{"id":542,"date":"2020-11-15T11:30:08","date_gmt":"2020-11-15T14:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/?p=542"},"modified":"2020-11-15T16:10:11","modified_gmt":"2020-11-15T19:10:11","slug":"projeto-investiga-variacoes-e-padroes-de-cromossomos-sexuais-e-b-de-animais-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/11\/15\/projeto-investiga-variacoes-e-padroes-de-cromossomos-sexuais-e-b-de-animais-parte-ii\/","title":{"rendered":"Projeto investiga varia\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es de cromossomos sexuais e B de animais &#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem gostou da <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/10\/05\/pesquisa-ajuda-a-desvendar-variacoes-e-padroes-em-cromossomos-sexuais-e-b-de-especies-evolutivamente-independentes-parte-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeira parte<\/a> da reportagem, vale a pena conferir a continua\u00e7\u00e3o aqui. Na postagem anterior, introduzimos conceitos e tipos de cromossomos sexuais conservados ou n\u00e3o, defini\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rico&nbsp; de cromossomos B,&nbsp; import\u00e2ncia e tipos de polimorfismos [varia\u00e7\u00f5es] cromoss\u00f4micos, um olhar sobre o <em>drive &#8211;<\/em> mecanismo de perpetua\u00e7\u00e3o que cromossomos B podem realizar na meiose -, entre outros t\u00f3picos b\u00e1sicos e avan\u00e7ados da Citogen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora vamos desenvolver alguns achados sobre polimorfismos em cromossomos sexuais, bem como discutir sobre a fun\u00e7\u00e3o que os cromossomos B podem representar para esp\u00e9cies ou para indiv\u00edduos que portam esses cromossomos extras. Nesse contexto \u00e9 que continua o projeto tem\u00e1tico \u201cCromossomos sexuais, cromossomos B e seus enigmas: sistemas modelo para estudos de evolu\u00e7\u00e3o cromoss\u00f4mica e gen\u00f4mica\u201d, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). Al\u00e9m desse projeto apresentar abordagens diferenciais e novas perspectivas, h\u00e1 quem considere que desvendar enigmas de cromossomos \u00e9 desvendar parte dos mist\u00e9rios da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica dentro dos organismos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta segunda parte da reportagem para o blog <strong>DNA explica<\/strong>, seguimos com algumas contribui\u00e7\u00f5es de Cesar Martins (coordenador do projeto), Adauto Lima Cardoso (p\u00f3s-doutorando do projeto) e Jordana Oliveira (doutoranda do projeto). Mas, al\u00e9m disso, concentramos aten\u00e7\u00e3o nas falas de mais dois pesquisadores do tem\u00e1tico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Diogo C. Cabral de Mello do Departamento de Biologia Geral e Aplicada, no Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp de Rio Claro (SP);<\/li><li>Marcelo R. Vicari do Departamento de Biologia Estrutural, Molecular e Gen\u00e9tica, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) no Paran\u00e1. <strong>&nbsp;<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>UMA PITADA SOBRE POLIMORFISMOS DOS CROMOSSOMOS SEXUAIS DE GAFANHOTO E DE PEIXE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os polimorfismos que ocorrem nos cromossomos sexuais est\u00e3o entre os mais importantes e curiosos, afinal, s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es que podem ter efeito na raz\u00e3o sexual e na reprodu\u00e7\u00e3o sexual das esp\u00e9cies.&nbsp; Diogo Cabral de Mello comenta que, em se tratando de cromossomos sexuais de gafanhotos, \u201ch\u00e1 esp\u00e9cies ou popula\u00e7\u00f5es com o sistema sexual ancestral do tipo X0, onde os machos t\u00eam um cromossomo X e as f\u00eameas t\u00eam dois XX, mas tamb\u00e9m h\u00e1 popula\u00e7\u00f5es com sistemas sexuais derivados em que os machos s\u00e3o do tipo XY e que podem ter m\u00faltiplas variantes\u201d. A partir disso, o grupo de pesquisa de Diogo est\u00e1 investigando se os machos que possuem um tipo espec\u00edfico de cromossomo Y apresentam alguma vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos machos que possuem outras variantes deste cromossomo na popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o maior achado que Diogo obteve at\u00e9 ent\u00e3o foi dentro do pr\u00f3prio cromossomo Y, indicando que este tem pelo menos cinco variantes. \u201cObservamos em uma popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie <em>Ronderosia bergii <\/em>de gafanhoto que ocorrem pelo menos cinco tipos de cromossomos Y e que a frequ\u00eancia de cromossomos Y \u00e9 maior em embri\u00f5es do que em adultos. Por isso, temos uma hip\u00f3tese de que esta variante, que \u00e9 a que permanece at\u00e9 a vida adulta, \u00e9 mais vantajosa para indiv\u00edduos portadores\u201d, explica o geneticista. Outra hip\u00f3tese do seu grupo de pesquisa \u00e9 que \u201cdeve haver uma press\u00e3o seletiva do ambiente para deixar uma variante de cromossomo Y mais comum na popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os polimorfismos de cromossomos sexuais tamb\u00e9m s\u00e3o bastante pesquisados em peixes pelo grupo de Marcelo Vicari. Diferentemente dos mam\u00edferos, Marcelo salienta que \u201cna grande maioria dos organismos, pouco se sabe como os cromossomos sexuais est\u00e3o organizados e, menos ainda \u00e9 conhecido sobre quais os genes que atuam na determina\u00e7\u00e3o do sexo\u201d. O sistema de cromossomos sexuais ZZ\/ZW \u00e9 apenas um de v\u00e1rios que ocorrem em esp\u00e9cies de peixes e \u00e9 este sistema que Marcelo est\u00e1 estudando em uma esp\u00e9cie conhecida vulgarmente por charuto ou canivete. \u201cNesse peixe, ao contr\u00e1rio dos humanos, \u00e9 a f\u00eamea que tem as duas possibilidades de cromossomos sexuais, ou seja, elas s\u00e3o ZW, enquanto os machos s\u00e3o ZZ\u201d, pondera o geneticista. Ap\u00f3s estudos que associaram Citogen\u00e9tica e Gen\u00f4mica, Marcelo e colaboradores j\u00e1 identificaram e caracterizaram a maior parte das sequ\u00eancias de DNA que tornaram o cromossomo sexual W claramente diferente do Z. Com esse conjunto de dados, Marcelo pretende entender se alguns desses genes descritos est\u00e3o envolvidos na determina\u00e7\u00e3o do sexo desse peixe. Sobre isso, Marcelo ressalta que \u201co mecanismo gen\u00e9tico de determina\u00e7\u00e3o do sexo (genes que desencadeiam a forma\u00e7\u00e3o do sexo do embri\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 conhecido para nenhuma esp\u00e9cie de peixe que ocorre nos rios brasileiros\u201d. Al\u00e9m disso, \u201cao conhecer esses genes determinantes do sexo em sistemas ZZ\/ZW, poderemos explorar a determina\u00e7\u00e3o sexual de outras esp\u00e9cies que possuem sistemas sexuais similares\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-550\" width=\"580\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig1.jpg 966w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig1-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig1-768x439.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig1-473x270.jpg 473w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption><br>\u00c0 direita, cromossomos submetidos \u00e0 t\u00e9cnica de FISH (Fluorescent <em>in situ<\/em> Hybridization) para localiza\u00e7\u00e3o de segmentos espec\u00edficos de DNA no cromossomo sexual W. \u00c0 esquerda, localiza\u00e7\u00e3o de elementos transpon\u00edveis de DNA nesse cromossomo (En\/Spm, Tc1-Mariner e Helitron). Cr\u00e9dito: Marcelo R. Vicari.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CROMOSSOMOS B S\u00c3O APENAS PARASITAS OU TRAZEM ALGUMA VANTAGEM PARA A ESP\u00c9CIE? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta \u00e9 depende, pois os estudos t\u00eam demonstrado que a fun\u00e7\u00e3o do cromossomo B varia entre as esp\u00e9cies. Para Jordana, \u201cse considerarmos que os cromossomos B vieram dos cromossomos A n\u00e3o associados ao sexo (os chamados cromossomos autoss\u00f4micos que fazem parte do cari\u00f3tipo regular), e que cada esp\u00e9cie tem seu conjunto de cromossomos autoss\u00f4micos, ent\u00e3o os cromossomos B poder\u00e3o ter uma fun\u00e7\u00e3o ou um comportamento espec\u00edfico em cada esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No roedor que o projeto tem\u00e1tico estuda, h\u00e1 sequ\u00eancias de genes que ocorrem tanto nos cromossomos sexuais quanto nos cromossomos B e, por isso, o grupo de pesquisa est\u00e1 fazendo an\u00e1lise em larga escala, produzindo milh\u00f5es de sequ\u00eancias de genes para tentar entender quais sequ\u00eancias s\u00e3o essas compartilhadas e se elas possuem alguma fun\u00e7\u00e3o. Uma informa\u00e7\u00e3o curiosa que relaciona os cromossomos sexuais e B de algumas esp\u00e9cies \u00e9 que quando os cromossomos B est\u00e3o presentes no organismo, geralmente determinam o sexo feminino. Nesse sentido, Cesar e seu grupo de pesquisa t\u00eam tentado entender melhor porque h\u00e1 o favorecimento de f\u00eameas na meiose [divis\u00e3o de c\u00e9lulas sexuais] e se isso traz algum valor adaptativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o geneticista Diogo Cabral de Mello, h\u00e1 uma tend\u00eancia de generalizar os cromossomos B como \u201cego\u00edstas\u201d por duas raz\u00f5es: uma \u00e9 pela quest\u00e3o hist\u00f3rica de casos cl\u00e1ssicos descobertos em que esses cromossomos afetam seus hospedeiros, reduzindo caracteres de efic\u00e1cia biol\u00f3gica, como vigor e viabilidade de gametas; outra \u00e9 porque esses cromossomos realizam o <em>drive<\/em> mei\u00f3tico para se perpetuar e acabam acumulando nas c\u00e9lulas, como se&nbsp; houvesse apenas benef\u00edcios para os cromossomos B e nenhum benef\u00edcio para seus hospedeiros. Por\u00e9m, com o avan\u00e7o dos estudos, \u201choje conhecemos diversos casos em que os cromossomos B podem conferir alguma vantagem para o indiv\u00edduo ou para popula\u00e7\u00e3o, ou casos em que os cromossomos B atuam na diferencia\u00e7\u00e3o de um fen\u00f3tipo externo (cor, tamanho, peso, sexo) ou de algum aspecto molecular da c\u00e9lula\u201d, acrescenta o pesquisador. Para Diogo, um dos exemplos mais interessantes nesse sentido \u00e9 uma esp\u00e9cie de roedor em que os indiv\u00edduos machos portadores de cromossomos B possuem <a href=\"https:\/\/cdnsciencepub.com\/doi\/abs\/10.1139\/z03-128\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">maior massa corp\u00f3rea<\/a> e, com isso, tendem a ter uma vantagem adaptativa para passarem o inverno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALGUMAS NOVIDADES SOBRE CROMOSSOMOS B DE GAFANHOTO ESTUDADOS NO PROJETO TEM\u00c1TICO <\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 citado anteriormente, um dos modelos de estudo do projeto tem\u00e1tico \u00e9 uma esp\u00e9cie de gafanhoto (<em>Abracris flavolineata<\/em>), cujas popula\u00e7\u00f5es coletadas no projeto est\u00e3o distribu\u00eddas em bordas de florestas de diferentes regi\u00f5es do Brasil (Norte, Nordeste e Sudeste) e at\u00e9 na Argentina. Do ponto de vista populacional, essa e outras esp\u00e9cies de insetos possuem cromossomos B em que predomina heterocromatina &#8211; fra\u00e7\u00e3o do genoma que \u00e9 pobre em genes e que est\u00e1 associada a DNAs repetitivos.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-1024x566.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-551\" width=\"265\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-1024x566.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-300x166.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-768x425.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-1536x849.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-488x270.jpg 488w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2-1038x576.jpg 1038w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig2.jpg 1904w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><figcaption>Gafanhoto <em>Abracris flavolineata<\/em>. Cr\u00e9dito: Diogo C. Cabral-de-Mello.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, Diogo Cabral de Mello encontrou cromossomos B muito distintos em composi\u00e7\u00e3o para o que \u00e9 conhecido em gafanhotos at\u00e9 ent\u00e3o. \u201cCuriosamente, aqui em Rio Claro-SP, n\u00f3s&nbsp; encontramos uma popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie <em>Abracris flavolineata<\/em> de gafanhoto que tem cromossomos B completamente eucrom\u00e1ticos (geralmente ricos em sequ\u00eancias de genes). Com sequenciamento gen\u00f4mico associado a estudos cromoss\u00f4micos, n\u00f3s identificamos que existem muito mais sequ\u00eancias do cromossomo B que s\u00e3o eucrom\u00e1ticas\u201d, explica Diogo. Em outras palavras, \u201c\u00e9 como se as regi\u00f5es eucrom\u00e1ticas t\u00edpicas das regi\u00f5es ricas em genes dos cromossomos A (regulares) estivessem mais representadas nos cromossomos B (extras)\u201d, acrescenta o geneticista.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses dados diferem de outras popula\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria esp\u00e9cie, como a popula\u00e7\u00e3o da Argentina que tem cromossomos B heterocrom\u00e1ticos. Para Diogo, isso permite explorar quest\u00f5es interessantes a n\u00edvel evolutivo: \u201co fato dos cromossomos B em algumas popula\u00e7\u00f5es terem uma caracter\u00edstica mais conservada do que outras sugere que h\u00e1 popula\u00e7\u00f5es com origens ou tempos evolutivos diferentes, mesmo sendo da mesma esp\u00e9cie\u201d. Por exemplo, \u201co cromossomo B da popula\u00e7\u00e3o desse gafanhoto na Argentina pode ser mais antigo ou ter se diferenciado mais r\u00e1pido do que a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Rio Claro, uma vez que os cromossomos B t\u00eam a tend\u00eancia evolutiva de se heterocromatinizar\u201d, pontua Diogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O QUE DISTINGUE ESTE PROJETO TEM\u00c1TICO EM RELA\u00c7\u00c3O A OUTRAS PESQUISAS? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 in\u00fameros grupos de pesquisa investigando a estrutura e a fun\u00e7\u00e3o de cromossomos sexuais de animais, mas para Cesar o projeto tem\u00e1tico possui alguns diferenciais: um deles \u00e9 utilizar modelos biol\u00f3gicos em rela\u00e7\u00e3o aos cromossomos sexuais que possuem um material gen\u00e9tico ainda em intensa din\u00e2mica evolutiva, como insetos e peixes; outro \u00e9 abordar uma intersec\u00e7\u00e3o entre cromossomos sexuais e cromossomos B em uma esp\u00e9cie de roedor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"757\" height=\"146\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-552\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig3.jpg 757w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig3-300x58.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig3-604x116.jpg 604w\" sizes=\"(max-width: 757px) 100vw, 757px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s an\u00e1lises, o grupo de pesquisa tamb\u00e9m est\u00e1 permitindo um entendimento mais amplo sobre os polimorfismos cromoss\u00f4micos estudados gra\u00e7as \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de abordagens. \u201c\u00c9 muito mais frequente vermos pesquisas que analisam cromossomos apenas olhando diretamente para eles por meio de t\u00e9cnicas citogen\u00e9ticas, mas em nosso projeto, al\u00e9m desse tipo de an\u00e1lise, utilizamos metodologias moleculares e gen\u00f4micas para buscar responder nossas quest\u00f5es\u201d, complementa Adauto.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-553\" 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Unesp.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-top is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig5-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-554\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig5-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig5-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_fig5-768x576.jpg 768w, 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Vicari, geneticista e docente da UEPG que \u00e9 pesquisador do projeto tem\u00e1tico.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro diferencial do projeto tem\u00e1tico \u00e9 a sinergia entre seus pesquisadores, tanto em investiga\u00e7\u00e3o quanto em divulga\u00e7\u00e3o. Marcelo destaca que \u201cos grupos se complementam e se somam no que cada um tem maior experi\u00eancia e conhecimento e, desta forma, tentamos entender e responder as perguntas cient\u00edficas sob diferentes pontos de vista\u201d. Al\u00e9m disso, neste projeto existe um grupo voltado s\u00f3 para divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que j\u00e1 produziu e tem produzido <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2020\/10\/03\/citogenetica-evolucao-e-divulgacao-cientifica-se-encontram-em-projeto-tematico-fapesp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">diversos materiais.<\/a> \u201cAprendi com a experi\u00eancia do tem\u00e1tico que embora o objeto da investiga\u00e7\u00e3o possa ser extremamente espec\u00edfico e de dif\u00edcil compreens\u00e3o, sempre h\u00e1 possibilidade de usar parte do assunto em uma linguagem acess\u00edvel para todo p\u00fablico\u201d, acrescenta Marcelo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OLHANDO EM PERSPECTIVA&#8230; A IMPORT\u00c2NCIA DA CI\u00caNCIA B\u00c1SICA E SUAS POSS\u00cdVEIS RELA\u00c7\u00d5ES COM CI\u00caNCIA APLICADA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com todo o avan\u00e7o da Gen\u00f4mica nos \u00faltimos anos, os estudos cromoss\u00f4micos tornaram-se mais pr\u00e1ticos e abrangentes, quando comparados aos estudos cl\u00e1ssicos que descreviam genes de cromossomos Y da mosca <em>Drosophila melanogaster. <\/em>Diogo Cabral de Mello ressalta que \u201choje em dia, o avan\u00e7o gen\u00f4mico aliado \u00e0 Citogen\u00e9tica otimizou a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre o conte\u00fado dos cromossomos sexuais de diversas esp\u00e9cies, sem que para isso sejam necess\u00e1rios trabalhos exaustivos em laborat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, o grupo de pesquisa do geneticista come\u00e7ou a analisar a composi\u00e7\u00e3o g\u00eanica de cromossomos sexuais (X e Y) de esp\u00e9cies animais que s\u00e3o consideradas \u2018pragas\u2019 para agricultura convencional. Diogo comenta que \u201ch\u00e1 duas fam\u00edlias de percevejos que t\u00eam uma diversidade bastante alta, uma \u00e9 Coreidae e a outra Pentatomidae, e quando olhamos as pragas agr\u00edcolas, percebemos que v\u00e1rias das esp\u00e9cies \u00e9 da fam\u00edlia Pentatomidae. \u00c9 justamente nesta fam\u00edlia que temos os cromossomos sexuais XY, enquanto a fam\u00edlia Coreidae tem o sistema sexual X0\u201d. A partir disso, Diogo e colaboradores est\u00e3o investigando se o sistema sexual diferenciado em XY pode estar relacionado a alguma vantagem adaptativa para suas esp\u00e9cies, como possuir genes ou outras sequ\u00eancias de DNA que possam conferir resist\u00eancia a metab\u00f3litos secund\u00e1rios de defesa das plantas ou at\u00e9 inseticidas. \u201cIsso n\u00e3o seria uma aplica\u00e7\u00e3o direta, mas tem potencial para subsidiar um melhor entendimento sobre biologia e din\u00e2mica de insetos que trazem preju\u00edzos ao ambiente agr\u00edcola\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre cromossomos sexuais, Marcelo Vicari pondera que \u201centender como se d\u00e1 a determina\u00e7\u00e3o do sexo em esp\u00e9cies de peixe nativas do Brasil pode abrir perspectivas do ponto de vista ecol\u00f3gico e de conserva\u00e7\u00e3o\u201d. Os peixes possuem uma diversidade de sistemas sexuais n\u00e3o conservados, inclusive em parte das esp\u00e9cies a determina\u00e7\u00e3o do sexo n\u00e3o se d\u00e1 por genes presentes nos cromossomos sexuais, mas sim por genes presentes em outros cromossomos e\/ou fatores ambientais como temperatura. Considerando que Marcelo est\u00e1 estudando esp\u00e9cies que possuem cromossomos sexuais diferenciados, um dos seus objetivos \u00e9\u00a0 reconhecer quais genes est\u00e3o envolvidos na determina\u00e7\u00e3o do sexo nessas esp\u00e9cies e, subsequentemente, testar se as vias gen\u00e9ticas reconhecidas sofrem modula\u00e7\u00e3o por fatores ambientais capazes de determinar o sexo do embri\u00e3o. A partir desses dados, \u201ctalvez seja poss\u00edvel no futuro prever e controlar os desvios da raz\u00e3o sexual oriundos por altera\u00e7\u00f5es ambientais, o que pode ser relevante para a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies impactadas pela polui\u00e7\u00e3o\u201d, explica o geneticista.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Marcelo, decifrar os enigmas de cromossomos sexuais de peixes nativos tamb\u00e9m pode subsidiar aplica\u00e7\u00f5es para aquicultura. \u201cPodemos gerar m\u00e9todos moleculares para a identifica\u00e7\u00e3o do sexo das matrizes e, quando um dos sexos desenvolve mais e \u00e9 mais produtivo, direcionar a produ\u00e7\u00e3o para a gera\u00e7\u00e3o deste especificamente\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Imagem de capa:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e9lulas com cromossomos de um embri\u00e3o macho do gafanhoto <em>Abracris flavolinata<\/em>. Localiza\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de DNA sat\u00e9lite (a mais abundante do genoma da esp\u00e9cie) pela t\u00e9cnica de FISH (Hibridiza\u00e7\u00e3o <em>in situ<\/em> fluorescente). O cromossomo B est\u00e1 indicado pela seta. Cr\u00e9ditos:&nbsp; Diogo C Cabral-de-Mello e Diogo Milani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem gostou da primeira parte da reportagem, vale a pena conferir a continua\u00e7\u00e3o aqui. Na postagem anterior, introduzimos conceitos e tipos de cromossomos sexuais conservados ou n\u00e3o, defini\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rico&nbsp; de cromossomos B,&nbsp; import\u00e2ncia e tipos de polimorfismos [varia\u00e7\u00f5es] cromoss\u00f4micos, um olhar sobre o drive &#8211; mecanismo de perpetua\u00e7\u00e3o que cromossomos B podem realizar na meiose -, entre outros t\u00f3picos b\u00e1sicos e avan\u00e7ados da Citogen\u00e9tica. Agora vamos desenvolver alguns achados sobre polimorfismos em cromossomos sexuais, bem como discutir sobre a&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/2020\/11\/15\/projeto-investiga-variacoes-e-padroes-de-cromossomos-sexuais-e-b-de-animais-parte-ii\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":449,"featured_media":549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[33,12,8],"tags":[],"class_list":["post-542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-citogenetica","category-dna","category-populacoes-naturais"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-content\/uploads\/sites\/198\/2020\/11\/cromII_capa.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/449"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=542"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":567,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/542\/revisions\/567"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/dnaexplica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}