{"id":49,"date":"2019-02-05T10:57:00","date_gmt":"2019-02-05T12:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ea2pesquisa\/?p=49"},"modified":"2019-02-07T12:19:47","modified_gmt":"2019-02-07T14:19:47","slug":"como-a-docencia-superior-funciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ea2pesquisa\/2019\/02\/05\/como-a-docencia-superior-funciona\/","title":{"rendered":"Tensa rela\u00e7\u00e3o entre ensino e pesquisa na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo[1] que comentamos aqui foi publicado no peri\u00f3dico \u201cEspa\u00e7o do Curr\u00edculo\u201d[2]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> organizado pelo Centro de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Para\u00edba em 2015. A autora, Carla Carolina Nova[3]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, docente na Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo \u2013 UFRB, afirma que este artigo \u00e9 parte de uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado que utilizou como metodologia entrevistas com docentes sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ensino e pesquisa na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores. Em 2015, ela integrou o grupo de projeto de pesquisa \u201cDoc\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o: a profissionalidade dos professores universit\u00e1rios iniciantes\u201d, dessa forma \u00e9 poss\u00edvel afirmar que este artigo se vincula a esta produ\u00e7\u00e3o. Podemos identificar como p\u00fablico alvo deste artigo: docentes universit\u00e1rio e professores em forma\u00e7\u00e3o inicial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo est\u00e1 dividido em 3 partes: introdu\u00e7\u00e3o, se\u00e7\u00e3o \u201cRela\u00e7\u00e3o teoria e pr\u00e1tica na universidade: refor\u00e7o ao distanciamento entre ensino e pesquisa\u201d e conclus\u00f5es<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. A introdu\u00e7\u00e3o ocupa mais da metade do texto e poderia ser dividida em 3 momentos diferentes. Nesta resenha vou propor uma leitura dividindo a introdu\u00e7\u00e3o em 3 momentos e seguindo com as demais se\u00e7\u00f5es originais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro momento que podemos destacar da introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 quanto a constru\u00e7\u00e3o de um referencial te\u00f3rico\/hist\u00f3rico para chegar na seguinte afirmativa: nas universidades (esse percurso \u00e9 constru\u00eddo historicamente) existe uma hierarquia e um distanciamento entre ensino e pesquisa, ainda hoje, o ensino \u00e9 gradua\u00e7\u00e3o, consumo e transmiss\u00e3o, a pesquisa \u00e9 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o do conhecimento. Esta afirmativa \u00e9 o ponto de partida da discuss\u00e3o que a autora apresenta, vale a pena destacar alguns dos referenciais te\u00f3ricos que embasam este debate:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Potencialidades do ensino com pesquisa &#8211; Pedro Demo[4]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e Paoli Niuvenius[5]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cotidianiza\u00e7\u00e3o da pesquisa &#8211; Pedro Demo;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">D\u00favida como princ\u00edpio pedag\u00f3gico &#8211; Maria Isabel Cunha[6]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Colonialismo, concep\u00e7\u00e3o do outro como objeto e n\u00e3o com sujeito &#8211; In\u00eas Barbosa de Oliveira[7]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo em vista o ponto de partida ressaltado anteriormente podemos verificar o 2\u00ba momento que discute o curr\u00edculo prescrito, formal, oficial\u2026 \u00a0e a abordagem docente mais comum a ele que promove sua manuten\u00e7\u00e3o: a tradicional \u201caula expositiva\u201d, pura transmiss\u00e3o da teoria. Nessa abordagem o curr\u00edculo est\u00e1 diretamente ligado a pesquisa, contudo vale fazer uma ressalva neste ponto a autora n\u00e3o menciona que existe um delay grande para que a pesquisa vire ensino, para que a teoria se cristalize e vire curr\u00edculo. Nesse trecho a apreens\u00e3o dos entrevistados sobressai, \u00e9 desconfort\u00e1vel o aluno que indaga e\/ou o que n\u00e3o responde, o ideal \u00e9 o aluno que responde o esperado e que n\u00e3o problematiza, aluno ut\u00f3pico. Esse aluno ut\u00f3pico \u00e9 esperado mesmo na forma\u00e7\u00e3o de futuros professores. Ou seja, a abordagem pedag\u00f3gica hegem\u00f4nica para forma\u00e7\u00e3o de futuros professores ou \u00a0focada no docente, centrado no professor transmissor \u00e9 passiva e fortalece a tradi\u00e7\u00e3o da aula expositiva que proporciona a manuten\u00e7\u00e3o da dicotomia entre ensino consumido e pesquisa produtora. Como sa\u00edda poss\u00edvel a autora traz a reflex\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel incorporar, como conte\u00fado, os resultados das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e que esse percurso deve ser pesquisa, para tanto deve ser provocador, trazer problematiza\u00e7\u00f5es e indaga\u00e7\u00f5es e que para isso o lugar de conforto do docente expositor deve ser repensado, referenciada na \u201caprendizagem baseada na indaga\u00e7\u00e3o\u201d[8]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A \u00faltima parte da introdu\u00e7\u00e3o trata do curr\u00edculo poss\u00edvel, o que \u00e9 apresentado \u00e9 um pequeno compilado de abordagens pedag\u00f3gicas.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Abordagens centradas no professor (o propulsor \u00e9 sempre o professor): doc\u00eancia impulsionada pela investiga\u00e7\u00e3o e orientada para investiga\u00e7\u00e3o;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Abordagens centradas nos estudantes: investiga\u00e7\u00e3o tutorizada; doc\u00eancia baseada na investiga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse \u00faltimo trecho da introdu\u00e7\u00e3o, os entrevistados aparecem para afirmar que \u201cse tem como perspectiva ensinar a pesquisar\u201d. Por fim, Nova questiona a falta de autonomia que se constr\u00f3i nessa rela\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o sempre amparada, tutorada e afirma que a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">autonomia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 constru\u00edda e n\u00e3o dada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> se\u00e7\u00e3o \u201cRela\u00e7\u00e3o teoria e pr\u00e1tica na universidade: refor\u00e7o ao distanciamento entre ensino e pesquisa\u201d o argumento da autora afirma que a forma\u00e7\u00e3o de professores da forma cartesiana que \u00e9 estruturada traz o curr\u00edculo praticado puramente te\u00f3rico, com vi\u00e9s intelectualista sem ancoragem na vida pr\u00e1tica. O que \u00e9 entendido por colocar a teoria em pr\u00e1tica nos cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores s\u00e3o os est\u00e1gios, para a autora e seus referenciais[9]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> o est\u00e1gio n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica, \u00e9 uma atividade te\u00f3rica preparando para a pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando do trecho final \u201cconclus\u00f5es\u201d, as entrevistas d\u00e3o embasamento para linha de argumenta\u00e7\u00e3o da autora, resumindo as 4 partes do texto, nesta proposta de divis\u00e3o de leitura. Este artigo pode ser lido como um estudo de caso, \u00a0o texto e apresenta esse cen\u00e1rio tenso entre ensino e pesquisa como cotidiano real nas universidades ancorado em referenciais te\u00f3ricos e nas entrevistas. Para al\u00e9m, aponta que falta para doc\u00eancia universit\u00e1ria forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, que o comum \u00e9 o pesquisador que vira docente, o incomum \u00e9 o inverso. Reflex\u00e3o para mudan\u00e7a, nas palavras da autora:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO ensino \u00a0com pesquisa \u00a0precede o ensino para pesquisa, \u00a0ou seja, para que as pessoas adquiram \u00a0uma familiaridade com os mecanismos da investiga\u00e7\u00e3o \u00a0e se proponham atitudes necess\u00e1rias para o olhar reflexivo que a pesquisa necessita, elas precisam ter a oportunidade \u00a0de aprender esses processos, vivenciar ambientes que lhes d\u00ea seguran\u00e7a de se libertar das pr\u00e1ticas colonialistas que a escolariza\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica imp\u00f5e baseada na passividade, na \u00a0falta de iniciativa, na preocupa\u00e7\u00e3o com os modelos e com os julgamentos, na falta de escolha e na impossibilidade de pensar diferente.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<p>1 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">NOVA, Carla Carolina Costa da. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O curr\u00edculo e a rela\u00e7\u00e3o entre ensino e pesquisa na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores: tens\u00f5es para a doc\u00eancia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. ESPA\u00c7O DO CURR\u00cdCULO, v.8, n.3, p. 345-355, Setembro a Dezembro\u00a0de 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.periodicos.ufpb.br\/ojs\/index.php\/rec\/article\/view\/rec.2015.v8n3.345355\">http:\/\/www.periodicos.ufpb.br\/ojs\/index.php\/rec\/article\/view\/rec.2015.v8n3.345355<\/a><\/span><\/p>\n<p>2 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">A Revista Espa\u00e7o do Curr\u00edculo \u00e9 um peri\u00f3dico eletr\u00f4nico<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">qualis B1 em Ensino e B2 em Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 organizada pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Pol\u00edticas Curriculares (GEPPC), da Universidade Federal da Para\u00edba. Apresenta como o objetivo socializar conhecimentos sobre abordagens curriculares produzidas em \u00e2mbitos Internacional, Nacional e, em particular, na Regi\u00e3o Nordeste.<\/span><\/p>\n<p>3 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Docente na Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo \u2013 UFRB -, Mestre em Educa\u00e7\u00e3o e Contemporaneidade pelo PPGEDUC\/UNEB, Coordenadora do DOCFORM &#8211; Grupo de Pesquisa Doc\u00eancia Curr\u00edculo e Forma\u00e7\u00e3o de Professores \u2013 carlanova@ufrb.edu.br.<\/span><\/p>\n<p>4 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">DEMO, Pedro. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisa: princ\u00edpio cient\u00edfico e educativo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 6\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Cortez,1999<\/span><\/p>\n<p>5 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">PAOLI, Niuvenius J. O princ\u00edpio da indissociabilidade do ensino e da pesquisa. Cadernos CEDES \u00a022. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Educa\u00e7\u00e3o Superior: autonomia, pesquisa, extens\u00e3o, ensino e qualidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Cortez, \u00a01988.<\/span><\/p>\n<p>6 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">CUNHA, \u00a0Maria Isabel. \u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O professor \u00a0universit\u00e1rio \u00a0na transi\u00e7\u00e3o de \u00a0paradigmas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00a0Araraquara: Junqueira &amp; Marin editores,1998. <\/span><\/p>\n<p>7 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">OLIVEIRA, \u00a0In\u00eas Barbosa \u00a0de. As Artes do \u00a0Curr\u00edculo in OLIVEIRA, \u00a0In\u00eas Barbosa de (org). Alternativas emancipat\u00f3rias em curr\u00edculo. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2007. \u00a0\u00a0p 9\u201025. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">_______. \u00a0Pref\u00e1cio in \u00a0FERRA\u00c7O, Carlos \u00a0Eduardo; RANGEL, Iguatemi; \u00a0CARVALHO, Janete Magalh\u00e3es; NUNES, \u00a0Kezia Rodrigues. Diferentes perspectivas \u00a0de curr\u00edculo na atualidade. Petr\u00f3plis, RJ: De Petrus: NUPEC\/UFES, 2015. p. 7\u201010.<\/span><\/p>\n<p>8 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">HEALEY, \u00a0Mick.V\u00ednculos \u00a0entre doc\u00eancia \u00a0e investigaci\u00f3n: \u00a0reflexi\u00f3n en torno \u00a0a los espacios disciplinares \u00a0y el papel del aprendizaje basado \u00a0en la indagaci\u00f3n. In: BARNETT, Ronald \u00a0(Ed.). Para una transformaci\u00f3n de la universidade: \u00a0nuevas relaciones entre investigaci\u00f3n, saber y doc\u00eancia. Barcelona: Octaedro, 2008. p. 93\u2010137.<\/span><\/p>\n<p>9 &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">PIMENTA, \u00a0Selma Garrido \u00a0e ANASTASIOU, Lea \u00a0das Gra\u00e7as Camargo. \u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Doc\u00eancia \u00a0no ensino \u00a0superior<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2002. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo[1] que comentamos aqui foi publicado no peri\u00f3dico \u201cEspa\u00e7o do Curr\u00edculo\u201d[2] organizado pelo Centro de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Para\u00edba em 2015. 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