{"id":468,"date":"2010-10-28T10:57:45","date_gmt":"2010-10-28T13:57:45","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2010\/10\/encalhe_de_baleias_-_uma_visao\/"},"modified":"2010-10-28T10:57:45","modified_gmt":"2010-10-28T13:57:45","slug":"encalhe_de_baleias_-_uma_visao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/2010\/10\/encalhe_de_baleias_-_uma_visao\/","title":{"rendered":"Encalhe de baleias &#8211; Uma vis\u00e3o cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/apelad\/4140195522\/\" title=\"Fail Whale Twitter Avatar por Ape Lad, no Flickr\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2562\/4140195522_e207b97280_m.jpg\" alt=\"Fail Whale Twitter Avatar\" height=\"240\" width=\"240\" \/><\/a><br \/>Seria bom se fosse t\u00e3o f\u00e1cil levantar uma baleia&#8230;Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/apelad\/\">Ape Lad<\/a><\/div>\n<p>Depois da not\u00edcia da morte da baleia encalhada em B\u00fazios (se voc\u00ea n\u00e3o viu televis\u00e3o nos \u00faltimos dias, clique <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/rio-de-janeiro\/noticia\/2010\/10\/morre-baleia-encalhada-nas-areias-de-buzios.html\">aqui<\/a>), gostaria de compartilhar um texto antigo mas que traz uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o &#8220;encalhe de baleias&#8221;. Ele \u00e9 de autoria do bi\u00f3logo marinho Marcelo Szpilman e resume muito bem minha opini\u00e3o sobre o acontecimento. Incr\u00edvel como um texto de 2004 se mostra bem atual. Acho que se eu postar esse texto daqui a 15 anos terei a mesma impress\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p>Encalhe de Baleias &#8211; Uma vis\u00e3o diferente Por Marcelo Szpilman<\/p>\n<p>A not\u00edcia de que o Ibama criar\u00e1 um grupo para atuar em encalhe de baleias me deixou surpreso. Porque um \u00f3rg\u00e3o que tem, em fun\u00e7\u00e3o da not\u00f3ria falta de recursos, dificuldade em lidar com os graves e constantes problemas ambientais do pa\u00eds decide gastar tempo e dinheiro para tentar resolver um problema absolutamente espor\u00e1dico e sobre o qual o homem pouco ou nada pode interceder. Todos os dias, de forma ativa e proposital, agredimos os ambientes naturais, matamos milhares de animais selvagens, depredamos as florestas e isso pouco nos comove. Ent\u00e3o, por que raz\u00e3o o encalhe de uma baleia jubarte em Niter\u00f3i e seu triste desfecho, do qual n\u00e3o temos culpa alguma, promovem uma como\u00e7\u00e3o nacional?<\/p>\n<p>Como diz Ulisses Mattos em seu artigo Salvem as Baleias (JB, 05\/09\/2004); &#8220;Quem n\u00e3o gostaria de dizer que j\u00e1 salvou uma baleia da morte? \u00c9 muito mais onda do que levar um gatinho vira-lata para casa. E nem se sabe bem por qu\u00ea. N\u00e3o d\u00e1 para explicar as correntes humanas que se formam para ajudar esses cet\u00e1ceos ou as aglomera\u00e7\u00f5es comovidas pela impot\u00eancia diante daquele triste espet\u00e1culo. \u00c9 como se uma morte de 10 toneladas pesasse mais do que as mortes que conhecemos, de alguns poucos quilos&#8221;. Infelizmente, ao contr\u00e1rio do que gostar\u00edamos, pouco podemos fazer quando uma baleia encalha. Quem frequenta a praia sabe que um adulto de 80kg sentado na areia na beira da \u00e1gua cria um buraco e afunda na medida em que as ondas batem. Nessas circunst\u00e2ncias, empurrar ou puxar na tentativa de &#8220;desencalhar&#8221; essa pessoa n\u00e3o s\u00e3o as melhoras medidas, mas sim levant\u00e1-la. Imagine, ent\u00e3o, uma baleia pesando toneladas e sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de ajudar nas bem intencionadas, mas in\u00f3cuas tentativas improvisadas de resgate. Como afirma Jos\u00e9 La\u00edlson Brito Jr., ocean\u00f3grafo e coordenador do Projeto Maqua, da UERJ, dos seis encalhes de animais vivos acontecidos nos \u00faltimos 12 anos, ele s\u00f3 presenciou um caso de sucesso: o de uma baleia que encalhou em 1991 em Saquarema (RJ). Ainda assim, grande parte do \u00eaxito, segundo ele, se deveu \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da mar\u00e9 e da praia em que ela encalhou. Na verdade, a melhor ajuda que podemos dar a uma baleia encalhada \u00e9 isolar a \u00e1rea para que os curiosos e metidos n\u00e3o atrapalhem ou machuquem o animal. Com raras exce\u00e7\u00f5es, somente a sorte e pr\u00f3pria natureza podem interceder a favor da baleia nesse momento. Se ela n\u00e3o consegue se desencalhar sozinha em at\u00e9 24 horas, o enorme estresse e os danos provocados em sua estrutura f\u00edsica e em sua fisiologia, que n\u00e3o foram projetados para suportar tamanho peso e compress\u00e3o, passam a determinar seu fim. No caso da jubarte de Niter\u00f3i, o grande problema foi ela ter encalhado na mar\u00e9 alta, o que certamente impossibilitou seu desencalhe. <\/p>\n<p>O aumento do n\u00famero de baleias encalhadas, curiosamente, tem a ver com o aumento das popula\u00e7\u00f5es de baleias no litoral brasileiro. Gra\u00e7as \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da pesca da baleia e ao excelente trabalho de prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o que vem sendo realizado h\u00e1 mais de 10 anos pelo Projeto Baleia Jubarte e pelo Projeto Baleia Franca, a quantidade de baleias que hoje nadam ao longo do nosso litoral em suas rotas migrat\u00f3rias aumentou bastante, o que tamb\u00e9m aumenta as chances de um encalhe. As causas naturais do encalhe de baleias podem ser as mais variadas, indo de doen\u00e7as que provocam problemas no senso espacial \u00e0 inexperi\u00eancia no cerco de uma cardume de sardinhas. Contudo, n\u00e3o podemos nos esquecer que o encalhe de baleias sempre foi e sempre ser\u00e1 um evento incomum da natureza do qual os homens n\u00e3o participam. No entanto, sempre existem alguns, felizmente poucos, que t\u00eam enorme prazer em aparecer na m\u00eddia, ignorando o sofrimento do animal. Para esses, quanto mais encalhe, melhor.<\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<div align=\"right\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.ecopress.org.br\/noticias+com+baixa+repercussao\/encalhe+de+baleias+-+uma+visao+diferente+por+marcelo+szpilman\">Ecopress<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<div align=\"left\">Sobre a pergunta do final do primeiro par\u00e1grafo: &#8220;<i>Ent\u00e3o, por que raz\u00e3o o encalhe de uma baleia jubarte em Niter\u00f3i e seu triste desfecho, do qual n\u00e3o temos culpa alguma, promovem uma como\u00e7\u00e3o nacional?<\/i>&#8220;, eu escrevi dois posts sobre o assunto. L\u00e1 falo&nbsp;um pouco sobre porque as esp\u00e9cies &#8220;fofas&#8221; normalmente s\u00e3o mais consideradas do que as &#8220;feias&#8221;. Os posts s\u00e3o &#8220;<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/07\/sobre_especies_ameacadas_nao_l.php\">Sobre esp\u00e9cies amea\u00e7adas n\u00e3o lucrativas<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/06\/salvem_as_lampreias.php\">Salvem as lampreias!<\/a>&#8220;<\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\">Para saber mais sobre &#8220;O grupo para salvar baleias do IBAMA&#8221; indico uma <a href=\"http:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/noticias?id=35030\">reportagem<\/a> da \u00e9poca, que tamb\u00e9m fala sobre a morte de algumas baleias encalhadas no litoral do Rio de Janeiro em 2004 citada pelo Marcelo Szpilman.<\/p>\n<p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria bom se fosse t\u00e3o f\u00e1cil levantar uma baleia&#8230;Cr\u00e9dito: Ape Lad Depois da not\u00edcia da morte da baleia encalhada em B\u00fazios (se voc\u00ea n\u00e3o viu televis\u00e3o nos \u00faltimos dias, clique aqui), gostaria de compartilhar um texto antigo mas que traz uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o &#8220;encalhe de baleias&#8221;. Ele \u00e9 de autoria do bi\u00f3logo marinho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":483,"featured_media":469,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[16,29,30],"tags":[],"class_list":["post-468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologo","category-conservacao","category-critica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-content\/uploads\/sites\/225\/2011\/08\/4140195522_e207b97280_m.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/483"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/discutindoecologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}