pode ser uma pequena a\u00e7\u00e3o pela qual um indiv\u00edduo passa na sua inf\u00e2ncia ou adolesc\u00eancia. Acho que o que me fez gostar de ci\u00eancia foi ver o <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/O_Mundo_de_Beakman\">Mundo de Beakman<\/a> e ter meu jogo de qu\u00edmica. Crian\u00e7as precisam de exemplos e de pessoas apaixonadas pelos seus trabalhos. Quem melhor que cientistas para essa miss\u00e3o? Que saiam de seus laborat\u00f3rios. O estranhamento s\u00f3 \u00e9 gerado quando sa\u00edmos de nossa zona de conforto, quem sabe os pr\u00f3prios pesquisadores sejam os que mais tem a ganhar com isso. Fica a dica para o CNPq e outros \u00f3rg\u00e3os de financiamento de pesquisas.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia: <br \/><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2F465416a&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Science+funding%3A+Science+for+the+masses&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=465&amp;rft.issue=7297&amp;rft.spage=416&amp;rft.epage=418&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2F465416a&amp;rft.au=Lok%2C+C.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Behavioral+Biology%2C+Evolutionary+Biology%2C+Microbiology%2C+Molecular+Biology%2C+Systems+Biology\">Lok, C. (2010). Science funding: Science for the masses <span style=\"font-style: italic\">Nature, 465<\/span> (7297), 416-418 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/465416a\">10.1038\/465416a<\/a><\/span><br \/>\n<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em alguns posts aqui deste blog, argumentei sobre o distanciamento entre a universidade a sociedade civil. Os pesquisadores ficam (na sua maioria) dentro de seus laborat\u00f3rios fazendo pesquisa, gerando resultados e usando verba p\u00fablica, acreditando que est\u00e3o fazendo algo quase que religioso e que devem ser super valorizados. 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