{"id":183,"date":"2020-04-25T00:00:47","date_gmt":"2020-04-25T03:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/?p=183"},"modified":"2020-04-29T22:32:23","modified_gmt":"2020-04-30T01:32:23","slug":"o-dna-do-geneticista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/04\/25\/o-dna-do-geneticista\/","title":{"rendered":"O DNA do geneticista"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"183\" class=\"elementor elementor-183\" data-elementor-settings=\"{&quot;ha_cmc_init_switcher&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-8546b9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default jltma-glass-effect-no\" data-id=\"8546b9\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ha_eqh_enable&quot;:false}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-403e5a2 jltma-glass-effect-no\" data-id=\"403e5a2\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-614e2519 jltma-glass-effect-no elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"614e2519\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>O geneticista, ao confessar seu of\u00edcio, normalmente se depara com as mais animadas interjei\u00e7\u00f5es: \u201cUau!\u201d, \u201cQue chique!\u201d, \u201cDeve ser muito interessante!\u201d. Imposs\u00edvel n\u00e3o compreender, imposs\u00edvel n\u00e3o endossar tais rea\u00e7\u00f5es, pois h\u00e1 muito, sen\u00e3o tudo, de delicioso nesta profiss\u00e3o. A miss\u00e3o do geneticista \u00e9 desvendar os meandros da hereditariedade e as liga\u00e7\u00f5es entre as mol\u00e9culas que habitam o n\u00facleo das c\u00e9lulas e as caracter\u00edsticas dos respectivos organismos, tais como altura, tipo sangu\u00edneo ou predisposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as. Das mais diferentes formas e com as mais diferentes abordagens, nosso trabalho \u00e9 compreender como se relacionam mundos biol\u00f3gicos, operando em escalas diferentes, micro e macrosc\u00f3pica. O mundo microsc\u00f3pico \u00e9 onde est\u00e3o os genes, unidades invis\u00edveis cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 guiar, junto com o ambiente, o que ir\u00e1 acontecer no mundo macrosc\u00f3pico. O mundo microsc\u00f3pico, com sua natureza intang\u00edvel, misteriosa, cada vez mais evidente em sua complexidade, bel\u00edssima em sua arquitetura e composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 m\u00fasica de alta qualidade para os ouvidos dos geneticistas. Somos estudiosos de suas partituras e encontramos objetivo no exerc\u00edcio de investigar tal mundo, esclarecer como ele \u00e9 promotor da coes\u00e3o t\u00edpica das rela\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias, identificar as rotas que o conectam com o mundo vis\u00edvel. Regente da orquestra do mundo microsc\u00f3pico? O DNA.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>ALCUNHAS E ALCANCES<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>DNA \u00e9 acr\u00f4nimo em ingl\u00eas de \u201c\u00e1cido desoxirribonucl\u00e9ico\u201d. Foi a mol\u00e9cula designada pela Evolu\u00e7\u00e3o para executar a hereditariedade e carregar o c\u00f3digo gen\u00e9tico. Talvez por isso exer\u00e7a um fasc\u00ednio inversamente proporcional a sua dimens\u00e3o. Mesmo antes de chegarmos a uma conclus\u00e3o sobre sua estrutura tridimensional, descoberta formalizada em 1953 por James Watson e Francis Crick, era latente a inquieta\u00e7\u00e3o sobre como o DNA dita regras biol\u00f3gicas macrosc\u00f3picas, do alto do seu minimalismo dimensional.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria, nosso regente recebeu v\u00e1rias alcunhas. Se hoje \u00e9 facilmente reconhecido pelas famosas tr\u00eas letras ou pela charmosa express\u00e3o \u201cdupla h\u00e9lice\u201d, houve \u00e9poca em que a incerteza sobre sua natureza qu\u00edmica dificultava inclusive a escolha de uma palavra para sua denomina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 foi \u201cnucle\u00edna\u201d, quando Friedrich Miescher descobriu um novo tipo de mol\u00e9cula que ocupava o n\u00facleo das c\u00e9lulas; &nbsp;o \u201cprinc\u00edpio transformante\u201d de Frederick Griffith, caracterizado pelo trio Oswald Avery, Colin MacLeod e Maclyn McCarty&nbsp;como a mol\u00e9cula respons\u00e1vel pela patogenicidade em bact\u00e9rias; o pouco conhecido \u201cs\u00f3lido aperi\u00f3dico\u201d, interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo super conhecido Erwin Schr\u00f6dinger em sua influente obra <em>What is Live?<\/em> para descrever uma mol\u00e9cula com caracter\u00edsticas de regularidade estrutural n\u00e3o repetitiva.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Modernamente, ap\u00f3s se popularizar e extrapolar os dom\u00ednios da Academia, \u00e9 muitas vezes chamado de \u201cc\u00f3digo gen\u00e9tico\u201d. O c\u00f3digo gen\u00e9tico \u00e9, por\u00e9m, apenas um sistema &#8211; implementado no DNA &#8211; que cont\u00e9m as regras para a confec\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas. Gosto de pensar que usarmos \u201cc\u00f3digo gen\u00e9tico\u201d em vez de \u201cDNA\u201d n\u00e3o \u00e9 propriamente um erro, mas sim um am\u00e1lgama biolingu\u00edstico, um caso de meton\u00edmia biol\u00f3gica, onde optamos por usar a parte &#8211; o c\u00f3digo propriamente dito, uma das fun\u00e7\u00f5es do DNA &#8211; pelo todo &#8211; a mol\u00e9cula em si. [Os colegas das Letras est\u00e3o incumbidos de me corrigir caso eu tenha me excedido nesta gracinha anal\u00f3gica.] H\u00e1 tamb\u00e9m o uso quase indistinto de \u201cgenes\u201d e \u201ccromossomos\u201d para referenci\u00e1-lo. Os genes s\u00e3o por\u00e7\u00f5es do DNA e os cromossomos, complexos de DNA e prote\u00ednas altamente condensados. Em um senso mais conotativo, quem nunca disse \u201cEst\u00e1 no meu sangue!\u201d, para justificar um cacoete familiar n\u00e3o necessariamente dos mais louv\u00e1veis? DNA tamb\u00e9m \u00e9 sangue, \u00e9 aquilo que herdamos, do qual n\u00e3o nos livramos, para o mal, mas essencialmente, para o bem&#8230; Vejam se concordam comigo: a latitude sem\u00e2ntica de \u201cDNA\u201d, com sua paleta de tonalidades, das menos \u00e0s mais t\u00e9cnicas, cont\u00e9m sempre a no\u00e7\u00e3o de idiossincrasia, aquilo que nos define e diferencia.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>IDIOSSINCRASIAS DO GENETICISTA<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>E o que define e diferencia um geneticista? Quais s\u00e3o seus interesses peculiares? O que ele procura ao usar as diferentes lentes do microsc\u00f3pio da Ci\u00eancia? A Gen\u00e9tica \u00e9, de forma abreviada, o estudo da hereditariedade &#8211; o fluxo de informa\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas ao longo das gera\u00e7\u00f5es. A depender da lente que escolhemos, este processo de transmiss\u00e3o continuada pode ser estudado em diferentes escalas de tempo e entre diferentes conjuntos de organismos, mas nunca se afasta do objetivo principal que \u00e9 compreender a for\u00e7a da conex\u00e3o entre o que est\u00e1 impresso no DNA e as caracter\u00edsticas dos indiv\u00edduos. Desvendar as nuances compreendidas nesta conex\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o primeira e m\u00e1xima do geneticista. Algumas perguntas que nos s\u00e3o idiossincr\u00e1ticas: (1) como a informa\u00e7\u00e3o codificada no DNA molda conjuntos de caracter\u00edsticas dos seres vivos?; (2) quantas e quais destas caracter\u00edsticas s\u00e3o herd\u00e1veis e, portanto, determinadas pelo DNA?; (3) como DNA e ambiente interagem para construir caracter\u00edsticas?; (4) quais s\u00e3o as regi\u00f5es do DNA associadas a cada uma das caracter\u00edsticas que podemos identificar?; (5) como diferentes regi\u00f5es do DNA se comunicam e se regulam para manter a promo\u00e7\u00e3o de uma dada caracter\u00edstica?; (6) como as varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel do DNA podem explicar as varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel das caracter\u00edsticas?; (7) como as varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel das caracter\u00edsticas podem informar sobre as varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel do DNA?<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Ousemos trajar a pergunta n\u00famero 7 com a toalete do s\u00e9culo XIX e veremos que, se aqui foi listada por \u00faltimo, seu valor \u00e9 inaugural. Um dia, quando o DNA ainda sofria do completo anonimato, um monge decidiu observar as varia\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de algumas caracter\u00edsticas vegetais, como cor e tegumento. O monge fez in\u00fameros cruzamentos e, ao notar a regularidade entre propor\u00e7\u00f5es de cada uma das varia\u00e7\u00f5es nas prog\u00eanies, n\u00e3o precisou usar sua f\u00e9 para concluir a exist\u00eancia de \u201celementos\u201d, que determinavam tais caracter\u00edsticas e flu\u00edam ao longo das gera\u00e7\u00f5es. Nascia de maneira despretensiosa &#8211; e permaneceria sem registro por d\u00e9cadas! &#8211; a Gen\u00e9tica. Na sua paternidade, estava um cientista que j\u00e1 manifestava as idiossincrasias que viriam a nos definir.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Colegas que me leem, eu sei que voc\u00eas sorriram quando, pela primeira vez, viram emergir dos dados a inef\u00e1vel propor\u00e7\u00e3o 1:2:1. A ocorr\u00eancia desta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das nossas mais elementares li\u00e7\u00f5es, mas vivenciar o prazer mendeliano nos certifica como praticantes cuidadosos da Gen\u00e9tica. Estamos falando sobre coisas que est\u00e3o no nosso DNA, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>CONEX\u00c3O INDEL\u00c9VEL<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Esta geneticista espera que as entrelinhas deste texto tenham despertado em voc\u00ea, leitor, a vontade de conhecer mais. H\u00e1 tanto, tanto mais a saber sobre este tema! Caso voc\u00ea decida me conceder um voto de confian\u00e7a, que seja nesta ideia: em retrospecto, a conex\u00e3o entre os geneticistas e o DNA \u00e9 um exemplo de sucesso da empreitada da esp\u00e9cie humana na busca pelo entendimento de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, da sua exist\u00eancia. O homem sempre reconheceu as semelhan\u00e7as intrafamiliares e desejou identificar e entender a fonte destas semelhan\u00e7as. Desvendar os fatores respons\u00e1veis pela hereditariedade tornou-se curiosidade leg\u00edtima e fomentou at\u00e9 quest\u00f5es mais profundas, tal como de que maneira estamos ligados a outras esp\u00e9cies em uma escala heredit\u00e1ria de ampla dimens\u00e3o. Para aliviar estas curiosidades, aplicou-se um poderoso protocolo de coleta, interpreta\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de lotes de evid\u00eancias chamado Ci\u00eancia, uma inven\u00e7\u00e3o da qual devemos nos orgulhar. O ide\u00e1rio cient\u00edfico possibilitou a cont\u00ednua expans\u00e3o das fronteiras do conhecimento, ora de forma n\u00e3o intencional, ora de forma deliberada, e avan\u00e7amos at\u00e9 a conclus\u00e3o de que o DNA era a resposta. Afinal, algu\u00e9m j\u00e1 dissera, o DNA explica.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O geneticista, ao confessar seu of\u00edcio, normalmente se depara com as mais animadas interjei\u00e7\u00f5es: \u201cUau!\u201d, \u201cQue chique!\u201d, \u201cDeve ser muito interessante!\u201d. Imposs\u00edvel n\u00e3o compreender, imposs\u00edvel n\u00e3o endossar tais rea\u00e7\u00f5es, pois h\u00e1 muito, sen\u00e3o tudo, de delicioso nesta profiss\u00e3o. A miss\u00e3o do geneticista \u00e9 desvendar os meandros da hereditariedade e as liga\u00e7\u00f5es entre as mol\u00e9culas que habitam o n\u00facleo das c\u00e9lulas e as caracter\u00edsticas dos respectivos organismos, tais como altura, tipo sangu\u00edneo ou predisposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as. 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