{"id":432,"date":"2010-07-09T07:02:03","date_gmt":"2010-07-09T10:02:03","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/07\/etanol_de_milho_agora_e_a_hora\/"},"modified":"2010-07-09T07:02:03","modified_gmt":"2010-07-09T10:02:03","slug":"etanol_de_milho_agora_e_a_hora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/07\/etanol_de_milho_agora_e_a_hora\/","title":{"rendered":"Etanol de milho: agora \u00e9 a hora?"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\"> <\/div>\n<div align=\"left\">Acho pat\u00e9tico a capacidade das grandes empresas de utilizarem desastres como o vazamento de \u00f3leo no Golfo do M\u00e9xico para enfiar goela abaixo da popula\u00e7\u00e3o &#8220;alternativas&#8221;, &#8220;mudan\u00e7as&#8221;, &#8220;esperan\u00e7as&#8221; e todas as palavras positivas que voc\u00eas possam imaginar para &#8220;salvar o planeta&#8221;. Isso pode ser visto no v\u00eddeo publicit\u00e1rio acima produzido pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de produtores de milho dos EUA e vinculado na TV norte-americana na semana passada.<\/p>\n<p>O problema do v\u00eddeo \u00e9 que ele est\u00e1 basicamente errado, pelo menos pensando na quest\u00e3o ambiental. Entendo que os EUA t\u00eam uma depend\u00eancia muito grande da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e que o aumento da produ\u00e7\u00e3o de milho iria gerar mais empregos mas as vantagens se restringem apenas a este tema. O aumento da produ\u00e7\u00e3o de milho &#8220;protege o meio ambiente&#8221;? &#8220;Renov\u00e1vel, abundante e seguro&#8221; ? Uma compara\u00e7\u00e3o muito interessante foi feita no <a href=\"http:\/\/motherjones.com\/blue-marble\/2010\/07\/ethanol-worse-gulf-bps-oil\">\u00f3timo artigo<\/a> publicado pela revista americana Mother Jones:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A mudan\u00e7a do petr\u00f3leo para o etanol para salvar o Golfo seria como mudar de cheeseburguer \u00e0 coca\u00edna para salvar o seu cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Simples e direto ao ponto. O grande uso de fertilizantes utilizados na produ\u00e7\u00e3o de milho nos EUA \u00e9 o principal causador da grande Zona Morta do Golfo do M\u00e9xico. Zonas mortas s\u00e3o regi\u00f5es com baix\u00edssimas concentra\u00e7\u00f5es de oxig\u00eanio, causadas por grandes flora\u00e7\u00f5es de microalgas que s\u00e3o estimuladas pelo excesso de nutrientes. Este processo forma verdadeiros desertos aqu\u00e1ticos, onde a vida aer\u00f3bica \u00e9 bem prejudicada. Neste ver\u00e3o a Zona Morta do Golfo do M\u00e9xico se estendeu por mais de 22 mil quil\u00f4metros quadrados. Algo no m\u00ednimo relevante. Al\u00e9m de ter um efeito direto na biodiversidade marinha, o aumento de zonas hip\u00f3xicas pode tamb\u00e9m aumentar as emiss\u00f5es de di\u00f3xido nitroso, um g\u00e1s com potencial estufa 300 vezes maior do que o di\u00f3xido de carbono. A influ\u00eancia das Zonas mortas na emiss\u00e3o de di\u00f3xido nitroso foi discutida em <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/summary\/sci;327\/5971\/1339\">um artigo<\/a> do peri\u00f3dico <i>Science<\/i> publicado este ano. Discuti um pouco mais a import\u00e2ncia do di\u00f3xido nitroso em um <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2008\/09\/muito-alem-do-aquecimento-global-o-efeito-do-excesso-de-nitrogenio.php\">post bem antigo<\/a>.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 ressaltei em outros posts (<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/05\/sobre_belo_monte_e_hidreletric.php\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/05\/demanda_energetica_no_brasil_c.php\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/06\/trocar_belo_monte_por_eolicas.php\">aqui<\/a>) uma transi\u00e7\u00e3o para fontes de energia mais limpas deve ser gradual. Atualmente os biocombust\u00edveis n\u00e3o podem e n\u00e3o devem substituir completamente outras fontes de energia. Claro que o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar brasileiro est\u00e1 muito a frente do etanol de milho norte-americano, mas isto n\u00e3o significa que expandir monocultura \u00e9 algo &#8220;Renov\u00e1vel, abundante e seguro&#8221;. Fico muito preocupado quando em um per\u00edodo onde dever\u00edamos investir em um aumento da consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o sobre o seu impacto ambiental, tanto individual como populacional, empresas e associa\u00e7\u00f5es ligadas a fontes de energia ditas &#8220;limpas&#8221; tentem passar para o grande p\u00fablico uma ideia errada sobre o impacto potencial da &#8220;energia verde&#8221;. <\/p>\n<p>Esse \u00e9 um momento de transi\u00e7\u00e3o. Devemos utiliza-lo para aumentar a cr\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o mundial sobre os rumos da sociedade. N\u00e3o o desperdicemos com a troca de um cheeseburguer por coca\u00edna, ainda mais quando a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabe as consequ\u00eancias reais da coca\u00edna.<\/p>\n<p>Via <a href=\"http:\/\/motherjones.com\/\">Mother Jones<\/a><\/p>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho pat\u00e9tico a capacidade das grandes empresas de utilizarem desastres como o vazamento de \u00f3leo no Golfo do M\u00e9xico para enfiar goela abaixo da popula\u00e7\u00e3o &#8220;alternativas&#8221;, &#8220;mudan\u00e7as&#8221;, &#8220;esperan\u00e7as&#8221; e todas as palavras positivas que voc\u00eas possam imaginar para &#8220;salvar o planeta&#8221;. 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