{"id":390,"date":"2020-09-16T12:10:25","date_gmt":"2020-09-16T15:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/?p=390"},"modified":"2020-09-16T12:43:08","modified_gmt":"2020-09-16T15:43:08","slug":"do-pasto-ao-prato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/09\/16\/do-pasto-ao-prato\/","title":{"rendered":"Do pasto ao prato"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cSe eu quisesse agradar a todos, n\u00e3o daria a minha opini\u00e3o. Eu faria um churrasco!\u201d O leitor deve estar acostumado a ouvir essa frase, tendo em vista a popularidade do churrasco brasileiro e a sua import\u00e2ncia para nossa cultura. O que talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba \u00e9 que, al\u00e9m de carne e leite, n\u00f3s consumimos muitos outros produtos que v\u00eam do boi: os cascos e os chifres s\u00e3o utilizados na produ\u00e7\u00e3o de comidas para pets, compensados, pl\u00e1sticos, adesivos, filmes fotogr\u00e1ficos, shampoos e at\u00e9 mesmo em pap\u00e9is de parede. S\u00f3 por isso, j\u00e1 consegue imaginar o tamanho da import\u00e2ncia da bovinocultura para o Brasil? E mais, voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar em todos os processos envolvidos at\u00e9 obtermos esses produtos finais?<\/p>\n\n\n\n<p>A bovinocultura \u00e9 uma atividade difundida e bem estabelecida em todo o mundo, mas especialmente no nosso pa\u00eds destaca-se por ser realizada quase que exclusivamente em pastagens constitu\u00eddas por gram\u00edneas forrageiras tropicais. Essas pastagens cobrem uma \u00e1rea muito extensa, equivalente a toda \u00e1rea agricult\u00e1vel da Europa, e abrigam cerca de 200 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado que atendem as demandas do mercado nacional e internacional. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de se surpreender que o nosso pa\u00eds \u00e9 o principal exportador e segundo maior produtor de carne bovina no mundo. Para fins de curiosidade, em 2019 o PIB (Produto Interno Bruto) da pecu\u00e1ria de corte movimentou aproximadamente 620 bilh\u00f5es de reais, o equivalente a 8,5% do PIB brasileiro total, valor expressivo para um \u00fanico produto e que reflete a enorme import\u00e2ncia econ\u00f4mica da pecu\u00e1ria para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"686\" height=\"637\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig1_edit.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-429\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig1_edit.jpeg 686w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig1_edit-300x279.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig1_edit-291x270.jpeg 291w\" sizes=\"(max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><figcaption>Principais dados do perfil da pecu\u00e1ria brasileira. Fonte: adaptado de ABIEC &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carne (http:\/\/abiec.com.br\/en\/publicacoes\/beef-report-2019-2).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 pergunta inicial, voc\u00eas devem ter percebido que a gera\u00e7\u00e3o dos produtos originados da bovinocultura tem in\u00edcio nas pastagens, as quais prov\u00eam energia, prote\u00edna e fibras para promover a mastiga\u00e7\u00e3o, rumina\u00e7\u00e3o e sa\u00fade do animal.&nbsp; As principais gram\u00edneas forrageiras tropicais utilizadas como pastagem no mundo tropical s\u00e3o as do g\u00eanero <em>Panicum<\/em>, <em>Brachiaria <\/em>e <em>Pennisetum<\/em>, todas de origem africana. Diferente das gram\u00edneas nativas do g\u00eanero <em>Paspalum<\/em>, elas se desenvolveram sob forte press\u00e3o do pisoteio de animais de grande porte, que s\u00e3o comuns nas savanas africanas. Consequentemente, suportam o pisoteio e a press\u00e3o exercida pelo gado durante a alimenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de possu\u00edrem a r\u00e1pida brota\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o animal e pasto.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"643\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-1024x643.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-441\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-1024x643.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-300x188.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-768x483.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-1536x965.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1-430x270.png 430w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit5-1.png 1765w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O mapa mostra a distribui\u00e7\u00e3o das pastagens no territ\u00f3rio nacional em 2019. \u00c0 direita, est\u00e3o os principais g\u00eaneros utilizados como pastagem no Brasil, sendo <em>Brachiaria<\/em>, <em>Panicum <\/em>e <em>Pennisetum<\/em>, de origem africana, e <em>Paspalum<\/em>, nativa das Am\u00e9ricas. Fonte:  adaptado de ABIEC &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carne (http:\/\/abiec.com.br\/publicacoes\/beef-report-2020\/).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Historicamente, as evid\u00eancias mostram que essas plantas vieram para o Brasil durante o per\u00edodo colonial, pois eram utilizadas como cama nos navios negreiros. Quando os navios chegavam em terras tupiniquins, as plantas eram jogadas em morros, e germinavam. As semelhan\u00e7as com as condi\u00e7\u00f5es edafo-clim\u00e1ticas (clima e solo) da \u00c1frica garantiram a boa adapta\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia dessas plantas no nosso pa\u00eds. E quando percebeu-se o potencial dessas forrageiras para uso em pastagens, uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica foi realizada para a coleta de diferentes gen\u00f3tipos com potencial forrageiro. A principal inten\u00e7\u00e3o era criar Bancos de Germoplasma (BAGs), ou seja, unidades que abrigam a diversidade gen\u00e9tica de uma esp\u00e9cie, para serem avaliados e explorados nos programas de melhoramento gen\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em escala macrosc\u00f3pica, essas plantas popularmente conhecidas como capim e mato, n\u00e3o parecem t\u00e3o curiosas. Por\u00e9m, microscopicamente, isto \u00e9, no DNA, elas guardam informa\u00e7\u00f5es valiosas, que podem ajudar os pesquisadores a entender melhor como importantes caracter\u00edsticas s\u00e3o herdadas, e os principais mecanismos gen\u00e9ticos e moleculares envolvidos nessas caracter\u00edsticas. As informa\u00e7\u00f5es encontradas em n\u00edvel microsc\u00f3pico possibilitam que a sele\u00e7\u00e3o de uma nova cultivar seja mais eficiente e r\u00e1pida. Mas engana-se quem pensa que essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o f\u00e1ceis de serem acessadas e compreendidas. E \u00e9 exatamente essa complexidade gen\u00e9tica que nos instiga.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores desafios \u00e9 a poliploidia. Imaginem que enquanto os seres humanos e a maioria dos animais e vegetais s\u00e3o diploides, por apresentarem apenas dois conjuntos cromoss\u00f4micos, sendo um vindo do pai e outro vindo da m\u00e3e, essas plantas podem apresentar quatro ou at\u00e9 seis desses conjuntos. Ent\u00e3o, um poliploide \u00e9 um organismo que cont\u00e9m mais do que os habituais dois conjuntos de cromossomos. Isso explica porque as forrageiras poliploides apresentam um genoma grande, complexo e com muita informa\u00e7\u00e3o para ser explorada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" width=\"242\" height=\"386\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-419\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit.png 242w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit-188x300.png 188w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig3_edit-169x270.png 169w\" sizes=\"(max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><figcaption>Representa\u00e7\u00e3o dos conjuntos cromoss\u00f4micos esperados para esp\u00e9cies diploides (2n), tetraploides (4n) e hexaploides (6n).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E para deix\u00e1-las ainda mais interessantes e desafiadoras, o modo reprodutivo predominante \u00e9 o apom\u00edtico. O termo apomixia no seu sentido mais amplo significa &#8220;longe do ato da mistura&#8221;, pois apo quer dizer &#8220;longe de&#8221; e mixia, &#8220;mistura&#8221;. Portanto, h\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o de sementes sem que haja fecunda\u00e7\u00e3o, e o resultado s\u00e3o plantas geneticamente id\u00eanticas (clones) \u00e0 planta m\u00e3e. A boa not\u00edcia \u00e9 que a apomixia nessas gram\u00edneas forrageiras \u00e9 geralmente do tipo facultativa, ou seja, as infloresc\u00eancias podem exibir ocasionalmente sacos mei\u00f3ticos pass\u00edveis de serem fecundados e originarem h\u00edbridos. Caso contr\u00e1rio, se a apomixia fosse obrigat\u00f3ria, seria imposs\u00edvel o melhoramento gen\u00e9tico dessas plantas, uma vez que n\u00e3o seria poss\u00edvel realizar cruzamentos e recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para gerar nova variabilidade. Mas n\u00e3o basta apenas elas serem apom\u00edticas facultativas. Os cruzamentos apenas s\u00e3o poss\u00edveis por tamb\u00e9m existirem gen\u00f3tipos que se reproduzem sexuadamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em um cruzamento, cruza-se um gen\u00f3tipo apom\u00edtico (doador de p\u00f3len) com um gen\u00f3tipo sexual, e a prog\u00eanie resultante \u00e9 formada por 50% de h\u00edbridos apresentando modo de reprodu\u00e7\u00e3o sexual, e a outra metade de h\u00edbridos com modo de reprodu\u00e7\u00e3o apom\u00edtico (1:1). H\u00edbridos sexuais promissores podem ser utilizados em novos cruzamentos, enquanto h\u00edbridos apom\u00edticos s\u00e3o avaliados agronomicamente visando a sele\u00e7\u00e3o de novos cultivares. N\u00e3o podemos deixar de ressaltar que a apomixia possibilita fixar o gen\u00f3tipo selecionado. Isso \u00e9 extremamente vantajoso nos programas de melhoramento, j\u00e1 que maiores s\u00e3o as possibilidades de desenvolver combina\u00e7\u00f5es g\u00eanicas e incorporar caracter\u00edsticas desej\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1001\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-1024x1001.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-445\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-1024x1001.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-300x293.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-768x751.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-276x270.png 276w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-24x24.png 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit-48x48.png 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/forrageiras_fig4_prnt_edit.png 1113w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>(A) Reprodu\u00e7\u00e3o assexuada por apomixia: uma planta apom\u00edtica produz sementes sem que haja fecunda\u00e7\u00e3o, e o resultado s\u00e3o plantas geneticamente id\u00eanticas (clones) \u00e0 planta apom\u00edtica. <br>(B) Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica de um cruzamento entre uma planta apom\u00edtica (que serve como doadora de p\u00f3len) com uma planta sexual. O resultado \u00e9 uma prog\u00eanie que apresenta dois modos de reprodu\u00e7\u00e3o: metade dos h\u00edbridos ir\u00e1 se reproduzir de forma sexuada (por meio de cruzamentos) e metade ir\u00e1 se reproduzir de forma assexuada (apomixia). As diferentes cores de cada h\u00edbrido simbolizam o embaralhamento gen\u00e9tico que ocorre no cruzamento entre as duas plantas.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos considerar que as gram\u00edneas forrageiras tropicais ainda est\u00e3o em processo de domestica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o melhoramento gen\u00e9tico aplicado a elas ainda \u00e9 muito recente. Isso significa que h\u00e1 pouco tempo estamos selecionando e \u201cmelhorando\u201d as caracter\u00edsticas de interesse nessas plantas, conforme as demandas do mercado. Atualmente, a principal demanda \u00e9 aumentar a qualidade nutricional e a produtividade das gram\u00edneas sem que haja um incremento das \u00e1reas de pastagem, contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas nativas. A produtividade est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de gen\u00f3tipos resistentes a estresses bi\u00f3ticos, como pragas, e tolerantes a estresses abi\u00f3ticos, tais como elevadas temperaturas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 pouco tempo, a sele\u00e7\u00e3o de novas cultivares era realizada a partir da variabilidade natural dos gen\u00f3tipos presentes nos BAGs. Essa abordagem \u00e9 relativamente simples e r\u00e1pida, mas \u00e9 uma fonte finita de possibilidades. Assim, para que um melhorista obtenha uma nova caracter\u00edstica ou mesmo a jun\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero de caracter\u00edsticas desej\u00e1veis no mesmo gen\u00f3tipo, s\u00e3o realizados cruzamentos entre gen\u00f3tipos da mesma esp\u00e9cie ou de esp\u00e9cies diferentes, em busca de nova variabilidade. Logo, o melhoramento de forrageiras, via o processo de hibrida\u00e7\u00e3o controlada, constitui-se a melhor op\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de novos cultivares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, esse processo de obten\u00e7\u00e3o de um gen\u00f3tipo que agregue o maior n\u00famero de caracter\u00edsticas desejadas, e que atendam \u00e0s necessidades do mercado, \u00e9 demorado e custoso. O lan\u00e7amento de uma nova cultivar leva cerca de 10 anos, e envolve n\u00e3o s\u00f3 os ciclos cont\u00ednuos de cruzamentos, mas um intenso trabalho de avalia\u00e7\u00e3o dos h\u00edbridos obtidos. Essa avalia\u00e7\u00e3o engloba desde o conhecimento das caracter\u00edsticas b\u00e1sicas da planta, como peso, medidas, qualidade nutritiva, resist\u00eancia \u00e0 doen\u00e7as e toler\u00e2ncia \u00e0 seca e alagamento, at\u00e9 o conhecimento da biologia como o n\u00edvel de ploidia, n\u00famero de cromossomos e modo de reprodu\u00e7\u00e3o (apom\u00edtico ou sexual). E j\u00e1 pensaram que essa planta precisa ser palat\u00e1vel (saborosa) para o gado? Pois \u00e9, na etapa final analisa-se a receptibilidade da planta pelos animais e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s demais regi\u00f5es do Brasil, o que permite a disponibiliza\u00e7\u00e3o de novas tecnologias no sistema de produ\u00e7\u00e3o, visando a expans\u00e3o da ind\u00fastria do gado sem que haja aumento nas \u00e1reas de pastagens. E n\u00e3o podemos deixar de destacar que, em paralelo a essas etapas, est\u00e1 o estudo das caracter\u00edsticas em n\u00edvel molecular e gen\u00f4mico, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o da variabilidade gen\u00e9tica respons\u00e1vel pela express\u00e3o do fen\u00f3tipo de interesse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para que aquele belo bife de picanha que introduziu essa conversa, chegue a sua mesa, uma s\u00e9rie de esfor\u00e7os e tempo foram despendidos anteriormente. As complexas e ricas forrageiras alimentam o gado e fomentam a nossa alimenta\u00e7\u00e3o. E o melhoramento gen\u00e9tico dessas esp\u00e9cies utilizadas em pastos \u00e9 o caminho que nos permite desfrutar dos prazeres da carne no prato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe eu quisesse agradar a todos, n\u00e3o daria a minha opini\u00e3o. Eu faria um churrasco!\u201d O leitor deve estar acostumado a ouvir essa frase, tendo em vista a popularidade do churrasco brasileiro e a sua import\u00e2ncia para nossa cultura. O que talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba \u00e9 que, al\u00e9m de carne e leite, n\u00f3s consumimos muitos outros produtos que v\u00eam do boi: os cascos e os chifres s\u00e3o utilizados na produ\u00e7\u00e3o de comidas para pets, compensados, pl\u00e1sticos, adesivos, filmes fotogr\u00e1ficos, shampoos&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/09\/16\/do-pasto-ao-prato\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":449,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[15,5,14,18,4],"tags":[],"class_list":["post-390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biotecnologia","category-diversidade-genetica","category-especies-cultivadas","category-genetica-molecular","category-melhoramento-genetico"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/09\/capa_alt.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/449"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=390"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":446,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390\/revisions\/446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}