{"id":494,"date":"2020-10-27T16:51:28","date_gmt":"2020-10-27T19:51:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/?p=494"},"modified":"2020-10-27T17:33:24","modified_gmt":"2020-10-27T20:33:24","slug":"o-dna-do-reflorestamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/10\/27\/o-dna-do-reflorestamento\/","title":{"rendered":"O DNA do reflorestamento"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil \u00e9 amplamente reconhecido no mundo como um <a href=\"https:\/\/www.mma.gov.br\/areas-protegidas\/unidades-de-conservacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pa\u00eds megabiodiverso<\/a>, ou seja, suas paisagens naturais abrigam uma imensa diversidade de esp\u00e9cies animais, vegetais e de todos os outros tipos. Isto \u00e9 resultado, pelo menos em parte, de sua extens\u00e3o geogr\u00e1fica continental, que inclui uma grande variedade de forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas, relevo e clima, que interagem entre si e com v\u00e1rios outros fatores e proporcionam uma grande heterogeneidade ambiental. <a href=\"https:\/\/www.mma.gov.br\/biomas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Brasil possui seis grandes biomas terrestres<\/a>. A Amaz\u00f4nia \u00e9 a maior floresta tropical do planeta que abriga cerca de 30 mil esp\u00e9cies de plantas e est\u00e1 associada a cerca de 20% de toda a reserva de \u00e1gua doce do planeta. Estima-se que o Cerrado brasileiro tenha 5% de toda a diversidade biol\u00f3gica do planeta. A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 uma das mais exuberantes florestas do mundo, e abriga uma quantidade enorme de esp\u00e9cies end\u00eamicas (esp\u00e9cies com distribui\u00e7\u00e3o restrita e que ocorrem apenas neste local). A Caatinga, paisagem t\u00edpica do nordeste brasileiro e do norte de Minas Gerais, \u00e9 habitada por cerca de 27 milh\u00f5es de pessoas que s\u00e3o altamente dependentes de seus recursos naturais. O Pampa, na regi\u00e3o sul do Brasil, \u00e9 dominado por campos com fauna e flora pr\u00f3prios. N\u00e3o menos exuberante, o Pantanal \u00e9 um bioma de grande beleza e que frequentemente serve de ref\u00fagio para esp\u00e9cies amea\u00e7adas em outros biomas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"694\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-499\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1.png 714w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1-300x292.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1-278x270.png 278w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1-24x24.png 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig1-48x48.png 48w\" sizes=\"(max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><figcaption>Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos biomas terrestres brasileiros<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Cada um desses ambientes abriga diferentes tipos de vegeta\u00e7\u00e3o e de fauna, sendo que frequentemente as diferen\u00e7as entre biomas s\u00e3o mais facilmente percebidas pelas diferen\u00e7as na vegeta\u00e7\u00e3o. Entretanto, muito mais do que elementos que nos permitem classificar diferentes biomas, as plantas dos ambientes terrestres e as algas e seres fotossintetizantes dos ambientes aqu\u00e1ticos s\u00e3o a base para a ocorr\u00eancia de outras formas de vida. Os animais dependem direta ou indiretamente das plantas e outros seres fotossintetizantes para obter energia para viver, por meio da alimenta\u00e7\u00e3o. Como a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos componentes mais importantes da biota, seu estado de conserva\u00e7\u00e3o e de continuidade definem a exist\u00eancia ou n\u00e3o de h\u00e1bitats para todas as esp\u00e9cies, a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ambientais (por exemplo, a poliniza\u00e7\u00e3o e os <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/279543288\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201crios voadores\u201d<\/a>) e o fornecimento de bens essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es humanas (por exemplo, preserva\u00e7\u00e3o de nascentes de rios). Desta forma, preservar as florestas e outros tipos de vegeta\u00e7\u00e3o, bem como rios, mares e oceanos, \u00e9 uma garantia de que as outras formas de vida da natureza tamb\u00e9m sejam preservadas (n\u00e3o se esque\u00e7a de que aqui est\u00e3o os humanos tamb\u00e9m).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 extremamente preocupante que estejamos vivendo um tempo de grande n\u00famero de not\u00edcias tristes sobre degrada\u00e7\u00e3o ambiental. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/am\/amazonas\/noticia\/2020\/08\/29\/com-mais-de-7-mil-registros-no-de-focos-de-queimadas-no-am-em-agosto-e-o-maior-dos-ultimos-22-anos.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Desde 1998 n\u00e3o hav\u00edamos registrado tantos focos de inc\u00eandio (7.620) na Amaz\u00f4nia em um m\u00eas de agosto<\/a>. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2020\/07\/02\/em-33-anos-amazonia-perdeu-724-mil-km-de-floresta-e-vegetacao-em-regiao-que-abrange-9-paises.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudos<\/a> revelaram que entre 1985 e 2018 foram devastados 724 mil Km<sup>2<\/sup> na Amaz\u00f4nia, uma \u00e1rea correspondente a soma dos territ\u00f3rios dos estados de Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo! <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-05\/desmatamento-na-mata-atlantica-cresce-272-diz-relatorio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Entre 2018 e 2019 o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica cresceu 27% em rela\u00e7\u00e3o aos anos de 2017 e 2018<\/a>. Nos \u00faltimos meses o notici\u00e1rio tem sido invadido por not\u00edcias lament\u00e1veis sobre a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/10\/amazonia-tem-2o-pior-setembro-de-queimadas-da-decada-e-pantanal-tem-pior-mes-da-historia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">situa\u00e7\u00e3o muito grave dos inc\u00eandios no Pantanal<\/a>. Estes s\u00e3o apenas alguns exemplos de situa\u00e7\u00f5es que vivemos e de problemas que teremos que enfrentar no futuro pr\u00f3ximo se quisermos desacelerar a degrada\u00e7\u00e3o ambiental antes que ela se torne irrevers\u00edvel. Al\u00e9m disso, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 longe de ser um problema apenas do Brasil. <a href=\"http:\/\/www.fao.org\/in-action\/forest-landscape-restoration-mechanism\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO)<\/a> estima que em todo o mundo mais de 2 bilh\u00f5es de hectares de terras (o que corresponde \u00e0 \u00e1rea da Am\u00e9rica do Sul!) estejam degradas, prejudicando a biodiversidade e aos pr\u00f3prios humanos. Uma das formas de enfrentar esse problema \u00e9 trabalhar para que as paisagens vegetais degradadas sejam recuperadas, e como veremos a gen\u00e9tica tem um papel essencial para tal recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COMO A GEN\u00c9TICA ENTRA NO JOGO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em posts anteriores vimos como a variabilidade gen\u00e9tica \u00e9 importante para a manuten\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, ao proporcionar meios para que suas popula\u00e7\u00f5es persistam em um ambiente constantemente sujeito a mudan\u00e7as. No contexto de degrada\u00e7\u00e3o de paisagens, o desflorestamento causa a redu\u00e7\u00e3o imediata do n\u00famero de indiv\u00edduos das popula\u00e7\u00f5es de plantas, al\u00e9m da fragmenta\u00e7\u00e3o das florestas, que passam de \u00e1reas cont\u00ednuas para fragmentos florestais separados por paisagens antr\u00f3picas. Ambos processos geralmente t\u00eam consequ\u00eancias gen\u00e9ticas importantes. A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de indiv\u00edduos de uma esp\u00e9cie pode estar associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da sua variabilidade gen\u00e9tica. Esta redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre apenas no momento do desflorestamento, mas continua ao longo do tempo por meio de dois fatores principais conhecidos como <strong>deriva gen\u00e9tica<\/strong> e <strong>endogamia<\/strong>. Por sua vez, a fragmenta\u00e7\u00e3o florestal pode restringir a movimenta\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos entre \u00e1reas isoladas, diminuindo o <strong>fluxo g\u00eanico<\/strong> entre popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A deriva gen\u00e9tica causa redu\u00e7\u00e3o na diversidade gen\u00e9tica ao longo do tempo devido a amostragem aleat\u00f3ria de gametas para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o. As popula\u00e7\u00f5es de todas as esp\u00e9cies est\u00e3o sujeitas \u00e0 deriva gen\u00e9tica porque todas elas s\u00e3o constitu\u00eddas por um n\u00famero finito de indiv\u00edduos, e nem todos estes indiv\u00edduos contribuem igualmente para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o. Por exemplo, os indiv\u00edduos podem apresentar diferen\u00e7as na quantidade produzida de espermatozoides e \u00f3vulos, nem todos possuem a mesma chance de acasalar, pode existir diferen\u00e7a no n\u00famero de descendentes deixados por cada indiv\u00edduo etc. Na figura abaixo vemos uma representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica da deriva gen\u00e9tica ao longo de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es em uma popula\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie qualquer. Por simplicidade, a diversidade gen\u00e9tica \u00e9 representada por duas formas variantes de um gene (bolinhas com cores diferentes) presente em uma popula\u00e7\u00e3o com 10 indiv\u00edduos, sendo que cada indiv\u00edduo possui duas c\u00f3pias deste gene. Os indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o podem at\u00e9 escolher seus parceiros de cruzamento, mas n\u00e3o podem controlar como seus gametas ir\u00e3o se combinar, por isso os genes ser\u00e3o herdados na forma de combina\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias de gametas. Embora no nosso cen\u00e1rio hipot\u00e9tico a popula\u00e7\u00e3o inicie com a mesma quantidade de cada um de seus dois genes diferentes, o acaso na uni\u00e3o dos gametas ir\u00e1 afetar a quantidade destes genes nas gera\u00e7\u00f5es sucessivas. Desta forma a deriva gen\u00e9tica resultar\u00e1 na varia\u00e7\u00e3o da quantidade de genes diferentes em uma popula\u00e7\u00e3o ao longo das gera\u00e7\u00f5es. Aqui temos dois detalhes importantes. O primeiro deles \u00e9 que quanto menor for a quantidade de um dos genes, mais prov\u00e1vel \u00e9 que ele n\u00e3o seja amostrado para formar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. Assim a deriva gen\u00e9tica em longo prazo pode causar a perda da diversidade gen\u00e9tica em popula\u00e7\u00f5es. O segundo detalhe \u00e9 que, quanto menor for o n\u00famero de indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o os efeitos da deriva gen\u00e9tica. Isto \u00e9, quanto menor o n\u00famero de indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o, mais sujeita ela estar\u00e1 a perda de diversidade gen\u00e9tica causada pela deriva.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"842\" height=\"324\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-500\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig2.png 842w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig2-300x115.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig2-768x296.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig2-604x232.png 604w\" sizes=\"(max-width: 842px) 100vw, 842px\" \/><figcaption>Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica da deriva gen\u00e9tica ao longo das gera\u00e7\u00f5es em uma popula\u00e7\u00e3o inicialmente com 10 indiv\u00edduos heterozigotos para 2 alelos (bolinhas de cores diferentes). Em cada gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o representados dois quadros, um com os indiv\u00edduos adultos e outro com os gametas dispon\u00edveis para a forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. Os gametas de cada alelo est\u00e3o em propor\u00e7\u00f5es iguais \u00e0quelas dos indiv\u00edduos adultos. Em popula\u00e7\u00f5es pequenas a deriva gen\u00e9tica pode causar a perda de alelos, diminuindo a diversidade gen\u00e9tica.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Popula\u00e7\u00f5es de plantas com n\u00famero reduzido de indiv\u00edduos em fragmentos florestais tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitas \u00e0 endogamia, que \u00e9 o cruzamento entre indiv\u00edduos aparentados. Com o passar do tempo, \u00e9 natural que em uma \u00e1rea restrita (como um fragmento florestal) os indiv\u00edduos tornem-se cada vez mais aparentados entre si, pois as possibilidades de cruzamento est\u00e3o restringidas aos indiv\u00edduos que ocupam a mesma \u00e1rea. Uma das consequ\u00eancias gen\u00e9ticas da endogamia tamb\u00e9m \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica. Imagine a mesma popula\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o 1 da figura acima sem a influ\u00eancia da deriva gen\u00e9tica. Mesmo que todos os indiv\u00edduos sejam heterozigotos (com dois alelos diferentes de um gene), sob cruzamento ao acaso (todos os indiv\u00edduos t\u00eam a mesma chance de reproduzir-se) a cada gera\u00e7\u00e3o uma propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos homozigotos (com duas c\u00f3pias do mesmo alelo de um gene) ser\u00e1 acrescentada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Consequentemente, a propor\u00e7\u00e3o de heterozigotos ir\u00e1 diminuir ao longo do tempo. O problema do aumento da propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos homozigotos est\u00e1 no fato de que popula\u00e7\u00f5es naturalmente apresentam uma propor\u00e7\u00e3o de <strong>alelos delet\u00e9rios<\/strong>, que s\u00e3o formas variantes de um gene que quando em homozigose reduzem a capacidade de sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Desta forma, popula\u00e7\u00f5es pequenas em fragmentos florestais s\u00e3o grandemente impactadas pela perda de diversidade gen\u00e9tica e diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de sobreviv\u00eancia devido a soma dos efeitos da deriva e endogamia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1006\" height=\"277\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-501\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig3.png 1006w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig3-300x83.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig3-768x211.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig3-604x166.png 604w\" sizes=\"(max-width: 1006px) 100vw, 1006px\" \/><figcaption>Consequ\u00eancia gen\u00e9tica da endogamia ao longo das gera\u00e7\u00f5es.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, a fragmenta\u00e7\u00e3o das florestas causa sua separa\u00e7\u00e3o espacial, o que pode dificultar o movimento de indiv\u00edduos, gametas (gr\u00e3os de p\u00f3len, por exemplo) ou prop\u00e1gulos (sementes, por exemplo) entre \u00e1reas diferentes. Sem este movimento ser\u00e1 mais dif\u00edcil que indiv\u00edduos em \u00e1reas diferentes cruzem entre si, restringindo o que chamamos de fluxo g\u00eanico (a troca de material gen\u00e9tico entre diferentes popula\u00e7\u00f5es). A restri\u00e7\u00e3o do fluxo g\u00eanico tamb\u00e9m contribui para a diminui\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica ao longo do tempo, ao diminuir a quantidade de alelos diferentes quem pode existir dentro de uma popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, como as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o interagindo geneticamente entre si, elas come\u00e7am a evoluir de forma independente, sendo que a deriva gen\u00e9tica e a endogamia ir\u00e3o atuar de forma independente em cada uma delas. Cabe ressaltar que a restri\u00e7\u00e3o do fluxo g\u00eanico causada por fragmenta\u00e7\u00e3o florestal pode ter consequ\u00eancias n\u00e3o somente para as esp\u00e9cies de plantas, mas tamb\u00e9m para outros organismos. O movimento de animais entre os fragmentos florestais isolados tamb\u00e9m pode ser comprometido. Um exemplo claro (e triste) \u00e9 o grande n\u00famero de animais atropelados nas nossas rodovias.<\/p>\n\n\n\n<p> Ao vermos brevemente as rela\u00e7\u00f5es entre a degrada\u00e7\u00e3o das florestas e a diversidade gen\u00e9tica de suas popula\u00e7\u00f5es deve estar claro a import\u00e2ncia da gen\u00e9tica para os programas de reflorestamento. O plantio de mudas de \u00e1rvores garante o aumento do n\u00famero de indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante que os programas de reflorestamento sejam planejados de modo a inserir a maior varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica poss\u00edvel nas \u00e1reas replantadas, de modo a minimizar os impactos da deriva gen\u00e9tica e endogamia em popula\u00e7\u00f5es de fragmentos florestais. Os geneticistas podem contribuir para planos de reflorestamento, por exemplo, indicando conjuntos de plantas matrizes (produtoras de sementes) heterozigotas para v\u00e1rios locos gen\u00f4micos e ao selecionar conjuntos de mudas de \u00e1rvores com elevados n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica. A monitora\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica existentes em popula\u00e7\u00f5es de fragmentos florestais tamb\u00e9m \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o essencial para o gerenciamento dos programas de reflorestamento. A coleta de sementes para a produ\u00e7\u00e3o das mudas a serem utilizadas no reflorestamento pode ser direcionada para as regi\u00f5es com elevados n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica. A avalia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica pode identificar regi\u00f5es com menores n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica e que, portanto, s\u00e3o priorit\u00e1rias para o estabelecimento de programas de restaura\u00e7\u00e3o florestal. Os geneticistas tamb\u00e9m podem identificar regi\u00f5es nas quais existe grande varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre as popula\u00e7\u00f5es de fragmentos isolados, que tamb\u00e9m s\u00e3o priorit\u00e1rias pois existe um sinal de que h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es ao fluxo g\u00eanico entre popula\u00e7\u00f5es. Neste caso, uma boa estrat\u00e9gia inicial poderia ser o plantio de florestas em uma \u00e1rea entre os fragmentos existentes. Mesmo que ainda geograficamente isoladas, essas \u00e1reas intermedi\u00e1rias podem ser suficientes para diminuir a dist\u00e2ncia entre os indiv\u00edduos em popula\u00e7\u00f5es separadas, de modo que a movimenta\u00e7\u00e3o de alelos entre diferentes fragmentos se torne mais f\u00e1cil. A consequ\u00eancia disso \u00e9 o restabelecimento do fluxo g\u00eanico, que ao longo do tempo contribui para que ocorra a troca de alelos entre popula\u00e7\u00f5es diferentes, auxiliando na manuten\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica das suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"648\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-1024x648.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-502\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-1024x648.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-300x190.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-768x486.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-1536x972.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4-427x270.png 427w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/10\/reflorestamento_fig4.png 1564w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Esquema do processo de fragmenta\u00e7\u00e3o florestal e resultados esperados para um programa de reflorestamento. Usado sob CC-BY-NC (<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/3.0\/\">https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/3.0\/<\/a>), traduzido e adaptado do original.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Garantir a recupera\u00e7\u00e3o das florestas \u00e9 uma estrat\u00e9gia chave para a manuten\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. A prote\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e o uso racional das florestas \u00e9 inclusive um dos objetivos priorit\u00e1rios da \u201cAgenda 2030\u201d da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), <a href=\"http:\/\/www.agenda2030.com.br\/ods\/15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um plano mundial para a transforma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das na\u00e7\u00f5es mundiais de forma mais justa<\/a>. O objetivo e consequ\u00eancia principal do reflorestamento \u00e9 o que chamamos de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. A recupera\u00e7\u00e3o de paisagens naturais por meio de sua revegeta\u00e7\u00e3o abre caminho para que as outras esp\u00e9cies recolonizem seus h\u00e1bitats originais em \u00e1reas anteriormente degradadas, restabelecendo as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e garantindo a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies e a automanuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em longo prazo. Apesar de vivermos numa \u00e9poca preocupante com rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, ainda existem meios de revertermos essa hist\u00f3ria (que influencia grandemente a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria), como <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2784-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sugerido num estudo<\/a> recentemente publicado na prestigiosa revista cient\u00edfica Nature com a contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios cientistas brasileiros. Os autores demonstraram que a restaura\u00e7\u00e3o de apenas 15% de toda \u00e1rea florestal atualmente modificada em regi\u00f5es estrat\u00e9gicas poderia evitar at\u00e9 60% de todas as extin\u00e7\u00f5es previstas, al\u00e9m de remover 30% de todo o g\u00e1s carb\u00f4nico (CO<sub>2<\/sub>) adicionado \u00e0 atmosfera terrestre desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial no final do s\u00e9culo XVIII. Como vimos neste pequeno ensaio, a gen\u00e9tica pode contribuir bastante para a recupera\u00e7\u00e3o de nossas florestas degradas e recupera\u00e7\u00e3o do ambiente de qual dependemos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia mais<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>.<strong>..sobre desmatamento (infogr\u00e1fico):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2020\/07\/02\/em-33-anos-amazonia-perdeu-724-mil-km-de-floresta-e-vegetacao-em-regiao-que-abrange-9-paises.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2020\/07\/02\/em-33-anos-amazonia-perdeu-724-mil-km-de-floresta-e-vegetacao-em-regiao-que-abrange-9-paises.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8230;sobre a rede que estuda e monitora a cobertura e uso do solo (p\u00e1gina do MapBiomas Brasil):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/Infograficos\/MBI-colecao4.1-brasil-LA-ok.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/Infograficos\/MBI-colecao4.1-brasil-LA-ok.jpg<\/a> e <a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/mapbiomas.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8230;sobre rios voadores:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/vimeo.com\/279543288\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vimeo.com\/279543288<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-41118902\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-41118902<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Allendrof FW, Luikart G, Aitken SN. 2013. <em>Conservation and the Genetics of Populations<\/em>. West Sussex: Wiley-Blackwell, 602 p.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.landusepol.2020.104863\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Azevedo-Ramos C, Moutinho P, Arruda VLS, Stabile MCC, Alencar A, Castro I, Ribeiro JP. 2020. Lawless land in no man\u2019s land: The undesignated public forests in the Brazilian Amazon. <em>Land Use Policy<\/em>, 99: 104863.<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>Frankham R, Ballou JD, Briscoe DA. 2008. <em>Fundamentos de gen\u00e9tica da conserva\u00e7\u00e3o<\/em>. Ribeir\u00e3o Preto: Editora SBG, 280 p.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-020-2784-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Strassburg BBN, Iribarrem A, Beyer HL, et al. 2020. Global priority areas for ecosystem restoration. <em>Nature<\/em>.<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/rec.12620\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zucchi MI, Mori GM, Sujii PS, et al. 2018. Genetic diversity of reintroduced tree populations in restoration plantations of the Brazilian Atlantic Forest. Restoration Ecology, 26(4):694-701.<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 amplamente reconhecido no mundo como um pa\u00eds megabiodiverso, ou seja, suas paisagens naturais abrigam uma imensa diversidade de esp\u00e9cies animais, vegetais e de todos os outros tipos. Isto \u00e9 resultado, pelo menos em parte, de sua extens\u00e3o geogr\u00e1fica continental, que inclui uma grande variedade de forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas, relevo e clima, que interagem entre si e com v\u00e1rios outros fatores e proporcionam uma grande heterogeneidade ambiental. O Brasil possui seis grandes biomas terrestres. A Amaz\u00f4nia \u00e9 a maior&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/10\/27\/o-dna-do-reflorestamento\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":449,"featured_media":498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5,16,8],"tags":[],"class_list":["post-494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade-genetica","category-evolucao","category-populacoes-naturais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/449"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=494"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":538,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494\/revisions\/538"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}