{"id":170,"date":"2019-06-03T09:28:22","date_gmt":"2019-06-03T12:28:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ea2pesquisa\/?p=170"},"modified":"2019-06-10T17:27:14","modified_gmt":"2019-06-10T20:27:14","slug":"o-que-sao-comunidades-de-pratica-online-e-sua-importancia-para-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ea2pesquisa\/2019\/06\/03\/o-que-sao-comunidades-de-pratica-online-e-sua-importancia-para-educacao\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o Comunidades de Pr\u00e1tica Online e sua import\u00e2ncia para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A ideia de aprendizado cria a imagem de uma rela\u00e7\u00e3o entre aluno e mestre. Entretanto, estudos de aprendizagem revelam um conjunto mais complexo de rela\u00e7\u00f5es sociais por meio do qual a aprendizagem ocorre: vai al\u00e9m de adquirir conhecimento. A Comunidade de Pr\u00e1tica (CP, por exemplo) atua como um curr\u00edculo vivo para o aprendiz (Li et al., 2009; Ranmuthugala et al., 2011; Barnett et al., 2012; Wenger e Trayner, 2015). <\/span><\/p>\n<p><b><span style=\"font-size: 18pt\">As CPs s\u00e3o grupos de pessoas que compartilham uma preocupa\u00e7\u00e3o mutuamente reconhecida por problemas reais, t\u00f3picos relevantes ou uma paix\u00e3o e fazem e\/ou aprendem a fazer melhor a partir da intera\u00e7\u00e3o regular entre os membros<\/span> <\/b><span style=\"font-weight: 400\">(Braithwaite et al., 2009; Ranmuthugala et al., 2011; Barnett et al., 2012; Wenger e Trayner, 2015; Pyrko et al., 2017). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pensar conjuntamente permite desenvolver e sustentar uma pr\u00e1tica social revigorante ao longo do tempo (Pyrko et al., 2017) e fornece uma perspectiva \u00fatil sobre o conhecimento e a aprendizagem, que pode ser, intencionalmente ou n\u00e3o, a raz\u00e3o pela qual a comunidade se re\u00fane ou o resultado acidental das intera\u00e7\u00f5es dos membros (Wenger e Trayner,2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Independente da finalidade de uma CP \u00e9 indispens\u00e1vel a presen\u00e7a de tr\u00eas caracter\u00edsticas: <strong>dom\u00ednio, comunidade e pr\u00e1tica.<\/strong> <\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Dom\u00ednio \u2192<\/b> <span style=\"font-weight: 400\">\u00a0refere-se \u00e0 identidade definida pelo interesse comum compartilhado, distinguindo os membros de outras pessoas e os limites delineados que permitem aos mesmos decidir o que vale a pena compartilhar e como apresentar suas ideias. <\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Comunidade \u2192 <\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0remete \u00e0 estrutura social que oportuniza o envolvimento dos membros por meio de atividades e discuss\u00f5es conjuntas, e facilita a aprendizagem por meio de intera\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es com os outros. <\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><b>Pr\u00e1tica<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u2192 \u00a0os membros de uma CP s\u00e3o praticantes, pois compartilham experi\u00eancias, hist\u00f3rias, ideias, informa\u00e7\u00f5es, documentos, materiais, t\u00e9cnicas e maneiras de abordar problemas recorrentes (Li et al., 2009; Wenger e Trayner, 2015; Pyrko et al., 2017). <\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que apresentem os tr\u00eas elementos citados acima, n\u00e3o h\u00e1 normas que regularizem como as CPs devem ser criadas e qual estrutura adotar, podendo ter quantidade variada de membros, envolver participantes de um pequeno territ\u00f3rio ou ser mundial e interagir de maneira presencial ou online. H\u00e1 casos em que h\u00e1 a configura\u00e7\u00e3o de uma CP, mas os membros n\u00e3o est\u00e3o cientes. A partir do momento em que \u00e9 atribu\u00eddo um nome, a CP \u00e9 colocada em foco, permitindo compreender melhor o interesse e percebendo as estruturas definidas pelo engajamento na pr\u00e1tica, e o aprendizado informal que vem com ele (Braithwaite et al., 2009; Ranmuthugala et al., 2011; , 2015; Wenger e Trayner, 2015; Pyrko et al., 2017). \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a disponibilidade de novas tecnologias, como a internet, o alcance das intera\u00e7\u00f5es ampliou as limita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas das comunidades tradicionais, tornando-se mais acess\u00edvel (Barnett et al., 2012; Wenger e Trayner, 2015; Wang et al.,2017).et al., Assim, surge a Comunidade de Pr\u00e1tica Online (CPO). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As CPO Trata-se de um grupo de pessoas que est\u00e3o conectadas atrav\u00e9s da internet e interagem com colegas, que enfrentam problemas\/desafios semelhantes, ao longo do tempo, em torno de um prop\u00f3sito, interesse ou necessidade compartilhados, reduzindo o isolamento profissional. <\/span><\/p>\n<p><b><span style=\"font-size: 18pt\">A comunica\u00e7\u00e3o da CPO pode ser realizada por meio de f\u00f3runs de discuss\u00e3o, mensagens privadas, salas de bate-papo, blogs, etc. Entretanto, o sucesso das comunidades online depende em grande parte de participa\u00e7\u00f5es sustentadas e contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias dos usu\u00e1rios<\/span> <\/b><span style=\"font-weight: 400\">(Barnett et al., 2012;Wang et al., 2017).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A CPO pode ser usada como um mecanismo de apoio \u00e0 mudan\u00e7a entre diferentes organiza\u00e7\u00f5es, e em diferentes n\u00edveis do sistema. Desenvolvendo novas ideias elaboradas por pessoas que se relacionam e fazem os ajustes necess\u00e1rios \u00e0s CPO podem alcan\u00e7ar resultados desejados, dentro de um contexto institucional e organizacional. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m s\u00e3o vistas como uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o do conhecimento, que as organiza\u00e7\u00f5es podem utilizar para apoiar a inova\u00e7\u00e3o. Em parte, devido ao encorajamento que as CPOs d\u00e3o a todos os membros que participam, apoiando uma estrutura social baseada no respeito m\u00fatuo, na confian\u00e7a e na informa\u00e7\u00e3o compartilhada. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De maneira expl\u00edcita e t\u00e1cita, as CPO unem a aprendizagem ao desempenho profissional, \u00a0podendo fortalecer efetivamente inclusive os sistemas de sa\u00fade e melhorando a qualidade de vida das pessoas. Como resultado, h\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o do conhecimento que facilita o entendimento do assunto em pauta e atinge um n\u00famero considerado de membros, garantindo que a melhor evid\u00eancia dispon\u00edvel seja usada para informar a pol\u00edtica e a pr\u00e1tica dentro de contextos organizacionais, comunit\u00e1rios e at\u00e9 mesmo universit\u00e1rio (Barnett et al., 2012; Kothari et al., 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Barnett S, Jones SC, Bennett S, Iverson D, Bonney A. General practice training and virtual communities of practice &#8211; a review of the literature. BMC Fam Pract. 2012 Aug 21;13:87 <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Braithwaite J, Westbrook JI, Ranmuthugala G, Cunningham F, Plumb J, Wiley J, Ball D, Huckson S, Hughes C, Johnston B, Callen J, Creswick N, Georgiou A, Betbeder-Matibet L, Debono D. The development, design, testing, refinement, simulation and application of an evaluation framework for communities of practice and social-professional networks. BMC Health Serv Res. 2009 Sep 15;9:162.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\"><span style=\"font-weight: 400\">Li LC, Grimshaw JM, Nielsen C, Judd M, Coyte PC, Graham ID. Use of communities of practice in business and health care<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">sectors: a systematic review. Implement Sci. 2009 May 17;4:27.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Ranmuthugala G, Plumb JJ, Cunningham FC, Georgiou A, Westbrook JI, Braithwaite J. How and why are communities of practice established in the healthcare sector? A systematic review of the literature. BMC Health Serv Res. 2011 Oct 14;11:273. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Pyrko I, D\u00f6rfler V, Eden C. Thinking together: What makes Communities of Practice work? Hum Relat. 2017 Apr;70(4):389-409. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Wenger E, Trayner B. Communities of practice: a brief introduction. V April 15, 2015. Acessado em 04 de maio de 2017: http:\/\/ wenger-trayner.com\/introduction-to-communities-of-practice\/ <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 10pt\">Wang X, Zhao K, Street N. Analyzing and Predicting User Participations in Online Health Communities: A Social Support Perspective. J Med Internet Res. 2017 Apr 24;19(4):e130. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de aprendizado cria a imagem de uma rela\u00e7\u00e3o entre aluno e mestre. Entretanto, estudos de aprendizagem revelam um conjunto mais complexo de rela\u00e7\u00f5es sociais por meio do qual a aprendizagem ocorre: vai al\u00e9m de adquirir conhecimento. 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